Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1024
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DIRETóRIO ACADêMICO >

O valor do jornalista

Por Suhelen Cristina de Almeida Silva em 03/02/2009

O que seria, nos dias atuais, liberdade? Viver em uma sociedade dita livre tornou-se uma tarefa complexa. Somos livres para falar, temos a tal liberdade de expressão, mas em nome dela o direito da sociedade de receber informações sólidas, apuradas, vindas de profissionais capacitados tecnicamente, poderá ser desvalorizada caso a não-obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista seja aceita pelo STF.

É certo que o diploma, por si só, não faz o profissional em nenhuma atividade. A experiência e o comprometimento contam bastante no processo de atuação profissional. Mas será que algum de nós teria coragem de se submeter a uma cirurgia de um médico não diplomado? Não precisa tanto. Será que nos submeteríamos a passar por essa mesma cirurgia com um médico cuja capacitação seja outra na área da medicina, que não a específica para tal procedimento?

Sem citar mais profissões, é claro dizer que para exercer uma certa função, o profissional de qualquer área precisa estudar, pesquisar, tornar-se apto a desenvolvê-la. E, antes da experiência, é essencial que a técnica, a ética, entre outras questões ligadas ao processo acadêmico, sejam consideradas necessárias para que as aptidões possam ser desenvolvidas. O diploma é, então, a prova dada à sociedade de que o profissional em questão foi preparado em todos os quesitos para exercer sua função. A não-obrigatoriedade dele vai contribuir para que pessoas sem conhecimentos específicos atuem no meio da sociedade de forma alheia a considerações importantes de cada área.

Profunda indignação

Expressar é um direito de todos. Desde o nascimento, todas as pessoas se expressam de alguma forma para satisfazerem suas necessidades. Mas isso não quer dizer que podemos falar sem ter certeza, noticiar sem apurar os fatos, julgar e/ou condenar sem provas. A liberdade de expressão é o que nos faz cobrar, noticiar, tornar conhecidas todas as questões que envolvem a vida dos cidadãos. Essa não é uma tarefa fácil, sequer simples. O respeito, a preparação e, acima de tudo, a responsabilidade, são essenciais para dar credibilidade ao jornalista que tem o dever de levar às pessoas tudo aquilo que diz respeito a elas.

Não basta saber escrever, embora seja necessário. É importante que por meio do que é escrito o jornalista informe e torne públicos os interesses da sociedade em que atua e onde também é um cidadão. Será que em meio a tantas falcatruas políticas, corrupções, falsas verdades, devemos aceitar que qualquer um seja responsável pelas informações que chegam até nós? Desculpem, mas aceitar tal fato me parece ser conivente e provar nosso merecimento de certas injustiças a que somos submetidos a todo instante nos dias atuais.

Outro fato que me parece não ser levado em consideração e que é importantíssimo no meio de tudo isso é que existe uma grande diferença entre a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa. Todos nós temos liberdade de expressão, mas a liberdade de imprensa deve ser desenvolvida por pessoas capacitadas a lidar com ela. Podemos expressar nossa opinião sobre qualquer assunto, mas não podemos divulgar, tornar público algo que não possui o mínimo de credibilidade. Para levar tais assuntos para o conhecimento dos demais é preciso conhecer as técnicas e as implicações que aquela notícia pode causar por se tratar, na maioria das vezes, de questões que envolvem a vida de terceiros. Uma informação divulgada na imprensa pode vangloriar algo e/ou alguém, mas ela pode também destruir, e quando isso ocorre é certo que as marcas deixadas vão ser bem mais profundas, sobretudo se essas marcas forem deixadas injustamente no plano físico, emocional e, no mais grave, no plano moral dos envolvidos.

Diante de uma profunda indignação com essa tentativa de tornar indigno o profissional da Comunicação, finalizo com uma pergunta: quem perde mais com essa desvalorização do profissional do jornalismo? Os profissionais, propriamente ditos ou a sociedade que ficará à mercê de informações recebidas por pessoas despreparadas tecnicamente, mas que sabem escrever o b-a-bá?

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Estudante de Comunicação Social – Jornalismo pelo IES Funcec, João Monlevade, MG

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