Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1064
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Os novos papéis do jornalismo

Por Ivan Torraca em 16/06/2009 na edição 542

Falar em crise do jornalismo já virou rotina nos bancos escolares. Porém, é difícil achar quem aponte caminhos possíveis para sairmos desta temida turbulência. Para Carlos Chaparro, ganhador de quatro Prêmios Esso de Jornalismo, doutor em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, jornalista há mais de 50 anos, é preciso que o jornalista pergunte qual o seu papel diante das mudanças tecnológicas e, principalmente, da chamada ‘revolução das fontes’.

‘A grande crise do jornalismo é que nossas crenças estão assentadas num tempo que não existe mais, em que o jornalismo podia olhar a realidade, interpretar e algum tempo depois noticiar’, revelou Chaparro durante palestra do curso ‘Descobrir a Amazônia, Descobrir-se Repórter’, do projeto ‘Repórter do Futuro’.

Segundo o professor, membro da Comissão de Especialistas do MEC que discute as diretrizes curriculares do curso de Jornalismo, hoje em dia ‘não há intervalo entre o acontecimento e a notícia, esse espaço de reflexão onde o jornalismo atuava e exercia o famoso `quarto poder´’.

Produzir transformações

Para Chaparro, a mudança não é a internet em si, mas sim, as transformações sociais que ela construiu: ‘Os grandes acontecimentos são noticiados no momento em que acontecem e só acontecem quando são noticiados. Isto deu aos sujeitos sociais o poder extraordinário de atuar deliberadamente sobre os cenários da atualidade.’ Como exemplo desta simultaneidade, ele cita a cobertura feita sobre o ataque ao World Trade Center em 2001 nos Estados Unidos.

Neste sentido, pergunta: ‘Qual é o papel do jornalismo numa sociedade constituída por sujeitos sociais que são capazes de formalizar seus discursos independentemente do jornalismo?’

‘Houve uma profissionalização das fontes. Os jornais são fontes institucionais, mas os grandes sujeitos sociais também são, estão se organizando e quem produz acontecimentos é capaz de controlar a notícia e assim produzir transformações no mundo’, afirma Chaparro.

Capacidade de dar voz às pessoas

Para o professor, a arrogância distorce o papel das fontes. ‘Um dos defeitos do jornalismo é a arrogância, que leva o jornalista a acreditar que as notícias saem das redações, que são donos do poder, mas na verdade nós dependemos das fontes. É preciso redescobri-las, o bom repórter é aquele que tem boas fontes.’

Ao mesmo tempo, Chaparro fala sobre o potencial transformador da profissão. ‘O jornalista deve estimular a organização dos sujeitos sociais para produzirem transformações, tornar as pessoas capazes de reconhecerem os acontecimentos ao seu redor. E o jornalismo, mais do que qualquer profissão, tem a capacidade de combater a exclusão do discurso, de dar voz às pessoas.’

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Estudante de Jornalismo, Faculdade Cásper Líbero, participa do projeto ‘Repórter do Futuro’, São Paulo, SP

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