Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

DIRETóRIO ACADêMICO > FIM DE SEMANA, 7 E 8/01

No Mínimo

10/01/2006 na edição 363



LULA NO FANTÁSTICO
Zuenir Ventura

Ajuda ao voto nulo, 3/01/06

‘Pelo menos no Rio de Janeiro a festa da virada de 2005 foi melhor do que a de 2004. No ano passado, uma nuvem de fumaça negra cobriu os fogos de artifício e não deixou que se visse quase nada. Uma decepção. Levei Lucia e Luis Fernando Verissimo a Copacabana para assistir ao espetáculo e até hoje eles não entendem por que um show de fumaça atrai tanta gente. Só muito mais tarde percebeu-se que se tratava de um presságio: o fenômeno era o sinal de agouro do ano que começava.

Já 2006 começou impecável. Havia uma certa apreensão porque a meteorologia previa chuva na hora da passagem, ou melhor, um departamento anunciava chuva e o outro não. Pois os dois acertaram: choveu, mas depois dos fogos, de tal maneira que em nada atrapalhou o brilho da festa. Para mim, que acompanho os réveillons desde quando a festa era uma simples cerimônia de devotos fiéis de Iemanjá e não um encontro de dois milhões de pessoas, o deste ano foi o mais bem organizado, deslumbrante.

Dizem que tudo correu tão bem porque o prefeito César Maia estava em Nova York e a governadora Rosinha, em Bonito (MS). Só mesmo no Rio! Quando milhares de turistas estrangeiros e brasileiros disputam a oportunidade de assistir ao que é considerado o maior réveillon de Terra, os nossos principais governantes se mandam na contramão, fogem da cidade para não assistirem à festa. Por causa da coincidência, alguns gaiatos já estão querendo propor que os dois viajem e fiquem fora não apenas durante as festividades, mas o ano todo.

Como o começo foi promissor, quis assistir à entrevista de Lula no ‘Fantástico’ de domingo. Quem sabe não haveria uma novidade, quem sabe não surgiria algo como uma confissão sincera, um mea culpa? E se o presidente, pensei, diante de tudo o que aconteceu, cantar ‘errei, sim’ e abrir mão da candidatura à reeleição?

A expectativa e a esperança (o espírito de Natal deixara uma sobra de estoque pra mim) me mantiveram acordado até as duas da manhã, já que só pude ver a reedição do programa na GloboNews à meia-noite. Mais uma decepção. Não pelo entrevistador. Pedro Bial desempenhou a função com competência. Preparou-se, pesquisou e, educadamente mas com firmeza, fez perguntas (im)pertinentes, replicou, insistiu, apontou contradições.

De nada adiantou. Lula usou uma técnica, que não é nova, mas que aprimorou, consistindo em responder o que quer, sem relação com o que foi perguntado. Não por acaso começa sempre as respostas mais difíceis por ‘veja só’. Isso lhe permite se desviar do assunto para não mais voltar. Ao blablablá de sempre – vai aguardar o fim das investigações, não faz pré-julgamento, governo nenhum apurou tanto, foi traído, o PT errou – acrescentou que espera que aqueles que o acusaram peçam desculpas.

Muito justo, se for o caso. Mas e ele, quando fará o mesmo? Sem admitir os seus erros, reconhece os do PT, ‘de uma gravidade incomensurável’, como disse, e que por isso vai ‘sangrar muito’. Como o PT e ele são farinha do mesmo saco do governo, por que só o partido deve pagar e sangrar? Não sei não, mas essa entrevista pode ter sido a primeira contribuição do ano à campanha do voto nulo.’



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