Domingo, 15 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1067
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Isso é guerra?

Por Marcelo Salles em 08/08/2006 na edição 273

Dos 800 civis assassinados pelo terrorismo israelense, 270 eram crianças. Como, pelo amor de Deus, podem continuar chamando isso de guerra? Como um massacre que faz mais vítimas entre crianças do que entre homens adultos é chamado de ‘ofensiva’ pelas manchetes?

Para piorar, analistas informam que Israel não pode ser punido por crimes de guerra, simplesmente porque não faz parte dos tribunais internacionais. Ou seja, além de ser um Estado terrorista, trata-se de um Estado marginal.

E a que ponto chegou a insanidade humana… Nações ditas civilizadas discutem que ser humano pode ser morto, como, onde e como. Se estiver fora de certas especificações, aí é considerado crime de guerra. Como se a guerra em si não fosse um crime contra a vida.

O que o mundo faz diante das agressões terroristas de Israel, apoiadas pelos EUA? Muito pouco. Alguns países enviam notas burocráticas de protesto, quando muito. Notas que não alteram em nada o quadro devastador do Oriente Médio. Apenas uma nação adotou uma postura sensata: a Venezuela, que retirou seu embaixador de Tel Aviv.

A única linguagem entendida pelo terrorismo de Estado é a financeira. Até porque seu terrorismo – militar ou midiático – tem como objetivo saquear as riquezas estratégicas de países mais fracos. Portanto, o massacre contra Palestina, Líbano e Iraque só poderia ser seriamente enfrentado pelo mundo caso os países que se pretendem democráticos suspendessem imediatamente relações comerciais com os Estados terroristas. Com terrorista não se negocia.

Sem destaque

Mas aí vem sempre alguém para dizer: isso seria impossível, pois os EUA são os maiores parceiros comerciais de diversos países. É, são mesmo. E daí? Vamos esperar que as armas de destruição em massa se voltem para nossas casas e familiares.

Para terminar, é bom enfatizar a responsabilidade da mídia hegemônica, que legitima editorialmente o terrorismo de Estado: não denunciou o acúmulo de armas de destruição em massa por EUA e Israel através dos anos; não informou sobre a deserção de milhares de militares desses países, por não concordarem com suas práticas; continua chamando de guerra o que é um genocídio; omitiu durante décadas a formação desses dois Estados terroristas.

Essa mídia tenta equilibrar o exército terrorista de Israel com a milícia do Hezbollah. Assim, o mais comum tem sido manchetes como ‘Israel ataca, Hezbollah responde’. Também não é raro vermos o contrário: ‘Hezbollah ataca e Israel se defende’. O Hezbollah sempre vem associado ao termo ‘grupo terrorista’, enquanto que o outro lado é apenas ‘Exército de Israel’. Só que essas chamadas são desmentidas pelos números apresentados nos próprios veículos de comunicação, embora sem qualquer destaque ou emoção: 900 mortos no Líbano e 74 em Israel. A proporção é de 12 para 1.

Isso é guerra?

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