Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Para cineasta iraniano, censura total é inviável no país

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 18/02/2009 na edição 525

Leia abaixo a seleção de quarta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009


 


CONTROLE
Raul Juste Lores


‘Censura total no Irã é inviável’, diz cineasta


‘Considerado o cineasta mais político e crítico do Irã, Jafar Panahi, 48, está há quatro anos sem filmar. ‘Desde que Ahmadinejad chegou ao poder, não consigo aprovação da censura para meus roteiros’, diz.


Só seu primeiro filme, ‘O Balão Branco’ (1995), premiado em Cannes, foi exibido no país -os demais foram proibidos. Ao fazer um drama vigoroso sobre os maus-tratos às mulheres iranianas em ‘O Círculo’ (2000), que ganhou o Leão de Ouro em Veneza, virou o cineasta maldito do regime.


Ele lutou na Guerra Irã-Iraque como soldado, foi assistente de Abbas Kiarostami em ‘Através das Oliveiras’, e tem uma coleção de prêmios – Leopardo de Ouro em Locarno por ‘O Espelho’ (1997) e Urso de Prata em Berlim por ‘Fora do Jogo – Offside’ (2006).


Neste último, ele enfoca garotas que se vestem de homens para poder assistir a um jogo de futebol (mulheres são proibidas de frequentar a estádios).


Panahi já esteve três vezes no Brasil, onde todos seus filmes foram exibidos. Ele recebeu a Folha em seu apartamento em Teerã, enquanto assistia à nova temporada de ‘24 Horas’. ‘Já que não me deixam filmar, assisto a seriados americanos’. Leia trechos da entrevista.


Censura e Ahmadinejad


‘Desde que Ahmadinejad chegou ao poder [em 2005] não consigo filmar. Há quatro anos não tenho autorização. Todas as minhas ideias e roteiros são rejeitados pelo governo. Sem permissão, você não filma. Os cinemas só exibem o que o governo deixa, e os sete canais de TV são estatais. É um monopólio. Mas não foi só o cinema que piorou com Ahmadinejad, muitas outras coisas pioraram.’


Sistema ideologizado


‘Não faço cinema político, faço cinema social. O filme político diz quem é bom e quem é ruim, como os partidos políticos. Quem concorda com eles é bom, quem discorda é ruim. O problema é que tudo faço aqui é visto como político. Em um sistema tão ideologizado, se você não concorda com eles, não frequenta os eventos do governo, você vira político. No cinema social, não tem preto, branco, tem cinza.’


Filmes com crianças


‘Todos os meus filmes foram proibidos no Irã, com exceção de ‘O Balão Branco’. Mesmo antes da Revolução Islâmica, cineastas driblavam a censura fazendo filmes com crianças. A censura não dá bola para filmes com crianças. Mas eles falam de temas adultos. São ‘com’ crianças, não para crianças.’


Mulheres e limites


‘Decidi não voltar a filmar com crianças em ‘O Círculo’. Gosto de falar de limites, obstáculos, então era natural fazer um filme sobre as mulheres iranianas. Causou muita polêmica, todos os jornais estatais me atacaram. O governo queria que eu cortasse 18 minutos de cenas ‘inconvenientes’ e não aceitei. A partir daí, meus filmes não puderam ser exibidos nos cinemas daqui.’


Parabólicas piratas


‘Os iranianos acabam vendo meus filmes pelas cópias piratas, a US$ 1, que são vendidas em todo o canto. Apesar de proibidas, eu diria que 90% dos iranianos têm parabólicas hoje, dos mais ricos aos mais pobres. Todo o mundo vê canais internacionais de televisão, o controle da informação ficou difícil. O governo teria que prender o país inteiro.’


Revolução errada


‘Jovens não poderiam ser jovens pela lei do Irã – tudo é tão surreal que para onde você olhe, há ideia de um novo filme. Sou otimista com a nova juventude, que não aceita certas imposições do governo e as está driblando. Minha geração fez a revolução, ajudamos a derrubar o xá, mas logo percebemos que essa revolução estava errada. Saímos de um regime sem democracia para outro. Não mudou o fundo. A nova geração não quer mais revolução.’


Exílio e comércio


‘Muitos cineastas imigraram, alguns estão fazendo outras coisas. Recebi uma proposta de Hollywood. Talvez aceite. Hoje, no Irã, há um ou dois filmes bons por ano, aprovados pelo governo. Mas 99% do cinema iraniano é comercial. Divide-se em dois tipos: garota sofrida se apaixona por garoto, passam por desencontros e terminam juntos. Ou homem casado conhece outra e fica com duas esposas. Tudo sem beijo.’’


 


 


CORRUPÇÃO
Clóvis Rossi


Nem fingir eles fingem


‘SÃO PAULO – Confesso que não me emocionou nem um pouquinho a afirmação do senador Jarbas Vasconcelos de que ‘boa parte’ de seu partido, o PMDB, gosta mesmo é de corrupção.


Afinal, não conheço um só jornalista que tenha escrito ao menos duas linhas sobre política nos últimos 20 e tantos anos que não tenha, uma vez na vida, dito em voz baixa a mesma coisa que Jarbas grita. Tampouco conheço um só leitor -que não seja filiado a partido político- que não pense a mesma coisa sobre o PMDB e, de quebra, sobre todos os demais partidos, grandes e médios -ou até alguns pequenos.


Tampouco é novidade. Um certo Luiz Inácio Lula da Silva, antes de ser presidente, já havia dito que o Congresso é formado por uns ‘300 picaretas’. Como o PMDB sempre foi maioria relativa no Congresso, é inescapável supor que Lula acha (ou achava) que ‘boa parte’ do PMDB é formada por ‘picaretas’.


O fato de ter-se unido a eles, uma vez na Presidência, fala mal de Lula, mas não absolve o PMDB. Por tudo isso, não havia uma só razão para prestar muita atenção à fala de Jarbas.


Mas me emocionou, sim, pelas piores razões, a reação do PMDB, esse assobiar e olhar para o lado, como se o senador estivesse falando de outra agrupação. ‘Não queremos dar relevo a algo que não tem especificidade’, reagiu, por exemplo, Michel Temer, ainda presidente do PMDB.


Como não tem? Dizer que ‘boa parte’ do partido gosta de corrupção não é suficientemente específico para iniciar vigorosa ação exigindo nomes? Ou para expulsar o senador por leviandade? Em outros tempos, o PMDB ou qualquer partido urraria de indignação, fingida ou real. Cada peemedebista esfregaria na cara do denunciante a ‘ilibada’ reputação que diria possuir. Hoje, ninguém mais nem finge indignação, e ‘ilibada reputação’ caiu em desuso.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Sem fim


‘Obama assinou seu pacote e proclamou ‘o princípio do fim da crise’, mas as manchetes de ‘New York Times’, ‘Wall Street Journal’, ‘Washington Post’ e ‘Financial Times’ foram para a denúncia de ‘fraude’ financeira de US$ 8 bilhões, do grupo Stanford. Na home do ‘FT’, logo abaixo, ‘Clientes Safra caem vítimas de Madoff’. O jornal diz que ‘o Banco Safra de São Paulo por vários anos comercializou um fundo chamado Zeus Partners, um dos muitos ‘alimentadores’ que canalizavam dinheiro para a corretora de Bernard Madoff’. E linka na própria home para ‘documento obtido pelo ‘Financial Times’ de investidores no Brasil’ que junta as instituições (abaixo).


SEM CULPA


Bill Clinton saiu dando entrevistas para TVs e a NBC questionou sua culpa na crise. Dele: ‘Alguém acredita que, se eu fosse presidente, com a minha equipe econômica, isso estaria acontecendo, hoje? Não’.


O PRINCÍPIO DO FIM


O pacote de Obama fez manchete por aqui, mas em colunas de ‘Washington Post’ a ‘Miami Herald’ não faltavam alertas sobre retaliações à cláusula ‘Buy American’. Avisam de ‘rumores sobre tarifas pendentes no Brasil’, afinal, ‘não faltam protecionistas no Brasil, na Argentina, que vão dizer, ‘olha, os americanos estão fazendo’. Ao longo do dia nas buscas de Brasil por Google News e Yahoo News, um dos destaques era uma ameaça do chanceler Celso Amorim, de questionar a cláusula na OMC.


‘MUST GO ON’


Entre a queda na Bovespa e a alta nas vendas de veículos, destaques por aqui, a Associated Press preferiu ‘Carnaval em crise? A festa continua’. Ou ainda, ‘a libertinagem tem que continuar’.


COMO E POR QUÊ


As Bolsas ‘desabam’ aqui e pelo mundo, uma vez mais, mas sites financeiros no exterior seguem postando ‘como e por que investir no Brasil’. A atenção maior é para o pré-sal, em posts como ‘3 maneiras de lucrar com o campo de Tupi no Brasil’, do Seeking Alpha. A própria Petrobras, como repercutiu o site do ‘WSJ’, adiou inversões em descobertas no exterior para priorizar Tupi etc.


REVOLUÇÕES DE PAPEL


No alto da primeira página, o ‘WP’ abordou as ‘Revoluções comandadas por documentos na América Latina’, sobre as ‘novas constituições’ de Venezuela, Bolívia e Equador, escritas com apoio de ‘scholars’ espanhóis e em ‘processos pacíficos’. Visam a ‘refundar aquelas nações para corrigir injustiças históricas’.


‘TOP’


O Nieman Lab divulgou sua tradicional lista dos sites americanos de jornais, feita com dados do Nielsen, e deu boa notícia à imprensa, ‘NYT’ em especial. O número total de visitantes saltou 12,1% _e o site do jornal nova-iorquino cresceu 33%, fechando com ‘vitória espantosa’: sua vantagem sobre o site do ‘USA Today’, que era de 52%, passou a 80%.


‘REALITY TV’


Via Blue Bus: o ‘Guardian’ noticiou que Jade Goody, celebridade inglesa que surgiu no ‘Big Brother’ local, descobriu que está com câncer terminal, vendeu entrevista ao tablóide ‘News of the World’ e negocia com TVs as suas últimas semanas de vida.’


 


 


DISTRIBUIÇÃO
Folha de S. Paulo


Ato de motoboys prejudica entrega de jornais em SP


‘Um protesto de motoboys, que acabou em confronto com a Polícia Militar, prejudicou ontem a distribuição de jornais em parte da zona sul da capital paulista.


De acordo com o boletim de ocorrência registrado no 11º DP (Santo Amaro), entre 50 e 100 motoboys se concentraram em frente à empresa Cantanloop Transporte Ltda, em Santo Amaro (zona sul), que distribui a Folha, o ‘Agora’, ‘O Estado de S. Paulo’, o ‘Jornal da Tarde’ e o ‘Valor’. Eles impediram a entrada de caminhões no local.


Ainda de acordo com o registrado na polícia, os manifestantes pertencem ao Sindmoto, sindicato que tenta transferir os motoboys que trabalham na distribuição dos jornais -hoje filiados ao Sindjore- para sua entidade.


Os PMs afirmaram que, por volta da 0h30, os manifestantes não acataram a ordem para desobstruir a entrada da empresa.


Houve confronto. A PM usou gás pimenta e tonfa (espécie de cassetete) contra os manifestantes. Alguns, segundo o registrado na polícia, estariam armados. Seis deles foram levados à delegacia e libertados depois.


A confusão atrasou a distribuição da Folha no Itaim Bibi, Campo Belo, Moema e Santo Amaro, mas somente 1% dos exemplares deixaram de ser entregues.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Até mulher-fruta rejeita reality da Record


‘A Record está tentando desde novembro montar o elenco de um reality show que pretende confinar celebridades em uma fazenda, mas, até ontem à tarde, ninguém tinha aceitado convite da emissora.


A Record ouviu ‘não’ até de celebridades discutíveis, como a Mulher Melancia, como ficou conhecida Andressa Soares, a bailarina da ‘dança do créu’, proprietária de um enorme bumbum. Outra ‘gostosa’ que recusou sondagem foi Danielle Souza, a Mulher Samambaia do ‘Pânico na TV’, precursora da onda de ‘mulheres-vegetais’.


Natália Guimarães, ex-miss Brasil e atriz da emissora, chegou a aceitar proposta, mas a recusou em seguida, orientada por sua empresária.


Diante das recusas, a Record já descartou o título ‘Fazenda das Celebridades’. O programa deverá se chamar apenas ‘A Fazenda’ e poderá ser totalmente gravado, porque setores da emissora temem ‘baixo nível’ dos participantes. Isso comprometerá o projeto original da Record de ter o programa exibido em pay-per-view.


Além do medo de ‘queimar’ a imagem, famosos têm torcido o nariz para o cachê que a Record vem oferecendo: apenas R$ 30 mil por mês.


O programa será dirigido por Rodrigo Carelli, que comandou ‘Casa dos Artistas’, e terá consultoria de Alexandre Frota, que participou da ‘fazenda’ portuguesa. Deverá ser exibido a partir de junho.


PELADA À TARDE 1


A Globo exibiu cena de ‘Mulheres Apaixonadas’, anteontem à tarde, em que Helena Ranaldi aparecia totalmente nua, com as costas ensanguentadas e o bumbum à vista. A emissora cortou sequência em que a personagem fora espancada.


PELADA À TARDE 2


As imagens afrontam acordo entre Globo e Ministério da Justiça para liberar a novela à tarde. O manual de classificação indicativa veta antes das 20h conteúdo violento com sangue ou sofrimento e ‘nudez ‘opaca’ ou velada’.


PELADA À TARDE 3


A emissora diz que adaptou a novela para o horário. ‘Até o momento, a única censura que recebeu foi a estimulada pelo colunista da Folha de S. Paulo’, disse o porta-voz Luís Erlanger.


FAVORITO


Até o início da tarde de ontem, Heródoto Barbeiro era o mais cotado para assumir, em março, o ‘Roda Viva’, da TV Cultura, no lugar de Lillian Witte Fibe, que saiu dizendo que o programa tem entrevistas irrelevantes e sonolentas.


COFRE


A Globo não vem exibindo a vinheta de abertura de ‘Big Brother Brasil’. O corte é para compensar a alta demanda de comerciais nos intervalos do reality show.


FÉ EM REDE


O Ministério das Comunicações concedeu, ontem, um canal retransmissor em Itu (SP) à TV Aparecida. Assim, a emissora, ligada à Igreja Católica, com uma única geradora em Aparecida (SP), vai construindo uma uma rede.’


 


 


Mônica Bergamo


Cobra e papagaio


‘O Ibama de SP vai convocar uma reunião com todas as emissoras de televisão neste semestre. Pretende alertar sobre os limites do uso de animais silvestres em programas de TV. Segundo o órgão, as imagens podem deseducar o telespectador, pois sempre que são exibidas, chovem ligações de interessados em adquirir bichos não-domésticos. Como a compra legal envolve burocracias e preço alto, teme-se que o público procure o mercado negro.’


 


 


Fernanda Ezabella


Futura relembra charges de J. Carlos


‘Numa época em que a fotografia ainda não dominava a mídia, eram os desenhos e as charges de artistas que serviam de registro de um Rio de Janeiro em ebulição, no começo do século 20. Um dos melhores foi o cartunista J. Carlos (1884-1950), famoso pelos traços elegantes e tema de um documentário do canal Futura.


Gravado por seu bisneto, o programa traz a trajetória do artista a partir de desenhos, como charges políticas, a bagunça dos Carnavais e as transformações da cidade. ‘Você pode acompanhar no trabalho dele toda a evolução da moda’, diz uma especialista na obra de J. Carlos, citando os vestidos da ‘belle époque’ dos anos 10, o estilo melindrosa dos anos 20, evoluindo até os anos 50 e as saias mais curtas.


Eram desenhos como os seus, e não fotografias, que estampam capas de revistas importantes do período, como a ‘Fon-Fon’, ‘O Malho’, ‘Paratodos’ e ‘A Careta’. Foi nesta última, aliás, que apareceu um desenho seu com um papagaio verde dando adeus ao Brasil, rumo a Hollywood. Tempos depois surgia Zé Carioca, de Walt Disney.


O americano havia visitado o país e convidado J. Carlos para trabalhar nos EUA. A proposta foi recusada, e só o papagaio malandro embarcou, servindo de esboço para Zé Carioca.


J. CARLOS – A FIGURA DA CAPA


Quando: amanhã, às 20h30


Onde: canal Futura


Classificação: livre’


 


 


BIOGRAFIA
Mônica Bergamo


Paulo Coelho versus Celso Lafer


‘A editora Planeta foi condenada a pagar R$ 50 mil ao ex-ministro Celso Lafer, das Relações Exteriores, por causa do livro ‘O Mago’, biografia de Paulo Coelho escrita por Fernando Morais. Na obra, o autor diz que ‘segundo o que Paulo [Coelho] apurou e tornou público’, Lafer ‘cabalava [pedia] votos’ para que Helio Jaguaribe fosse eleito para a Academia Brasileira de Letras ‘em troca de viagens, convites e medalhas’. O juiz considerou que houve ‘inequívoca repercussão negativa à imagem’ de Lafer, que pode ter causado a ele ‘sensações psíquicas negativas’.


XEROX


A editora, que deve recorrer, argumenta que Lafer não processou Coelho nem os meios de comunicação que publicaram seu relato na época em que foi feito, em 2002, e que o livro apenas se limitou a reproduzi-los seis anos depois.


NADA FEITO


Outros pedidos de Lafer, no entanto, foram ‘desde logo repelidos’ pelo juiz. Ele queria que ‘O Mago’ fosse retirado de circulação e que a sentença fosse publicada em jornais.


LETRAS


As condenações e decisões que retiram biografias de circulação têm preocupado as editoras. Elas agora estão fazendo lobby no Congresso pela aprovação de projeto de lei que dificulta os processos, apresentado no fim do ano pelo deputado Antônio Palocci (PT-SP).’


 


 


PORTA-VOZ
Mônica Bergamo


Procura-se


‘E Sarney continua em busca de um porta-voz. O jornalista Carlos Marchi, convidado para o cargo, tinha decidido ontem recusar a proposta.’


 


 


INTERNET
Folha de S. Paulo


Ilha De Fidel lança sistema baseado em Linux


‘Cuba lançou um sistema operacional próprio, chamado Nova, baseado em Linux. A intenção é substituir o Windows, visto pelo governo cubano como um dos tentáculos da hegemonia dos EUA. Segundo a Reuters, 20% dos computadores da ilha caribenha rodam Linux. ‘Ter um controle maior dos processos de informática é uma questão importante’, afirmou Ramiro Valdes, ministro de Comunicações de Cuba, que lidera a migração para software livre.’


 


 


Gustavo Villas Boas


Pela 1ª vez, fatia da Apple supera a da Microsoft


‘A guerra de sistemas para aparelhos inteligentes deve esquentar neste ano.


Primeiro porque o sistema Android deve entrar no mercado para valer -a HTC, por exemplo, vai vender seu G1 na Espanha, pela Telefónica, com o nome de Dream.


Além disso, no penúltimo trimestre do ano passado, pela primeira vez a fatia da Apple e seu Mac OS X foi maior do que a da Microsoft e seu Windows Mobile, diz a empresa de análise Canalys.


A Gartner chegou a números semelhantes, e atribui a queda no desempenho do Windows Mobile a sua interface, que não é competitiva, diz a empresa.


Coincidência ou não, o foco das primeiras demonstrações do Windows Mobile 6.5 em Barcelona foi a interface com o usuário.


A Canalys espera que a disputa entre os principais sistemas (Symbian, BlackBerry OS, Mac OS X, Windows Mobile e Android) seja mais intensa neste ano.


A Gartner considera que até os modelos de licenciamento farão parte da disputa, com os sistemas em código aberto (Android, Symbian, LiMo) contrapondo-se ao Windows.


Além disso, há um competidor que ainda não foi lançado, mas já atrai muito interesse: o WebOS, da Palm, que vai utilizar amplamente o conceito de nuvem computacional.


Por fora, corre o LiMo, baseado em Linux.’


 


 


***


Sistema do Google amplia seu espaço


‘A principal aparição do Android em Barcelona foi de novo com a HTC: o smartphone Magic. Branquinho, ele lembra o G1, primeiro aparelho com o sistema desenvolvido por um consórcio que tem o Google à frente. A diferença principal em relação ao G1 é a falta de um teclado QWERTY no Magic.


O telefone será lançado pela operadora Vodafone no Reino Unido, na Espanha, na Alemanha e na França, além da Itália, onde não haverá exclusividade.


A HTC apresentou ainda o Dream -o G1 rebatizado-, que será vendido pela Telefónica, inicialmente na Espanha.


A chinesa Huawei anunciou, com bastante repercussão, aparelhos que devem chegar ao mercado neste ano com o sistema operacional. Com menos destaque, a General Mobile mostrou um portátil com Android que aceita dois chips telefônicos simultaneamente.


Apesar dos portáteis mostrados, a quantidade de telefones com a plataforma decepcionou, como no ano passado, quando ele foi mostrado em telefones conceituais.


O Android também apareceu em estandes de desenvolvedoras de hardware, que exaltavam a compatibilidade de seus produtos com o sistema operacional baseado em Linux.


A Nvidia, famosa por suas placas gráficas, era uma dessas empresas. A fabricante anunciou que os chips Tegra agora são compatíveis com o Android. Mas o grande destaque da Nvidia foi uma plataforma baseada em Tegra e Windows que permitirá, segundo a empresa, a criação de dispositivos móveis de internet com capacidade para vídeos em alta definição por US$ 99.


Para mostrar seu potencial, um dispositivo menor do que um videogame de mão servia como fonte de um filme para uma TV HD de tela plana.’


 


 


Douglas Quenqua, do New York Times


Muy amigos…


‘Uma pessoa pode enlouquecer tentando identificar o momento em que perdeu um amigo. Raramente esse amigo expressa com clareza o que sente enviando um alerta por e-mail.


Esse não é apenas um fato da vida, mas também uma política adotada pelo Facebook. Embora muitas ações triviais façam o Facebook enviar um alerta a todos os seus amigos -colocar uma foto nova, mudar seu status de relacionamento-, excluir alguém de sua lista, simplesmente, não é uma delas.


Essa é a política que o Burger King ignorou com a campanha ‘Whopper Sacrifice’, que oferecia um hambúrguer grátis a quem cortasse os laços sagrados de amizade com dez de seus amigos do Facebook. O site suspendeu o programa porque o Burger King estava enviando notificações aos excluídos, avisando-os de que estavam sendo deixados de lado em troca de um pedaço de sanduíche.


A campanha, que se vangloriou de ter acabado com 234 mil amizades, agora faz parte do passado, mas o mesmo dificilmente poderia ser dito sobre a crescente ansiedade que isso deixou à mostra. Conforme as redes sociais se tornam mais presentes, as pessoas antes confortavelmente familiarizadas com as regras de etiqueta social veem-se tomadas por dúvidas sobre a ‘exclusão de amigos’: como e quando fazê-la, com o máximo de discrição.


‘Se alguém com mais de mil amigos me exclui, eu fico ofendido’, disse Greg Atwan, autor do ‘The Facebook Book’, um guia satírico sobre o tema. ‘Mas se for alguém com apenas cem amigos, entende-se que ele esteja tentando se limitar apenas às pessoas mais íntimas.’


Desamigos


Atwan, que se formou recentemente pela Universidade Harvard (onde o Facebook começou), aconselha revisar sua lista de amigos pelo menos uma vez por ano, a fim de remover completos estranhos e outros tipos ‘indesejados’.


Embora algumas pessoas prefiram o termo ‘defriending’ (algo como ‘desamigar’), uma pesquisa rápida sobre grupos criados no Facebook mostra que ‘unfriending’ (‘inimigar’) é a escolha mais comum. Brandee Barker, porta-voz do Facebook, disse não haver um termo oficialmente preferido.


Claro, nem todas as exclusões de amigos são iguais. Parece haver muitas variedades, que vão das totalmente impessoais às completamente vingativas. Primeiro, ocorre a seleção simples do rebanho, com a remoção de pessoas com quem você tem pouco contato.


Essas foram as pessoas que Steven Schiff, assistente de notícias do Vault.com, site de serviços de carreira, sacrificou pelo seu sanduíche Whopper. ‘Percebi que havia um bom número de pessoas na minha lista com quem eu nunca havia conversado, que dirá ter sido amigo íntimo.’ Schiff, 25, disse ter sentido apenas uma leve culpa por eliminar aquelas pessoas. Ele usou seu blog para se dirigir aos excluídos.


‘Sejamos sinceros, amigo questionável do Facebook’, escreveu ele, ‘tenho mantido você aqui todo esse tempo porque me sentiria mal caso você descobrisse que havia sido cortado. Mas é que, bem, até agora, ninguém havia me oferecido um Whopper em troca de seus sentimentos.’


O Facebook, que tem no momento mais de 150 milhões de membros, cresceu obviamente no vácuo da cultura do compartilhamento excessivo. Muitos participantes transmitem detalhes mundanos sobre suas vidas por meio de um dispositivo de ‘atualização de status’ que permite às pessoas -seria melhor dizer as encoraja a- descrever o cardápio do seu almoço ou a virulência de sua bronquite.


Mesmo nesse ambiente, no entanto, excluir amigos não gera qualquer tipo de notificação. ‘Nós acreditamos que os relacionamentos mudam, e os usuários devem ter condições de ter uma lista de amigos que respeite essas mudanças sem a responsabilidade de uma notificação pública’, disse Barker.


Tradução de FABIANO FLEURY DE SOUZA CAMPOS’


 


 


Stefhanie Piovezan


Obama combate terror em game


‘‘Um grupo de terroristas liderado pelo temido BagHead sequestrou o líder mais importante do mundo: Obama. Bag- Head exige a libertação de todos os criminosos do mundo inteiro dentro de 24 horas, ou eliminará o presidente.’


Esse é o mote de Obama: Escape Presidencial -jogo desenvolvido pela empresa peruana Inka-, cujo objetivo é ‘ser Obama e escapar dos terroristas usando habilidade e astúcia.’ Gratuito, está disponível em inglês e espanhol em www.inkagames.com. O game traz personagens como Morpheus e Trinity, do filme ‘Matrix’, o vilão do filme ‘Jogos Mortais’ e o extra-terrestre do filme de Steven Spielberg para compor a aventura. No jogo, o ex-presidente norte-americano George W. Bush aparece com o corpo de uma mosca.


Com poucas telas e fácil de jogar, a diversão fica por conta dos diálogos, nos quais predomina a ironia, como na tela em que o presidente pode optar por convencer um terrorista a aproximar um banquinho ‘para que se sente perto de mim e possamos conversar sobre a crise mundial’.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009


 


POLÍTICA
Gerusa Marques


Rateio político dá ao PT cargo na Anatel


‘O governo Lula continua a usar os cargos das agências reguladoras como moeda política. O Diário Oficial da União publicou ontem a mensagem presidencial com a indicação do economista João Rezende para uma vaga no Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Foi o despacho de um acordo político que daria ao PT a indicação do posto na Anatel, caso o PMDB ficasse com o comando das duas Casas do Congresso.


Rezende, que ocupa a chefia de gabinete do Ministério do Planejamento desde abril de 2006, foi uma indicação do ministro Paulo Bernardo, deputado e militante do PT paranaense. O posto está vago desde novembro do ano passado, com o fim do mandato de Jaime Ziller, que já era indicação do PT.


A nomeação deveria ter sido definida no final do ano passado, mas foi adiada por causa da disputa entre PT e PMDB para a presidência da Câmara e do Senado. Caso o PT tivesse assumido uma das Casas, a indicação para a vaga na Anatel pertenceria a um membro do PMDB, partido do ministro da Comunicações, Hélio Costa.


Além do apoio do governo, Rezende teve um ponto técnico a seu favor. Ele foi presidente da Sercomtel, concessionária de telefonia fixa que atua na região de Londrina (Paraná).


Para que o economista assuma a vaga de conselheiro, porém, ele passará por uma sabatina na Comissão de Infraestrutura do Senado e seu nome terá de ser aprovado pelo plenário.


Rezende é formado em economia pela Universidade Estadual de Londrina, com mestrado pela PUC-SP. Foi economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), diretor financeiro da Companhia de Habitação (Cohab) e secretário de Fazenda de Londrina, além de diretor da Fundação Paulista de Tecnologia em Educação.


ARGELLO


Na semana passada, o Estado mostrou que o líder do PTB, senador Gim Argello (DF), vai indicar seu assessor e tesoureiro regional do partido, Ivo Borges, para uma vaga na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).


Se conseguir emplacar o nome, Argello provará que está em ascensão não só no Senado, cada vez mais próximo do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), e do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), mas também no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


A indicação de Borges por Argello é claramente um prêmio pelo fato de o senador do Distrito Federal ter ajudado na vitória do ex-presidente da República para o comando do Senado.’


 


 


TELEVISÃO
O Estado de S. Paulo


Diretor de TV corta cabeça de mulher


‘Muzzammil Hassan, um muçulmano de origem paquistanesa de 44 anos, decapitou sua mulher, Aasiya, de 37 anos, após ela entrar com um pedido de divórcio, informou ontem a polícia de Nova York. A ironia do crime é que o casal havia fundado em 2004 uma rede de TV justamente para tentar reverter a imagem negativa dos muçulmanos após os atentados de 11 de setembro de 2001. A TV Bridges pode ser assistida nos EUA e no Canadá. Hassan entregou-se à polícia após matar a mulher.’


 


 


TECNOLOGIA
Reuters


Yahoo terá ‘iPhone virtual’


‘O Yahoo, segunda maior empresa mundial de buscas na internet, anunciou ontem um serviço que afirma oferecer uma experiência semelhante ao iPhone para pessoas que não podem ou não querem comprar o caro aparelho da Apple.


O Yahoo Mobile será oferecido via download a partir de março para qualquer telefone equipado com navegador de internet e, a partir de maio, em versões para centenas de modelos de smartphones.


‘Há um número crescente de consumidores lá fora que não são usuários do iPhone da Apple, mas querem uma experiência rica no acesso à web’, disse Marco Boerries, presidente da divisão móvel do Yahoo. Também será lançada uma versão para o próprio iPhone.


O Yahoo planeja nos próximos meses promover o Yahoo Mobile por meio de um conjunto de 70 importantes parcerias fechadas para atingir 850 milhões de usuários de celulares em todo o mundo. Cinquenta dessas parcerias já oferecem os serviços da companhia, segundo Boerries.


O Yahoo Mobile tem uma interface com ícones coloridos semelhantes ao estilo que o iPhone utiliza para abrir aplicativos como navegador de internet, e-mail, notícias, tempo e sites de redes sociais.


CARREGADORES


Os principais fabricantes de celulares e várias operadoras de telefonia móvel do mundo firmaram um acordo para a implementação de um carregador universal de bateria para todos os novos aparelhos fabricados a partir de 2012.


‘Em 2012, a maior parte dos celulares serão mais eficientes em relação à energia, e usarão somente um carregador’, disse ontem Rob Conway, conselheiro da GSM, principal associação da indústria de aparelhos móveis do mundo.


Conway disse que participam da iniciativa os fabricantes Nokia, Motorola, LG, Sony Ericsson, Samsung e a empresa de chips Qualcomm.


Fazem parte do acordo também as operadoras de telefonia Orange, 3 Group, AT&T, KTF, Mobilkom Autrice, Telecom Italia, Telefónica, Telenor, Telstra, T-Mobile e Vodafone.


‘Um carregador universal facilitará a vida dos consumidores, reduzirá os gastos para a indústria e será mais respeitoso com o meio ambiente’, disse Conway.’


 


 


DISTRIBUIÇÃO
O Estado de S. Paulo


Protesto atrasa entrega de jornais


‘Um protesto de cerca de cem motoboys ocorrido na madrugada de ontem em Santo Amaro, na zona sul, na entrada das empresas Giramond e Cantaloope, que distribuem os jornais O Estado de S.Paulo, Jornal da Tarde, Folha de S.Paulo, Agora São Paulo e Valor Econômico, provocou atraso na entrega dos exemplares em parte dos bairros da zona sul da capital.’


 


 


 


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