Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1064
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Obama faz nova coletiva na Casa Branca

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 25/03/2009 na edição 530

Leia abaixo a seleção de quarta-feira para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 25 de março de 2009


 


COLETIVA
Reuters


Em entrevista, Obama faz novo aceno ao Irã


‘Em uma entrevista coletiva dominada pelas questões econômicas, o presidente americano, Barack Obama, disse ontem à noite que não espera nenhuma mudança repentina nas relações entre os EUA e o Irã, mas previu um progresso sustentado para resolver os problemas entre os dois países.


Na semana passada, Obama surpreendeu ao enviar uma mensagem aos iranianos por meio de um vídeo, oferecendo um recomeço nas relações com o Irã. Os líderes iranianos qualificaram a oferta de Obama de retórica e pediram mudanças concretas. ‘Algumas pessoas disseram, ?eles não responderam de imediato que vão eliminar suas armas nucleares ou deixar de apoiar o terrorismo?’, disse Obama. ‘Bem, não esperávamos isso. Esperamos obter um progresso sustentado nessa frente.’


Com relação ao conflito palestino-israelense, Obama reconheceu que o novo governo de Israel – formado principalmente por partidos de direita – não tornará ‘mais simples’ a paz com os palestinos. Ele reafirmou o objetivo dos EUA de uma solução de dois Estados, onde palestinos e israelenses possam viver ‘lado a lado com paz e segurança’. Obama disse que a escolha de George Mitchell como enviado para o Oriente Médio é um sinal de que é séria sua intenção de pressionar os dois lados a esse objetivo.


AFEGANISTÃO


Pouco antes da entrevista, funcionários da Casa Branca afirmaram que Obama anunciará sexta-feira a nova estratégia para o Afeganistão, que contará com o envio de mais soldados americanos e um aumento de ajuda para combater os militantes na fronteira com o Paquistão. Os EUA têm 38 mil soldados no país e Obama deseja enviar mais 17 mil.


A nova estratégia deve destacar que apenas as ações militares não podem vencer a guerra e qualquer outro plano deve incluir uma parceria mais forte com o Paquistão para acabar com os refúgios de militantes na região tribal. Sob o novo plano, o número das forças de segurança afegãs pode crescer para 400 mil, mais que o dobro do atual.’


 


 


ATENTADO
Josmar Jozino


5 são presos por atentado a jornal


‘A Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária por 30 dias de Maria Odete de Moraes Haddad, ex-advogada de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelo Ministério Público Estadual (MPE) como líder do Primeiro Comando da Capital (PCC). Maria Odete foi acusada, com outras dez pessoas, de envolvimento no atentado a bomba na sede da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC), em Campinas, no interior paulista, na noite de 21 de janeiro deste ano. Ela acabou presa ainda ontem e transferida para a Penitenciária Feminina de Sant?Ana, no Carandiru, zona norte da capital paulista. A Polícia Civil informou que outras quatro pessoas foram detidas e há quatro foragidas.


O mandante do atentado foi o sequestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, atualmente preso na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no oeste do Estado. A mulher dele, Luciane Bernardino Seixas, de 31 anos, também foi presa ontem, no Condomínio São Conrado, um dos mais chiques e de alto padrão de Campinas. Policiais da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Campinas prenderam ainda Jean Cleber Brito, de 31 anos, o Bodão; Geise Aparecida Pires, de 26 anos; e André Augusto Mendes de Carvalho, de 30 anos, o Pezão.


Andinho é acusado de ter ordenado o atentado contra a RAC por causa de uma reportagem que informava sobre a cerimônia do casamento dele e de Luciane, na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Bodão arrumou as granadas para a ação. Pezão e outros dois homens ainda foragidos teriam ficado responsáveis por jogar os explosivos na sede da empresa. Os artefatos não explodiram.


Bodão foi preso na saída de um supermercado no bairro Santa Mônica. Pezão e Geise acabaram detidos na Vila Industrial. Geise é acusada de ter telefonado para a RAC – com o objetivo de intimidar e ameaçar o autor da reportagem sobre o casamento de Andinho e Luciane. Ainda de acordo com a Polícia Civil, Luciane e Maria Odete se encarregaram de arrumar o endereço do autor da reportagem.


A advogada atua também como defensora de Luciane. Ela soube da prisão da cliente ontem e foi para Campinas. Ao chegar à delegacia teve uma surpresa. Foi informada de que a Justiça também havia decretado sua prisão temporária.


ESCUTAS


O diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-2), Kleber Altale, afirmou que as investigações sobre o atentado tiveram início na mesma noite do crime. Delegados responsáveis pelas investigações disseram à reportagem que foram interceptadas, com autorizações judiciais, ligações telefônicas dos acusados. Os delegados acrescentaram que num dos diálogos Andinho pede para Maria Odete arrumar o endereço do autor da reportagem. Na conversa, a advogada informou o preso que iria entrar na Justiça com ação contra o jornalista.


Além de Andinho e dos cinco presos ontem, também é acusada de envolvimento no crime Suelen Carone Lopes, de 27 anos. Ela já estava detida na Cadeia Pública de Indaiatuba.’


 


 


TELEVISÃO
Cristina Padiglione e Keila Jimenez


Mais moda no GNT


‘O canal pago GNT vai lançar, no dia 22 de abril, mais uma atração sobre moda. O programa, ainda sem nome definido, terá apresentação de Patrícia Koslinski, Chris Nicklas e consultoria de Chiara Gadaleta.


Diferentemente do GNT Fashion, a proposta da nova atração é mostrar mais moda de rua e menos moda de passarela, além de dar dicas ao telespectador sobre como se vestir.


O programa foi concebido e viabilizado a partir de uma pesquisa feita pelo canal e da oferta do mercado publicitário, uma vez que apenas o GNT Fashion não atende à demanda de anunciantes do setor.


A pesquisa realizada em São Paulo, Rio e Porto Alegre apontou que há espaço na grade do GNT para mais uma atração sobre moda. Foi essa mesma pesquisa que gerou as mudanças no GNT Fashion, que ganhou mais dinamismo e uma linguagem de internet.


Aliás, essa é a intenção do GNT: integrar todas as novas mídias e criar conteúdo multiplataforma. Para isso, o site do canal deve mudar de cara em breve. Em vez de apenas servir como guia de programação, o GNT apostará em mais conteúdo.’


 


 


PRÊMIO
Luiz Carlos Merten


Ensaio sobre a Cegueira vence a grande festa do cinema paulista


‘Fernando Meirelles foi o grande vencedor do 5º Prêmio Fiesp/Sesi do Cinema Paulista. A festa de premiação foi realizada na segunda-feira à noite, no auditório da Federação das Indústrias de São Paulo. Ao receber o prêmio de melhor diretor, o cineasta disse que estava lavando a alma. ‘Nunca recebi tanta porrada por nenhum outro filme que realizei. Pelo menos em São Paulo, as pessoas gostaram de Ensaio sobre a Cegueira.’


O longa adaptado de José Saramago venceu também nas categorias de melhor filme, fotografia (César Charlone) e montagem (Daniel Rezende). O próprio Meirelles recebeu o prêmio pelo fotógrafo, que participa de uma filmagem no Uruguai. Segundo Meirelles, ele realiza um quarto dos filmes e os outros três quartos vêm dos aportes de Charlone, do montador Rezende e do diretor de arte Tulé Peaks, o único que não foi contemplado anteontem.


Muito bem produzida, a festa teve um motivo temático. Partindo do princípio de que fazer cinema no País, e no Estado, é tão difícil que os profissionais vivem na corda bamba, o palco do auditório da Fiesp foi transformado num picadeiro de circo, com intervenções do grupo Parlapatões. A atriz Barbara Paz foi apresentadora. Chega de Saudade, de Laís Bodanzky, venceu nas categorias de atriz coadjuvante (Clarice Abujamra), roteiro (Luis Bolognesi) e trilha (BID). Encarnação do Demônio deu a José Mojica Marins o prêmio de melhor ator e também venceu o de direção de arte (para Cássio Amarante). Rosane Mulholland foi melhor atriz, por Falsa Loira, de Carlos Reichenbach, e Milhem Cortaz o melhor coadjuvante, por Nossa Vida Não Cabe Num Opala, de Reynaldo Pinheiro.’


 


 


LITERATURA
Ubiratan Brasil


Livro reúne as cartas de Machado


‘Machado de Assis costumava dizer que, de sua correspondência a amigos e estranhos, não poderia surgir algo interessante, salvo recordações pessoais. De fato, em parte, suas cartas são recheadas de mensagens, mas basta um olhar mais arguto para se descobrir pequenos tesouros. É o que escondem as 22 cartas contidas no livro Empréstimo de Ouro, bem cuidado lançamento da Editora Ouro Sobre Azul (128 páginas, R$ 75).


Organizada por Eduardo F. Coutinho e Teresa Cristina Meireles de Oliveira, o livro será lançado hoje no Rio de Janeiro e traz a correspondência trocada entre o autor de Dom Casmurro e Mário de Alencar, filho do escritor José de Alencar, seu amigo fraterno. Dois homens vivendo momentos distintos – um escritor consagrado aos 63 anos e um jovem de 30, ainda no início do caminho. A primeira carta traz a data de novembro de 1902 e a última, agosto de 1908, um mês antes da morte de Machado. Nesse período, entre reclamações de dores e solidão, o escritor faz, entre outros assuntos, comentários sobre sua derradeira obra, Memorial de Aires.


Um tom prenhe de melancolia está presente nas cartas de Machado e, de alguma forma, espelha sua última criação literária. ‘Nele vemos a sombra do Conselheiro Aires, protagonista do romance que concluía’, observam os organizadores no prefácio do livro. ‘É um Machado nostálgico, triste, irônico, discreto e exaurido.’


Recolhido ao Cosme Velho e com a mesma idade do Conselheiro, Machado faz um balanço da vida e, diante do fim inevitável, filosofa: ‘Papel não comporta tédios’, escreve em 23 de fevereiro de 1908. Desde a morte da mulher Carolina, em 1904, o autor vivia sob forçada reclusão, ainda que tentasse manter as aparências para os amigos. ‘É este Machado, contaminado pelo espírito do personagem Aires, ou melhor, fazendo de Aires uma espécie de projeção de seu momento de vida, que dá o tom a essas cartas’, escrevem os organizadores. ‘A própria forma, escolhida por Machado para a confecção de seu último livro – um memorial, que equivale a um diário -, aproxima-se, por várias razões, do gênero epistolar, incluindo-se a datação explícita dos episódios narrados e o tom intimista que tanto um diário quanto uma carta comportam.’


Machado, de fato, não consegue esconder seu estado de espírito, ainda que tente. ‘Estes meus últimos dias têm sido de enfado e naturalmente não é assunto que procure o papel’, escreveu em 18 de março de 1907. ‘Eu, que tenho mais direito a enfermidades, não lhe digo senão que as vou espiando com olhos cansados’, acrescentou em 11 de abril do mesmo ano.


A rabugice e a melancolia, no entanto, não dominam totalmente as missivas – Machado encontra momentos de força, especialmente para animar a carreira de Mário de Alencar. O velho escritor dedicava um carinho especial pelo filho do grande amigo, referência intelectual na trajetória dos autores de sua geração. Apesar da diferença de idade, os dois se tratam com camaradagem, permitindo momentos de desabafo e confiança recíproca.


Naquele momento em que ambos trocavam correspondência, Mário de Alencar trabalhava sobre o mito de Prometeu, que talvez inspirasse uma possível publicação. Presente em diversas cartas, esse personagem se torna emblemático – Coutinho e Teresa Cristina observam que Prometeu se transforma em um símbolo de audácia, heroísmo e suplício, qualidades observadas em um criador. Como bom conselheiro, Machado incentiva o jovem amigo a enfrentar as adversidades para concluir seu projeto literário: ‘Veja se exclui todo o presente, passado e futuro, e fixe um só tempo que compreenda os três: Prometeu.’


O ânimo de Machado também se exalta quando o assunto envereda por uma de suas grandes criações: a Academia Brasileira de Letras, fundada por ele em 1897 e seu presidente desde então. Já na primeira carta, Machado pede a intercessão do amigo para a alocação da sede da instituição. Em outras, o escritor sempre faz uma referência, ainda que mínima, à instituição que o tem hoje como patrono: são menções aos novos eleitos e comentários sobre os possíveis candidatos, o que permite uma relação de nomes conhecidos ser citada, como Euclides da Cunha, José Veríssimo, Joaquim Nabuco, Graça Aranha e Miguel Couto.


A aceitação da instituição, aliás, é uma preocupação constante de Machado que, na carta de 26 de dezembro de 1906, escreve com indisfarçável alívio: ‘A Academia pegou, como dizem alguns, e parece que sim.’


Apesar de a escassa correspondência de Machado de Assis não se constituir numa obra (como bem o é a de Mario de Andrade, por exemplo), aspectos preciosos de sua personalidade são ressaltados nessas cartas. Autor de uma Nota Inicial, o estudioso Antonio Candido observa que chamam a atenção nessas cartas ‘a solicitude e o carinho com que o escritor muitas vezes ácido e desencantado revela tanto afeto por um correspondente cuja fragilidade psicológica percebemos’. Viúvo, solitário e ciente da proximidade da morte, o Bruxo do Cosme Velho parecia concentrar sua vida afetiva na ABL e em alguns companheiros, bem representados por Mário de Alencar.’


 


 


 


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 25 de março de 2009


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Os banqueiros


‘Duas reportagens, uma do ‘Wall Street Journal’, outra do ‘New York Times’, ecoaram e derrubaram a recepção até então positiva do novo pacote. O ‘WSJ’, com eco por Talking Points Memo etc., noticiou como ‘os banqueiros, chocados com a lei que taxa bônus, viraram a mesa’ ao serem chamados para discutir o pacote, que requer sua participação. ‘A mensagem dos bancos: Se querem nossa ajuda para o crédito voltar a fluir para consumidores e empresas, parem com a corrida para punir nossos bônus.’


E o ‘NYT’, com eco por Huffington Post etc., deu que o Goldman Sachs ‘se prepara para devolver logo o dinheiro’ público que recebeu. O motivo apresentado por um executivo do banco, que ‘insistiu para não ser identificado’ por medo do Tesouro: ‘É simplesmente impossível dirigir nossos negócios nesse ambiente’, em referência ao clamor contra os bônus.


No Congresso, secretário do Tesouro e presidente do Fed pediram ‘mais poderes’ sobre os bancos, nas manchetes on-line. E Wall Street veio abaixo.


Para fechar, Obama surgiu em cadeia de TV e web e falou em ‘sinais de progresso’, destaque do ‘NYT’.


KRUGMAN DIZ NÃO


Por dois dias em seu blog e também no blog Room for Debate, ambos do ‘NYT’, o Nobel Paul Krugman vem postando sua opinião sobre o pacote. Em suma, de ontem: ‘Os bancos estão realmente com grandes problemas, que vão além da simples falta de confiança, e subsidiar compra de ativos tóxicos não tem chance de mudar as coisas’.


WOLF TAMBÉM


E o colunista Martin Wolf apareceu na submanchete on-line do ‘Financial Times’, com a ilustração acima, alertando no enunciado que o ‘Resgate bem-sucedido dos bancos ainda está distante’. Diz que o pacote pode até ser ‘obstáculo à recapitalização’, esta sim necessária e que se tornaria agora ainda mais impopular.


ROUBINI DIZ SIM


‘Dr. Doom’, Senhor Apocalipse, escreve hoje no ‘Daily News’ e adiantou ontem no blog que vê o pacote ‘como um passo positivo na direção de limpar os ativos tóxicos dos balanços dos bancos’. Mas faz ‘duas advertências’. Primeiro, ‘bancos podem não querer encarar a realidade e vender ativos a preços abaixo de seus valores correntes, pois isso vai expor a perdas maiores e desvalorizações; portanto, eles devem ser forçados a vender tais ativos’. Segundo, ‘a venda vai mostrar a insolvência de algumas instituições; portanto, elas devem ser fechadas’.


CRISE? QUE CRISE?


Correspondente em Nova York, Lucas Mendes postou na BBC Brasil sobre o amontoado de ‘notícias ruins’, do ‘negativismo que domina’ a cobertura por lá, e sugeriu trocar ‘jornais e telejornais por vinhos, livros e filmes’. Correspondente em Washington, Sérgio Dávila postou no UOL uma ‘boa notícia: um site só com boas notícias’, com manchetes tipo ‘Pinguins são soltos após recuperação’.


‘FT’ APOSTA NO BRASIL


Sob o título ‘Apostando no Brasil’, Betting on Brazil, o ‘Financial Times’ publica hoje e adiantou ontem no site que, ‘Conforme as preocupações se espalham ao redor do mundo, quanto à recessão global, o Brasil continua a ser visto como um dos poucos países a oferecer a perspectiva de crescimento econômico nos próximos anos’. A longa reportagem ressalta que ‘as companhias estrangeiras continuam chegando ao Brasil’, detalha o experiência da agência M&C Saatchi, e mostra o caminho das pedras.


O CRÉDITO


No topo das buscas de Brasil pelo Yahoo News, a Bloomberg postou notícia com pouca atenção por aqui, o projeto do Banco do Brasil de aumentar os empréstimos a fazendeiros em até 28%.


A GREVE


Já no topo das buscas de Brasil pelo Google News, um link para o ‘NYT’ que com ‘WSJ’ e outros passou a ter maior atenção no agregador. No caso, a notícia destacada era a greve na Petrobras.


ESTUDANTES E O BANQUEIRO


Sobre a sabatina de ontem, a Folha Online chegou a dar a submanchete ‘Estudantes protestam contra Gilmar Mendes’, ele que ‘soltou Daniel Dantas, um banqueiro que enriqueceu às custas dos cofres públicos’, segundo um líder estudantil. Depois, nos enunciados de Folha Online, Globo Online e do Estadão, todos em destaque, ‘Gilmar Mendes diz que juiz De Sanctis quis desmoralizar o Supremo’, com a segunda prisão do banqueiro.’


 


 


ECONOMIA
Sérgio Dávila


Jornal vê Brasil como possível alvo; país nega


‘Embora não afirme isso, ao dirigir a nova linha de dinheiro fácil, rápido e barato apenas a países que tenham fundamentos sólidos, o FMI limita de fato seu desembolso a economias desenvolvidas ou emergentes. Jornais como o ‘Wall Street Journal’ e o ‘Financial Times’ especulam quanto aos nomes dos futuros clientes.


O ‘Journal’ cita ‘funcionários de alto escalão do FMI’ para dizer que, entre os países-alvos do novo mecanismo, estariam ‘México, Peru, Brasil, Cingapura, Taiwan e talvez Polônia’ -o diário depois corrigiu a afirmação retirando da lista Taiwan, que não está no FMI.


‘Esses países escaparam do pior da desaceleração até agora, mas estão sendo atingidos por queda nos empréstimos bancários e nas exportações. Os funcionários do FMI disseram que querem prevenir mais problemas ali, o que poderia enfraquecer bancos e exportadores europeus e dos EUA.’


Já o ‘FT’ diz que tem havido ‘relutância entre os países [aos quais o empréstimo se destina] de recorrer ao FMI para ajuda, especialmente na Ásia e na América Latina, por temor de que a notícia espalhe pânico nos mercados’.


Não é o caso do Brasil, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele afirmou ontem que o país não vai pedir dinheiro emprestado ao FMI na nova linha de financiamento e se disse mentor do novo tipo de empréstimo. No primeiro bimestre do ano, a arrecadação federal caiu 8,5%, o que forçou o governo a cortar seu Orçamento. ‘O Brasil conseguiu acomodar suas necessidade de crédito. É mais importante que se dê o credito àqueles que importam do Brasil’, disse Mantega.


‘É uma linha que não tem condicionalidades, não precisa mandar aquela missão do Fundo para ver como ele [o país] está. Não tem aquela coisa desagradável de fazer aquela carta de intenções que o Brasil fazia no passado. É muito mais simplificado’, disse Mantega.


O presidente Lula considera um feito do seu governo o fato de ter encerrado o acordo com o Fundo. ‘Em 2005, dissemos para o FMI: ‘Não precisamos mais de vocês aqui’, afirmou, em fevereiro de 2008. (SD)


Colaborou JULIANA ROCHA, da Sucursal de Brasília’


 


 


THAIS SAUAYA PEREIRA (1959-2009)
Estêvão Bertoni


Jornalista tardia, mas com nota máxima


‘A opção ‘química’ na ficha do vestibular ganhou um xis ao lado. Quando revelou em qual curso se inscrevera, a família estranhou. Química? Thais Sauaya Pereira tinha perfil para a comunicação, diz a irmã Lígia. ‘Estabanada’ que era, temiam que ela se machucasse caso exercesse a profissão que escolhera.


Fez a faculdade que quis e se formou no início dos anos 80. Mas não trabalhou como química. Ainda estudante, namorou por um tempo Sérgio, o jornalista que, cerca de 20 anos depois, seria seu companheiro de novo. Havia ainda o fator berço: o pai, Aldo, também jornalista, com passagem por esta Folha. Não deu outra.


Após mais de uma década trabalhando com pesquisa de mercado com a mãe, passou a atuar na área do pai até que, recentemente, decidiu ter o diploma de jornalista.


Em dezembro de 2007, com um trabalho de conclusão de curso sobre o jornalista e professor Aloysio Biondi, amigo de seu pai, foi aprovada com nota máxima, na Faculdade Cásper Líbero. A banca sugeriu que o estudo fosse publicado.


Anteontem, num trecho mineiro da BR-050, Sérgio perdeu o controle do carro após o pneu estourar e bateu contra um poste. Thais morreu aos 49. O companheiro se feriu, mas está bem. Recebeu alta do hospital.


Os dois voltavam de Brasília, para onde pretendiam se mudar. Thais deixa dois filhos, de um casamento anterior, e um neto. Será cremada hoje, às 10h, na Vila Alpina, em SP.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Ministério adverte Globo por ‘Big Brother’


‘O Ministério da Justiça enviou ofício à Globo questionando a exibição de ‘Big Brother Brasil 9’ fora do horário previsto na classificação indicativa. O ministério também abriu um procedimento administrativo, que pode resultar na reclassificação do reality show, atualmente considerado pela própria emissora impróprio para menores de 14 anos (21h).


No ofício, o órgão aponta quatro irregularidades na exibição de ‘BBB 9’. Em 22 de fevereiro, domingo de Carnaval, foi ao ar às 19h13 sem a cartela (projeção em tela cheia durante cinco segundos) que alerta, antes de o programa começar, que sua classificação é de 14 anos.


Naquele dia, diz o ministério, a Globo exibiu apenas o selo no pé da tela, informando incorretamente que sua classificação seria de 10 anos, e mostrou consumo de bebidas, impróprio para menores de 12 anos (20h).


No dia seguinte, ‘BBB’ voltou a ser exibido sem a cartela e apenas com selo de 10 anos.


O governo também aponta irregularidades na exibição de flashes ao vivo de ‘BBB 9’ no ‘Mais Você’ e no ‘Vídeo Show’ apenas com o selo de 10 anos. Sugere que a emissora estaria confundindo ‘BBB 9’ com os boletins ‘De olho no BBB’ (10 anos). Anteontem, a Globo passou a mostrar a cartela antes de exibir imagens do confinamento nos dois programas, mas informa classificação de 10 anos.


A emissora disse que avalia o ofício e que apresentará defesa.


CARIDADE 1


A assessoria de Xuxa mandou e-mail a artistas e diretores da Globo informando que, numa entrevista à ‘Caras’, a apresentadora, aniversariante nesta sexta (46 anos), revelou que gostaria de ganhar de presente ajuda à sua fundação, que, diz, atende 350 crianças ao custo mensal unitário de R$ 330.


CARIDADE 2


Em seguida, a assessora de Xuxa conta que resolveu ‘tentar dar esse presente a Ela’ (assim mesmo, em letra maiúscula). Pede que adotem ‘uma ou muitas crianças’, ou seja, contribuam com pelo menos R$ 330/mês ou R$ 3.960/ano.


CARIDADE 3


Em retribuição, a assessora promete fazer um livro com os bilhetes de feliz aniversário e entregá-lo à apresentadora.


ESTRATÉGIA


A Band vai exibir o reality show ‘E-24’, sobre os bastidores de prontos-socorros, às terças, a partir de abril. Mas decidiu estreá-lo no dia 9, uma quinta, mesma data do retorno de ‘O Aprendiz’. Avalia que pode ofuscar Roberto Justus.


FLOP


A programação jornalística matinal lançada anteontem pela Band deu traço no Ibope no primeiro dia. Ontem, o ‘SP Acontece’, com José Luiz Datena, melhorou, mas sua média foi de apenas 1,2 ponto.


DERRUBADA


Já o ‘Olha Você’, no SBT, com novos apresentadores e ao vivo, deu 2 pontos. Antes, marcava entre 3 e 4 pontos. E o último capítulo de ‘Os Mutantes’, na Record, teve 16 pontos, contra 37 da Globo.’


 


 


Folha de S. Paulo


GNT enfoca ascensão de Gisele Bündchen


‘‘A Garota Mais Linda do Mundo’ e ‘Gisele, Made in Brazil’ são dois documentários que tentam compreender melhor o fenômeno Gisele Bündchen, a modelo que saiu de Horizontina, interior do Rio Grande do Sul, e ganhou status de ‘supermodelo’ pelas passarelas do mundo afora.


Bündchen, hoje casada com o jogador de futebol americano Tom Brady, que foi recentemente à cidade gaúcha conhecer os novos familiares, tem de fato uma carreira surpreendente. A produção norte-americana ‘Gisele, Made…’ explica mais didaticamente essa trajetória para um público que não sabe bem onde é o Brasil (e muito menos onde é o interior do Rio Grande do Sul).


Repleto de imagens ‘caseiras’, traz registros de uma Gisele Bündchen pós-adolescente deslumbrada com seus primeiros passos no mundo da moda. É um bom título para quem quiser conhecer sua carreira. Há depoimentos de figuras-chave do universo fashion, como o fotógrafo peruano radicado em Londres Mario Testino e o estilista norte-americano Tom Ford. Já ‘A Garota…’ é conduzido por Lilian Pacce e traz imagens de bastidores feitas pela equipe do ‘GNT Fashion’, que acompanhou vários anos da carreira de Bündchen.


GISELE, MADE IN BRAZIL/ A GAROTA MAIS LINDA DO MUNDO


Quando: amanhã, às 21h (‘Gisele, Made in Brazil’); amanhã, às 21h30 (‘A Garota Mais Linda do Mundo’)


Onde: GNT


Classificação: não informada’


 


 


CINEMA
Leonardo Cruz


Diretor filma viagens e dilemas de Ahmadinejad


‘Na primeira cena de ‘Cartas ao Presidente’, uma multidão persegue o comboio onde está a câmera. Há um misto de fascinação e desespero na expressão de homens e mulheres que, com maços de papel em punho, tentam se aproximar dos veículos em movimento. Ao centro do comboio, em carro aberto, cercado por seguranças, está o presidente do Irã, um sorridente Mahmoud Ahmadinejad.


Interessante investigação sobre os métodos populistas de Ahmadinejad, o ótimo filme do tcheco Petr Lom dá largada nesta noite à 14ª edição do É Tudo Verdade. Até o próximo dia 5, em São Paulo e no Rio, o principal festival de documentários do país apresentará uma seleção da mais recente produção do gênero, no Brasil e no exterior. Brasília também receberá o evento, de 14 a 26/4.


Ao explicar a escolha para a sessão de abertura, Amir Labaki, diretor do festival e articulista da Folha, ressalta a geopolítica internacional: ‘Esse filme toca numa questão crucial do mundo atual, que é o Irã. Não haverá paz no Oriente Médio e no mundo sem que a questão iraniana seja equacionada’.


Formado em filosofia por Harvard, Lom, 40, conta que deixou a vida acadêmica em 2003 para ‘fazer o que mais gostava, viajar e, mais do que qualquer coisa, contar histórias desconhecidas, que fizessem diferença no mundo’.


Essa mudança de rota resultou nos documentários ‘Rapto de Noivas no Quirguistão’, sobre a prática usual para arranjar casamentos na ex-república soviética, e ‘On a Tightrope’ (na corda bamba), sobre os uighur, minoria muçulmana que vive no noroeste chinês sob vigília constante de Pequim. Com ‘Cartas ao Presidente’, seu terceiro longa, Lom se tornou o primeiro estrangeiro a ter permissão para filmar as caravanas de Ahmadinejad pelo interior do país. Para convencer Teerã de que não era um espião de Washington, apresentou um plano de registrar a prática, estimulada pelo mandatário, de envio de cartas ao governo. Segundo a atual gestão, mais de 9 milhões de pessoas já escreveram para contar seus dramas e 76% das demandas foram atendidas. Teerã gostou do projeto.


Achou que Lom faria um filme de propaganda e até sugeriu batizar a obra de ‘Democracia em Ação’. O resultado final está bem longe do título proposto. ‘Cartas ao Presidente’ mostra, sim, a enorme popularidade do presidente nas regiões mais pobres -Ahmadinejad causa histeria ao passar por vilarejos miseráveis. Mas apresenta também os problemas que corroem hoje o país: inflação, desemprego e censura.


E o próprio Lom foi alvo de censura? ‘Sim. Não tinha um ‘supervisor’ que me seguia o dia todo, como quando trabalhei na China. O controle no Irã era mais difuso, caótico e, talvez, mais secreto. Autoridades me disseram que eu estava sendo observado’, relata o diretor, acrescentando que, algumas vezes, policiais o obrigaram a apagar suas gravações ‘por razões de segurança’.


Burocracia e desconfiança


O documentarista afirma que passou cinco meses no país e conseguiu filmar, no total, menos de quatro semanas. ‘O resto do tempo era esperar por permissões, em negociações intermináveis para entrar nos locais de filmagem. Há muita burocracia, além de camadas e mais camadas de suspeita em relação aos estrangeiros.’ No trato com o governo, Lom teve ajuda de um produtor local, amigo do conselheiro de imprensa de Ahmadinejad. ‘Tinha um aliado político. Não há como trabalhar de outro jeito no Irã. É preciso contatos.’


Tais contatos lhe permitiram filmar, além de viagens e comícios presidenciais, o centro de processamento de cartas e o call center do governo, uma eleição legislativa, a cidade natal de Ahmadinejad e a mesquita onde, diz o islã, um dia o Messias reaparecerá.


Nessas andanças, Lom entrevistou dezenas de iranianos e estruturou grande parte do documentário em cima das opiniões dos cidadãos comuns. O diretor quase não intervém nas imagens -não há narrações em off condenatórias nem trilha sonora dramática, só algumas legendas informativas. Mas isso não faz de ‘Cartas ao Presidente’ um filme acrítico. Ao contrário, a montagem é a arma de Petr Lom para opinar, em uma sequência de depoimentos em que o Irã das ruas ataca o Irã dos gabinetes.


CARTAS AO PRESIDENTE


Direção: Petr Lom


Quando: hoje, às 20h30 (para convidados); amanhã, às 19h; e sáb., às 17h, no Cinesesc; 1/4, às 15h e às 19h, no CCBB’


 


 


TWITTER
Folha de S. Paulo


Apresentador Marcelo Tas e Telefônica são alvo de contestação


‘O Twitter, o apresentador Marcelo Tas e a Telefônica viraram polêmica na última semana, depois que o ‘Wall Street Journal’ publicou reportagem dizendo que, devido à popularidade do líder do ‘CQC’, a Telefônica o contratou para divulgar o Xtreme, serviço que oferece TV paga, internet e telefone por fibra óptica. Tas confirmou o contrato e disse que usará a tag ‘xtreme’ quando se referir ao produto no Twitter -muitos de seus 18 mil seguidores não gostaram.’


 


 


 


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