Domingo, 16 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Pelo diploma, mas com qualidade de ensino

Por Rafael Motta em 02/06/2009 na edição 540

É estarrecedora a notícia de que nove em cada dez candidatos ao registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no estado de São Paulo, não conseguiram passar para a segunda fase do exame, aplicado no último dia 17/5, para a obtenção desse certificado. Dos 18.925 concorrentes, 88,21% erraram mais da metade das questões da prova.

Os 11,79% de aprovação poderão entrar para a história como o pior índice registrado pela OAB paulista no exame da Ordem. É possível que sejam ainda mais desastrosos, pois o percentual divulgado pelo órgão não considera os faltosos (até esta quarta-feira, 27/5, não se informou o índice de abstenções).

Os estudantes dos cursos de Direito assistem a cinco anos de aulas. Os cursos particulares e o material didático não são baratos. Estágio é obrigatório. Mas as faculdades, de modo geral, são incapazes de formar profissionais preparados para um teste básico de conhecimentos – ‘estelionatos educacionais’, na expressão dita à imprensa pelo presidente da Seção São Paulo da OAB, Luiz Flávio Borges D´Urso.

É por algumas instituições de ensino ‘estelionatárias’ que passam futuros bacharéis em Direito. Muito provavelmente, não foi em seus bancos que se sentaram os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), às voltas com o julgamento sobre a exigência de curso superior para formação de jornalistas.

Fiscalizar faculdades caça-níqueis

Dizem que as faculdades de Jornalismo também não formam profissionais adequadamente. Por isso, pede-se o fim do diploma para o exercício da atividade. E se quisessem o fim do diploma para advogados, com base no mesmo argumento?

Não basta ler um compêndio sobre legislação para ser advogado, pelo que se depreende do depoimento de D´Urso. ‘Respeitamos as faculdades, mas temos que melhorar o ensino. A prova (da OAB) não é problema, tanto que outras profissões querem ter o mesmo tipo de avaliação.’

Por que, então, não fazer a mesma coisa antes que um recém-formado em Comunicação Social saia por aí atrás de seu registro no MTb? Ou antes que se chegue ao ponto (caso o STF derrube a obrigatoriedade de diploma para jornalistas) de que qualquer cidadão, independentemente de sua aptidão e de seu senso crítico, ostente um registro do tipo?

Por que a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), defensora do diploma obrigatório, não o faz cobrando ostensivamente do Ministério da Educação que fiscalize com rigor as faculdades de Jornalismo e dê fim às instituições caça-níqueis que não se acertarem?

De fato, o jornalista sai da faculdade sem especialização. Porém, se os cursos superiores forem melhorados, com a introdução de noções sobre Direito, Economia, Estatística, História (revisitada, não aquela que atribui a Cabral o ‘descobrimento’ do Brasil), Geopolítica e realidade regional (sabe-se do país, mas pouco se conhece da própria cidade), o profissional de Comunicação terá muitas áreas onde atuar com competência.

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Repórter de A Tribuna, Santos, SP; editor do blog Reexame

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