Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

DIRETóRIO ACADêMICO > CONSELHO DE VETERANO

‘Nunca seja amigo de político’

Por Aldrin Willy em 04/10/2005 na edição 349

José Luiz Alves, ex-repórter da revista Veja, diz que, para jornalista, políticos só servem como fonte pois, como amigos, ‘eles te usam e depois te descartam’. Apesar do conselho, o veterano jornalista está vivendo há seis meses em Porto Velho por sugestão de um político: o senador Amir Lando (PMDB-RO), com quem tem bom relacionamento – ‘mas não somos amigos’.

A recomendação foi feita a um grupo de alunos de Jornalismo da Faculdade de Ciências Humanas, Exatas e Letras de Rondônia (Faro), em palestra na quarta-feira 21. O jornalista disse: ‘O político, você o use como fonte. Mas nunca seja amigo de político. Porque eles te usam até onde podem e, depois, quando não precisam mais, te descartam’. Alves disse ter aprendido essa regra por ‘experiência própria, levando pancada’.

Alves iniciou a palestra contando a história de como conseguiu flagrar uma operação da polícia envolvendo um táxi-aéreo para perseguir bandidos. A reportagem ganhou a capa do jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, onde iniciava na profissão, com as fotos exclusivas que conseguira. Ele usou a história para ilustrar o que considera característica fundamental em todo bom repórter: a iniciativa. ‘Minha professora já dizia: repórter não pode ser bunda-mole’, lembrou.

Para Alves, o momento mais importante de sua carreira foi a cobertura do processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo. À época trabalhava para os gaúchos Correio do Povo e Rádio Guaíba.

Outro ponto alto de sua carreira, segundo ele, foi a reportagem que fez para a Veja sobre índios que estavam sendo dizimados pela malária em Espigão d’Oeste, em Rondônia, em meados de 1970, quando o país vivia sob o regime militar. Para chegar até a aldeia indígena, Alves cruzou num Fusca a precária BR-364, na época apenas barro e buraco, partindo de Porto Velho às 4h e chegando a Espigão por volta das 22h. Para complementar a reportagem, Alves ouviu a Funai, que deu uma desculpa pelo abandono dos índios: não conseguiam achar uma área para pousar de helicóptero.

O início da carreira

A desculpa dos funcionários da Funai foi publicada na legenda de uma foto na qual o carro que trazia o repórter era rodeado pelos indígenas: ‘Aonde a Funai não chega de helicóptero, repórter da Veja chega de Fusca’.

Isso foi suficiente para a censura da época vetar a matéria. A foto foi recortada e a legenda, excluída. Como consolo, Alves ganhou do editor da revista o fotolito (filme fotográfico da página) com a reportagem intacta, não publicada.

Alves também comentou a profissão em si: ‘Jornalismo, você tem que gostar. Encaro o jornalismo como um sacerdócio. Ninguém fica rico exercendo essa profissão’.

O início da carreira se deu em Porto Alegre, onde começou de baixo: foi entregador de jornais, porteiro e teve o primeiro contato mais próximo com a profissão como auxiliar no laboratório fotográfico do Correio do Povo, onde passou a repórter-fotográfico. Depois foi repórter da Rádio Guaíba, do Jornal do Brasil, correspondente em Mato Grosso da revista Veja e repórter especial do SBT. Atualmente, José Luiz Alves atua como assessor de imprensa da Faculdade São Lucas. Também é correspondente do jornal brasiliense Tribuna do Brasil e tem um programa voltado ao campo na Rádio Boas Novas.

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