Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

DIRETóRIO ACADêMICO > LEITURAS DE VEJA

Os extremos da revista

Por Michelson Borges em 13/01/2009 na edição 520

A revista Veja (edição 2094, de 7/1/2009) foi capaz de demonstrar ao mesmo tempo equilíbrio e preconceito em textos publicados com poucas páginas de intervalo. Na ‘Carta ao Leitor’, comentando o acirramento do conflito entre Israel e palestinos, o semanário explica que ‘os palestinos dividiram-se entre aqueles que apóiam a Autoridade Palestina, que negocia com Israel, e o Hamas, o grupo terrorista que prega a destruição do estado israelense, fundado em 1948 na esteira do holocausto. É o Hamas o alvo da operação das Forças Armadas de Israel na Faixa de Gaza. O grupo vinha utilizando o território, dominado por seus militantes, para lançar foguetes contra alvos do outro lado da fronteira. Do ponto de vista estritamente militar, a operação é movida por uma causa razoável? Aparentemente, sim. Do ponto de vista humano, ela é desproporcional? Absolutamente, sim. Eis a essência do problema quando o assunto é Israel e palestinos: ambos os lados conseguem ter razão não tendo, muitas vezes, razão nenhuma’.

Mas a boa análise da revista é ofuscada, em minha opinião, pelo ataque gratuito de Tony Bellotto aos criacionistas, na página 28: ‘Acendam as luzes da razão! Não deixem que a Idade das Trevas volte a eclipsar a sabedoria humana! Notícias dão conta de que o criacionismo – doutrinação religiosa disfarçada de pseudociência – cresce entre as escolas brasileiras. E não apenas no ensino religioso, em que faria sentido, mas nas aulas de ciência.’

Fundamento religioso

Em poucas linhas, Bellotto consegue demonstrar todo o seu desconhecimento do assunto. O criacionismo tem, sim, bases científicas que poderiam ser analisadas (assim como as proposições do design inteligente) nas aulas de ciências juntamente com o darwinismo. A intenção não é de doutrinamento, mas sim, que se ensine o contraditório e se mostre as insuficiências epistêmicas da teoria da evolução. Isso somente ajudaria a formar a visão crítica dos alunos. O criacionismo tem fundamento religioso, com certeza, mas é preciso que se esclareça de uma vez por todas que o darwinismo, de modo semelhante, tem muito de filosófico, não sendo uma teoria plenamente falseável, no entender de Karl Popper. Ademais, sempre é bom repetir: naturalismo filosófico não é sinônimo de naturalismo metodológico.

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Jornalista, Tatuí, SP

Todos os comentários

  1. Comentou em 03/10/2009 Ezequias Fereira ferreir

    BOM DIA TENHO UM SITIO NA REGIAL DE SANTA ISABEL GPSTARIA DE SABER SE VC TEM ENDETREÇO DE AGROMONOS POR PERTO COMO VC TEM O PROGAMA DO GLOBO RURAL SEÓSIVEL MANDE PARA MIM DESDE JA MUITO OBRIGADO

  2. Comentou em 15/01/2009 Rodrigo Otávio da Silva Motta

    Como nem o criacionismo nem o evolucionismo podem ser provados em laboratório, ambos são questões de fé para aqueles que nees acreditam.Prefiro, porém, acreditar na palavra do eterno Deus do que nas idéias de hokmens falíveis e mortais, que volta e meia estão a se contadizer e a mudarem de opinião.’Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua fiosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo.”Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam soberanias, quer principados, quer potestades.Tudo foi criado por meio dEle e para Ele.’

  3. Comentou em 14/01/2009 Marcus Cianciaruso

    Paulo, obrigado por iluminar um pouco esse espaço. Realmente existe um movimento muito forte dos Criacionistas, em especial daqueles que se escondem sob uma bandeira PSEUDO-cientifica chamada de ‘Desenho Inteligente’. É importante lembrar que o Ministerio da Educação PROIBE o ensino de qualquer visao RELIGIOSA como ALTERNATIVA ao conhecimento cientifico. Isso é ilegal pois estamos em um estado LAICO, ou seja, onde nenhuma religião pode ser imposta. A ciência ao contrário da religião pode ser contestada a qualquer momento e por qualquer um pois está fundamentada em MÈTODOS REPLICAVEIS E FALSEAVEIS. Michelson, se atualize e veja que mesmo Popper reviu seu conceito sobre o evolucionismo. Sem meias verdade, por favor.

  4. Comentou em 13/01/2009 Paulo Bandarra

    O jornalista Michelson Borges mais uma vez enxerga preconceito onde existe clareza de visão. Ensinar criacionismo em aula de religião já é um crime de lesa humanidade. Imagine em aulas de ciência pelo princípio da ignorância, não sabendo o mecanismo, então a causa é sobrenatural, divina. Não existe nenhuma alternativa no desenho inteligente, nem mesmo escrevendo em inglês. É a mesa afirmação do desconhecido para buscar as assinaturas de deuses ou atribuir o que se estuda fenômenos sobrenaturais. Nada de novo. O que deveria ser ensinado realmente, e nas aulas de religião, são todas as alegações de revelações e explicações divinas e sobrenaturais, principalmente aquelas que se aproximam dos fatos científicos, e não aquelas que passam milênios negando os mesmos. Vergonha é escolas ensinarem para crianças inocentes e sem capacidade crítica uma visão religiosa apenas ocultando todas as outras que alegam a mesma salvação e evolução espiritual. Usar a Bíblia em aula de ciência é que mostra o absurdo das religiões. As sementes da intolerância milenares.

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