Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

DIRETóRIO ACADêMICO > PLURALIDADE & DIVERSIDADE

O futuro da TV pública é agora

Por Alberto Dines em 19/02/2008 na edição 473

A Rede Pública de Televisão está avançando. E não apenas através do funcionamento regular da TV Brasil. A aparente disposição da TV Cultura de participar de parcerias e co-produções com outras emissoras (inclusive a TV Brasil) vai criar as condições para uma network alternativa, plural, diversificada e livre de sujeições aos interesses partidários.


Não menos importante é o esforço do relator da Medida Provisória que criou a TV Brasil, deputado Walter Pinheiro (PT-BA), em estabelecer fontes de recursos permanentes capazes de garantir uma separação entre o governo federal e a rede de TV que ele criou.


Os setores mais radicais da oposição aliados aos fundamentalistas da livre iniciativa não perceberam que vão perder o bonde. Tal como o governador do Paraná, Roberto Requião, que deseja uma TV Educativa para exercitar o seu mandonismo, certos grupos de petistas, tucanos e democratas esquecem que quando chegarem ao poder em seus estados necessitarão do apoio de uma rede pública de televisão com credibilidade e, sobretudo, com o suporte de uma audiência nacional de qualidade apta a neutralizar o poder do baronato e do tubaronato da mídia regional.


Dias contados


Uma rede pública criada por um determinado governo não é necessariamente propriedade deste governo. Todos se beneficiam. O processo de autonomização é inevitável e irreversível e a participação do relator Walter Pinheiro é prova disso. A rede pública de TV que deve resultar da sua relatoria será com toda a certeza muito mais avançada e muito mais participava do que a versão original. Ao contrário do que diz o ditado, as emendas são sempre melhores do que os sonetos [ver aqui o parecer apresentado pelo deputado].


Uma vez disponibilizado, visível, um bem ou serviço público torna-se cada vez mais público, mais compartilhado. Quando foi criado, este Observatório da Imprensa obedecia a um determinado desenho e velocidade. Hoje, doze anos depois, empurrado pelas circunstâncias por ele próprio criadas, ganhou novas dimensões e escopo.


As novas tecnologias da informação estão liquidando as reservas de mercado, é bom ter isso em conta, porque são naturalmente públicas, necessariamente compartilháveis. E, se por um lado a digitalização da TV está sendo usada parcialmente em nosso país, a TV Pública via internet oferece um potencial de expansão ilimitado, a um custo infinitamente menor.


O voluntarismo televisivo tem os seus dias contados. A socialização da televisão tem o futuro pela frente.

Todos os comentários

  1. Comentou em 27/02/2008 dalmo oliveira

    Dines – O Estadao e a Folha tem toda razao em criticar a nova TV do governo. Precisamos diminuir o grande paquiderme estatal, nao aumenta-lo. O governo federal precisa mesmo e diminuir os gastos, fazer as reformas, baixar os juros e impostos. Em resumo, os brasileiros mais exclarecidos estao fartos de ver o Brasil caminhar devagar, com o freio de mao puxado. — Estamos muito decepcionados de ver tanto desemprego, impunidade, desperdiçio e corrupção !

  2. Comentou em 19/02/2008 Ivan Moraes

    ‘Tal como o governador do Paraná, Roberto Requião, que deseja uma TV Educativa para exercitar o seu mandonismo’: nao, pra ter algum tipo, qualquer tipo de protecao contra ataques coordenados da media paranaense. Mesmo assim ela vai terminar como esta, com uma mao na frente e outra atraz e sem dinheiro publico.

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem