Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Jornalistas protestam contra Gilmar Mendes na Bahia

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 07/07/2009 na edição 545


Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


 


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 7 de julho de 2009


 


DIPLOMA
O Estado de S. Paulo


Jornalistas protestam contra Gilmar Mendes


‘Com apitos, narizes de palhaço e faixas que repudiavam o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, um grupo de jornalistas ligados ao sindicato da categoria na Bahia promoveu, na manhã de ontem, em frente ao Tribunal de Justiça, em Salvador, uma manifestação contra ele. Relator da ação que levou o STF a derrubar a exigência do diploma para prática da profissão de jornalista, Mendes estava no tribunal e disse apenas que a decisão foi do STF.’


 


 


COMUNICAÇÕES
O Estado de S. Paulo


PMDB mineiro quer Hélio Costa no governo


‘A Executiva Estadual do PMDB decidiu, por unanimidade, em reunião realizada na manhã de ontem, dar ‘apoio incondicional’ à candidatura do ministro das Comunicações, Hélio Costa, ao governo de Minas Gerais. O presidente do PMDB mineiro, Fernando Diniz, e os parlamentares estaduais e federais do partido, afirmaram, por meio de um comunicado, que ‘estarão comprometidos e trabalharão em suas bases eleitorais para fazer de Hélio Costa o futuro governador de Minas’. O ministro lidera as pesquisas de intenção de voto divulgadas até o momento.’


 


 


CHINA
Cláudia Trevisan


Temendo ‘efeito Twitter’, regime bloqueia web


‘O governo chinês suspendeu a internet em Xinjiang, bloqueou o acesso ao Twitter em todo a China e mobilizou seu Exército de censores para apagar fotos, vídeos e informações independentes enviadas por celulares ou computadores dos que conseguiram escapar do controle oficial em Urumqi.


Depois que as redes de relacionamento online desempenharam papel fundamental nos protestos contra as eleições no Irã, no mês passado, Pequim agiu para tentar evitar a propagação de informações e o uso da web como instrumento de mobilização. Celulares e mensagens de texto também tiveram seu funcionamento interrompido na capital de Xinjiang.


Várias pessoas que presenciaram os protestos conseguiram divulgar fotos e vídeos na internet, mas as imagens eram rapidamente excluídas pelos censores. As que foram parar no YouTube podiam ser vistas fora da China, mas não dentro do país, onde o site está bloqueado há mais de dois meses. Buscas na internet com a palavra ‘Urumqi’ resultavam na mensagem padrão quando o assunto é proibido: ‘Nos termos das leis e políticas aplicáveis, parte do resultado da busca não é exibido.’’


 


 


LUTO
O Estado de S. Paulo


Jornalismo perde Ronildo Maia


‘Foi enterrado na manhã de ontem, no Cemitério Morada da Paz, no município de Paulista, região metropolitana do Recife, o corpo do jornalista Ronildo Maia Leite. Pernambucano de Garanhuns, conquistou quatro prêmios Esso de Comunicação – regionais – e escreveu 15 livros. Tinha 78 anos e deixou oito filhos de três casamentos e 11 netos. Sua morte foi causada por uma infecção respiratória.


Ronildo se formou na primeira turma de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco, passou por quase todos os jornais pernambucanos, foi repórter da revista Veja, colaborador da IstoÉ e chefiou durante 19 anos a Redação Norte-Nordeste do jornal O Globo. Era considerado um mestre do jornalismo da sua geração.’


 


 


FLIP
Antonio Gonçalves Filho


Uma mulher à procura de si mesma


‘Catherine Millet é uma crítica de arte respeitada na Europa. Foi curadora da Documenta de Kassel, uma das principais mostras de arte do mundo, e fundadora da revista Art Press, referência da produção artística contemporânea.. Em 2001, aos 53 anos, ela publicou na França um best-seller (mais de 2,5 milhões de exemplares em 47 países) que provocou escândalo, A Vida Sexual de Catherine M., agora reeditado no Brasil pela Agir (240 págs., R$ 19,90). Nele, a crítica não fala de arte, mas de suas inúmeras experiências sexuais , algumas com vários homens numa mesma noite.


Aproveitando sua passagem pela 7ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a Agir decidiu publicar o contraponto desse seu polêmico livro, A Outra Vida de Catherine M. (tradução de Hortencia Santos Lencastre, 200 págs., R$ 39,90), escrito aos 60 anos, relato de uma crise de ciúme do marido, ela que teve tantas aventuras eróticas como Casanova. Sobre essa virada moral, Catherine Millet conversou com a psicanalista Maria Rita Kehl no último dia da Flip, domingo, revelando incomum coragem de expor publicamente suas contradições.


Quem não foi a Paraty tem agora outra oportunidade de ouvir a crítica falar de seu novo livro, que será lançado amanhã, a partir das 19h30, na Livraria da Vila (R. Fradique Coutinho, 915, tel. 3814-5811, Vila Madalena). Desta vez, a conversa com seus leitores será mediada pela professora de estética e literatura Eliane Robert Moraes. Assim, o diálogo deverá tomar outro rumo daquele mantido na Flip com a psicanalista Maria Rita Kehl. Ela evitou fazer psicanálise em público, mas Catherine não teria se importado. Falou de sua sexualidade desenfreada e suas fantasias com liberdade, embora não com muita paixão – o que permite concluir, após a leitura de A Vida Sexual de Catherine M., haver algo errado nessa maratona sexual sem vínculo sentimental.


Em seu novo livro, A Outra Vida de Catherine M. (em francês, Jour de Souffrance), ela conta como descobriu a traição do marido, o escritor e fotógrafo Jacques Henric, vasculhando sua escrivaninha e encontrando uma foto de sua amante. O livro é a confissão dessa mulher atingida em seu orgulho, sem saber como lidar com a contradição de ser sexualmente livre e assumir ao mesmo tempo uma posição moral conservadora. Catherine conclui, em sua conversa na Flip, que se vê como uma espécie de replicante de si mesma. Seu olhar interno aponta para um lado e o externo para outro. Ou seja, é como se a crítica de arte estivesse observando uma orgia sem participar dela – daí que a masturbação, para ela, é muito mais libertadora, no sentido de lhe permitir quebrar tabus e ‘imaginar cenas que nunca poderia viver na realidade’.


O exercício literário para achar ‘le mot juste’, a palavra exata que definiria essas sensações, virou obsessão. Sua interlocutora na Flip perguntou, então, se escrever não seria, para ela, uma espécie de cura, uma rejeição aos clichês do romanesco . ‘Não sei’, respondeu. ‘Estou escrevendo para me livrar de mim mesma, para apagar algo da memória.’’


 


 


Ubiratan Brasil


Festa muda em 2010 para não ser vítima do sucesso


‘A grande concentração de público, que se tornou rotina na Flip, deverá provocar mudanças na edição do ano que vem para evitar que seja vítima do próprio sucesso. ‘O clima intimista, que permite um contato mais próximo entre autores e leitores, fica comprometido’, reconheceu Mauro Munhoz, diretor-geral da feira, que estuda a possibilidade de distanciar os locais em que ocorrem os eventos – atualmente, a Tenda dos Autores, a Tenda do Telão e o espaço para autógrafos ocupam áreas próximas.


Também a data de realização da 8ª Flip deverá mudar por conta da Copa do Mundo da África do Sul, programada para ocorrer entre 11 de junho e 11 de julho de 2010. Por conta disso, a festa literária poderá deslocar-se excepcionalmente para a segunda quinzena de julho.


Já a busca por patrocínio para viabilizar o encontro (a Flip que terminou domingo custou R$ 5 milhões) promete ser menos árdua que deste ano, quando alguns apoiadores foram definidos poucos dias antes do início do evento. ‘Mantivemos uma equipe fotografando todos os eventos para entendermos quais são as possibilidades para estarem presentes no próximo ano e interagir de maneira mais efetiva com o público’, afirmou Fernando Chacon, diretor executivo de Marketing do Itaú Unibanco, que passou a participar neste ano da Flip.


Como de hábito, a última mesa do domingo reuniu alguns escritores que leram trechos de obras preferidas. Assim, Tatiana Salem Levy escolheu Escrever, de Marguerite Duras; Rodrigo Lacerda ficou com Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro; o mexicano Mario Bellatin leu Prosas Apátridas, de Julio Ramón Ribeyro; a irlandesa Anne Enright preferiu o conto The Dead, do livro Dublinenses, de James Joyce; o americano James Salter leu os versos de The Enourmous Room, de e.e. cummings; o afegão Atiq Rahimi escolheu poemas curtos de mulheres anônimas; e a francesa Sophie Calle resolveu homenagear o ex-amante Grégoire Bouillier, lendo trechos de O Convidado Surpresa.’


 


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Imposto por locação


‘Está em análise na Câmara dos Deputados um projeto de lei que promete tirar o sono de muito dono de emissora. De autoria do deputado Edson Duarte (PV-BA), o projeto 4549/08 pretende proibir a venda de espaço na programação de rádio e TV sem a bênção antecipada do Ministério das Comunicações.


Se aprovada, a mesma proposta exige ainda que 60% do valor total arrecado pelas emissoras com essa locação na grade seja repassado aos cofres da União. São cifras poderosas, se pensarmos que o Bispo R. R. Soares paga cerca de R$ 2,5 milhões mensais por uma hora diária na faixa nobre da Band.


Para o deputado, não é justo que as emissoras, que são concessões públicas, vendam os horários de programação sem repassar nenhum centavo para o Tesouro Nacional.


‘O que ele quer? Estatizar emissoras de TV? Estamos na Venezuela?’, ataca o superintendente jurídico da RedeTV!, Dennis Munhoz. A emissora tem atualmente 20% de sua grade locada. A Record, que exibe 35 horas semanais de programas religiosos, diz desconhecer o projeto. Procurada, a Band, que loca mais de 40 horas semanais, não se pronunciou.’


 


 


 


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 7 de julho de 2009


 


PRESIDENTE
Eliane Cantanhêde


Lula, o multimídia


‘BRASÍLIA – Lula já tem o ‘Café com o Presidente’, que vai ao ar todas as segundas-feiras pelo rádio, para todos os cantos do país. Também já tem o site da Presidência, com tudo o que ele diz, faz, assina. E vai ganhar a partir de hoje ‘O Presidente Responde’, para atingir 94 jornais de 22 Estados.


Os jornais inscritos só farão perguntas a Lula relacionadas às ‘políticas de governo’, pois o projeto tem a pretensão de ser ‘instrumento de prestação de contas à sociedade’. Da avalanche de perguntas, a assessoria do Planalto selecionará três por semana. Imagina-se que nenhuma delas sobre mensalão, aloprados, dossiês, muito menos sobre a operação de salvamento do Sarney e de humilhação do PT.


Depois, virão um blog e até um twitter, para interagir com a opinião pública. Tudo bem moderninho e bem oportuno a um ano e pouco da sucessão presidencial. E Lula não está rouco de tanto falar. Em Paris, já completando uns 80 dias em viagem ao exterior só neste ano, ele se ocupou ontem de uma entrevista à BBC. Para o mundo!


É Lula para todo lado. Na TV, de manhã, de tarde, de noite. Nos jornais, todos os dias, invariavelmente nas capas, quando anuncia um plano novo (mesmo que nem seja tão novo), quando faz discurso, quando fala à imprensa, quando viaja, quando lança a candidatura Dilma por aí afora, quando recebe o Corinthians, quando reúne prefeitos, quando escorrega e fala mais uma besteira -em qualquer circunstância, enfim.


Para isso existe e resiste a imprensa independente, que mantém espaços de opinião, ao lado do farto noticiário diário sobre o presidente, para trazer ao debate a crítica, o contraponto, o questionamento real, a saudável provocação. É claro que Lula e os lulistas não gostam, como FHC e os tucanos não gostavam. Mas é democrático, funciona como contrapeso e alerta.


Ainda mais quando o presidente se coloca acima do bem e do mal. E sonha com a unanimidade.’


 


 


MICHAEL JACKSON
Carlos Heitor Cony


Uma entrevista


‘RIO DE JANEIRO – Sem desdenhá-lo, confesso que nunca dei muita bola para Michael Jackson enquanto vivo, nem estou dando depois que morreu. Mesmo assim, esta é a segunda crônica que escrevo sobre ele, sinal que de alguma forma ele -como pessoa e não como artista- me impressionou.


Pela primeira vez, vi no último domingo uma entrevista do cantor com um jornalista, do qual não guardei nome e figura, que foi uma aula de como se deve abordar polemicamente um personagem polêmico. Perguntou tudo o que devia perguntar, mas de forma serena, entrou feio e forte em assuntos delicados, como a propalada pedofilia do artista. Não o irritou nem o provocou.


Apenas uma vez intrometeu-se pessoalmente na conversa. Michael confirmou que levava amiguinhos de seus filhos para dormir com ele, na mesma cama. O entrevistador entrou na história com um comentário espontâneo, mas letal: ‘Eu não gostaria que meu filho fosse para a sua cama’.


Os manuais de jornalismo condenam os comentários pessoais durante as entrevistas e reportagens de caráter geral, privilegiando a objetividade e a isenção. Mesmo assim, Michael saiu-se bem, dizendo que o entrevistador dava à palavra ‘cama’ uma conotação de sexo -o que na realidade é comum, ir para cama com alguém equivale potencialmente a um ato sexual.


Nada disso -disse o artista. ‘Deito com as crianças, ouvimos música, leio histórias para elas, comemos biscoitos.’ O jornalista passou para outro assunto, não mais se introduziu na entrevista, deixando o entrevistado falar o que quis, respeitando o que ele dizia.


Conheci um repórter que entrevistava um cara perguntando se ele era corno, o cara dizia ‘eu não’, mas ele insistia: ‘Não adianta negar, eu sei que o senhor é corno!’.’


 


 


Thiago Ney


Jackson por ele mesmo


‘O ginásio Staples Center, em Los Angeles, terá seus mais de 18 mil assentos ocupados por fãs, amigos e parentes de Michael Jackson, 50. Morto no último dia 25, o rei do pop será homenageado a partir das 14h de hoje (horário de Brasília).


Transformado em uma espécie de evento de entretenimento, o funeral/homenagem de Jackson será transmitido ao vivo pelo canal E!. Segundo a rede CNN, a cantora e atriz Jennifer Hudson fará uma apresentação ao vivo. Já o site ‘TMZ’ confirma a presença de Mariah Carey. Ken Sunshine, porta-voz da família Jackson, nega.


‘Há muitas informações erradas por aí. Isso é um funeral, e não um show.’ A cerimônia deve durar 90 minutos.


Nessa homenagem, Michael Jackson terá sua vida e obra exaltadas pelos participantes. Em diversas canções, Jackson acomodou em suas letras algumas alusões à sua vida pessoal.


Uma das hipóteses ventiladas que teriam causado a morte do cantor é a de que ele ingeriu uma grande quantidade de medicamentos, entre eles, o narcótico Demerol, que possui efeitos semelhantes à morfina.


Em ‘Blood on the Dancefloor’ (1997), Jackson incluiu a canção ‘Morphine’, que traz o trecho: ‘Demerol/ Demerol/ Oh Deus, ele está tomando Demerol/ Demerol/ Demerol/ Oh Deus, é Demerol’.


Um dos maiores sucessos da carreira de Jackson, ‘Billie Jean’ gira em torno de um episódio real ocorrido com o cantor. Uma fã alegou publicamente que Jackson era o pai de um de seus filhos. Na faixa, a versão do cantor: ‘Billie Jean não é minha amante/ Ela é apenas uma garota que afirma que eu sou o responsável/ Mas a criança não é meu filho/ Ela diz que eu sou o responsável/ Mas a criança não é meu filho’.


Enquanto ‘Billie Jean’ apareceu como um dos megahits de ‘Thriller’ (1982), ‘Man in the Mirror’ foi um dos carros-chefes de ‘Bad’ (1987). Ali, Jackson canta: ‘Dê uma olhada em você/ E então faça uma mudança’. Será que o artista se referia à transformação visual pela qual estava passando naquela época?


‘As fotografias não são suficientes/ Por que você vai tão fundo, para ter a história que precisa e então poder me enterrar?/ Você confunde as pessoas, conta as histórias que deseja/ Você tenta fazer com que eu perca o homem que realmente sou.’ São os primeiros versos de ‘Privacy’, talvez o mais furioso ataque de Jackson à imprensa sensacionalista. Ele usou o tema no clipe da canção ‘Leave Me Alone’.


Infância


Não foram poucas as letras em que Jackson colocou parte de sua vida. Uma das mais reveladoras é ‘Childhood’, presente no disco ‘HIStory’ (1995). Ali, ele faz um apelo (e lembra os maus tratos que sofria do pai, Joseph Jackson):


‘Você viu a infância que eu tive?/ Antes de me julgar, faça o possível para me amar/ A juventude dolorosa que tive’.’


 


 


Nina Lemos


Somos todos Michael Jackson


‘Michael Jackson achava que iria viver para sempre. Para conseguir tal feito, dormia em uma câmara hiperbárica. Também não queria envelhecer. Achava que conseguiria isso fazendo plásticas. Dezenas delas. Aproveitava as cirurgias para também mudar de rosto e virar outra pessoa. E, claro, realizava tantos tratamentos para a pele nessa tentativa de ser Peter Pan (e branco) que era íntimo de seu dermatologista. Há rumores de que o verdadeiro pai de dois dos seus filhos seja o médico. Quanta intimidade!


O cantor que inventou o ‘moonwalk’ também não queria sentir dores. E por isso tomava doses cavalares de analgésicos, curiosamente chamados em inglês de ‘pain killers’, assassinos da dor. Simples assim.


Muito assustador isso tudo. E muito simbólico dos tempos em que vivemos. Sim, também não queremos envelhecer. Compramos os mais modernos cremes anti-idade (como se idade fosse uma coisa maléfica). Quando eles não funcionam, apelamos para Botox e tratamentos de preenchimentos. E, claro, para a cirurgia plástica, terreno em que nós, brasileiros, assim como Michael, somos campeões. O Brasil é o segundo país onde mais se faz plástica no mundo. O primeiro são os Estados Unidos.


Se aceitamos sentir dor? Claro que não. Temos um imenso arsenal de antidepressivos que nos colocam livres dos nossos fantasmas. E uma pesquisa divulgada pelo Instituto IMS Health mostrou que o remédio mais vendido no Brasil em 2008 foi o Dorflex, um ‘pain killer’ usado por todos para qualquer tipo de dor.


Achamos que podemos driblar a morte com dietas da longevidade, comprimidos ortomoleculares, obsessão por exercício físico e uma vida regrada. Às vezes tão regrada que nos impede de viver.


E agora, com a febre da gripe suína, ganhamos um medo novo: o vírus. Uma fobia antiga de Michael, que saía na rua com máscaras com medo de ser ‘contaminado’.


Estamos, no momento, chocados com a vida e a morte de uma pessoa que vivia em um lugar chamado Neverland, a Terra do Nunca, onde o tempo podia parar e se podia ser criança para sempre, com uma vida isolada do resto da humanidade.


Acompanhamos as notícias do funeral de nossos computadores e telefones celulares, onde, de certa forma, também nos isolamos e congelamos o tempo enquanto ‘brincamos’ em sites como o Twitter, o Facebook e o Orkut. Nesses lugares (que só existem virtualmente), nos relacionamos com as pessoas sem correr o risco de ser contaminados por vírus ou por outras coisas tão humanas.


Estamos todos assustados e curiosos. Como alguém pôde viver assim? Como alguém morre supostamente de overdose de Demerol (um ‘pain killer’ poderoso)? Estamos apavorados porque no fundo, e também na superfície, em pequena escala somos todos Michael Jackson. Ou vai dizer que você não tem um dermatologista de confiança?’


 


 


DIPLOMA
Candido Mendes


O Supremo, a profissão e o bom selvagem


‘O QUE é a liberdade de trabalho reconhecida pela Carta Magna? Igual para todos, ela se assegura pela disciplina que a lei estabeleça. A lei maior garante à sociedade a competência dessa prestação pelo aperfeiçoamento incessante desse ‘saber fazer’, sem o qual não se pode falar em civilização ou modernidade.


Espanta a declaração recente do ministro Gilmar Mendes, relator de acórdão do Supremo, de que só se regulamentam as condutas de saber cientifico, ficando as demais ao doce espontaneísmo do ‘bom selvagem’, defendido por Rousseau. Só quando entra em causa o risco social ou ameaça à vida -continua o magistrado- é que se impõe a disciplina da profissão.


Mas é exatamente no caso do jornalista, que quer liberar de todo controle, que aí estão os atentados à imagem, os crimes de imprensa, num perene potencial de ameaça ao cidadão. A visão dominante do Supremo, no disciplinar a matéria, entende que possa haver trabalho irrelevante quando todo ‘saber fazer’ interfere, transforma, mas, sobretudo, melhora a vida coletiva. E o próprio mundo do mercado já se preveniu contra todo atravessador de artes, mesmo que possa ser um bugre genial.


Não há objetivamente amadorismo de trabalhador no que a mercadologia já se antecipou no cobrar a presença férrea da competência.. Madame, no tratamento de seus cachorrinhos, não abre mão dos galardões dos veterinários. E é talvez a atividade vista como o ápice do frívolo, qual a da moda, a que mais se subjuga à ditadura das grifes e da fé de ofício feroz de seus prestadores.


Afinal, no preciso texto da lei, o que é trabalho, ofício ou profissão que escape do condicionamento por uma obrigatória melhoria? O amadurecimento da liberdade pela nossa consciência cívica não foge ainda, como se viu na decisão, de uma subcultura da excelência espontânea a que faria jus o ‘bom selvagem’ escapado da sociedade organizada. A garantia do direito ao trabalho não é obscurantista, mas tem, como correlato, o dever da competência. O interesse coletivo não é o do resguardo contra perigos, mas o do incentivo permanente ao avanço intrínseco de toda atividade coletiva. A Carta não define o que seja ‘trabalho’, nem ‘capital’, nem ‘liberdade’, mas os vê todos, sempre, como concorrendo ao bem comum à sua volta.


A importante decisão do Supremo abre caminho, sim, para a denúncia do corporativismo impante em nosso meio, no outro extremo do direito apregoado à selva selvagem do trabalho clandestino. As ordens profissionais terminam por entorpecer o sentido inovador e mudancista das técnicas e dos saberes de uma geração, que acabam no estrito resguardo do seu estado atual da arte. Entre a sociedade e o Estado, a Carta do dr. Ulysses não atentou ao risco das corporações, vistas sempre como uma inócua extensão dos direitos associativos.


Que tem a ver limitação de mercado com direito à formação superior? Como podem as corporações arbitrar o quantitativo das formações de advogado, por exemplo, numa prerrogativa que é estritamente do campus e da liberdade de ensinar e expandir-se que lhe assegura a Constituição? Ficará, talvez, a decisão do STF como acórdão ‘leading’, não pelo arcaísmo da defesa do ‘bom selvagem’, mas pelo pluralismo de uma prospectiva, no reconhecer, fora de códigos da hora, essas regras de um bem fazer, sem as quais não respiramos e, de fato, desimpedimos o futuro.


CANDIDO MENDES, 80, membro da Academia Brasileira de Letras e da Comissão de Justiça e Paz, é presidente do ‘senior Board’ do Conselho Internacional de Ciências Sociais da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e secretário-geral da Academia da Latinidade.’


 


 


SATIAGRAHA
Folha de S. Paulo


Procurador pede investigação da nova tele


‘O procurador da República em São Paulo Rodrigo de Grandis requisitou a abertura de mais três inquéritos na Polícia Federal para apurar atividades do banqueiro Daniel Dantas e de pessoas relacionadas ao grupo Opportunity, dentre as quais o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP).


A primeira investigação trataria da compra da Brasil Telecom pela Telemar, que gerou a supertele BrOi, a maior empresa telefônica do país. A compra, estimada em R$ 4,8 bilhões, só foi possível após um decreto baixado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva criar as condições legais para o negócio.


Dois bancos estatais, o BNDES e o Banco do Brasil, financiam o negócio.


O objetivo do inquérito, segundo a requisição feita pelo procurador, é apurar ‘eventual perpetração de crime financeiro e/ou de ‘lavagem’ de recursos ilícitos por ocasião da aquisição da empresa Invitel (controladora da Solparte, que por sua vez é a controladora da Brasil Telecom Participações) pela Oi (Telemar)’.


A base da investigação são as conversas telefônicas interceptadas ao longo da Operação Satiagraha. Nela, advogados e integrantes do Opportunity discutem estratégias para o negócio, incluindo a aproximação com ministros de Estado e políticos influentes no governo.


Uma segunda frente tratará de supostos crimes contra o sistema financeiro e operações de lavagem de dinheiro, principalmente atividades da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara e seu responsável, Carlos Rodemburg, braço direito de Dantas, de quem foi cunhado. Há suspeita de que o gado da agropecuária seja fachada para lavagem de recursos.


A terceira investigação tratará de possível evasão de divisas na composição e alimentação do Opportunity Fund, um fundo de investimentos criado por Daniel Dantas em 1992, com sede nas Ilhas Cayman, que adquiriu diversos ativos da União privatizados durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, como a Brasil Telecom. Os alvos, nesse caso, serão ‘os cotistas e os representantes dos cotistas no fundo’.


O papel de Dantas já foi objeto da denúncia oferecida pelo procurador De Grandis.. Segundo ele, o banqueiro ‘proporcionara, entre o ano de 1998 e pelo menos até o ano de 2004, que diversos cotistas (cidadãos brasileiros) mantivessem depósitos não declarados à Delegacia da Receita Federal e ao Banco Central do Brasil’.


O procurador citou, na denúncia, que doleiros corroboraram a tese de que o fundo foi alimentado pelas operações ‘dólar-cabo’. Trata-se de um sistema de remessa ao exterior que oculta verdadeiro dono do dinheiro. A transação é feita em nome de um doleiro, fora dos controles do Banco Central. São citados os doleiros Richard Otterloo, Clark Setton, Luis Filipe Malhão e Sousa e Patrícia Matalon Peres.’


 


 


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Ex-deputado rechaça citação; Oi não se manifesta


‘Em nota, o advogado e ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT) afirmou que não há nada, em sua atuação como advogado do Opportunity, que possa ‘macular’ sua imagem. ‘Quero rechaçar qualquer tentativa de levantar suspeição sobre minha pessoa e sobre minha reputação’, afirmou.


Greenhalgh não foi denunciado. O procurador Rodrigo de Grandis pede, na denúncia enviada à Justiça, a abertura de inquérito para aprofundar a participação de pessoas investigadas na primeira fase. Segundo relatórios da Operação Satiagraha, ele teria atuado como lobista de Daniel Dantas no governo.


Greenhalgh diz que vê a citação como uma represália ‘por ter descoberto a ação ilegal da Abin’ (Agência Brasileira de Inteligência) na ação. Afirma ainda que atuou na defesa de seu cliente nos ‘estritos marcos da legalidade e da ética profissional’.


A Oi, empresa que comprou a Brasil Telecom, não quis se manifestar. A empresa afirmou que, como não recebeu notificação, não poderia comentar o pedido do Ministério Público.


O advogado Roberto Batochio, designado pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para defender Greenhalgh, disse que o ex-deputado ‘agiu estritamente dentro da lei e no exercício de sua atividade’ profissional.’


 


 


PUBLICIDADE
Folha de S. Paulo


Honorário de Duda Mendonça é questionado por Procuradoria


‘O Ministério Público Federal entrou ontem com uma ação na Justiça do Distrito Federal pedindo a devolução de R$ 757 mil pagos à agência de publicidade de Duda Mendonça pela Presidência. Os valores são referentes a honorários recebidos pela agência por subcontratar empresas para fazer serviços que nem sequer constavam no contrato entre publicitário e governo.


Outra ação foi proposta contra a Matisse Comunicação de Marketing Ltda. Com os mesmos argumentos, o Ministério Público pede a devolução de R$ 422 mil.


As ações são baseadas em acórdão do TCU (Tribunal de Contas da União) que identificou irregularidades na contratação de empresas para a realização de serviços nas áreas de informática, consultoria, assessoria de imprensa, pesquisa de opinião e monitoramento.


Segundo a procuradora da República Raquel Branquinho, as agências receberam por intermediarem contratações sem que tenham executado qualquer objeto desses contratos, ‘pois a execução ficou sob a atribuição da subcontratada’.


O advogado de Duda Mendonça, Henrique Araújo, afirmou que houve um recurso contra o acórdão citado pela Procuradoria que ainda não foi julgado.


A Matisse não respondeu o contato da Folha até o fechamento desta edição.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


‘Change’


‘Lula estreia hoje como colunista em 94 jornais. Em São Paulo, 26. No Sudeste todo, 43. No Nordeste, 19. Entre os títulos, informa o Comunique-se, o popular ‘Meia Hora’, no Rio, e os tradicionais ‘A Tarde’ (BA) e ‘Jornal do Commercio’ (PE).


Hoje também, Lula assina com o francês Nicolas Sarkozy o artigo ‘Aliança por mudança’, Alliance for change, no ‘New York Times’. Adiantado ontem no site, o texto trata do encontro G8+6, de países desenvolvidos e emergentes. Diz que a reunião ‘sublinha nosso grau de interdependência’, a necessidade de ‘resposta coletiva’ e de repensar as ‘instituições internacionais’. Além de Banco Mundial e FMI, cita o Conselho de Segurança da ONU.


Ao fundo, ‘Financial Times’, ‘Guardian’ e outros avaliam que o encontro da Itália, um ‘caos’ sob Silvio Berlusconi, é a ‘canção de cisne’ do G8.


LULA E OS RICOS


No topo das buscas de Brasil no Yahoo News, Lula saiu dizendo ontem, já na França, que os ‘países ricos estão fazendo pouco para ajudar os países pobres’. Cobrou as decisões acordadas no encontro do G20, de países desenvolvidos e em desenvolvimento _e que Itália e outros não vêm cumprindo. Na BBC, declarou que ‘o melhor espaço para discussão [da crise] é o G20’, não o G8.


OBAMA E OS BRICS


Nas manchetes on-line americanas, o acordo nuclear de EUA e Rússia.


Em entrevista à Itar-Tass e à TV Rossiya http://www.fnsg.com/transcript.htm?id=20090702t0735 , reproduzida por todo lado, Barack Obama declarou que os EUA continuam ‘superpotência militar’ e ‘a maior economia do mundo. Mas o mundo está se tornando mais integrado. Você tem países como China, Índia e Brasil muito mais desenvolvidos que no passado’.


DANÇANDO NA CRISE


Com mulata no Sambódromo e o enunciado ‘Dançando através da crise econômica’, o ‘Financial Times’ publica hoje um especial de quatro páginas sobre o Brasil. Em textos diversos, sugere ao governo evitar a diplomacia ‘Sul-Sul’ e saúda como o mercado financeiro ‘prossegue inabalado’ por aqui.


Em texto sobre os ‘afro-brasileiros’, o escritor Oliver Balch viaja pelo país e alerta que, ‘quando um negro tenta entrar no mundo da política, dos negócios ou da academia a ficção da democracia racial se evidencia’.


O INTERVENCIONISTA


O correspondente do ‘FT’ Jonathan Wheatley entrevista Guido Mantega para o especial e não esconde as diferenças com o ministro que diz ser intervencionista e com seu plano de ‘estímulo’. Para o site do jornal, destacou a revelação de que vem aí corte nos ‘custos trabalhistas’, com eco nos sites daqui.


VENDAS RECORDES


Manchete do UOL, ontem à tarde e entrando pela noite, ‘Vendas de carros sobem 17,2% e batem recorde’. E na Reuters Brasil, ‘Montadoras esperam alta de venda no país em 2009 e 2010’.


ARROZ, FEIJÃO, CARNE


Manchete na Agência Brasil, ‘Cesta básica fica mais barata em 13 capitais’. E submanchete na Folha Online, ‘Arroz, feijão e carne ficam mais baratos e aliviam inflação para baixa renda’.


OBAMA LÁ


A BBC Brasil postou, com eco por UOL e outros, que o ‘modelo de Manuel Zelaya’, derrubado em Honduras, ‘é Lula e não Hugo Chávez’. Foi o que falou seu ministro da Cultura. ‘Zelaya sempre se sentiu mais atraído pela forma de trabalho do presidente Lula’.


Por outro lado, na manchete da Folha Online ao longo do dia, o esforço do ‘novo governo’ de ganhar apoio em Washington que por fim negou. Afirma o argentino ‘Clarín’ que o ‘novo chanceler’ chamou Obama, na TV, de ‘negrinho [negrito] que não sabe nada’.


DANTAS E MAIS 13


Foi manchete no Terra ao longo de manhã, tarde e noite e depois no ‘Jornal da Record’.


No ‘Jornal Nacional’, a notícia entrou na escalada logo após a volta da Cracolândia em SP, com o enunciado ‘O Ministério Público Federal denuncia o banqueiro Daniel Dantas e mais 13 pessoas’.’


 


 


ANDRÉ FONSECA LOZANO (1968-2009)
Estêvão Bertoni


Um jornalista que adorava cozinhar


‘A primeira faculdade de André Lozano foi arquitetura, brinca a mãe.. Ele estava na barriga dela quando ela se formou. Diploma mesmo, obteve em jornalismo, na Faculdade Cásper Líbero, e em ciências sociais, na USP, cursos que terminou simultaneamente aos 23 anos.


A sólida formação de Lozano, na opinião dos amigos, foi fundamental em sua trajetória como jornalista. Pensava nos aspectos políticos da área que costumava cobrir -a segurança pública-, como lembra o amigo e jornalista Marcelo Godoy.


Sua visão do assunto seria também responsável por levá-lo a ser assessor de imprensa de dois ministros da Justiça: José Carlos Dias e Miguel Reale Júnior. Para Dias, Lozano era leal, ético e eficiente. ‘Ele escrevia bem, tinha boas ideias.’


Trabalhou ainda com Marta Suplicy na Prefeitura de SP. Pela Folha, onde ficou de 1991 a 1999, foi finalista do Prêmio Esso, em 1994, com uma reportagem que mostrava a realidade do menor colégio eleitoral do país, no Acre, com apenas 321 eleitores e sete aparelhos de TV.


Tânia, a mãe, lembra que Lozano era ‘festeiro’. ‘Ele gostava de reunir os amigos em casa e fazer paella.’ Morreu anteontem num acidente, aos 41, após cair de um terraço. Deixa dois filhos: Camila, de 12 anos, e João Pedro, de 11 meses. O corpo é velado no cemitério da Paz, na Vila Sônia, e o enterro está previsto para as 10h de hoje, no mesmo local.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Record muda programação 24 vezes em apenas 57 dias


‘A Record mudou sua programação em São Paulo pelo menos 24 vezes nos últimos 57 dias. É a emissora que mais altera sua grade. Fez uma média de três mudanças por semana.


A onda de alterações, que visa estancar a queda no Ibope, começou na semana de 11 a 17 de maio, quando Geraldo Luís deixou de apresentar o ‘Balanço Geral’ paulista e a emissora passou a exibir a edição carioca, com Wagner Montes.


A mudança durou apenas sete dias. Na semana seguinte, a emissora cancelou definitivamente o ‘Balanço Geral’ e ampliou a duração do ‘Hoje Em Dia’ -que terminava às 12h30 e passou a se encerrar às 14h.


Em 31 de maio, com a estreia de ‘A Fazenda’, a Record radicalizou. Antecipou o ‘Domingo Espetacular’ para as 17h e o ‘Repórter Record’ para as 20h.


‘A Fazenda’ também mexeu com as novelas da emissora. Elas deixaram de ser exibidas aos sábados. ‘Promessas de Amor’ já teve início às 22h, mas voltou para as 20h30. ‘Poder Paralelo’, que já começou às 22h45, se estabilizou às 22h15.


Na semana passada, em tentativa de impulsionar o ‘Jornal da Record’, a emissora passou a exibir uma terceira edição de ‘A Fazenda’, inicialmente às 19h20, depois às 19h10 e finalmente às 19h. O telejornal ‘SP Record’ e ‘Picapau’ também entraram na dança da grade.


Ontem, a Record fez novas mudanças. Encerrou o ‘Programa da Tarde’ e estreou o ‘Geraldo Brasil’, às 16h. Às 13h15, anunciou ‘Todo Mundo Odeia o Chris’, mas mostrou um especial sobre o funeral de Michael Jackson. A emissora não se pronunciou.


GANCHO 1


Oscar Roberto Godoy, o comentarista de arbitragem da Band que chamou o goleiro Felipe de ‘filho da puta’, não deu as caras no ‘Jogo Aberto’ na quinta e na sexta. O sumiço gerou comentários na rede de que ele teria sido suspenso.


GANCHO 2


A Band nega qualquer punição a Godoy. Diz que ele não apareceu no ‘Jogo Aberto’ porque tinha viagem previamente programada.


COINCIDÊNCIA ANIMAL


Assim como ocorreu no primeiro ‘Big Brother Brasil’, ‘A Fazenda’ agora tem um cachorro como ‘morador’. Seu nome é Max, o que remete a Maximiliano Porto, o vencedor do último ‘BBB’.


RECIBO


A Globo passou recibo para o ‘Esporte Fantástico’, novo esportivo da Record. Exibiu um clipe ao final do ‘Esporte Espetacular’. ‘Sempre que você ouvir essa música [o tema do programa tocava ao fundo], você sabe que está no lugar certo’, disse a Globo.


PROTESTO


Um hacker invadiu a conta de ‘A Fazenda’ no Twitter. ‘Odeio o sensacionalismo que a Record faz a cada tragédia. Parem com isso’, postou.


MAGOADO


De Silvio Santos, para seu auditório, no programa de domingo: ‘Hoje tem programa do Gugu?’. O auditório: ‘Teeeeem’. ‘Já teve’, retrucou o apresentador, com um quê de vingança.’


 


 


Lúcia Valentim Rodrigues


‘Som & Fúria’ aposta em humor ‘exagerado’


‘Primeiro ato. Dentro do banheiro, o diretor da peça (Felipe Camargo) tenta desobstruir a privada, enquanto equilibra o (não) pagamento das contas. Brandindo seu desentupidor, ele ensaia ‘A Tempestade’ em um teatro caindo aos pedaços. Segundo ato. Um acomodado veterano da encenação (Pedro Paulo Rangel) estreia seu quarto ‘Sonho de uma Noite de Verão’, sem ter nada de seu para transmitir aos atores. Ele mesmo não acredita no que faz ali. Terceiro ato. Uma conversa telefônica vai unir esses dois mundos.. Pela última vez. Atropelado por um caminhão de presunto, o personagem de Rangel vira o fantasma que vai perseguir Camargo numa montagem de ‘Hamlet’. Assim é ‘Som & Fúria’, minissérie com 12 episódios que estreia hoje na Globo, após o ‘Casseta & Planeta, Urgente!’. A ideia surgiu de Fernando Meirelles, que encabeça o time de diretores, após ver a canadense ‘Slings and Arrows’. ‘Eu me interessei pela possibilidade de falar sobre as peças de Shakespeare e pude matar a vontade de filmar com vários atores de quem sou fã’, diz ele. No elenco, ainda estão Andréa Beltrão, Dan Stulbach e Daniel de Oliveira, entre outros. Mesmo com carta branca para mudar o que quisesse, fez uma adaptação fiel ao original. ‘Encurtei só uns 20% e enfiei algumas piadas que me ocorreram no processo e só funcionam aqui no Brasil.’ Com isso, o ator que vai viver Hamlet muda de um protagonista de filmes de ação para um galã-surfista da novela das sete. Ou, enquanto lá fora a companhia busca apoio financeiro de mecenas, no Brasil o administrador do grupo vai passar o chapéu no Ministério da Cultura. ‘Botei também um publicitário [Rodrigo Santoro] que é um tremendo 171 e, para impressionar seu cliente, vive citando o Sarney. Fui profético.’ Mas Meirelles diz ter segurado o tom, ‘porque o humor no Brasil tende a ser um pouco mais exagerado’. A série é ambientada quase 85% em estúdio ou no Teatro Municipal de São Paulo, onde foi filmada em julho passado. A produção ficou a cargo da O2 Filmes e conta com outros quatro diretores: Gisele Barroco, Toniko Melo, Rodrigo Meirelles e Fabrizia Pinto. Ao final, a trama não é conclusiva. Seria uma segunda temporada a vir? ‘A porta ficou aberta. Acho que, se tivermos uma audiência razoável, ali pelos 20 ou 21 pontos, há chances de a Globo nos pedir uma segunda rodada para o ano que vem. Se isso acontecer, adaptaria o ‘Rei Lear’, também já feito pelos canadenses, e depois escreveria do zero com a atriz Cecília Homem de Mello uma trama sobre uma montagem de ‘Ricardo 3º ou quem sabe ‘Otelo’, como me sugeriram Felipe Camargo e Rangel. Tomara que dê certo, porque eu adoraria brincar de teatro novamente.’


SOM & FÚRIA


Quando: estreia hoje, às 22h30, na Globo; de ter. a sex.; até 24/7


Classificação: não informada’


 


 


CINEMA
Teté Ribeiro


O novo alter ego de Woody Allen


‘Larry David está por trás e à frente de dois grandes encontros cômicos dos próximos meses. O primeiro é na TV, na sétima temporada da série ‘Curb Your Enthusiasm’, em que os quatro protagonistas de ‘Seinfeld’ filmaram participações especiais -a primeira vai ao ar em 20 de setembro nos EUA. A HBO Brasil, que a rebatizou de ‘Segura a Onda’, não programou a estreia dessa temporada.


O outro encontro é o dele mesmo com Woody Allen, no filme ‘Tudo Pode Dar Certo’ (leia mais ao lado) que leva os dois comediantes de volta a Nova York, onde ambos nasceram -Larry em 1947, Woody em 1935, os dois no Brooklyn, os dois judeus- e onde começaram a carreira como stand-up comedians.


Na pele de Boris Yellnikov, Larry David anuncia: ‘não sou um sujeito agradável, charme não é uma prioridade aqui’. Por mais que se saiba que aquelas palavras são de Woody Allen, a frase é puro Larry. Ou George Costanza, para os fãs de ‘Seinfeld’, seu alter-ego na série que criou ao lado de Jerry Seinfeld, de 1990 a 1998, e que vai ao ar até hoje em reprises.


Mas soa mais como o personagem dele em ‘Curb’, série que criou na HBO dois anos depois do fim de ‘Seinfeld’. ‘Curb’ está para o Larry pós-’Seinfeld’ -rico, famoso, prestigiado- como ‘Seinfeld’ estava para o Jerry pré-’Seinfeld’, um comediante em busca de um veículo. ‘Curb’ fez de Larry uma celebridade. ‘Seinfeld’, um homem rico. Agora o filme pode transformá-lo em ator.


Em entrevista em Nova York, Woody Allen disse que escolheu Larry David para seu 40º longa porque o protagonista reclama o tempo todo e é muito pessimista. Por isso precisava de um ator que pudesse falar as barbaridades que ele havia escrito sem despertar muita raiva no público, o que não acredita que conseguiria fazer se atuasse no papel.


Comento isso com David, que atrasa a entrevista no mesmo dia em Nova York porque estava terminando um prato de cereal, e ele refuta a ideia: ‘não pode ser. Ele é uma fofura e eu sou uma peste.’ Como para provar sua teoria, conta que recusou o convite quando o diretor o fez. ‘Eu gostei da ideia de trabalhar com Woody Allen de novo, mas quando li o roteiro e vi o tanto de falas que teria de decorar, fiquei apavorado. Odeio desafios, tento evitá-los a todo custo.’


Ele já participou de dois filmes do diretor nos anos 80. No primeiro, ‘A Era do Rádio’, faz apenas uma cena em que tudo que dá para ver é a sua careca, já que a câmera está muito longe e alta em relação aos atores. No segundo, ‘Histórias de Nova York’, é um gerente de um cinema que tem uma discussão com o personagem de Woody Allen. Sua aparência não mudou muito desde 1989, quando o filme foi lançado. Continua magricelo, comprido, careca e de óculos. O cabelo embranqueceu nas laterais e ficou mais ralo no topo da cabeça..


Boris Yellnikov, o personagem de ‘Tudo Pode Dar Certo’, é um físico de prestígio casado com uma mulher milionária e igualmente bem sucedida. Até que acorda no meio de uma noite em crise de pânico e descobre que sua vida parece perfeita, mas ele mesmo detesta tudo. Tenta se suicidar e falha.


Decide então abrir mão de tudo, a começar da mulher e do endereço. Muda-se sozinho para Chinatown e passa os dias ensinando crianças a jogar xadrez e as noites conversando com os amigos. Até que encontra uma jovenzinha recém-chegada do Sul na porta de seu prédio pedindo ajuda. Deixa que ela passe a noite no sofá. Os dois se apaixonam. Contar mais é sacanagem.


Outra sacanagem é não contar absolutamente nada sobre o que acontece quando os quatro atores de ‘Seinfeld’ se encontram em ‘Curb’. Mas é isso que Larry David faz na entrevista, com a desculpa de que ‘os produtores me matam se eu revelar alguma parte da trama’. A resposta não soa verdadeira, já que ele é, além de criador e protagonista, produtor-executivo da série. ‘Estava tentando ser gentil’, explica.


Mas se não fala sobre a obra, não parece ter nenhuma amarra que o impeça de comentar sua vida pessoal.. Nos últimos episódios da sexta temporada de ‘Curb’, exibidos nos EUA entre outubro e novembro de 2007, o personagem e sua mulher fictícia se separam quando Cheryl David (interpretada pela atriz Cheryl Hines) se cansa do egocentrismo de Larry. Pouco antes dos episódios irem ao ar, Larry David e sua mulher na vida real, a ativista e produtora Laurie Lennard, com quem era casado desde 1993 e tem dois filhos, se separaram. Pergunto o que deu errado e, para minha surpresa, ele conta.


‘Tudo começou quando decidi que só ia comer comidas saudáveis. Isso a irritou profundamente. Mas o ponto final foi quando ela começou a me pegar passando fio dental em público. O que não faz o menor sentido. Adianta comer saudável se a higiene bucal não está em dia?’ Melhor que isso só nos próximos episódios de ‘Curb Your Enthusiasm’. Ou em ‘Tudo Pode Dar Certo’.’


 


 


 


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