Quinta-feira, 14 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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O diploma de papel e o papel do diploma

Por Paulo Brisant em 30/06/2009 na edição 544

O Supremo Tribunal Federal (STF), em reunião do dia 17 de junho, decidiu pela não obrigatoriedade da exigência do diploma pelas empresas quando contratarem profissionais para o exercício das atividades de jornalismo. Na prática, essa decisão não vai mudar muita coisa porque o mercado há muito convive com a atuação, também, de jornalistas sem formação universitária.

Trata-se de uma tradição que vem desde o século 19, quando, em muitos casos, o jornalismo era feito por bacharéis em Direito. A imprensa servia de palanque para os políticos realizarem seus discursos em uma época que ainda não existia o rádio e, muito menos, a televisão ou a internet. Ruy Barbosa, Quintino Bocaiúva e José do Patrocínio, entre muitos outros, são exemplos dos jornalistas desse período, notabilizados pela defesa da abolição da escravatura e da proclamação da República.

As faculdades de Jornalismo são relativamente recentes e muitos dos jornalistas notáveis de nossa época, que atuam ao lado de outros tantos com formação, não possuem diploma universitário. Todavia, é impossível que alguém que passou quatro anos em uma faculdade de Comunicação não traga em sua bagagem um diferencial bastante relevante a seu favor, diante de tudo o que aprendeu especificamente sobre a atividade em pauta.

Compromisso com a verdade

O diploma de jornalista jamais poderá ser rasgado impunemente por qualquer empresa de Comunicação. Também, convenhamos. Nós dedicamos quatro anos de nossas vidas em estudos e pesquisas para nos tornarmos merecedores da realização profissional como jornalistas e precisamos, todos, apenas de uma oportunidade. A mesma que aqueles notáveis jornalistas tiveram e muitos ainda hoje têm por conta de uma particular indicação pessoal ou circunstancial.

Assim, veremos a diferença efetiva entre quem tem e quem não tem diploma de jornalista. E isso será uma atribuição de responsabilidade do empresário de Comunicação, para o bem de poder apresentar para a sociedade um produto jornalístico da melhor qualidade possível.

Por outro lado, a decisão do STF também é um alerta para que ninguém se iluda por possuir um diploma de papel. E isso cabe para qualquer área profissional, não apenas para a de jornalismo. Precisamos continuar nos qualificando mais e mais para conquistarmos o nosso espaço e, assim, fazermos valer o papel do nosso diploma para com a sociedade, por meio do compromisso com a verdade, no exercício competente da profissão.

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Bancário, graduado em Jornalismo, Salvador, BA

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