O suicídio na pauta jornalística | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Terça-feira, 21 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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DIRETóRIO ACADêMICO > MÍDIA & SOCIEDADE

O suicídio na pauta jornalística

Por Carolina Pompeo Grando em 29/06/2010 na edição 596

Existe uma convenção profissional extra-oficial, uma espécie de acordo entre cavalheiros, que determina: suicídios não serão noticiados pela grande imprensa. Ninguém sabe exatamente quando foi que este acordo foi selado, nem precisamente por que. O fato é que ele existe, mas aos poucos e discretamente tem sido descumprido: notícias sobre suicídios são publicadas, sim. Às vezes de modo sensacionalista, outras de modo superficial, e poucas de maneira aprofundada. Ainda assim, linhas editoriais e profissionais de imprensa sustentam que nas páginas de seus jornais não há espaço para suicídios. Por quê?

Talvez o suicídio seja colocado à margem da ação jornalística por ser um ato individual cujas motivações são bastante íntimas e particulares. No entanto, os índices de suicídio no mundo e no Brasil aumentam a cada ano. Esse aumento nos números de tentativas e mortes efetivas por suicídio o caracteriza como um tema de interesse social, como um fenômeno social. E é dos interesses e fenômenos da sociedade que a imprensa trata. O jornalismo, enquanto agente construtor do imaginário coletivo, reflete e suplanta pensamentos coletivos, ora promovendo a manutenção de tabus, ora sugerindo novas formas de conceber os acontecimentos do mundo.

Tensões e perturbações nas relações sociais

A violência em geral não é mais tabu no sentido proposto por Cazeneuve (1958) – em que tabu seriam proibições tanto na esfera da ação como na esfera do pensamento e do discurso. Na prática diária da convivência em sociedade, episódios de grande violência não são mais raros ou exclusivos de uma parcela marginalizada da população e o fato de algumas práticas serem consideradas tabus não é impedimento para que as mesmas ocorram com frequência. Diariamente, podemos ler nos jornais sobre acontecimentos que, até se tornarem efetivamente fatos, poderíamos supor impossíveis ou ao menos improváveis, dada a extrema crueldade dos atos praticados, os quais muitas vezes resultam em mortes.

No entanto, contrariando todo o aparente desconforto provocado por essas notícias negativas, as páginas dos jornais diários estão cada vez mais repletas de matérias sobre homicídios, latrocínios, estupros seguidos de assassinato etc. A morte, como escreveu Baudrillard (1996), se transformou em um espetáculo através da mídia, mas não apenas por ela: o autor também afirma que o jornal satisfaz uma necessidade inconsciente do leitor, que saboreia secretamente "a destruição do outro como espetáculo".

Por parte da imprensa, a discussão recorrente nas redações e cursos superiores de jornalismo é: deve-se publicar tanta violência? Qual é o limite da atuação jornalística: o bom-senso, o bom-gosto? Pesquisadores da área da comunicação, antropólogos, sociólogos, psicólogos, uma gama imensa de profissionais da academia ataca com frequência a imprensa, afirmando que ela é a grande publicitária da violência – quanto mais divulga, mais influencia a prática, incita-a. O fato é que, noticiados ou não, atos violentos não deixarão de ser praticados. O compromisso da imprensa é com a realidade. O bom-senso e o bom-gosto devem ser manifestados na linguagem editorial adotada por cada veículo para noticiar determinados acontecimentos.

Mas, se o espetáculo da morte descrito por Baudrillard conquista audiência e por isso os veículos de comunicação transformam acontecimentos negativos e chocantes em pautas executáveis, oferecendo notícias que dão conta de vários tabus, é curioso que uma prática menos violenta provoque tamanha polêmica e, mais que isso, tanto silêncio na imprensa: o suicídio.

Por que a decisão de noticiar um suicídio provoca tanta discussão entre a comunidade jornalística? O que faz o assassinato do menino João Hélio, morto depois de ser arrastado por um carro por quase sete quilômetros preso ao cinto de segurança, e a descrição de sua massa encefálica espalhada pelas ruas do Rio de Janeiro ser menos chocante e exasperante que o suicídio de uma pessoa que optou por não viver mais? Os dois fatos causam impacto. Então por que vários profissionais dissecam a história de João Hélio por semanas ao passo que decidem simplesmente ignorar a ocorrência de suicídios?

Talvez a explicação para essa postura generalizada da imprensa se justifique com base na hipótese de que um caso como o de João Hélio [o menino João Hélio Fernandes Vieites, de seis anos, morreu depois de ser arrastado por vários quilômetros preso ao cinto de segurança do carro em que estava com a mãe e irmã, após o veículo ter sido assaltado. O crime ocorreu em fevereiro de 2007, no Rio de Janeiro, e foi noticiado por veículos de comunicação de todo o país] seja paradigmático, isto é, que represente uma série de outros acontecimentos brutais semelhantes e simbolize uma situação alarmante: a prática mais frequente de atos violentos cada vez mais cruéis, além disso, a notícia trata também da segurança pública do espaço urbano e dos riscos aos quais estão submetidas crianças e adolescentes, vítimas comuns de atos de violência urbana. Dessa forma, noticiar um acontecimento como esse seria uma maneira de comunicar, denunciar e alertar a sociedade sobre desequilíbrios nas relações sociais que, com frequência, culminam em ações e reações violentas. No entanto, o suicídio é também um fenômeno social que denuncia tensões e perturbações nas relações sociais, sob os mais diferentes aspectos.

A perspectiva sociológica

De acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim (1977), o suicídio é uma manifestação individual de um fenômeno coletivo e cada sociedade está predisposta a fornecer um contingente determinado de mortes voluntárias. As razões dos suicidas seriam processadas individualmente, mas sempre de modo a refletir uma realidade social. Durkheim não foi o único pesquisador a considerar o suicídio a partir de seu aspecto sociológico, Marx (1976), em ensaio produzido com base nas memórias de Jaques Peuchet, à época diretor dos arquivos de polícia de Paris, escreveu que o suicídio é apenas mais um entre tantos sintomas de uma luta social e que muitos indivíduos, impelidos por uma realidade miserável, cometiam suicídio ou para eliminar a dor existencial ou para escapar de convenções sociais devastadoras.

Mas é Durkheim que, acreditando no estabelecimento de uma relação de forças injusta entre indivíduo e sociedade, nos fornece, após um longo e detalhado trabalho de campo, dados estatísticos que inserem o suicídio também no campo de conhecimento da Sociologia, enquanto fenômeno social. Durkheim definiu quatro tipos de suicídio recorrentes em realidades sociais distintas – conforme a perturbação existente entre indivíduos e sociedade.

O primeiro tipo, chamado de suicídio egoísta, é provocado pela ausência de interesse do indivíduo pelo meio social do qual faz parte. Uma sociedade que falha na tentativa de integrar e proteger todos os seus membros adequadamente produz um contingente considerável de indivíduos indispostos e incapazes de ser parte da máquina social. Durkheim concluiu que a ocorrência de suicídios varia na proporção inversa ao grau de integração das sociedades religiosa, doméstica e política. Indivíduos que sofrem de depressão e cometem suicídio integram esse grupo.

Oposto ao suicídio egoísta, o segundo tipo definido por Durkheim é o suicídio altruísta. Se no primeiro a sociedade não conseguiu estabelecer relações sólidas com o indivíduo, agora essas relações são complexas e exercem grande poder sobre o sujeito, fazendo com que ele opte pela morte voluntária em benefício de alguma necessidade da sociedade. Em algumas sociedades, matar-se em determinadas circunstâncias é não apenas um dever pessoal, mas uma obrigação social. Essa modalidade de suicídio é pouco comum nas sociedades ocidentais, sendo mais praticada no Oriente, como a prática do haraquiri ou do seppuku no Japão.

O terceiro tipo de suicídio apontado por Durkheim é o anômico. Anomia é um conceito empregado para definir sociedades que sofrem profundas transformações em algumas esferas e em outras não, provocando uma perturbação das normas que regem o comportamento e a conduta dos homens e garantem a ordem social. O suicídio anômico ocorre, portanto, em decorrência dessas transformações, negativas ou positivas, que perturbam ou modificam abruptamente a ordem coletiva antes estabelecida. Crises econômicas, catástrofes naturais, alterações nos padrões de relacionamentos pessois e profissionais são exemplos de situações que provocariam o suicídio anômico.

Ao suicídio anômico, Durkheim contrapõe o suicídio fatalista. Se aquele é desencadeado pelo afrouxamento das forças regulamentadoras da sociedade sobre o indivíduo, este é desencadeado justamente pelo excesso de regulamentação. A essa modalidade Durkheim dispensa pouca atenção, por considerar o número de casos pequeno se comparado aos enquadrados nas demais modalidades.

A relação entre noticiar e estimular novos casos

O suicídio pode ser, portanto, entendido e investigado como um fenômeno social, uma ação individual que, se observada mais aprofundadamente, questiona e denuncia falhas na regulamentação moral exercida pelo coletivo. Da mesma forma que o jornalismo dá conta de cobrir noticiosamente outros temas tabus que figuram entre as manchetes dos jornais diários, como pedofilia ou incesto, contribuindo para a denúncia de práticas ilegais e para informar acerca de outras realidades, as notícias sobre suicídios poderiam obter o mesmo êxito, alcançando senão a finalidade do jornalismo, que é gerenciar a arena simbólica e proporcionar um compartilhamento de informações e experiências, promovendo debate e maior compreensão sobre temas sociais.

Ao abordar o suicídio em suas páginas diárias, a imprensa também poderia contribuir oferecendo informações e incentivando um debate sobre como auxiliar pessoas com tendências suicidas, como superar a perda de uma pessoa querida por suicídio, como relações familiares e escolares podem influenciar crianças e adolescentes a pensarem em suicídio em decorrência de uma pressão social vinda dessas instituições que eles não conseguem suportar e, por fim, e talvez principalmente, fomentar um debate sobre como a morte voluntária não é uma forma menos digna de morrer e assim contribuir para a desconstrução de um tabu e de preconceitos que povoam o imaginário coletivo e impedem que famílias e amigos de suicidas bem como suicidas potenciais consigam compreender melhor o significado e as consequências desse ato.

Mas há também outras explicações sugeridas por profissionais e pesquisadores do jornalismo para as ressalvas da imprensa em relação ao tema. O jornalista e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Arthur Henrique Dapieve (2006) sugere que as razões para o silêncio da imprensa em relação ao tema são de ordem prática: pretendem amenizar a dor e a possível culpa de familiares e amigos do suicida, respeitar a privacidade e os motivos, geralmente alheios ao conhecimento das pessoas mais próximas ao suicida, e, por fim, não desafiar a crença e a convenção de que o suicídio é contagioso, ou seja, de que ao noticiar um suicídio a imprensa pode influenciar, involuntariamente, suicidas potenciais a cometerem o mesmo ato.

Em seu estudo sociológico sobre o suicídio, Durkheim (1977) também aponta a possível relação entre noticiar suicídios e estimular novos casos. De acordo com o pesquisador, só há imitação se existir um modelo que possa ser imitado: sem uma fonte, não há contágio. No entanto, ele enfatiza que a imitação não é um fator original de suicídio e escreve:




"Alguns autores, atribuindo à imitação um poder que ela não tem, pediram que as notícias de crimes e de suicídios fossem proibidas nos jornais. É possível que a proibição de tais notícias conseguisse diminuir de algumas unidades o montante anual destes diferentes atos. Mas é muito duvidoso que conseguisse alterar a taxa social. A intensidade da tendência coletiva permaneceria a mesma, porque o estado moral dos grupos não seria alternado com isso. […] Na realidade, o que pode contribuir para o desenvolvimento do suicídio ou do crime, não é o fato de se falar deles, é a maneira como se fala. Onde essas práticas são abominadas, os sentimentos que despertam traduzem-se através dos relatos que se fazem delas e, por conseguinte, neutralizam mais do que excitam as predisposições individuais" (Durkheim, op. cit.: 143, grifos meus).

Imprensa também é vítima de tabus

O estudo de Durkheim foi desenvolvido em 1897; de lá para cá, profissionais de diversas áreas dedicaram-se a pesquisar se o conhecimento de algum suicídio poderia influenciar outros. Ainda não foi possível comprovar a influência da mídia sobre suicidas potenciais e tampouco há consenso entre pesquisadores da área da saúde e das humanas sobre o tema. O psiquiatra Wolgran Alves Vilela, coordenador da área de Psiquiatria do Hospital de Clínicas da Unicamp, em entrevista à jornalista Miriam Abreu, declarou que histórias que envolvem suicídio podem ser divulgadas com tranquilidade, desde que os casos não sejam explorados de forma sensacionalista, e acrescentou: "A divulgação tem mais valor positivo do que negativo, já que aguça o interesse de estudiosos e autoridades, que tentam prevenir mais casos de suicídio". O psiquiatra Roosevelt Cassorla, que escreveu dois livros sobre o tema, O que é suicídio e Do suicídio, acredita em uma influência da mídia quando o suicida foi uma pessoa de vida pública e conhecida da sociedade, já em notícias de suicídio de pessoas desconhecidas a influência seria menor. No entanto, ele ressalta que o poder de persuasão da imprensa só atinge pessoas que já apresentam predisposição ao suicídio [informações tiradas de artigo publicado no site Observatório da Imprensa pela jornalista Vanessa Canciam: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/showNews/da230920032.htm].

Já o psiquiatra e professor da Universidade de Coimbra, Carlos Braz Saraiva, que presidiu a Sociedade Portuguesa de Suicidologia, acredita que a conduta da imprensa quando noticia suicídios é desastrosa:




"As notícias de suicídio devem merecer apenas um breve apontamento, uma nota de rodapé. Sem falar de pormenores, sem detalhes quanto ao método do suicida e do eventual local onde foi cometido. Jamais noticiar suicídios de figuras mediáticas de forma a que possam servir de hipotético modelo para pessoas perturbadas. Corre-se o risco de glorificar o suicídio e isso provoca fenômenos de imitação. […] Quando se aborda de uma forma pormenorizada o suicídio de uma figura pública deve-se, pelo menos, incluir dados sobre as estratégias de prevenção e os sítios a que as pessoas podem recorrer. Caso contrário, a notícia pode ser apenas o interruptor, pois vai mexer com muita gente que está deprimida, já tentou suicidar-se ou está na iminência de fazê-lo" (Saraiva, 2001, in Visão).

Independente do que apontam pesquisas e estudos de outras áreas acerca da possível influência da mídia sobre o aumento de suicídios na sociedade, a imprensa, no geral, posiciona-se contrária à divulgação, salvo em casos bastante específicos nos quais o suicida foi uma personalidade pública ou quando sua morte implica consequências sociais, como no caso de políticos, por exemplo. Essa realidade indica como a imprensa também é vítima de tabus, como ela reforça e reflete esse comportamento social. Além disso, a determinação de não dispensar tratamento jornalístico ao suicídio surgiu de maneira informal e, aos poucos, tornou-se convenção.

Casos devem ser tratados com discrição

Existem poucos estudos sobre o tema desenvolvidos na área da comunicação e pouco aprofundamento nos debates. De fato, as ferramentas de orientação disponíveis para profissionais e estudantes de jornalismo sobre o tema são escassas. Mesmo em obra do jornalista Danilo Angrimani (1995), que se propõe a relacionar vários tabus abordados na imprensa (homicídio, canibalismo, incesto, sadomasoquismo, voyeurismo etc.), quase não há referências sobre o suicídio. Não é comum a produção de obras jornalísticas que se proponham a estudar de forma aprofundada o comportamento dos profissionais que evitam o tema, os motivos pelos quais têm essa atitude, os impactos da informação nos receptores etc. Logo, o suicídio parece não ter lugar não apenas no dia-a-dia da prática jornalística, mas também na academia. Se não existem obras teóricas suficientes sobre o tema direcionadas ao jornalismo, onde os profissionais devem procurar orientação?

Geralmente, quando um jornalista se depara com uma dúvida sobre como proceder na realização de seu trabalho recorre ao seu editor, discute abordagens com outros colegas ou procura orientações em manuais de redação e códigos que visam regrar a prática jornalística. No entanto, mesmo as considerações encontradas nesses manuais e códigos se mostram insuficientes ao abordar temas de caráter mórbido e, principalmente, o suicídio. Jornais de grande circulação nacional têm manuais deficientes nesse aspecto. O Manual da Redação da Folha de S. Paulo (1992: 111) diz sobre: "Não omita o suicídio quando ele for a causa da morte de alguém." Já no Manual de Redação e Estilo do carioca O Globo (1992: 87), o suicídio é mencionado no capítulo sobre ética: "O jornal evita noticiar suicídios de desconhecidos, exceto quando o fato tem aspectos fora do comum." O manual do Estado de S. Paulo, por sua vez, não faz referência alguma ao tema. Um dos Manuais de Redação de jornais brasileiros que dedica maior atenção ao verbete é o manual do jornal O Dia, que diz:




"O Dia não publica suicídios. Exceto em situações particulares, pela notoriedade dos envolvidos ou pelo interesse público das razões que o levaram ao ato. São exemplos disso os suicídios do ex-técnico da Seleção Brasileira de vôlei, Inaldo Manta, do aluno do Colégio Militar que não resistiu aos rigores da disciplina e suas humilhações, e do banqueiro que se matou em um quarto de hotel ao ver descoberto o desfalque que praticara" (O Dia, 1996: 47).

Há também distinções entre manuais e normas editoriais de uma mesma empresa de comunicação, como é o caso da Rede Brasil Sul de Comunicações, a RBS. Nas normas editoriais do grupo RBS fica determinado que "As notícias sobre suicídios – a não ser em casos excepcionais – não devem ser divulgadas ou destacadas. (É fato comprovado que a divulgação de suicídios estimula a morte de suicidas potenciais)". Já no Manual de Ética, Redação e Estilo do jornal Zero Hora (um dos principais veículos impressos do grupo RBS), adotado pelos demais meios impressos do grupo RBS, o verbete suicídio recebe a seguinte definição:




"A menos que o suicida ou autor de tentativa de suicídio tenha vida pública, atos do gênero não devem ser divulgados. Mesmo em episódios envolvendo figuras públicas, o método empregado para o suicídio e a causa do ato devem ser tratados com discrição. Se o suicídio ou atos de automutilação caracterizarem o comportamento de determinado segmento social, o caso deve ser tratado como informação e receber abordagem jornalística, com o objetivo de alertar a sociedade e as autoridades" (Zero Hora, 1994: 21).

A maioria das tentativas de suicídio permanece não relatada

Na imprensa internacional, os esclarecimentos acerca da conduta jornalística quando deparada com pautas de suicídios não diferem muito em escassez da imprensa nacional. O jornalista Ernesto Villanueva (1996) realizou uma análise comparativa entre os códigos europeus de ética jornalística e apenas dois deles mencionam suicídio. No Código Nacional de Ética Jornalística da Alemanha, o Artigo 8 determina que a imprensa deve respeitar a vida privada e a intimidade das pessoas e define no tópico 8.4 o verbete suicídio:




"A informação sobre suicídios requer comedimento. Isto é principalmente aplicável à especificação de nomes e à descrição detalhada de circunstâncias concomitantes. A exceção se justifica quando é um acontecimento histórico e há interesse público pela informação" (Villanueva, 1996: 70).

No Código de Ética da Imprensa da Noruega, o suicídio só é mencionado em um subitem do Artigo 4, que dá conta das regras de publicação, e diz brevemente: "4.9 Geralmente, não se deve fazer menção alguma de casos de suicídio consumado ou frustrado" (Villanueva, op. cit.: 144).

Portanto, as menções sobre o suicídio e sobre a forma de abordagem jornalística acerca do tema nos parecem deficientes. Não há referência a qualquer critério de noticiabilidade – quais suicídios serão noticiados na Folha de S.Paulo quando forem a causa da morte de alguém?; quais são, exatamente, os aspectos fora do comum enfatizados pelo Globo?

Não tanto pela disposição a orientar editores e repórteres e suprir assim as carências encontradas em obras destinadas aos mesmos, quanto por um dever que compete à instituição, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou em 2000, através do programa de prevenção do suicídio, o Supre, uma série de manuais contendo orientações às mais diversas categorias de profissionais que podem contribuir com a causa do programa, entre eles está o "Manual para profissionais da mídia". O documento constitui-se de uma breve justificativa sobre como uma imprensa negligente pode influenciar a prática suicida através de dados estatísticos e elabora uma série de orientações a fim de guiar a prática jornalística quando deparada com pautas de suicídio.

Primeiramente, o manual alerta para a utilização responsável dos dados disponíveis acerca do suicídio e ressalta que, na maioria dos casos, os índices estatísticos são subestimados.

O número de suicídios frequentemente é subestimado. A extensão deste viés varia de acordo com o país, dependendo principalmente da maneira como o suicídio é registrado. Razões para a subestimação incluem estigmas, fatores políticos e sociais e regulações de agências seguradoras, o que significa que alguns suicídios podem ser registrados como acidentes ou mortes por causa indeterminada. Pensa-se que o suicídio é subestimado numa taxa de 20-25% no idoso e de 6-12% em outras faixas etárias. Não existem registros mundiais oficiais de comportamentos suicidas não-fatais (tentativas de suicídio), principalmente devido ao fato de que somente cerca de 25% dos que tentam o suicídio precisam e/ou buscam atenção médica. A maioria das tentativas de suicídio, portanto, permanece não relatada e não registrada (Manual para profissionais da mídia, 2000: 6).

A glorificação de vítimas como mártires

Para evitar a utilização de dados errôneos e comprometer a veracidade das informações, o manual oferece uma lista com indicações de fontes confiáveis: são instituições governamentais e não governamentais, associações, departamentos e centros de pesquisa especializados em estudos sobre suicídio.

Mais adiante, é listada uma série de orientações para a cobertura de suicídios: a despeito do tempo escasso, investir em uma interpretação cuidadosa de estatísticas, evitar generalizações e comentários breves ou descuidados sobre o episódio mesmo que de fontes diretamente ligadas ao caso, não utilizar expressões como "epidemia de suicídio" e "o lugar com a mais alta taxa de suicídio do mundo" e, contrariando o que apontam estudos de vários pesquisadores acerca do tema, entre eles o de Durkheim, "deve-se abandonar teses que explicam o comportamento suicida como uma resposta às mudanças culturais ou à degradação da sociedade".

O manual também sugere à mídia um papel proativo na prevenção do suicídio, que se daria através da divulgação de informações úteis junto às notícias sobre suicídios, como listas de serviços de saúde mental, juntamente com telefones e endereços de lugares onde se possa obter ajuda, listas com sinais de alerta de comportamento suicida e "esclarecimentos mostrando que o comportamento suicida frequentemente associa-se com depressão, sendo que esta é uma condição tratável".

Por fim, o manual oferece uma lista de orientações específicas para o tratamento jornalístico de pautas de suicídio:

Os seguintes aspectos devem ser levados em consideração:

** A cobertura sensacionalista de um suicídio deve ser assiduamente evitada, particularmente quando uma celebridade está envolvida. A cobertura deve ser minimizada até onde seja possível. Qualquer problema de saúde mental que a celebridade pudesse apresentar deve ser trazido à tona. Todos os esforços devem ser feitos para evitar exageros. Devem-se evitar fotografias do falecido, da cena do suicídio e do método utilizado. Manchetes de primeira página nunca são o local ideal para uma chamada de reportagem sobre suicídio.

** Devem ser evitadas descrições detalhadas do método usado e de como ele foi obtido. As pesquisas mostraram que a cobertura dos suicídios pelos meios de comunicação tem impacto maior nos métodos de suicídio usados do que na freqüência de suicídios. Alguns locais – pontes, penhascos, estradas de ferro, edifícios altos, etc. – tradicionalmente associam-se com suicídios. Publicidade adicional acerca destes locais pode fazer com que mais pessoas os procurem com esta finalidade.

** O suicídio não deve ser mostrado como inexplicável ou de uma maneira simplista. Ele nunca é o resultado de um evento ou fator único. Normalmente sua causa é uma interação complexa de vários fatores, como transtornos mentais e doenças físicas, abuso de substâncias, problemas familiares, conflitos interpessoais e situações de vida estressantes. O reconhecimento de que uma variedade de fatores contribui para o suicídio pode ser útil.

** O suicídio não deve ser mostrado como um método de lidar com problemas pessoais como falência financeira, reprovação em algum exame ou concurso ou abuso sexual.

** As reportagens devem levar em consideração o impacto do suicídio nos familiares da vítima, e nos sobreviventes, em termos de estigma e sofrimento familiar.

** A glorificação de vítimas de suicídio como mártires e objetos de adoração pública pode sugerir às pessoas suscetíveis que a sociedade honra o comportamento suicida. Ao contrário, a ênfase deve ser dada ao luto pela pessoa falecida.

** A descrição das conseqüências físicas de tentativas de suicídio não fatais (dano cerebral, paralisia, etc), pode funcionar como um fator de dissuasão (Manual para profissionais da mídia, 2000: 7, 8).

O maior mérito do manual criado pela OMS talvez seja o fato de ser um dos primeiros, senão o primeiro e único, material elaborado diretamente para a imprensa a fim de orientar e esclarecer a prática jornalística quando da produção de notícias sobre suicídio, muito embora o conteúdo do material possa ser questionado por profissionais e pesquisadores da comunicação e do jornalismo, pois trata o suicídio sob uma perspectiva da medicina e da psicologia, quando, na verdade, o assunto é tema de ampla discussão de outras áreas de conhecimento. Além disso, o manual determina comportamentos que, muitas vezes, são contrários aos princípios do jornalismo, como podemos observar em alguns trechos:




"Qualquer problema de saúde mental que a celebridade pudesse apresentar deve ser trazido à tona" – em muitos casos, a exploração da intimidade de um suicida, seja ele pessoa pública ou não, é contrária ao princípio ético que determina evitar o sensacionalismo da informação. Além disso, é muito difícil e arriscado, mesmo para especialistas da área da saúde, afirmar a relação direta entre patologias e o ato suicida;

"O suicídio não deve ser mostrado como um método de lidar com problemas pessoais […]" – ao optar por noticiar um suicídio, a imprensa tem o dever de apurar as circunstâncias em que se deu o fato e, eventualmente, um suicídio pode ter sido cometido em virtude de problemas pessoais, de modo que esta informação é indispensável para preservar a integridade da informação jornalística.

"A glorificação de vítimas de suicídio como mártires e objetos de adoração pública pode sugerir às pessoas suscetíveis que a sociedade honra o comportamento suicida […]" – a despeito do que sociedades distintas honrem ou não, em várias culturas o suicídio não é compreendido da mesma forma como o é pelo pensamento ocidental, de modo que em alguns casos não se pode ignorar o fato de que um ato suicida seja celebrado como uma ação individual representativa de uma realidade e de um pensamento coletivos, como casos de homens-bombas ou indivíduos que cometeram suicídio em protesto e foram aclamados pelo ato."

Regras muito simplistas

Embora passível de questionamentos, o manual da OMS tem por objetivo maior auxiliar profissionais da imprensa na prática diária da produção de notícias sobre suicídios e não deixa de ser curioso que um tema tão polêmico não tenha suscitado antes uma iniciativa semelhante de profissionais e pesquisadores da área da comunicação.

A opinião de quem vive a realidade das redações sobre noticiar ou não suicídios é divergente. Na ausência de orientações claras e gerais sobre a conduta profissional em casos de suicídio, geralmente o que vale é a postura individual dos editores ou chefes de redação, que decidem se o veículo publica ou não a notícia. Nesse sentido, a discussão pode tomar outro rumo: a subjetividade do jornalista, a influência que todos os critérios de noticiabilidade sofrem por parte da bagagem pessoal de cada profissional. Podemos perceber claramente a presença dessa subjetividade decisiva nos depoimentos dos diretores de redação de dois grandes jornais nacionais.

O diretor de redação do Globo, Rodolfo Fernandes, afirmou em entrevista em 2005 que há algumas décadas a regra "não publicar suicídios" foi criada informalmente, mas, aos poucos, caiu em desuso. As instruções aos jornalistas são claras: suicídios não deixarão de ser noticiados, desde que respondam aos critérios de relevância jornalística, pela hipótese de contágio:




"Desconfio que é mais um problema religioso, de a Igreja católica negar enterro, do que propriamente um medo de que se propagassem os suicídios aí pelo mundo, um medo de gerar imitação. Isso no Brasil. Não sei como é na imprensa estrangeira. Era uma dessas regras não-escritas da imprensa. Não sei como começou. Só sei que dizíamos assim: `Não publicamos suicídio´. No próprio dia-a-dia, em decisões que nós fomos tendo de tomar, a regra não-escrita foi sendo abolida. Não há motivo para não noticiar um suicídio, sendo que você noticia coisas muito mais violentas, agressivas e potencialmente destrutivas para a moral da sociedade. Até porque esta é uma longa discussão na imprensa. O que se publica que vai gerar danos à sociedade? Há uma quantidade grande de leitores que acha que existe violência no Rio de Janeiro porque os jornais publicam violência no Rio de Janeiro. Então, por aí, você não publica mais nada, não tem jornalismo" (Fernandes apud Dapieve, 2006: 107).

O jornalista Luiz Garcia, organizador do Manual de Redação e Estilo do Globo, acredita que notícias de suicídio devam ter uma razão de ser além da simples exposição dos fatos: "Eu sempre entendi a ideia de que há muita gente que é suicida de imitação. Noticia-se o menor número de suicídios e só se noticia aquele que tem uma importância, uma referência histórica qualquer" (Garcia apud Dapieve, op. cit.: 105). Mas ele ressalta que referência histórica não implica o suicídio de pessoas públicas, pois a morte voluntária de um indivíduo desconhecido pode denunciar realidades sociais até então desconhecidas e aí se encontra a relevância histórica que justificaria a publicação da notícia, como, citando exemplo do próprio Garcia, o suicídio de um condenado pela justiça em uma prisão. Um episódio como esse pode constituir uma informação importante sobre o funcionamento do sistema penitenciário do país, como também pode originar uma investigação, pois muitos suicídios são, na verdade, homicídios.

A jornalista brasileira Paula Fontenelle sofreu um grande choque quando recebeu a notícia de que seu pai havia cometido suicídio. Alguns anos depois, lançou o livro Suicídio – O futuro interrompido. Em entrevista concedida ao jornal catarinense A Notícia, em julho de 2009, Paula fala sobre seu livro, sua experiência pessoal com o tema e sobre a mídia. A opinião dela sobre como a imprensa deve se comportar em relação ao tema reflete o pensamento de quem vive os dois lados da situação: ela é uma jornalista e é também parente de um suicida:




"Realmente, a mídia opera nesse silêncio por causa de uma coisa que os especialistas chamam de `contágio´. Tem até um exemplo no meu livro, que é o de Marilyn Monroe. Ela cometeu suicídio em agosto de 1952. Um mês depois, nos Estados Unidos, houve 197 suicídios a mais que a média. O `contágio´ existe. Por outro lado, o silêncio não ajuda. O que a mídia tem de fazer é tratar o tema de uma forma adequada. Não sensacionalizar e não focar no método. Ter preocupação com o `contágio´ é louvável, mas é preciso informar. […] O tabu existe em todos os lugares. A diferença está na forma como a mídia é capacitada para isso. Na Austrália, o governo dá treinamento à mídia sobre como tratar o assunto. Nos Estados Unidos, também tem um esforço grande nesse sentido. Na Inglaterra, igual. Esses são os três países mais preparados para lidar com o tema" (Fontellene, 2009, in A Notícia).

Já o jornalista Octavio Frias Filho (2003), diretor de redação da Folha de S. Paulo, escreveu sobre o suicídio na imprensa:




"Como jornalista, eu não poderia deixar de mencionar um aspecto muito controvertido: a divulgação de suicídios pelos órgãos de comunicação. Não existe dúvida de que casos sensacionais, noticiados com estardalhaço, dão ensejo a imitadores. Minha opinião é que a mídia deveria se obrigar a certas renúncias na cobertura de suicídios e temas correlatos, como na prática já ocorre na grande maioria dos casos. Só me parece admissível noticiar suicídios quando o fato implicar de alguma forma o interesse público ou envolver celebridades que despertem curiosidade irrefreável. Seria bom que essas notícias omitissem detalhes mórbidos e prestassem algum esclarecimento científico. Informações sobre os meios práticos para cometer suicídio não deveriam ser publicadas. Mas o debate desimpedido sobre mecanismos psicológicos do suicídio e os modos de preveni-lo é a melhor maneira de enfrentar a questão. Adquiri a convicção de que saber mais sobre o fantasma do suicídio pode ser o caminho para dominá-lo. Ajuda a dissipar a névoa de fantasia e ignorância que tanto obscurece os terrores que acompanham esse ato de desamparo extremo, como impede de ver que o suicídio não somente pode, mas deve ser evitado" (Frias Filho, 2003: 284).

Frias Filho é pragmático: evite publicar, publique apenas se o morto em questão for uma personalidade de vida pública e evite coberturas sensacionalistas. É um raciocínio simples, mas o único aspecto que dispensa questionamentos é a cobertura sensacionalista, que obviamente deve ser evitada. Mas evitar publicar, ou publicar apenas suicídios de pessoas notórias, são regras muito simplistas para orientar a prática jornalística, pois frequentemente editores e repórteres deparam-se com casos de suicídio que apresentam especificidades que podem enquadrar o acontecimento como noticiável; além disso, em algumas situações, noticiar suicídios pode contribuir para o esclarecimento da sociedade acerca das suas causas e de maneiras de preveni-lo. Em outras, noticiar suicídios pode ser necessário para o esclarecimento de outros acontecimentos decorrentes ou causadores do ato, ou mesmo porque o suicídio de alguém pode implicar transformações sociais que necessitam ser noticiadas.

Como decidir publicar ou não um suicídio é apenas a primeira dúvida de jornalistas e editores. O desamparo teórico resulta em apurações e edições não apenas indecorosas, mas sensacionalistas e errôneas, e o mais grave: julgadoras. O pesquisador Teun Van Dijk (1991), professor na Universidade de Amsterdã, afirma que a notícia é uma formadora de opinião importante não apenas pelo que ela diz, mas também pela forma como diz e pelo que não diz.

Conclusão

O que podemos perceber é que o suicídio é um tema polêmico na comunidade jornalística não tanto pela dificuldade de abordagem em termos práticos, pois os princípios da boa prática jornalística não mudam, independente do assunto em pauta. É polêmico mais pela dificuldade de cada profissional em compreender o suicídio, visto que tabus sociais são compartilhados também pela imprensa. Há ainda as dúvidas e os incômodos de trabalhar um tema que, na maioria dos casos, provoca muita dor e muitos questionamentos filosóficos quanto ao valor da vida, à mortalidade e ao direito de cada indivíduo sobre a sua vida e a sua morte.

Do ponto de vista prático, as dúvidas dos profissionais da imprensa dizem respeito a como abordar as fontes, como investigar as causas e as circunstâncias de um suicídio, como informar o leitor sem produzir um relato noticioso sensacionalista, agressivo, equivocado ou incompleto. Do ponto de vista ético, as dúvidas do profissional-jornalista e do indivíduo-jornalista podem se confundir e dizem respeito ao papel do jornalismo em oferecer informações que possibilitem uma reflexão mais ampla sobre tema tão delicado quanto o suicídio e, principalmente, sobre qual é o direito do jornalismo em expor esse evento sem, no entanto, questionar a legitimidade de uma ação tão pessoal e ainda pouco compreendida pelas sociedades ocidentais.

O único caminho possível para esclarecer tais dúvidas é o debate, o aprofundamento de reflexões, o diálogo entre imprensa e sociedade, num esforço coletivo para não escorregar nem preconceitos amplamente difundidos nem na leviandade que tanto facilita o encerramento de discusões difíceis, porém necessárias.

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GARCIA, Luiz (org.). Manual de redação e estilo O Globo. Rio de Janeiro: Editora Globo, 1992.

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VILLANUEVA, Ernesto. Códigos Europeos de Ética Periodística: un análisis comparativo. México: Fundación Manuel Buendía: 1996.

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Jornalista, Florianópolis, SC

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