Segunda-feira, 25 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
Menu

DIRETóRIO ACADêMICO > CURSO OBORÉ

Jornalismo e desinformação

Por Josimara Silva em 28/11/2006 na edição 409

Em entrevista, Marcelo Beraba, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e ombudsman da Folha de S.Paulo, falou dos problemas que o jornalismo vive, como a concentração dos meios de comunicação, que interfere na diversidade de informação, e a falta de preparo dos jornalistas. Sobre sua experiência como ombudsman na Folha de S. Paulo, disse: ‘É nítido como nossa profissão tem debilidades e grandes deficiências, e que a conseqüência disso é a perda de credibilidade’. Grande parte das reclamações que ele recebe dos leitores é referente à desinformação por parte dos jornalistas em cobrir assuntos específicos e também a enfoques errados. De acordo com os leitores, não há aprofundamento nas informações e nem apuração completa.

O ombudsman ressaltou a importância da pesquisa ao se redigir um texto e cobrir um acontecimento. ‘A base do jornalismo são as aspas, e não o aprofundamento da entrevista’. Segundo ele, os jornalistas não sabem procurar documentos, provas ou indicador comprobatório de uma informação. ‘Todo jornalismo deve ser investigativo no sentido de que exige uma apuração’, disse.

Outro entrevistado, o jornalista Ricardo Galhardo, de O Globo, contou que no início da carreira seu primeiro chefe de reportagem, na sucursal do Estadão em Campinas, disse-lhe que se se preparasse um mínimo conseguiria se sair bem, porque o nível dos jornalistas em geral é muito baixo. Galhardo concorda: para ele, o jornalismo que se faz no Brasil é muito burocrático. ‘Além da falta de profissionais preparados tecnicamente, há também a falta de curiosidade por parte dos jornalistas’, disse.

Elitismo

Repórter das editorias de Nacional e Política, antes de falar sobre sua atuação no front de guerra criticou a cobertura que a mídia faz sobre o Brasil real – ‘É ridículo falar isso, porque hoje em dia os jornais estão muito presos às pautas de Brasília e deixam de fora muitas histórias que estão acontecendo no país’, afirmou.

No Sul do Líbano, o jornalista optou por fazer cobertura voltada para o Brasil, ‘já que eles estão tão presentes aqui como os brasileiros lá’. Quando foi ao Líbano ainda não tinha experiência como correspondente de guerra e teve que entender o que era isso, qual era o contexto para que pudesse realizar seu trabalho. Contestando a forma como a imprensa cobriu o conflito, o correspondente afirmou que ‘as emissoras BBC e CNN fizeram cobertura pró-Israel, mas a Fox superou-as em parcialidade’.

Marcelo Beraba e Ricardo Galhardo concordaram em que a imprensa falhou nas matérias referentes sobre violência urbana – por exemplo, nos ataques do PCC. Segundo eles, não houve em nenhum momento um balanço técnico na área da criminalidade. Outro problema, para Galhardo, é a cobertura jornalística em favelas, concentrada em criminalidade, tráfico de drogas ou algumas excepcionalidades. ‘A imprensa brasileira é extremamente elitista e não sabe cobrir esses temas, disse. ‘Os repórteres não conhecem a favela, não têm fontes lá. Há problemas de pauta’. Segundo ele, os jornais não podem abrir mão de cobrir notícias de responsabilidade social nas favelas, principalmente na área de cultura. ‘A grande mídia dá preferência apenas ao que é importante para o mercado capitalista’.

******

Estudante de Jornalismo, aluna do 5º Curso de Informação de Jornalismo e Conflitos Armados na Oboré, São Paulo

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem