Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

DIRETóRIO ACADêMICO > FIM DE SEMANA, 25 E 26/08

O Estado de S. Paulo

28/08/2007 na edição 448

STF / SIGILO VIOLADO
Editorial

A imprensa fez a coisa certa

‘Mais uma vez a imprensa foi levada ao banco dos réus por ter o jornal O Globo divulgado as mensagens de correio eletrônico entre os ministros Ricardo Lewandowski e Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), captadas pelo fotógrafo Roberto Stuckert Filho. Eles trocaram e-mails na sessão de quarta-feira da Corte, reunida para decidir se abre o processo requerido pelo procurador-geral da República contra 40 acusados de envolvimento com o mensalão. O presidente Lula falou em ‘invasão de privacidade’. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, ex-titular do Supremo, em ‘intromissão anticonstitucional em um poder da República’. O presidente da OAB, Cezar Britto, afirmou que o Brasil não pode ter um Big Brother nem cair num ‘estado de bisbilhotagem’. O presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Walter Nunes, considerou que ‘a revelação das conversas entre os ministros maltrata o princípio basilar da democracia’.

A confusão é geral, diria Machado de Assis; mas não precisava ser. As democracias são regidas, entre outras, por duas leis de bronze. Uma assegura à sociedade o direito à informação. Outra assegura o direito à intimidade. Por vezes esses princípios parecem a caminho de colidir na zona de sombra de onde termina o primeiro e onde começa o segundo. Porém não – definitivamente, não – neste caso. A informação que a ordem democrática assegura diz respeito aos atos de interesse público praticados por agentes públicos, ainda mais em recintos públicos, mais ainda em eventos públicos – abertos aos ‘do povo’, como dizem os juristas, e àqueles cuja missão consiste em lhes dar ciência do que se passa nas instituições que sustentam e existem para servi-los. Fora disso, a vida privada é inviolável, salvo por ordem judicial em contrário, como nas autorizações para a interceptação de comunicações de suspeitos de atividades ilícitas, em inquéritos criminais ou na instrução de processos penais.

‘Bisbilhotar’, para usar o termo do dia, a esfera particular de figuras públicas – ou seja, as suas atividades e relacionamentos, quando não há motivo razoável para presumir que possam afetar o apropriado exercício de suas funções – é algo inaceitável e merecedor de sanções severas. É também, na sociedade do espetáculo dos dias atuais, em toda parte, um aviltamento dos padrões elementares de decência comum sem os quais a civilidade é no máximo um simulacro. Mas não faz o menor sentido equiparar aos malefícios da cultura de massa, simbolizada por esse detrito televisivo chamado Big Brother – e muito menos à sua versão orwelliana -, o registro e a divulgação de diálogos – por que meio se dêem, ao alcance de terceiros – entre dois membros da mais elevada instância do Poder Judiciário num julgamento de interesse nacional e franqueado à mídia. Esse último fato, aliás, só engrandece o Supremo. O televisionamento dos seus debates é um exemplo reconfortante de que, apesar de tudo, as instituições funcionam.

Onde, portanto, a invasão de privacidade ou a intromissão anticonstitucional quando os ministros interlocutores, na plena condição de agentes públicos togados, trocavam idéias sobre questões públicas? A imprensa não só nada transgrediu, mas fez a coisa certa, aquela que é a sua razão de ser: desvendar para a coletividade o que ela precisa saber, como atributo de cidadania. Jornalista e jornal serviram ao público, informando-o do que pensam dois ministros do STF sobre a matéria a respeito da qual devem se pronunciar, sobre os motivos do presumível voto de um colega no mesmo caso e sobre aspectos da nomeação do eventual substituto de outro, que acabou de se aposentar. O problema – e cada qual julgue como queira se problema existe – seria a adequação da conduta dos dois magistrados, naquelas circunstâncias específicas, e o teor do que se escreveram, de forma acessível às lentes de um fotógrafo a poucos passos deles. O que conta é que os brasileiros comuns puderam conhecer algo do funcionamento da sua Corte maior.

Nas palavras do jurista Ives Gandra Martins, ‘foi um brilhante trabalho de jornalismo, mas, para quem vive a rotina do Judiciário, nada do que foi apresentado é novo’. Exemplifica: ‘Às vezes, frases agressivas são trocadas até na hora do café. Só que para o público isso não costuma ser revelado.’’

Carlos Marchi

Eros Grau defende liberdade de imprensa, mas alerta para excessos

‘O ministro Eros Grau afirmou ontem que a imprensa pratica ‘linchamentos’, sem especificar exatamente a que se referia sua crítica. No preâmbulo de um de seus votos, Grau disse: ‘Nunca me detive em indagações a respeito das causas dos linchamentos consumados em um como que tribunal erigido sobre a premissa de que todos são culpados até prova em contrário.’ Em seguida, apostou numa causa: ‘Talvez seja assim porque muitos sentem necessidade de punir a si próprios por serem o que são.’

Quinta-feira o jornal O Globo publicou trechos de uma conversa por mensagem, mantida durante o julgamento dos acusados do mensalão pelos ministros Cármen Lúcia e Ricardo Lewandowski e colhidas pela objetiva do fotógrafo Roberto Stuckert Filho. Nas mensagens, Cármen Lúcia informou a Lewandowski, em meio a outros assuntos, que Grau rejeitaria integralmente a denúncia do procurador-geral da República contra os acusados do mensalão, sugerindo que o ministro fizera um acordo com o Palácio do Planalto. Anteontem, depois de publicada a reportagem, Grau reagiu com firmeza; ontem, estendeu a inconformidade a um de seus votos.

‘DETERMINADOS DESVIOS’

Eros Grau ressaltou que sua crítica se dirigia especificamente a ‘determinados desvios’ da mídia e não significava ‘desconsideração ou menosprezo do papel fundamental desempenhado pela imprensa na democracia’. Reconheceu que ‘a imprensa livre é por certo indispensável à plena realização da democracia’ e, ‘por isso, ela há de ser necessariamente imune à censura’. Afirmou que a imprensa livre deve servir à sociedade, ‘mesmo porque o titular da imunidade à censura é povo, não o proprietário do veículo’.

Grau declarou que o magistrado independente – qualidade na qual se incluiu – ‘é o autêntico defensor da sociedade e da imprensa’. Sempre usando frases elaboradas, mudou o tom e partiu para uma consideração mais genérica, ao ressaltar que os magistrados independentes é que livram a imprensa de ser responsabilizada: ‘É mercê da prudência do magistrado independente que não resultam tecidas plenamente, por elas mesmas, as cordas que as enforcarão, as elites e a própria imprensa.’

‘IMAGINÁRIO SOCIAL’

Para ele, o papel de julgar exige do juiz considerar dois planos – a racionalidade expressa na lei e o que chamou de ‘imaginário social’. O magistrado, disse, ‘deve considerar as manifestações desse imaginário, sem, contudo, permitir que a ética da legalidade seja tragada pela emoção coletiva’. Essa emoção coletiva, afirmou o ministro, ‘pode conduzir não apenas aos linchamentos, mas à indiferença face ao desprezo autoritário pelos chamados direitos fundamentais’.

Segundo ele, ‘a racionalidade, veiculada pelo direito positivo, direito posto pelo Estado, pretende dominar não apenas os determinismos econômicos, mas também os arroubos emocionais da sociedade, inúmeras vezes insuflados pela mídia’. E exclamou: ‘Condenam-se pessoas mesmo antes da apuração de fatos.’ Por último, Grau disse que a independência ‘permite ao juiz tomar não apenas decisões contrárias a interesses do governo, mas também impopulares, que a imprensa e a opinião pública não gostariam que fossem adotadas.’’

CASO RENAN
Ana Paula Scinocca

Renan acusa Abril de usar laranja na venda da TVA para a Telefônica

‘Um dia depois de prestar esclarecimentos aos relatores do processo contra ele em curso no Conselho de Ética, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), voltou a atacar o grupo Abril, que edita a revista Veja. Numa repetição de discursos anteriores, Renan acusou a Abril de ‘transação ilegal’ no processo de venda da TVA para a Telefônica.

Em discurso de pouco menos de 15 minutos, ele solicitou que seja suspenso pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) julgamento, marcado para a próxima semana, da negociação entre os dois grupos comerciais. A Anatel, segundo ele, planeja, nessa reunião, ‘maquiar uma transação ilegal’.

‘A idéia é trocar os acionistas, os laranjas, como foi chamado na oportunidade, na tentativa de aprovar um negócio flagrado na ilegalidade, conforme voto de um conselheiro da Anatel publicado na própria internet’, afirmou Renan no discurso. ‘Quero reiterar que a negociata fere os interesses nacionais, restringe a concorrência e agride o mercado.’

Segundo o presidente do Senado, ao tentar transferir o controle total da TVA para a Telefônica, empresa estrangeira, ‘o grupo Abril, dono da revista Veja’, desafia a legislação brasileira.

Recentemente, a revista Veja publicou reportagem segundo a qual Renan teria usado laranjas para comprar um jornal e duas emissoras de rádio em Alagoas em sociedade com o usineiro e ex-deputado João Lyra. Agora é o senador quem acusa o grupo Abril de usar esse expediente.

CPI

O pedido de adiamento do julgamento pela Anatel foi feito por Renan com base na possível abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) na Câmara para investigar a transação. O requerimento para a instalação da comissão foi feito por um aliado de Renan, o deputado Wladimir Costa (PMDB-PA), e já conta com 182 assinaturas.

De acordo com Renan, a transação da Abril com a Telefônica fere o artigo 7º da Lei do Cabo, que garante que as decisões em concessionárias de TV a cabo sejam tomadas exclusivamente por brasileiros. ‘Outra violação à lei brasileira nessa transação está na proibição de que uma empresa de telefonia detenha, na mesma área, concessão de TV a cabo. É um negócio ilegal, com parte já paga, que renderá ao grupo Abril quase R$ 1 bilhão. Merece criteriosa investigação’, afirmou.

Renan disse ainda que, convidados a dar esclarecimentos na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, os dirigentes da Telefônica e do grupo Abril ‘fizeram ouvidos moucos, optando pela delonga e pela procrastinação’. ‘Tentam desesperadamente adiar os esclarecimentos, na esperança de que uma maquiagem salvadora iluda o País e chancele essa imoralidade’, acusou, mencionando ‘empresários gananciosos, que, ferindo o interesse nacional, fazem fortuna vendendo concessões que ganharam do Estado brasileiro ao capital estrangeiro’.

O presidente do Senado também comentou rapidamente seu depoimento, um dia antes, ao Conselho de Ética e disse acreditar que esclareceu ‘as artificiais acusações que enfrenta, as quais procuram transformar um caso que tramitou na vara de família em uma crise político-institucional’. Ele é acusado de ter despesas pessoais pagas pelo lobista da Mendes Júnior Cláudio Gontijo.

Depois do discurso, Renan falou rapidamente a respeito dos outros dois processos que enfrenta no Conselho de Ética. Sobre o de número 2, que apura suposta interferência na Receita Federal em favor da Cervejaria Schincariol, disse que a representação ‘não tem o menor sentido’. Já em relação à terceira investigação, sobre sociedade oculta com João Lyra para compra de um jornal e duas rádios, limitou-se a dizer: ‘Cada dia a sua agonia.’’

Gerusa Marques

Câmara tem assinaturas necessárias para instalar CPI e investigar transação

‘O deputado Wladimir Costa (PMDB-PA) já conseguiu 182 assinaturas – mais que as 171 exigidas por lei – para criar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a compra, pela Telefônica, da operadora de televisão por assinatura TVA, do grupo Abril. Segundo Costa, há ‘fortes indícios de que houve falcatrua’ no negócio. Os ataques ao grupo Abril começaram no Senado, pelo seu presidente, Renan Calheiros (PMDB-AL). O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), vai analisar, na semana que vem, se há fato determinante para criar a CPI.

Wladimir Costa acusa a Telefônica de ter comprado a totalidade das ações da TVA e informado à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a posse de apenas 19,9% (no caso, da operadora de TV a cabo do grupo em São Paulo), mantendo um contrato de gaveta.

Para o presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, deputado Júlio Semeghini (PSDB-SP), a CPI e as denúncias de Renan não passam de tentativa de intimidar a revista Veja, do mesmo grupo Abril, que tem denunciado, em seguidas reportagens, atos irregulares do presidente do Senado. ‘Acho mais que é uma represália do próprio senador Renan e do Partido dos Trabalhadores, como uma tentativa de intimidação contra a Veja, pelas matérias que tem feito’, afirmou. Semeghini disse que 60 das 182 assinaturas para a CPI são petistas e outras 29 do PMDB.

O contrato de concessão da telefonia fixa assinado pela Telefônica proíbe que ela tenha o controle de outra concessionária em sua área de atuação, no Estado de São Paulo. Por isso, a Telefônica, segundo informações prestadas à Anatel, teria adquirido apenas 19,9% da empresa de TV a cabo paulista.

Ao aprovar o negócio, em julho, a agência exigiu que as empresas fizessem um novo acordo de acionistas, que impedisse a Telefônica de ter poder de veto nas decisões da operadora em São Paulo. A Anatel, que não quis se pronunciar sobre o tema, ainda deverá analisar o novo acordo de acionistas antes de encaminhar o processo ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).’

Clarissa Oliveira e Renato Cruz

Comissão é ‘tentativa espúria’ de manipular a Câmara, diz Abril

‘Diante de mais uma leva de críticas feitas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a Editora Abril divulgou no início da noite de ontem uma nota em que condena a tentativa de criação de uma CPI para apurar a venda de uma fatia na operadora de TV por assinatura TVA ao grupo Telefônica. ‘É uma tentativa espúria de alguns poucos, dentro e fora do Parlamento, para manipular a Câmara dos Deputados de modo a atingir a Abril pelos fatos que Veja tem revelado sobre o senador Renan Calheiros’, afirma o documento. O grupo Abril, que publica a revista Veja e controla também a TVA, vem sendo acusado pelo presidente do Senado de usá-lo para criar uma ‘cortina de fumaça’ em torno da venda da fatia.

Após as novas declarações do senador sobre o negócio, a Telefônica e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) preferiram não se pronunciar. Apesar de Renan ter dito que a compra da operadora de TV por assinatura pela Telefônica seria apreciada pelo conselho da agência na próxima quarta-feira, a pauta da reunião ainda não foi divulgada pela Anatel. No mês passado, a agência deu anuência prévia para a operação, mas exigiu que as empresas mudassem o acordo de acionistas. É esse acordo que ainda precisa ser aprovado pelo conselho da agência.

O contrato de concessão da Telefônica impede que a empresa controle operações de TV a cabo em sua área, que é o Estado de São Paulo. Por causa disso, ela comprou 19,9% da operação de cabo da TVA na capital, para que não fosse caracterizado o controle. O acordo de acionistas submetido à Anatel, no entanto, dava poder de veto à Telefônica sobre as decisões na TVA de São Paulo, o que fez com que a agência exigisse uma mudança, dando prazo de 30 dias.

Depois de decidir sobre a anuência prévia, a Anatel precisa encaminhar o processo ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que tem a palavra final, analisando aspectos de concorrência. Além da participação na TV a cabo em São Paulo, a Telefônica comprou da TVA 100% das operações de MMDS (TV paga via microondas) em São Paulo, Rio, Curitiba e Porto Alegre e 49% do cabo em Curitiba, Florianópolis e Foz do Iguaçu. Não existe impedimento legal para a empresa comprar o MMDS e, no caso do cabo, o capital estrangeiro está limitado a 49%.’

DIREITOS AUTORAIS
Renata Cafardo

Contra xerox de livros, cópias legais

‘Para acabar com o xerox, a cópia legalizada. A Associação Brasileira de Direitos Reprográficos (ABDR), aliada às maiores editoras do País, lançou uma ferramenta na internet que permite aos estudantes comprar apenas capítulos de livros. Pelo site, o aluno seleciona o que precisa para seus estudos e o texto é impresso nas próprias bibliotecas ou livrarias das universidades. O preço – que já inclui os direitos autorais, repassado às editoras – deve ficar, no máximo, 20% superior ao cobrado pelas copiadoras de xerox.

O site foi chamado de Pasta do Professor e deve começar a funcionar ainda neste mês em quatro universidades. A prática de reprodução se disseminou nas últimas décadas com o aumento da tecnologia de cópias e também com o crescimento do ensino superior brasileiro. Em dez anos, o número de alunos aumentou 140% e a venda de livros universitários – aqueles usados como bibliografia nas aulas – caiu mais de 40%. A ABDR estima um prejuízo de R$ 400 milhões por ano por causa das cópias ilegais.

Os números também podem ser explicados pela chegada ao ensino superior dos jovens de classes C e D. ‘Seria impossível cursar a faculdade se tivesse que comprar todos os livros’, diz Cássia de Oliveira Souza, de 26 anos, que cursa Secretariado Executivo Bilíngüe na Faculdade Sumaré, e estudava nesta semana com várias reproduções de livros.

A instituição, que não permite que as cópias sejam feitas internamente, é a primeira a usar a nova ferramenta da ABDR. ‘Não conseguiríamos equipar nossas bibliotecas para ter livros para todos’, diz o diretor Eliseu Lourenço Pereira. A Sumaré tem cerca de 6 mil alunos.

Outro obstáculo à compra do livro é o fato de os professores montarem seus cursos com capítulos de diversas obras. ‘Gastei R$ 130 em um livro no ano passado e me arrependi porque usamos apenas dois capítulos na aula’, conta Danieli Galon, de 21 anos, aluna de Administração.

‘Não estávamos oferecendo o que o mercado queria comprar, ou seja, o livro fracionado’, diz o diretor do projeto Pasta do Professor na ABDR, Bruno De Carli.

ARQUIVO SÓ EM PAPEL

O novo processo não libera o arquivo em PDF dos capítulos para os alunos, nem para leitura na tela do computador. Carli explica que isso permitiria que o arquivo pudesse ser repassado por e-mail ou mesmo impresso indiscriminadamente. O aluno pode encomendar seu texto pela internet a partir de pastas organizadas pelos próprios professores, que também terão acesso à ferramenta, mas receberão o texto impresso no ponto de venda.

A impressão terá uma linha d’água com o nome do aluno e os números iniciais de seu CPF para tentar inibir que seja também reproduzida. As impressoras dos pontos de venda terão de ser autorizadas pela ABDR. Mas são os estabelecimentos que determinarão o preço por página, assim como cada editora dará o valor de seu direito autoral. Um capítulo de 20 páginas, em média, deve sair por cerca de R$ 2,50.

Além da Sumaré, a ferramenta já foi aceita pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA), no campus da capital e de Ribeirão Preto, e pela Faculdade de Direito de Vitória. Editoras como Atlas, Saraiva, Artmed/Bookman e Wesley/Pearson/Prentice Hall fazem parte do projeto.

O autores de livros universitários aprovam a medida, mas dizem que não se importam tanto quanto as editoras com a disseminação dos xerox. ‘Não ganhamos quase nada com direito autoral. O que o autor quer é que o livro esteja acessível, mesmo que seja uma cópia’, diz o professor da FEA e escritor Daniel Augusto Moreira. ‘O mais importante é que se trata de fazer cópias de forma ética e isso também faz parte da formação dos alunos’, completa outro autor da FEA, Martinho Isnard. Ele se diverte ao contar que já teve até de dar autógrafos para alunos em cópias xerox de seus livros.’

***

Reprodução de obras é crime com pena de prisão

‘O xerox é um crime contra a propriedade intelectual, com pena de 2 a 4 anos de prisão. A reprodução de livros ou de parte deles é proibida pela Lei do Direito Autoral, de 1998. Um dos capítulos menciona que a cópia só é permitida quando não há intuito de lucro – objetivo claro dos estabelecimentos que cobram pelas cópias.

Em 2005, o Ministério da Justiça iniciou uma cruzada contra o xerox em universidades de todo o País. A medida – que previa, primeiro, a negociação e depois, o emprego da lei – fazia parte das ações do Conselho de Combate à Pirataria e Delitos contra a Propriedade Intelectual.

Inquéritos em São Paulo também foram abertos pela polícia contra instituições como USP, PUC-SP e Mackenzie. Desde então, a prática diminuiu dentro dos estabelecimentos de ensino, mas os alunos continuam fazendo cópias fora das instituições.R.C.’

BANGLADESH
O Estado de S. Paulo

Jornalistas denunciam agressão policial e censura em Bangladesh

‘FRANCE PRESSE – Pelo menos 30 repórteres foram agredidos pelas forças de segurança de Bangladesh por violar o toque de recolher imposto na quarta-feira pelo governo interino, informou ontem o sindicato de jornalistas, que também denunciou a censura sofrida pelos meios de comunicação.

‘É um ataque brutal contra a liberdade de imprensa e de expressão no país e exigimos que o governo pare de atuar dessa maneira’, disse Manjuruj Ahsan Bulbul, presidente do sindicato. desde quarta-feira, vários jornalistas foram hospitalizados e um foi preso.

As autoridades haviam prometido que as pessoas com credencial de imprensa poderiam circular livremente durante o toque de recolher – imposto na capital, Daca, e em outras cinco cidades. A medida foi decretada para conter os violentos protestos estudantis que começaram na segunda-feira na Universidade de Daca – contra a presença do Exército no campus – e se espalharam para outras universidades, deixando um morto e dezenas de feridos.

As autoridades levantaram ontem temporariamente o toque de recolher, mas detiveram quatro professores universitários e seis políticos, acusados de organizar os protestos. Esta é a mais grave crise enfrentada pelo governo, que chegou ao poder em janeiro.’

TELEVISÃO
Keila Jimenez

RR Soares vence SBT

‘Show da Fé dá mais ibope que noticiário

O SBT já passou por momentos de crise, mas, por esta, nem Silvio Santos esperava. Com a audiência em baixa, a programação da emissora chegou a perder esta semana em ibope para o culto eletrônico da Band, o Show da Fé, do bispo RR Soares. Para quem já foi segundo lugar absoluto em audiência, é uma queda e tanto.

Segundo medição do Ibope na Grande São Paulo, na segunda-feira, a Band registrou no horário do Show da Fé 2,5 pontos, ante 2 pontos do SBT, que exibia no horário o SBT Brasil, de Carlos Nascimento.

Na quarta-feira, no embate da atração de RR Soares com a programação da emissora de SS, deu 2 pontos de média para a Band, ante 1,8 do SBT.

Apesar do SBT ter vencido a Band na média geral da semana no horário, nos demais dias RR Soares ficou encostado em ibope no SBT. O que tem sido comum.

Vale lembrar que entre os dias 13 e 16 de agosto, na faixa entre 18 e 21 horas, a Band alcançou média de 5,8 pontos, ante 5,1 pontos do SBT. E que o Brasil Urgente e Jornal da Band chegaram a vencer com boa diferença a programação de Silvio Santos na semana passada.

entre- linhas

Sucesso por aqui no GNT, o reality show Hell’s Kitchen, do temível chef Gordon Ramsay, é um dos maiores sucessos da TV americana atualmente. Em sua terceira temporada no ar por lá na Fox, a atração registra em média audiência de 8,3 milhões de pessoas por exibição. No Brasil, o GNT está reapresentando a primeira temporada de Hell’s Kicthen.

Eduardo Galvão, que embarcou no fim de semana para Nova York como Urbano em Paraíso Tropical – com direito a Deborah Secco na bagagem -, desembarca na segunda-feira na Vila Leopoldina, em São Paulo para gravar Dance, Dance, Dance, nova novelinha da Band. Assim como na trama das 9 da Globo, Galvão será muito rico na trama da Band, porém, muito mal.

Os fãs de Bebel (Camila Pitanga) vão sofrer nas próximas semanas. A garota de programa vai parar na sarjeta em Paraíso Tropical. Após implorar pelo perdão de Olavo (Wagner Moura) sem sucesso e perder Urbano (Eduardo Galvão), Bebel não terá outra opção a não ser pedir a ajuda de Jader (Chico Diaz). Mas a ‘forcinha’ do cafetão sairá mais cara do que ela imagina.

Fernanda Lima cobrirá a licença maternidade de Angélica novamente. A atriz ficará no lugar da oira no comando do Vídeo Game, do Vídeo Show. A troca de apresentadoras será em setembro. Fernanda começa a gravar o programa no dia 19 e vai ao ar somente no dia 22.’

MÍDIA & POLÍTICA
Cansei

Marcelo Rubens Paiva

‘Cansei de fazer baliza. Cansei de procurar vaga para o meu carro na região da Paulista, onde se concentram os cinemas. Cansei de, depois de todo o esforço, aparecer um flanelinha do nada e pedir para olhar o carro. ‘Quer olhar, pode olhar. Fica olhando, não tenho nada contra você olhar.’ Aliás, cansei da quantidade de gente que quer olhar o meu carro. Se ao menos eu ganhasse dinheiro, cobrando de quem quer olhar o meu carro. Cansei de criança me pedir dez centavos. Criança de superego rígido, sem ambição, fé, confiança própria. Pede dez reais. Depois, reclama que é pobre. Cansei de viajar de classe econômica. Cansei de não poder ir a Paris todos os anos. Nem de me hospedar no novo Fasano da Vieira Souto. Cansei de não ter casa em Ilha Bela. Nem de ter barco. Nem helicóptero, para fugir de lombadas. Porque cansei de lombadas. Especialmente das mal sinalizadas e sem pintura na superfície. Cansei de lombadas em estradas. Aquelas da Rio-Santos são ultrajantes para a coluna. Aliás, cansei de dores na coluna. Cansei de tendinites e bursites. Por que a informática trouxe tantas dores? Cansei de lesões por esforço repetitivo. Cansei também de lesões por esforço eventual. Cansei de obras no prédio. Cansei daquela voz de elevador de shopping pedir: ‘Favor liberar a porta.’ Ela acha que não libero a porta de propósito? Acha que fui ao shopping, fiquei horas procurando uma vaga, subi por um elevador apinhado, para ficar na porta ouvindo a sua voz? Cansei de comercial de cerveja. Não cansei de comercial de cerveja com mulheres bonitas. Cansei é da alegria do comercial de cerveja. Cansei da baiana e do pagodeiro que cantam alegremente em comerciais de cerveja. Eles podiam se casar e ir para aquelas praias desertas de comercial de cerveja. Cansei também de música eletrônica. Cansei do preço do CD e do DVD. Sem falar no dos importados. Cansei de viajar apertado. Cansei de ver aeromoça ensinar como atar um cinto. E ele salva a vida de alguém? Cansei de gostar de todas as grifes, mas de só ter dinheiro para comprar na liquidação da Zara. Cansei de ressaca. Por que Deus fez a ressaca? Foi no sétimo dia, em que Ele estava de ressaca, que a fez? Cansei, e muito, de programas religiosos na TV. Acho que até Ele se cansou. Especialmente daqueles cujos entrevistados falam no maior baixo-astral que perderam tudo. Cansei daquela repórter séria da tevê que sempre olha com uma cara baixo-astral. Repórter especial de tema baixo-astral. Cansei de entrevistado falar ‘pronto, falei’ no programa da Luciana Gimenez. Cansei de gente que me interrompe na rua, apesar da pressa, e pergunta: ‘Você é aquele escritor?’ Eu não fico perguntando: ‘Você é aquele pedestre? Esta baranga ao seu lado é a sua mulher?’ E quando ele me apresenta ‘este aqui é o grande autor de O Cobrador’? Tudo bem ele confundir Feliz Ano Velho com Feliz Ano Novo, do Rubem Fonseca, ou chamá-lo de Feliz Ano Passado, Adeus Ano Novo, mas confundir a minha obra? ‘Não, meu caro, O Cobrador é do Rubem Fonseca.’ E cansei quando o pedestre ainda pergunta: ‘Tem certeza?’ Cansei de evitar sobremesa, não comer couvert, pedir para tirar a gordura da picanha, o miolo do pão, não comer os biscoitos que acompanham o café, não jantar carboidrato, tomar leite desnatado, iogurte desnatado, Coca zero, doce diet. Cansei de exames de colesterol, próstata, vacina contra gripe. Cansei da defesa do Corinthians. Cansei de zagueiros que fazem gol contra. Cansei do São Paulo ser o time mais bem administrado. Cansei de apelidinhos fofinhos: benhê, môr, baby. Cansei de perder a tampa da pasta de dente. Cansei de descongelar a carne um dia antes. Cansei de não poder conectar o meu iPod em outro iTune. Cansei de spams. Cansei do toque ‘biru’, quando chega mensagem no MSN. Cansei da linguagem cifrada do MSN. Cansei de gente que escreve ‘kd vc’ ou termina a frase com ‘kkkkkk’. Tá rindo do quê? Cansei daqueles que, quando pensam em Lázaro Ramos, pensam em Wagner Moura. Cansei de SAC de empresa te dar a sensação de que vai resolver o problema, depois de um telefonema de uma hora, e não resolve. Cansei de café servido em copo de plástico. Cansei de gente que fala ‘posso falar?’ antes de falar. Cansei de homem que quer me beijar na bochecha. Não sou argentino. Cansei de ficar com sono no meio de filme ruim. Cansei de gente que tem carro zero e reclama que livro está caro. Cansei de gente que não lê. Especialmente de gente que não lê jornal. E de gente que não vai ao teatro? Cansei de invejar gente que vai para Trancoso e Itacaré. Ninguém mais vai para Santos, Itanhaém, Poços de Caldas, Águas de São Pedro, Caxambu, Araxá? Cansei de gente que vai para Fernando de Noronha e relata o seu encontro com golfinhos. Cansei de gente que mostra fotos de viagem no celular. Não percebe que não dá para ver direito? Cansei de tatuagens tribais. Cansei de jovens com piercing. Cansei de ser fechado por taxista. Cansei de greve do Metrô. Cansei da gordurinha que fica no corrimão e nas barras de apoio do vagão do metrô. Cansei de restaurantes fecharem cedo, e de eu ser sempre um dos últimos a sair. Cansei do Windows Mail do Vista, que veio sem o corretor ortográfico em português, acredita? Cansei de tanta gente ter carteirinha de estudante falsificada. Cansei de ruas com paralelepípedo. Cansei de esperar para cruzar a Avenida Rebouças. Cansei de motoboy que no trânsito nos dá lição de moral ou uma dura. Cansei de gente que veste agasalho de marca esportiva famosa. E daqueles que saem à noite com agasalho de marca esportiva famosa. Vai fazer um cooper depois da balada? Cansei de gente que diz balada. E de gente que me chama de galera. Cansei da Daiane dos Santos se contundir. Cansei de não explicarem por que o Ricardinho saiu da seleção de vôlei. Cansei do comentarista falar que não foi pênalti, e no replay aparecer o zagueiro dando uma rasteira no atacante. Cansei de morder tampa de caneta Bic. Cansei de autor que escreve texto enorme sem parágrafo. E você?’

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Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

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