Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Mídia criticada no caso Paula Oliveira

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 17/02/2009 na edição 525

Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 17 de fevereiro de 2009


 


CASO PAULA OLIVEIRA
Carlos Heitor Cony


Canivete suíço


‘RIO DE JANEIRO – De uns tempos para cá, a mídia decidiu adotar o politicamente correto e, além disso, evitar problemas na Justiça: jornais, revistas, rádios e TVs não classificam ninguém de traficante, ladrão, estuprador ou assassino. Na obrigação de informar crimes, sequestros, tiroteios e assaltos sexuais, o máximo a que chegam é à suposição. A polícia invade um morro e mata tantos supostos traficantes, que supostamente escondiam um arsenal supostamente de última geração.


Esse cuidado com a lei e com os fatos foi agora reforçado pelo Supremo Tribunal Federal: só se deve julgar após o último recurso na Justiça. Até lá, tudo não passará de suposições (ia dizer supositórios). Suponho que todos estejam supostamente certos.


Daí o meu espanto quando a mídia tratou do caso de uma brasileira que supostamente teria sido retalhada por supostos neonazistas na Suíça. Até mesmo Lula e o ministro Amorim embarcaram nessa, sem esperar que a suposição fosse confirmada ou negada.


Para o bem geral, não se chegou ao ‘casus belli’, a um caso de guerra contra aquele país supostamente pacífico, cujo exército, se é que lá existe um (que não seja a Guarda Suíça que cabe toda no Vaticano), e cuja arma principal é aquele canivete também suíço, com diversas lâminas, abridor de lata, tesourinha de unha, chave de parafuso e alicate. Serve para mil e uma atividades. Supostamente serve para mutilar barriga e pernas de uma brasileira.


É evidente que o caso requer uma investigação real, e não suposta, uma vez que os fatos estão embaralhados não de forma suposta, mas real. Por ora, manda a prudência que se espere a última palavra da polícia suíça e da Corte de Haia para formarmos uma posição política e juridicamente correta.’


 


 


Painel do Leitor


Suíça


‘‘Nelson de Sá criticou o ‘JN’ por ter noticiado na quarta, 11/2, sem ressalvas, que uma brasileira tinha sido atacada por neonazistas na Suíça (coluna ‘Toda Mídia’, Brasil, ontem). Para honrar o título da coluna, ele deveria ter estendido a crítica à Folha, que, em sua Primeira Página e na reportagem que publicou em Cotidiano, teve o mesmo comportamento (assim como todos os demais veículos). A crítica continuaria descabida, já que as tais ressalvas foram amplamente noticiadas tanto pelo ‘JN’ quanto pela Folha assim que passaram a ser feitas. Mas ao menos a coluna teria sido honesta. É feia e antiética a atitude de Nelson de Sá de sempre omitir que o jornal em que escreve agiu como aqueles que ele critica.’


ALI KAMEL , diretor-executivo de jornalismo da Central Globo de Jornalismo (Rio de Janeiro, RJ)’


 


 


LIBERDADE DE EXPRESSÃO
João Pereira Coutinho


Regresso a Munique


‘A LIBERDADE não é assunto fácil. No século 19, Karl Marx, fechado na biblioteca do Museu Britânico, lamentava-se dos ingleses com amargura. Para Marx, a liberdade de expressão de que ele desfrutava era coisa pouca. Marx queria mais. Queria que os ingleses levassem a sério as suas ideias e marchassem com ele para derrubar o sistema capitalista que, ironia das ironias, lhe concedera exílio e condições de trabalho.


Marx nunca entendeu a essência da liberdade de expressão. Porque a liberdade de expressão implica dois postulados, não apenas um. Sim, ela começa por permitir que os indivíduos expressem as suas ideias sem a coerção de terceiros.


Mas existe um segundo postulado usualmente esquecido: o fato de alguém ter liberdade de expressão não implica, logicamente, que os outros têm de prestar atenção ao que ele diz.


Pessoalmente, tento aplicar esse raciocínio todos os dias da minha vida. Sobretudo quando sou alvo de críticas públicas a respeito dos meus artigos. Se eu desfruto de liberdade de expressão, é justo que os outros partilhem dessa prerrogativa. Mas isso não implica que eu tenha de prestar atenção ao que eles dizem. Como diria o dramaturgo Tom Stoppard, as pessoas não devem subestimar a minha capacidade de não querer saber, de não me importar, de estar pouco me lixando.


Eis a raiz da tolerância: estarmos pouco nos lixando. Ou, em lin- guagem mais erudita, não tomarmos o que é dito, escrito ou feito com a mentalidade própria de um extremista.


A Inglaterra sempre foi um exemplo desse espírito, e não apenas com Marx. Vinte anos atrás, em fevereiro de 1989, um clérigo iraniano lançava uma condenação à morte sobre o escritor Salman Rushdie. O pretexto para a ‘fatwa’ era o romance assaz mediano de Rushdie, ‘Os Versos Satânicos’, que retrata o profeta Maomé de forma ‘sacrílega’. Em 1989, a Inglaterra estava pouco se lixando para Khomeini: concedeu proteção a Rushdie, sim, mas jamais censurou ou criticou o escritor. E jamais pediu desculpas a um regime medieval e terrorista.


Tudo isso mudou. E mudou na semana passada de forma cristalina e brutal. Geert Wilders, deputado holandês, resolveu fazer um filme sobre a ligação fundamental entre o islã e a violência. O filme tem 17 minutos, intitula-se ‘Fitna’ e está disponível na internet. Eu assisti ao vídeo. Eu bocejei com ele. O filme é desinteressante (como obra) e iletrado (como tese): para Wilders, existe uma ligação direta entre o Corão e o terrorismo. Wilders comete o erro, aliás comum, de confundir o terrorismo islamita (um movimento essencialmente revolucionário e político) com o fundamentalismo islâmico (uma corrente religiosa que, apesar da sua intolerância hermenêutica, não tem necessariamente contornos terroristas).


Seja como for, o problema não está no filme: a mediocridade estética e a ignorância religiosa não constituem crime. O problema está no gesto do governo britânico que, em nome da ‘harmonia’ e da ‘segurança pública’, impediu Geert Wilders de entrar em solo britânico. O holandês fora convidado pela Câmara dos Lordes para apresentar a sua obra. Mas o governo de Sua Majestade esqueceu o seu próprio patrimônio liberal e barrou a entrada a Wilders para contentar a rua islâmica.


A Inglaterra deixou de não querer saber, de não se importar, de estar pouco se lixando. Deixou de ser a Inglaterra tolerante e pluralista que fez a grandeza dos seus antepassados. E passou a acreditar que, pela censura de tudo aquilo que ‘ofende’ terceiros, será possível apaziguar uma população que cresce em número e em fanatismo. Pela rendição dos nossos valores, será possível ‘acomodar’ os valores dos outros, certo?


Não. Errado. Contrariamente ao que pensam os sábios de esquerda ou de direita, aquilo que ofende o terrorismo islamita não são os valores que estruturam o Ocidente pós-iluminista, alicerçados na discussão livre e racional. O que ofende é a ausência de valores: é a incapacidade do Ocidente para defender aquilo em que acredita. É o nosso niilismo ético, a nossa cobardia relativista, o nosso rasteiro materialismo existencial. A Inglaterra do premiê Gordon Brown fala em ‘compromisso’. Para os fanáticos, o ‘compromisso’ é um sinal de rendição. Se nós não nos respeitamos, por que raio devem eles respeitar-nos?


Em 1939, Hitler dizia profeticamente aos seus generais: ‘Os nossos inimigos são pequenos vermes’. E acrescentava: ‘Eu vi os olhos deles em Munique’.


Pois viu. Viu o medo e a fraqueza da Europa. Esse medo, ontem como hoje, é o convite perfeito para o ataque e a destruição.’


 


 


PROPAGANDA
Janio de Freitas


A mãe eleitoral


‘O JOGO POLÍTICO que Lula faz com Dilma Rousseff é tão acintoso, com tantas viagens justificadas por nada e solenidades de razão nenhuma, que daí resulta um efeito já acintoso também, mas contrário. É uma reação de antipatia que está se projetando sobre a ministra, refletida com clareza na substituição do tratamento cerimonioso que lhe dava a imprensa, um reconhecimento a seus méritos, por uma vulgarização depreciativa de seus atos e de sua figura.


Aparente reação também às atitudes desafiantes de Lula, a propósito da imposição desmedida da presença de Dilma Rousseff, a antipatia difusa lembra aquela que assolou José Serra em sua candidatura à Presidência, pelo tom sempre entre o ríspido e o agressivo, enquanto Lulinha paz e amor representava a sua peça.


A mais recente explicação de Lula para as viagens quase diárias de Dilma Rousseff soa, diante dos meros comícios exibidos, mais como deboche do que como esclarecimento: ‘A Dilma tem que viajar mesmo para inspecionar as obras do PAC’. Inspeção não se confunde nem com visita de propaganda, quanto mais com comícios, para os quais são deslocados moradores das redondezas, sindicalistas, militantes petistas a granel, políticos locais e farto material de propaganda política. Tudo depois de um ‘escalão avançado’, pago por dinheiro público, estudar as condições locais e montar o formidável ‘esquema presidencial’, pago também nas contas sempre generosas e jamais expostas da Presidência.


A aritmética de Lula, seja qual for sua precisão, informa que há obra do PAC em 5.200 municípios, dos 5.563 existentes. Informação a que se segue o que tanto pode ser uma antecipação, como advertência ou ameaça: ‘Nós vamos a cada um dos 5.200 municípios’. Vão, no caso, significa fazer comícios. Ou melhor, inspeção de obras.


Daqui à eleição presidencial são cerca de 570 dias, o que indica a necessidade de que Lula e Dilma visitem, até lá, nove municípios por dia, e às vezes mais um de quebra. Ainda que se reduza o total do plano Lula a 10% das viagens anunciadas, não se atenua esta curiosidade: com tanta viagem de Dilma Rousseff, como poderia ela estar conduzindo, já agora, as inúmeras tarefas e responsabilidades do Gabinete Civil? E qual é a sua função primordial, senão a eficiente e competente condução do Gabinete Civil?


O PAC não é um programa bem-sucedido, a rigor não é nem sequer um programa. E uma de suas falhas está no ato preliminar da entrega de sua coordenação a Dilma Rousseff. A quantidade de dinheiro à disposição de tantas e tão dispersas obras, com o envolvimento de vários ministérios e uma multidão de prefeituras, para ser sério precisaria de um núcleo complexo de coordenação, fiscalização e constantes correções técnicas e administrativas. Nada a ver com acumulação funcional de chefia do Gabinete Civil da Presidência, que não é adequado para cuidar nem de obra no banheiro.


Mas Lula queria uma jogada de propaganda. Para isso, não precisaria, mesmo, de mais do que uma ‘mãe do PAC’. E vários bilhões girando por aí, para afinal pousarem em destinos incertos e não sabidos. Enquanto Lula e Dilma Rousseff voam, voam, voam.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Otimismo, pessimismo


‘Na manchete do UOL ao longo do dia, com Reuters, e também por sites de jornais e pela Agência Brasil, ‘Balança comercial passa a ter superávit no ano’. A segunda semana de fevereiro ‘reverteu o resultado deficitário’ e analistas projetam um superávit de US$ 14 bilhões no ano. Já no topo das buscas de Brasil por Google News e Yahoo News, com despachos da agência Bloomberg, as ‘apostas de que o Banco Central vai cortar os juros’ em mais um ponto, na ‘especulação crescente’ sobre a reunião do Copom daqui a duas semanas. A agência entrevistou Gustavo Franco no final da semana e ele agora fala em ‘oportunidade histórica’ de cortar os juros para menos de 10%. Por outro lado, na manchete do UOL no início da noite, ‘Pessimismo externo faz dólar subir’.


E LULA COMEU


Sob o título ‘Y Lula se comió a la oposición’, o espanhol ‘El País’ escreveu que ‘na política brasileira se produziu fenômeno único na América Latina e talvez no mundo: o carismático presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que goza de 84% de popularidade depois de seis anos de governo, comeu a oposição’. Dizendo que ‘já se sabia que Lula é um gênio político’, descreve como ele venceu as resistências de seu partido e depois secou as bandeiras de seus opositores. A tal ponto que, agora, ‘os dois aspirantes do PSDB sabem que não poderão ser eleitos contra Lula’.


CÁLCULO, ESTRATÉGIA


Na manchete do Terra, ‘PMDB não pode se vender para quem oferece mais, diz Simon’. Em resposta à entrevista de Jarbas Vasconcelos à ‘Veja’, apontando corrupção no partido, Pedro Simon diz que ‘ele faz um desserviço quando afirma que vai apoiar o Serra’ e argumenta: ‘Nós não podemos ficar na posição de noiva que dá para quem oferece mais.’ Ricardo Noblat, em seu blog, comenta que ‘houve cálculo político por trás’ da entrevista, pois Serra quer Vasconcelos para vice, e acrescenta: ‘Se puder sair do PMDB sem perder o mandato…’. Em coletiva no fim do dia, o peemedebista indicou ter denúncias específicas, mas: ‘Eu não quero citar ninguém, por enquanto, pois tenho de ter o mínimo de estratégia.’ A ‘Veja’ o compara a Pedro Collor.


17 ANOS


O ‘El País’ destacou como ‘Uma menor brasileira passou 29 horas retida em sala de Barajas’, o aeroporto de Madri, por falta de dinheiro e ‘reserva de hotel’. A jovem afirmou, ao escapar da expulsão após intervenção de um juiz, ter sido tratada ‘como cachorro’


‘SLAVERY’


O ‘Guardian’ deu página inteira sobre o ‘Novo mundo de sordidez e exploração’, com ‘trabalhadores mal pagos e em condições esquálidas’ em Marabá, onde ‘intermediários exploradores seduzem pobres a fazerem grandes dívidas’. Em suma, ‘a escravidão por dívida prossegue na Amazônia e no Centro-Oeste’


LIBERDADE LÁ


BBC, ‘The Scotsman’ e outros britânicos noticiam que ‘o grande assaltante do trem Ronnie Biggs’ é foco de uma campanha para sua libertação da cadeia, para ‘morrer com dignidade’, aos 79. Ele foi condenado a 30 anos por um assalto a trem em 1963, logo escapou e passou 35 anos foragido, a maior parte no Rio. Entregou-se há sete anos. Biggs pode sair ‘em meses’.


SLIM, SEGUNDO O ‘NYT’


O ‘New York Times’ perfilou o mexicano Carlos Slim, ‘o reticente barão da mídia’, hoje detentor de cerca de 17% das ações do próprio ‘NYT’, mas sem direito a voto. Ele se negou a dar entrevista. O texto relata uma ameaça de corte de publicidade a jornal mexicano que o questionou como ‘monopolista’. Conta que, duas décadas após a privatização, ainda controla o mercado de telefonia fixa (90%) e celular (70%) do país. Que tem ‘um time de advogados’ contra ações antitruste. E que investe ‘numa variedade de redes de TV’ e jornais, inclusive o londrino ‘Independent’.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Africano vai entrar no ‘Big Brother Brasil’


‘As surpresas da nova edição de ‘Big Brother Brasil’ ainda não acabaram. No dia 28, o programa da Globo ganhará um novo ‘participante’: o angolano Ricardo David Ferreira Venâncio, 21, o Ricco.


Ricco venceu o terceiro ‘Big Brother África’, realizado na África do Sul no ano passado, com concorrentes de 12 países africanos. Ele fala português.


O africano fará uma participação especial, como ocorreu em ‘BBB 7’ com o argentino Pablo Esposito. Ficará quatro dias. Entrará durante a festa dos sábados, que no dia 28 terá DJ e comidas típicas de Angola.


A entrada de dois novos concorrentes ao prêmio de R$ 1 milhão, anunciada anteontem à noite, foi decidida pelos votantes por telefone e SMS.


Na votação feita no site oficial de ‘BBB 9’, segundo J.B. Oliveira, o Boninho, diretor-geral do programa, deu ‘não’ -ou seja, André e Maíra, que estavam desde quinta-feira em um casa de vidro, não deveriam compartilhar a casa-confinamento e teriam de ir embora.


De acordo com Boninho, 95% dos votos de telefone e SMS foram para o ‘sim’ (os dois entrariam na competição). Os votos de internet são em quantidade muito superior, mas a Globo continua adotando pesos diferentes. Um voto por telefone vale mais do que um pela internet. Os pesos são mantidos em sigilo pela Globo.


TROCA-TROCA


A Globo trocou os narradores dos campeonatos Paulista e Carioca de futebol. Luís Roberto, que narra o do Rio, está em São Paulo. Cléber Machado, ‘patrimônio’ dos paulistas, está fazendo o Carioca. É que desde o início do mês, Machado está morando no Rio, preparando-se para o Carnaval.


TRIVELA


São Paulo x Corinthians rendeu 24,6 pontos à Globo e 9,9 à Band, anteontem. Na atual conjuntura, foi uma boa audiência para a Globo. Para a Band, foi excepcional.


BARRADOS


Por falta de audiência, a Rede TV! cortou a reprise da primeira temporada de ‘Barrados no Baile’, série que fez sucesso no início dos anos 90. Quase ninguém reclamou.


CONFIGURAÇÃO


Eduardo Zebini, que dirigia o departamento de esportes da Record e ajudou a emissora a comprar a Olimpíada de 2012, foi demitido ontem. Sua área foi incorporada pelo diretor de jornalismo, Douglas Tavolaro.


TESTES


O SBT está fazendo testes para escolher a substituta de Regina Volpato na apresentação do ‘Casos de Família’, a partir de março. Na última sexta, Claudete Troiano gravou um piloto. Volpato anunciou que deixará o programa.


PAPO-CABEÇA


Um ‘disque-sexo’ que anuncia nas madrugadas do SBT está promovendo um ‘concurso cultural’ inusitado: quem revelar seu maior fetiche concorre a um jantar com a atriz Vivi Fernandes, ex-Mallandrinha.’


 


 


Show revisita repertório do mangue beat


‘Organizado pelo Sesc Pompeia (SP), o projeto ‘Era Iluminada’ repassa em shows gêneros da música popular brasileira, como já fez com a bossa nova, a jovem guarda e o rock da década de 80. Em setembro passado, o projeto relembrou o mangue beat -movimento que deu uma faceta pop à música tradicional pernambucana nos anos 90-, em uma apresentação que o SescTV exibe amanhã à noite. Com direção musical de Siba, um dos protagonistas do movimento à frente do Mestre Ambrósio, o show contou com a participação de membros da Nação Zumbi e outros nomes da cena, como Lia de Itamaracá, Karina Buhr (Comadre Fulozinha) e Fábio Trummer (Eddie).


Juntos, revisitaram o repertório do movimento. ‘Uma coisa essencial que vem acontecendo em Recife desde os anos 90 é o espírito de colaboração’, diz Siba ao tentar definir o gênero pouco depois de abrir o show com ‘Benjaab’, gravada pelo Mestre Ambrósio, em álbum homônimo.


‘Rios, Pontes e Overdrivers’ é outra canção que se sobressai na apresentação. Do álbum de estreia da Nação, ‘Da Lama ao Caos’, a música é lembrada com uma forte influência da música jamaicana. Fica claro o esforço de recriar o repertório, que permanece atual mais de uma década depois.


ERA ILUMINADA


Quando: amanhã, às 21h


Onde: SescTV


Classificação indicativa: livre’


 


 


LUTO


Publisher alfred a. Knopf jr. morre aos 90, nos EUA


‘Morreu no último sábado, aos 90 anos, Alfred A. Knopf Jr., fundador da editora Atheneum. Knopf, que morava em Nova York, morreu devido a complicações decorrentes de uma queda, segundo sua mulher. O nova-iorquino fundou sua editora em 1959, após abandonar a bem-sucedida empresa que leva o nome de seu pai. Ele deixa a mulher, Alice, e três filhos.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 17 de fevereiro de 2009


 


PUBLICIDADE
Marili Ribeiro


Júri de Cannes tem 10 brasileiros


‘Os dez jurados brasileiros na 56ª edição do Festival Internacional de Publicidade de Cannes, que acontece no fim de junho na costa francesa, estão definidos. O País terá presença em dez das onze categorias em julgamento.


O Brasil só ficou de fora do júri de Titanium & Integrated, que escolhe os melhores trabalhos publicitários desenvolvidos em diferentes plataformas de comunicação ao mesmo tempo. A ausência se dá por uma regra da organização do Festival, que promove um rodízio de países na América Latina. Este ano, o representante será argentino.


O time de jurados brasileiros contempla até a mais nova categoria no Festival, que é a premiação das ações de relações públicas, ou PR Lions, representada pelo diretor do Grupo CDN de comunicação corporativa, João Rodarte.


Os outros jurados são: em Cyber, que julga trabalhos para mídias online, Eco Moliterno, vice-presidente de criação da agência Wundermann. Na categoria Design, o jurado é Luciano Deos, sócio da Gad Branding & Design. Em Direct, ações de marketing direto, o representante é Rui Piranda, diretor de criação da Giovanni + DraftFCB. Em filmes comerciais, Sophie Schoenburg, diretora de criação da AlmapBBDO. Na programação de ações de mídia, Gleidys Salvanha, diretora de mídia da agência W (ex-W/Brasil). Em Outdoor, Alexandre Peralta, sócio da PeraltaStrawberryFrog. Em anúncios impressos, Leo Macias, diretor de criação da Talent. Em ações promocionais, Marcelo Heidrich, presidente da Ponto de Criação. E, em Rádio, André Faria, diretor de criação da F/Nazca.


O jornal o Estado de S. Paulo, que representa o evento no País, anunciou o objetivo de aumentar em 5% o número de peças inscritas. No ano passado, elas somaram 2.461 peças, 10% do total enviado por 85 países. Para o diretor de Mercado Jornais do Grupo Estado, Odmar Almeida Filho, há uma oportunidade para o Brasil ocupar espaço: ‘Os organizadores temem retração dos participantes de países desenvolvidos, mais afetados pela crise econômica.’’


 


 


LIVROS
Antonio Gonçalves Filho


Fadas contra a crise


‘Ilustração de livro infantil deixou de ser coisa de criança. Entusiasmados com a demanda das editoras de olho nas compras governamentais de livros paradidáticos- que, a exemplo da Companhia das Letras e Cosac Naify, criaram selos especiais para o público infanto-juvenil – ilustradores se articulam para vender o produto de seu trabalho de forma mais organizada. Quem sai ganhando com a profissionalização é o leitor. Impressionada com o aumento do nível das ilustrações de livros dirigidos a crianças e jovens, Ieda de Oliveira, professora carioca de Teoria da Literatura, até defendeu uma tese sobre o assunto e lançou pela editora Difusão Cultural do Livro (DCL) O Que é Qualidade em Ilustração no Livro Infantil e Juvenil, segundo de uma série de três volumes dedicados ao tema com a participação de escritores (o primeiro) , ilustradores (o segundo) e educadores (o terceiro, a sair ainda este ano pela mesma editora).


Como um cartão de visitas, a Sociedade dos Ilustradores do Brasil (SIB) lançou um catálogo com alguns dos principais ilustradores que integram a associação. Em ambos os livros, um nome se destaca, o do premiado ilustrador Odilon Moraes, que faz a apresentação dos colegas no catálogo e acaba de lançar uma nova versão de seu A Princesinha Medrosa pela Cosac Naify, editora de outros livros ilustrados pelo arquiteto e artista que agora, com o ‘boom’ dos livros destinados ao público infanto-juvenil, firmou com ela um contrato muito especial. Odilon foi desafiado a apresentar os projetos mais difíceis para a editora – desses que os concorrentes automaticamente recusam pelos altos custos gráficos e ambições artísticas. E A Princesinha Medrosa é o primeiro desafio vencido. Com ilustrações inéditas, o livro, também escrito por Moraes e anteriormente publicado pela Companhia das Letras, ganha novo formato e capa em baixo-relevo – aparentemente, apenas um capricho formal do autor mas que, no final das contas, acaba por revelar a prevalência do projeto do criador nas novas negociações com os editores.


A capa de Odilon mostra o rosto de uma princesinha escondida atrás de uma janela, que se abre em relevo na capa branca, clara homenagem do ilustrador a um dos mais belos livros infantis, O Reizinho das Flores, da ilustradora tcheca Kvelta Pacovská, em que as primeiras páginas têm, ao centro, um buraco pode onde se entrevê a figura imóvel do monarca. Os cenários mudam, mas o rei permanece impassível com o passar das páginas. Já com a princesinha de Odilon, escondida atrás da janela com medo da solidão e do escuro, ela vê crescer o cenário e diminuir o trauma da sua incomunicabilidade à medida que a história avança. Ao se perder da comitiva, encontra seu perfeito interlocutor na figura de um pequeno súdito que conta estrelas à beira de um riacho.


Se, no livro da tcheca Pacovská, o texto tratava do tédio do reizinho mesmo que a paisagem ao seu redor mudasse, o de Odilon precisava reforçar a solidão da princesinha – e nada mais indicado que isolá-la no canto da capa, numa janela em relevo, usando o design para reforçar sua fobia. Esse é um dos aspectos estudados pela acadêmica Ieda de Oliveira em seu livro sobre ilustradores brasileiros, o da correspondência entre texto e imagem e a qualidade estética dessa literatura, que muitos julgam ‘menor’ por ser dirigida a crianças. Ela, então, apresentou um questionário a consagrados autores brasileiros e portugueses e o resultado apontou para uma literatura que, ao contrário, apresenta um conteúdo tão sofisticado quanto o da literatura para adultos.


A professora usou anteriormente o conceito de ‘contrato de comunicação’ do teórico francês Patrick Charaudeau- o da possível aceitação de um acordo entre o autor e o leitor que decide o êxito de uma obra – para definir a literatura infanto-juvenil (em sua tese de doutorado O Contrato de Comunicação da Literatura Infantil e Juvenil, publicada pela editora Lucerna). De fato, o que se vê hoje na ilustração de livros para crianças é uma preocupação maior com o leitor adulto que já tem _ ou deveria ter- o olhar suficientemente educado para passar a ‘mensagem’ do ilystrador/autor às crianças. ‘Sem esse contrato de comunicação, até mesmo a crítica se equivoca na análise do livro infantil, ao usar o mesmo método de análise da literatura para adultos’, observa Ieda de Oliveira. ‘Há um preconceito contra o ilustrador, como se ele não fosse também autor’, diz. ‘E até os professores, que deveriam ensinar as crianças a ver, ignoram a parte visual por absoluta falta de formação’, conclui a estudiosa.’


 


 


 


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