Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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DIRETóRIO ACADêMICO >

O trabalho ainda se centra na decodificação do texto?

05/05/2009 na edição 536

Estudos nesse campo definiram o ato de ler, em si mesmo, como um processo mental de diversos níveis que contribui significativamente para o desenvolvimento do intelecto. É por intermédio da leitura que ampliamos o nosso processo cognitivo e o processo de linguagem, pois a leitura deve ultrapassar as barreiras da decodificação. Não importa apenas conhecer uma língua e seus códigos de registro escrito; é relevante compreender o contexto sociocultural, pois a leitura é um processo em que o leitor interage com o texto, visando a obter uma informação determinada para satisfazer os objetivos que o levaram ao ato da leitura (ABRAMOVICH) (‘ler não é apenas uma atividade mecânica e descontextualizada, mas uma atividade vital, que precisa ser, desde cedo, plena de significação)’.

O processo de leitura tem sido concebido por vários educadores, durante muitos anos, como algo adquirido pela memorização. Então, ensinou-se durante décadas a ler seguindo uma seqüência lógica de conteúdos. Primeiro aprendiam-se as letras do alfabeto, iniciando-se pelas vogais, encontros vocálicos, depois consoantes, famílias silábicas, formação de palavras, frases e, finalmente, a criança estava pronta para iniciar a escrita de textos, ou seja, copiar textos prontos e sem sentido. O trabalho com leitura centrava-se unicamente na decodificação do texto. Por isso, a escola formou uma grande quantidade de leitores que, embora decodificassem textos, mostravam-se inaptos para realmente compreendê-los.

Direito universal

É necessário que o educador promova condições para o aluno sentir prazer na leitura, o professor deve propiciar atividades significativas, ter o hábito de ler sempre, modificar os recursos para provocar prazer no ato de ler. ‘Lê-se para entender o mundo, para viver melhor, ninguém nasce sabendo ler: aprende-se a ler na medida em que se vive, em nossa cultura quanto mais abrangente a concepção de mundo e de vida, mais intensamente se lê, numa espiral quase sem fim, que pode e deve começar na escola, mas não pode nem costuma encerrar nela’ (LAJOLO, 1999).

É evidente que essa questão tem razões que estão sendo amplamente discutidas e que merecem reflexão por parte da sociedade em geral. Entretanto, é necessário pensar no profissional do ensino como um sujeito que tem a tarefa de ler e proporcionar o gosto pela leitura. Para formar leitores, é preciso que o professor tenha paixão pelo ato de ler, deve entender a leitura como fonte de prazer e sabedoria. Enquanto o professor não se posicionar de forma diferente continuaremos a ter aulas com tínhamos no passado e continuaremos ensinando pelo senso comum. Atualmente é possível observar que a leitura e a escrita estão ligadas no processo de formação do indivíduo, sendo, portanto as mesmas, foco de estudo e discussão, pois a questão está ligada na qualidade dessa formação, na identidade do sujeito. Sabemos que o acesso de todos à leitura é uma questão de direito universal. Mas para isso, precisamos repensar a maneira de fazer esse trabalho.

Novas identidades

Entendemos que a leitura é muito mais do que um instrumento inerente a escolar. Vemos a leitura como um veículo para a entrada na cultura escrita logo não podemos conceber uma cidadania plena sem a utilização da leitura. Mas o ato de ler na escola é ler para inserir-se na sociedade letrada.

A leitura não é somente a apropriação do ato de ler e escrever, ela acolhe o domínio de uma série de práticas culturais que abraçam um entendimento do mundo diferente daquele dos que não tem acesso à leitura. A leitura tem um papel tão relevante na sociedade que podemos dizer que ela cria novas identidades, novas formas de inserção social, novas maneiras de pensar e agir. E se não nos pautarmos nessa idéia estaríamos correndo na direção contrária à verdadeira funcionalidade da leitura.

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Graduando em Letras, Luziápolis, Campo Alegre, AL

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