Sexta-feira, 20 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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DIRETóRIO ACADêMICO >

O uso da inteligência e o bom senso

28/04/2009 na edição 535

Um tema tem atraído muitos olhares e acirrado um debate ferrenho. A revogação da Lei de Imprensa e, em conseqüência, a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo no Brasil. O debate sobre a exigência do diploma de jornalista para a efetiva prática do posto é de extrema importância e salutar para a consolidação do bom jornalismo no Brasil. Uma discussão honesta, sem preconceitos que reúnam os fictícios profissionais e membros da academia, pode ser um bom começo para a tentativa de chegarmos a um consenso.

A não qualificação, espelhada na falta de formação com argumento sólido e azeitado sobre sociologia, política, filosofia; os mecanismos de produção e recepção, sobretudo a imparcialidade e a ética (para muitos, não representativa na academia); alinhados à pesquisa e aos projetos de extensão, divergem da simples técnica e da formação conquistada no cotidiano das salas de redação (quando na maioria das vezes nem se compõe lá).

A prática jornalística é essencial, sim, mas deve vir junta ao estudo da técnica, respaldada pela ética. O profissional deve ter uma boa formação cultural e humanística. O conteúdo produzido por especialistas não deve ser descartado. Afinal de contas, nenhuma lei impede que haja conteúdo opinativo, embora o mesmo não deva ser situado como produção jornalística.

As máscaras dos pseudo-jornalistas

Um termo utilizado pelos que defendem a não obrigatoriedade do diploma é a exclusão da ‘produção jornalística cidadã’ respaldada nas novas mídias e a falta de regulamentação das mesmas. Para a dúvida, há explicação: blogs e sítios pessoais (até mesmo postados por jornalistas) não representam produções jornalísticas, e sim, novas fontes a serem utilizadas.

Outras profissões, como professor, engenheiro, médico, advogado etc., requerem objetivamente a formação acadêmica, pois entende-se que a formação é essencial e está atrelada ao desenvolvimento e à constituição social. Essa formulação se consolida junto às pesquisas e ao estudo do pensamento teórico e histórico desenvolvido ao longo dos anos acerca de como cada sociedade se comporta. Não equiparar as profissões é ser coerente, porém buscar exemplos concretos de valorização e os méritos da regulamentação é impor o devido respeito a essas classes profissionais e usar bom senso e inteligência.

Lutar pela obrigatoriedade é fundamental. Entre tantas máscaras com que se apresentam os pseudo-jornalistas, como exemplo, estão os que compõem o colunismo social. A academia nos ensina diversos gêneros, mas nenhum se enquadra a este. O que dizer de um jornalismo feito para vender tipos e imagens de pessoas? Com certeza não representa o que é serviente a sociedade como um todo. Basta de ruins profissionais que querem intitular-se de jornalistas.

Teoria, pesquisa e qualificação

É necessário, sim, aprimorar! O que dizer da nossa formação acadêmica, que já é falha, enfrentando dificuldades e pensar nos que já se dizem completos sem nunca terem freqüentado os bancos da academia, sem jamais terem atentado aos comportamentos que a mídia tem provocado nas pessoas? A responsabilidade é de quem produz a mensagem e por isso é fundamental refletir sobre a importância que os estudos da mídia representam. Entender o mérito do fortalecimento e valorização do profissional de jornalismo, defendendo a regulamentação da profissão e a manutenção da obrigatoriedade da formação de nível superior para o exercício da função.

É necessário ainda que se alimentem as universidades, sejam públicas ou privadas, de conhecimento teórico e material, de incentivo à pesquisa e qualificação dos mestres, já que avançamos cada vez mais na direção de um mundo tecnológico e globalizado. A sociedade merece e espera com ansiedade por um jornalismo com qualidade, ético e democrático.

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Jornalista e radialista

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