Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

DIRETóRIO ACADêMICO > EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO

O difícil acesso ao livro

Por Gabriel Perissé em 30/01/2007 na edição 418

Um editor me contava recentemente que muitos professores universitários dirigem-se à editora pedindo livros de graça, a título de cortesia. Alegam que são professores. Que são, portanto, multiplicadores, divulgadores em potencial. Sim, nós, professores, merecemos ganhar livros, mas na verdade pouco podemos multiplicar.

O triste fato: os professores têm dificuldade para comprar um livro de 40 reais. E, em suas aulas, podem até elogiar e recomendar livros, mas os alunos na universidade, quando compram, compram os livros mais baratos, e tão-somente se não encontram exemplares disponíveis na biblioteca ou não conseguem xerocopiá-los clandestinamente.

Início do ano letivo, bem-aventurados aqueles cujos nomes aparecem como autores de livros didáticos, compra obrigatória para os pais cujos filhos freqüentam escolas particulares. Livros didáticos, bem sabemos, que nascem do trabalho de uma equipe editorial, investimento grande para ajudar os docentes do país a vencerem incertezas e hesitações. Uma pesquisa demonstra que muitos professores lêem apenas o próprio livro didático ao prepararem suas aulas.

Bolsa-Livro para professor

Na Folha de S.Paulo (sexta, 26/1), o imortal José Sarney fez apologia ao livro: ‘O aquecimento global pode levantar o nível dos mares, e a água invadirá as cidades, mas salvaremos os livros, se não pudermos salvar os prédios das bibliotecas.’ Menciona ‘um projeto, já sancionado, de Estatuto do Livro e outro para a criação de um fundo para a difusão da leitura e a proteção ao livro’. Trata-se da Lei nº 10.753, de 2003.

Mas, como sempre, não é com decretos que se muda a realidade. Mais da metade dos professores brasileiros (ou seja, mais de 1 milhão e quinhentos mil professores) não têm o hábito da leitura (segundo o Instituto Paulo Montenegro). Nemo dat quod non habet, ninguém dá aquilo que não tem. Nossos alunos (cerca de 50 milhões de pessoas estão estudando hoje no Brasil) vêem boa parte de seus professores carentes da paixão pela leitura…

Em algum lugar do futuro, secretários de Educação e donos de escolas criarão o vale-livro para os professores. Cada professor poderá gastar 40 reais por mês (ou mais, dependendo do seu esforço e de seu desempenho) em livrarias, feiras de livros, sebos. E se o professor for diretamente a uma editora, poderá conseguir descontos de 20%, ou mais.

Bolsa-Livro para o professor estudar, aprender, entusiasmar-se, montar a sua biblioteca pessoal.

Professores sem leitura? Educação sem cura.

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Doutor em Educação pela USP e escritor; www.perisse.com.br

Todos os comentários

  1. Comentou em 04/02/2007 Jaime Guimarães

    O pessoal prefere gastar 500, 600 reais num celular que tire fotos, faça filmes, toque MP3, fale, ande, arrote e tudo o mais. Isso porque o livro não é visto como atrativo.

    No caso dos professores sempre me questionei isso: por que não existe algum desconto para que os professores possam adquirir livros? O governo conseguiu a ‘MP do Bem’ em relação aos computadores e tem dado resultados até razoáveis; Por que não fazer algo parecido com livros?

  2. Comentou em 04/02/2007 Jaime Guimarães

    O pessoal prefere gastar 500, 600 reais num celular que tire fotos, faça filmes, toque MP3, fale, ande, arrote e tudo o mais. Isso porque o livro não é visto como atrativo.

    No caso dos professores sempre me questionei isso: por que não existe algum desconto para que os professores possam adquirir livros? O governo conseguiu a ‘MP do Bem’ em relação aos computadores e tem dado resultados até razoáveis; Por que não fazer algo parecido com livros?

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