Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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DIRETóRIO ACADêMICO > VIDA DE ESTUDANTE

Meu curso de Jornalismo foi extinto

Por Jorge Teles em 25/01/2005 na edição 313

No hall de entrada da faculdade estava exposto o cartaz informando que nos dias 13 e 14 de janeiro de 2005 seriam realizadas as matrículas do Curso de Jornalismo. A mesma informação constava na página da instituição na internet. O que deixava dúvida eram os telefonemas recebidos por alguns alunos do curso, informando que não haveria matrícula nestes dias, e convocando-os para uma reunião em 20 de janeiro.

Outra informação extra-oficial, que necessitava ser apurada, era a extinção do Curso de Economia. ‘Parece que aceitaram transferência para o curso de Gestão de Negócios pagando apenas 50% da mensalidade, e parece que isso acontecerá com o Jornalismo’, era o comentário que circulava entre alunos da instituição.

Como aprenderam, no próprio curso, que tudo deve ser apurado, os futuros jornalistas dirigiram-se na noite do dia 13 de janeiro à secretaria da instituição. Solicitaram a realização da rematrícula, e de imediato foram informados de que não seria possível, e que todos estavam convocados para a tal reunião do dia 20 de janeiro.

Não restava mais dúvida mas, para confirmar, perguntaram o motivo da reunião, e este também foi confirmado: a possível extinção do Curso de Jornalismo, assim como havia acontecido com o de Economia.

Jornalista – ou no caso, futuro jornalista, ou ainda, quem sabe, ex-futuro-jornalista – acredita no Jornalismo, e optou porque sabe o que quer. Caso a extinção aconteça, respeitando-se as particularidades, acredito que a maioria não aceitará migrar para outro curso, seguindo o exemplo das turmas de Economia. Futuro jornalista acredita no jornalismo, por isso informou à imprensa local – TV, rádio e jornal –, pois sabia que o assunto interessava a toda a comunidade, e não somente àqueles alunos. A imprensa compareceu.

Último respiro de liberdade

Entre os alunos presentes na noite do dia 13, o pensamento era unânime: não se trata apenas um ano, 12 parcelas pagas pela prestação de serviços, a ser extinto. É um projeto de vida para quatro anos. São noites sem dormir, fins de semana sacrificados, investimento em transporte, livros. Muitos deixaram família, empregos, abandonaram outros cursos superiores em andamento, tudo em prol de um sonho. E não é só isso, professores investiram, buscaram se especializar, sonharam juntos. Estes professores incentivaram a turma, ensinaram muitas coisas nesses dois períodos. Insistiram na idéia de que na faculdade devemos aproveitar tudo. Além das aulas, o bate-papo com os colegas, a conversa informal com professores, qualquer tipo de leitura – tudo é válido.

Debatemos muito sobre a busca da verdade, sobre não aceitar as coisas como ‘cordeiros’, mas ao contrário, lutar pelos direitos nossos e dos outros, e principalmente, nunca deixar de sonhar.

Posso estar agora sonhando, portanto, meus queridos professores, não levem em conta o início do texto na terceira pessoa e a mudança para a primeira. Também sei que o texto está sem lide. No início até parece lide de apelo direto ou nariz de cera, mas tudo isso não passa de um desabafo, talvez o último respiro de liberdade. Afinal, durante este tempo procurei registrar tudo. Foram textos, fotos, áudios que arquivei procurando preservar todos os momentos do curso: os bons, os não tão bons. Pena que meu blog sumiu e perdi muita coisa. Lamento também que o que tentei gravar na noite do dia 13 de janeiro, para registrar nos anais da história de nosso curso, não funcionou, as pilhas do gravador falharam.

Um recado

Eu sei, é um erro fatal não verificar as condições do equipamento antes de usá-lo. Acho que o gravador ficou morrendo de medo quando uma pessoa me informou que não autorizaria o uso de sua voz na imprensa, e antes tentou ficar com minha fita. Por favor, me poupem.

Agora existe outro aspecto a ser analisado, a relação cliente-fornecedor. Produto vendido e não-entregue pode manchar a imagem de qualquer instituição. Um exemplo: presta-se vestibular, investindo-se em mensalidades e outras coisas, não para estudar um ano, mas sim concluir um curso superior. Nessas condições, qualquer pessoa que tenha um objetivo é contrária à extinção de seu curso. Por outro lado, todos são conscientes de que se houver amparo legal para o fechamento de um curso tal decisão deve ser aceita. Depois disso, outros caminhos legais poderão ser tomados. Mas o sonho, o projeto de vida, este sim, acaba. Assim como o meu, cuidado, o de muitos outros também poderão ruir como um castelo de areia atingido pela onda. Ontem foi um curso, no dia 20, o meu, e no futuro? O futuro, tudo indica, está na mão dos gestores.

Antes de finalizar, um recado a quem teve ou terá aulas de marketing: não basta estudar, é muito importante observar os modelos de relação empresa-cliente que não devem ser seguidos. Às vezes o mau exemplo não está longe. E mais, as empresas não podem esquecer o ditado ‘Cliente satisfeito fala para 10. Cliente insatisfeito fala para 1.000’.

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Estudante do 2º período de Jornalismo das Faculdades Campo Real, Guarapuava, PR

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