Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

DIRETóRIO ACADêMICO > ZIMBÁBUE

Jornalistas espancados em comício violento

Por Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler em 24/06/2008 na edição 491

Partidários do presidente Robert Mugabe atacaram um comício do partido de oposição Movimento para a Mudança Democrática (MDC) no domingo (22/6), em Harare, espancando jornalistas e obrigando observadores das eleições a fugir. A violência em meio ao processo eleitoral se intensificou nas últimas semanas com a proximidade de um segundo turno entre Mugabe e o candidato de oposição Morgan Tsvangirai, líder do MDC. ‘Milhares de membros da milícia jovem do Zanu-PF [partido de situação], munidos de barras de ferro, pedaços de pau e outras armas, atacaram jornalistas e obrigaram equipes de observadores independentes a se afastar do local do comício do MDC’, afirmou o partido, em declaração.


Tsvangirai venceu Mugabe no pleito de 29/3, mas não conseguiu obter a maioria necessária para evitar um segundo turno. O político já foi preso cinco vezes durante a campanha e afirma que pelo menos 70 membros do partido de oposição foram assassinados. No domingo (22/6), em meio a uma campanha ilegal de intimidação orquestrada por forças de segurança e milícias pró-governo, ele retirou sua candidatura e refugiou-se na embaixada holandesa por questões de segurança.


Nesta segunda-feira (23/6), a polícia invadiu a sede do MDC e prendeu 60 pessoas, entre elas mulheres e crianças que estavam abrigadas no local. Tsvangirai não pediu asilo político, mas declarou que retiraria a candidatura por haver um complô do Estado que impedia um pleito justo na próxima sexta-feira (27/6). Segundo ele, o país enfrenta um genocídio. ‘Mugabe declarou guerra, e eu não serei parte desta guerra’, afirmou. Tsvangirai diz que o partido está aberto a negociar com o Zanu-PF, desde que a violência sofrida por partidários da oposição seja encerrada.


Poder eterno


Mugabe, de 84 anos, luta para manter seu longo poder sobre o Zimbábue. Ele governa o país desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1980, e enfrenta anos de crise política e econômica. O presidente culpa a oposição pela atual onda de violência e nega que as forças de segurança oficiais sejam responsáveis por demonstrações de brutalidade. Durante a campanha, a mídia estatal se recusava a publicar anúncios políticos do MDC e a polícia chegou a bloquear alguns comícios do partido.


Apesar da falta de oponente para Mugabe, o Zanu-PF declarou que irá adiante com a eleição desta semana. O ministro da Justiça, Patrick Chinamasa, ridicularizou o anúncio de Tsvangirai. ‘O Zanu-PF não está levando as ameaças a sério; são insignificantes’, afirmou, em citação publicada no jornal estatal Herald. ‘Continuaremos com nossa campanha para conquistar a vitória na sexta-feira’, completou. Informações de Nelson Banya [Reuters, 22/6/08] e Mark Tran, Peter Walker e Julian Borger [Guardian.co.uk, 23/6/08].

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