Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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DIRETóRIO ACADêMICO > FORMAÇÃO EM JORNALISMO

O diploma e a ética profissional

Por Aloísio Morais Martins em 19/08/2008 na edição 499

Às vezes, quando me perguntam sobre a importância do diploma para o exercício da profissão de jornalista, gosto de lembrar do tempo em que comecei na profissão, na década de 70, quando inúmeras pessoas trabalhavam no ofício sem terem passado por uma escola de formação profissional. Logicamente, a grande maioria exercia um jornalismo de qualidade e ético. Mas alguns profissionais esbanjavam também na falta destes quesitos.

Como exemplo, gosto de citar o caso de um jornalista (não é o caso de citar seu nome, inclusive porque hoje ele já é falecido) que ganhou dois ou três prêmios Esso, era tido como excelente repórter, mas, no exercício da profissão, dava um show no que diz respeito à falta de ética.

Digo isso porque pude testemunhar o tal jornalista em dois momentos. Primeiro, ao vê-lo atuar como repórter policial e, duas décadas depois, quando pude copidescar os seus textos e constatei que se tratava de um semi-analfabeto, o que, certamente, poderia justificar o fato de desconhecer certos conceitos éticos.

Um filme a que já assistimos

Esse jornalista sem diploma e sem compromisso com a ética não fazia entrevistas, mas, sim, interrogatórios com os personagens que por acaso iam parar nas mãos da polícia. Gritava ou empurrava com os presos, pés-de-chinelo ou não. Outra coisa: em plena ditadura, ele não questionava e achava normal ver policiais torturando presos com a cocota (uma sola de pneu usada para bater nas palmas das mãos dos presos). Para ele, a tortura era tida como um ofício corriqueiro contra os presos e não era notícia, mesmo que acontecesse à sua frente.

Acho que é aí que entra a importância dos cursos de Jornalismo para o exercício da profissão. Além de qualificar os futuros profissionais, os cursos são importantes não só para melhorar a qualidade da informação, mas, sobretudo, para comprometer o jornalista com a ética.

O fim da necessidade da formação profissional representaria também o fim do compromisso dos ‘jornalistas’ com o Código de Ética da profissão. Isso abriria as portas do jornalismo para os picaretas, que passariam a usar a informação em interesse próprio, sem qualquer compromisso com a sociedade e com a ética, um filme a que já assistimos muito no passado, antes da regulamentação da profissão.

Para mim, este aspecto, por si só, já justifica a necessidade do diploma para o exercício da profissão. Aliás, se o jornalismo melhorou em qualidade nas últimas décadas deve-se, sem dúvida, às escolas de Comunicação.

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Presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais e editor-adjunto do jornal Hoje em Dia, Belo Horizonte, MG

Todos os comentários

  1. Comentou em 26/08/2008 benê silva

    Puxa, que texto mais tosco. Como diz o comentário abaixo, é com esse tipo de argumento que querem defender o diploma? Façam-me o favor.Pensem em algo mais consistente.Ética não é prerrogativa unicamente de diplomados…De qualquer profissão, aliás.

  2. Comentou em 25/08/2008 orlando costa

    Pô, Martins, você generaliza, viu um exemplo e acha que todo mundo é assim….Até porque eu acho que ética não se apreende na escola. Ou voc~e nasce com esse atributo moral ou não. Conheço jornalista que até integram dirertoria de sindicato da categoria que faz verdadeira campanha eleitoral em seus espaços (no rádio e jornal) por conta de boa remuneração. Diploma só restringe o mercado e torna o exercício da profissão mais um reduto onde prolifera o pensamento único e, assim, bau-bau diversidade de pensamento e opinião….Todos têm o mesmo canal de visão, áté as mesmas expressões. Dá urticária ouvir ou ler o que certos (talvez a maioria) falam ou escrevem,…Pelo menos admitamos que tem algo de podre neste universo.

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