Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

DIRETóRIO ACADêMICO > FORMAÇÃO EM JORNALISMO

O que esperar do ensino?

Por Rogério Christofoletti em 04/02/2010 na edição 575

Acho que, no Brasil, discutimos pouco o ensino de jornalismo. Acho não, tenho certeza. Prova maior é a rara bibliografia que temos sobre o assunto, a escassez de eventos que se debrucem sobre essa problemática e a quase inexistência de canais para difundir debates e ideias.


Sim, há poucos livros sobre ensino de jornalismo em particular e de comunicação em geral. E isso reflete o fato de que temos pouca gente pesquisando e pensando mais detidamente isso. Sim, exceto pelos encontros do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo e por algumas iniciativas da Intercom, quase não vemos por aí eventos que discutam pedagogias, didáticas, materiais e estratégias de ensino. Sim, também são poucas as revistas científicas que tratam de ensino. A revista Educação e Comunicação, editada pela ECA/USP desde 1994, é uma das exceções raras. A Revista Brasileira de Ensino de Jornalismo (Rebej), do FNPJ, por sua vez, não sai há anos e parece ter desaparecido antes mesmo de se tornar uma referência para a área.


Combinados, esses fatores contribuem para um preocupante marasmo no campo da Comunicação em geral e no Jornalismo em particular.


Para mudar


Para os desavisados, ingênuos e recém-chegados, a ilusão é de que está tudo bem com o ensino, e que nossas escolas são referências internacionais na formação dos profissionais. Diante da maravilha, só o paraíso.


Mas sabem professores e alunos, pesquisadores ou não, que o ensino da área carece ainda de muita discussão, de estudos aprofundados, da circulação de experiências bem sucedidas, do compartilhamento de práticas inovadoras, e da adoção de novos paradigmas que sustentem um ensino efetivo e transformador.


E como é que se convence a comunidade acadêmica a fazer isso?


Não sei. Só sei que é necessário. E urgente.


E vejo que outros países transformam a preocupação em ação. Esta semana, por exemplo, dois contundentes e relevantes textos circularam em sites norte-americanos. Seth C. Lewis se perguntou no Nieman JournalismLab, da Universidade de Harvard: ‘Para que servem as escolas de jornalismo?‘ A questão de Lewis vem do Texas, mas vai além do Canal do Panamá e se espalha por toda a parte… Da Califórnia, Dan Gillmor se arrisca em responder, apontando para o que suas notas rascunham: ‘O futuro do ensino de jornalismo‘.


É certo que as realidades brasileira e norte-americana são muito distintas, e seus sistemas de ensino mais ainda. Mas é interessante ver o que os professores de lá pensam – e como pensam – suas escolas. Aqui, as interlocuções parecem ainda muito restritas e eu gostaria que fosse diferente. Isso porque meu palpite é de que teremos um jornalismo melhor quando estivermos abastecendo o mercado de trabalho com grandes contingentes de excelentes ex-alunos. Eles é que podem mudar nossas redações e nossa mídia, não posts angustiados como este…

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Jornalista, professor da Universidade Federal de Santa Catarina

Todos os comentários

  1. Comentou em 25/03/2010 Juliana Oliveira

    Concordo com o Marcelo. Sou estudante de jornalismo em uma universidade pública e é incrível como persiste essa ideia de alguns professores que fingem que ensinam, enquanto os alunos fingem que aprendem. Muitos – não todos – só estão ali dando aula por que enxergam na carreira acadêmica a alternativa mais fácil para obter prestígio e salário razoável, pouquíssimos tem vocação pro exercício da profissão. No âmbito da universidades pública é pior ainda. Alguns tantos passam em concurso e se acomodam, não reciclam seus currículos, não vão atrás de especializações, não demonstram a mínima vontade de lecionar. E o pior é que estes comandam uma panelinha que acaba sendo encarregada pela seleção dos professores substitutos. Ou seja, selecionam ‘amigos’ com o mesmo perfil de profissional preguiçoso e acomododado. É claro que existem exceções, não posso ser injusta. Tive professores que demonstraram gostar do que fazem e estarem realmente preocupados com o aprendizado dos alunos e a formação de profissionais qualificados e diferenciados, muito embora alguns deles fossem de outros departamentos, e não da Comunicação. Mas, de fato, a grande maioria são mestres da retórica, utilizam-se de discursos vazios e repetitivos, não tendo capacidade nem vontade para discutir questões atuais e profundas acerca da profissão. Lamentável.

  2. Comentou em 05/02/2010 Ibsen Marques

    Ana Cláudia, só quem tem uma visão curta sobre a profissão se deixa abater com a democrática e acertada decisão do Supremo. Trabalho em uma Universidade e não tivemos qualquer problema em fechar as turmas de jornalismo. Até a Globo só contrata diplomados. A não exigência do diploma específico não significa que as empresas contratatrão qualquer cidadão para o cargo, muito ao contrário, quem não tem o diploma precisa provar muito mais que tem qualificações para exercer a profissão. Sugiro que leia o artigo do Bucci neste observatório em seu discurso como Paraninfo de uma turma de jornalismo (‘Aos formandos’). Em grandes democracias o diploma específico não é uma exigência para o exercício do jornalismo, nem por isso, a qualidade de sua informação é pior do que foi a nossa até antes da decisão do Supremo ( e olha que nosso jornalismo anda bem ruinzinho), aliás, até agora, nenhum dos medos dos pró diploma se confirmou.

  3. Comentou em 05/02/2010 Ibsen Marques

    Ana Cláudia, só quem tem uma visão curta sobre a profissão se deixa abater com a democrática e acertada decisão do Supremo. Trabalho em uma Universidade e não tivemos qualquer problema em fechar as turmas de jornalismo. Até a Globo só contrata diplomados. A não exigência do diploma específico não significa que as empresas contratatrão qualquer cidadão para o cargo, muito ao contrário, quem não tem o diploma precisa provar muito mais que tem qualificações para exercer a profissão. Sugiro que leia o artigo do Bucci neste observatório em seu discurso como Paraninfo de uma turma de jornalismo (‘Aos formandos’). Em grandes democracias o diploma específico não é uma exigência para o exercício do jornalismo, nem por isso, a qualidade de sua informação é pior do que foi a nossa até antes da decisão do Supremo ( e olha que nosso jornalismo anda bem ruinzinho), aliás, até agora, nenhum dos medos dos pró diploma se confirmou.

  4. Comentou em 04/02/2010 Victor Barone

    Animador ver que há vida em meio ao marasmo acadêmico. Pensar o ensino do Jornalismo é tarefa primordial para que os cursos sejam essenciais na formação profissional. Coisa que hoje não ocorre.

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