Terça-feira, 23 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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O futuro da TV pública é agora

Por Alberto Dines em 19/02/2008 na edição 473

A Rede Pública de Televisão está avançando. E não apenas através do funcionamento regular da TV Brasil. A aparente disposição da TV Cultura de participar de parcerias e co-produções com outras emissoras (inclusive a TV Brasil) vai criar as condições para uma network alternativa, plural, diversificada e livre de sujeições aos interesses partidários.


Não menos importante é o esforço do relator da Medida Provisória que criou a TV Brasil, deputado Walter Pinheiro (PT-BA), em estabelecer fontes de recursos permanentes capazes de garantir uma separação entre o governo federal e a rede de TV que ele criou.


Os setores mais radicais da oposição aliados aos fundamentalistas da livre iniciativa não perceberam que vão perder o bonde. Tal como o governador do Paraná, Roberto Requião, que deseja uma TV Educativa para exercitar o seu mandonismo, certos grupos de petistas, tucanos e democratas esquecem que quando chegarem ao poder em seus estados necessitarão do apoio de uma rede pública de televisão com credibilidade e, sobretudo, com o suporte de uma audiência nacional de qualidade apta a neutralizar o poder do baronato e do tubaronato da mídia regional.


Dias contados


Uma rede pública criada por um determinado governo não é necessariamente propriedade deste governo. Todos se beneficiam. O processo de autonomização é inevitável e irreversível e a participação do relator Walter Pinheiro é prova disso. A rede pública de TV que deve resultar da sua relatoria será com toda a certeza muito mais avançada e muito mais participava do que a versão original. Ao contrário do que diz o ditado, as emendas são sempre melhores do que os sonetos [ver aqui o parecer apresentado pelo deputado].


Uma vez disponibilizado, visível, um bem ou serviço público torna-se cada vez mais público, mais compartilhado. Quando foi criado, este Observatório da Imprensa obedecia a um determinado desenho e velocidade. Hoje, doze anos depois, empurrado pelas circunstâncias por ele próprio criadas, ganhou novas dimensões e escopo.


As novas tecnologias da informação estão liquidando as reservas de mercado, é bom ter isso em conta, porque são naturalmente públicas, necessariamente compartilháveis. E, se por um lado a digitalização da TV está sendo usada parcialmente em nosso país, a TV Pública via internet oferece um potencial de expansão ilimitado, a um custo infinitamente menor.


O voluntarismo televisivo tem os seus dias contados. A socialização da televisão tem o futuro pela frente.

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