Sábado, 25 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Nova didática para a educação

Por Regiane Santos em 14/04/2009 na edição 533

Ao ler o artigo ‘Brasileiro lê pouco e mídia reforça tendência’, de Verbena Córdula, publicado aqui, deparo com as não surpreendentes ínfimas estatísticas referentes ao hábito da leitura no país: ‘O brasileiro lê bem menos que os habitantes dos países desenvolvidos; aqui, são, em média, 2,5 livros por ano, contra 10 nos Estados Unidos ou 15 em países como a Suécia ou a Dinamarca. Mas apenas 0,98 desses 2,5 livros anuais lidos não são obras didáticas que as escolas exigem dos alunos.’

Os números extraídos de uma reportagem veiculada pela Agência Senado e publicados pela doutora em História da Comunicação neste Observatório revelam a fragilidade do sistema educacional, que ‘não apresenta uma diretriz clara no que tange ao tipo de cidadão que pretende formar’.

Infelizmente, uma considerável parcela dos educadores brasileiros ainda não descobriu um método eficaz para estimular o gosto pela leitura na juventude. O hábito, que aprimora o aprendizado da Língua Portuguesa, desperta a criatividade e consolida a cidadania, ainda cede espaço ao entretenimento ‘vazio’ garantido por programas sem referências culturais exibidos por emissoras de televisão ou inócuas redes sociais que povoam a internet.

Primeiro passo

Enquanto profissionais da área e políticos responsáveis pela elaboração de políticas públicas ainda não encontraram a solução para o problema que compromete seriamente a formação intelectual da juventude brasileira, a TV Cultura propõe, através de Tudo o que sólido pode derreter, o estímulo à leitura entre adolescentes.

Dividido em 13 episódios exibidos pela emissora educativa, Tudo o que é sólido pode derreter relaciona, através de uma rica linguagem hipertextual multifacetada, os conflitos de Thereza, uma jovem de 16 anos, aluna do primeiro ano do ensino médio de escola pública, interpretada pela atriz Mayara Constantino, 22, com clássicos da literatura, como o Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, e Dom Casmurro, de Machado de Assis, que refletem, através de metáforas, a sociedade em seus variados períodos históricos.

Ciente da necessidade de aplicar a convergência de mídias no desenvolvimento de projetos junto à dinâmica juventude do século 21, a nova série da TV Cultura criada pelo cineasta Rafael Gomes estimula propostas para educar a juventude, tarefa a cada dia mais complexa frente aos desafios da pós-modernidade.

A série poderia ainda ser incorporada a novos projetos educacionais elaborados pela sociedade civil organizada a fim de estimular a leitura bem como fomentar análises e debates sobre obras literárias. Através de tais propostas, dá-se o primeiro passo para a constituição de novas perspectivas educacionais no país com a consolidação de formadores de opinião.

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Jornalista, blogueira e assessora de comunicação freelance, Pedro Leopoldo, MG

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