Domingo, 16 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Paula Oliveira e a vulgaridade da mídia

Por Edward Leite Osório em 23/02/2009 na edição 526

Sou um brasileiro que mora na Suíça e estou acompanhando o caso Paula Oliveira com muita atenção. A triste história desta senhora, de agressão ou de auto-agressão, poderia e deveria ter ficado anônima, até a divulgação dos resultados dos exames e das investigações da polícia suíça. Infelizmente, isso não ocorreu.

De símbolo das arbitrariedades cometidas contra brasileiros no exterior, essa senhora agora está se tornando alvo de calúnias e difamações levianas, feitas pela própria imprensa que lhe deu apoio cego e irrefletido na semana passada. Muito triste ver a vida de alguém cair na vulgaridade de um desses programas de televisão onde privacidade não existe.

Aliás, nós brasileiros deveríamos refletir mil vezes antes de apontar o dedo acusador em direção a um país como a Suíça. A maioria esmagadora de brasileiros em situação legal neste país está muito bem integrada e é muito bem aceita pela sociedade.

Existe sim um clima xenófobo na Suíça e na Europa, e não é a crise econômica mundial que vai ajudar a mudá-lo. Apesar disso, toda comparação grotesca da situação real com o nazismo só revela uma ignorância profunda do que está acontecendo por aqui.

A Suíça é um país tão maravilhoso quanto o Brasil, e possui ainda duas vantagens: a seriedade de suas instituições políticas e a fiabilidade de sua justiça. Paraíso fiscal? Certamente, mas muitos dos políticos brasileiros que erguem seus dedos acusadores em direção à República Helvética são os mesmos que possuem contas milionárias e secretas em seus bancos.

Vamos varrer a nossa porta antes de ofender e desacreditar nações amigas; vamos fazer uma limpeza no câncer da corrupção que se instalou na nossa sociedade e que, de maneira tão radical e profunda, vai do faxineiro até os palácios de Brasília. Tem muita limpeza a ser feita. (Edward Leite Osório, Lausanne, Suíça)

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Senhores, procurei no Observatório qualquer repercussão sobre o artigo publicado pelo sr. Josias de Souza, em seu blog, no dia 15/2, com o título ‘Notas vadias de um domingo de notícias vagabundas’ e, logo abaixo, a foto da Ministra Dilma [Roussef], junto com a ex-prefeita Marta Suplicy. Foi uma das coisas mais repugnantes que já vi no âmbito do dito ‘jornalismo’. Isso, a meu ver, não é jornalismo. É machismo, preconceito, ofensa gratuita e incitação ao ódio contra mulheres e, principalmente, mulheres públicas. Porém, não vi ainda, aqui no Observatório, nenhum artigo comentando sobre este assunto, ou seja, o baixo nível em que esse senhor (dito jornalista de um veículo de grande circulação) conseguiu chegar. Vê-se, nitidamente, com esta ofensa gratuita a essas duas mulheres públicas, o intuito de desqualificá-las da pior maneira possível, para favorecer o pré-candidato presidenciável da oposição, defendido abertamente pelos patrões do sr. Josias. Duvido que o tal jornalista tivesse a mesma audácia em publicar uma foto com as sras. Mônica Serra e Lu Alckmin, com o mesmo título. Não, ele não teria essa audácia, daí, vê-se nitidamente que a ofensa é gratuita, eleitoreira e de um grande machismo preconceituoso não só a essas duas, mas a todas as mulheres do Brasil. Enfim, gostaria de ver o assunto repercutido aqui, entre os verdadeiros jornalistas. Muito obrigado pela atenção. (Daniel Scarpille, advogado, São Paulo, SP)

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Leitor assíduo que sou desse Observatório da Imprensa, tive hoje uma surpresa extremamente desagradável ao tentar ler dois artigos publicados no site: os textos de Douglas Reis e Michelson Borges, sobre o assunto Darwinismo e a matéria da revista Veja.

De antemão, declaro que abomino a linha editorial da Veja e seus pseudo articuladores, pseudo jornalistas e pseudo artigos. Porém, o artigo sobre Darwin, por uma razão absolutamente inexplicável e incompatível com a história da revista, foi muito bem escrito e imparcial – com a história e com a ciência, diga-se de passagem.

Eu tinha o Observatório da Imprensa como oásis de informação. Esse oásis secou com a passagem dos dois jornalistas Douglas Reis e de Michelson Borges (se é que são jornalistas). Não tenho mais onde recorrer para leituras isentas.

É a vida. Tudo o que é bom acaba.

Estou retirando o Observatório da Imprensa de ‘meus favoritos’ no browser. Vocês provavelmente não se importam com um leitor a menos, mas pelo andar das notícias não devo ser o único a abandonar esse barco. Vocês deixaram o Observatório virar essa torre de babel de opiniões absurdas, que vocês tanto diziam combater. Já não vejo mais diferença entre o Observatório e a Veja, Estadão, Folha, etc.

Será que sobra a Carta Capital? Vou comprar e ler. Pode ser que haja o último dos moicanos. (Jose Albino)

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Gostaria de dizer ao nobre jornalista Mino Carta que ele não deveria se sentir desiludido com o governo Lula, pois, com uma análise mais calma, e um pouco distante dos grandes sonhos, talvez impossíveis, Lula faz um governo muito diferente de seus predecessores. Com Lula, pela primeira vez o Brasil questionou a grande jogada dos desenvolvidos para nos manter colônia, que é defender livre comércio para seus produtos industrializados, com os quais nós temos dificuldades para concorrer, e manter fechado seu mercado agrícola, em relação ao qual nós somos altamente competitivos.

Para mim, esta é a chave de nosso subdesenvolvimento atual. Vou mais longe: as multis européias sediadas no Brasil não investem aqui para tornar suas unidades no Brasil produtoras de produtos de pontas. Só produzem aquilo que não vai concorrer com os produtos de suas matrizes localizadas na Europa. Mais, bastou o Brasil com sua produção automobilística ultrapassar importantes países europeus (Espanha, França e Itália), para que estes passassem a nos tratar como seus fortes competidores. Sob Lula, o Brasil passou a oferecer perigo comercial aos europeus antes acostumados a um Brasil subserviente. Acostumados a presidentes bobos, como o último a anteceder Lula, ao qual bastava algum prêmio da Universidade de Coimbra para que cedesse aos interesses comerciais da Europa colonial de sempre. (Ulisses da Silveira Campos, aposentado, São Paulo, SP)

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