Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Pesquisa aponta vitória de Obama em último debate na TV

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 17/10/2008 na edição 507

Leia abaixo a seleção de sexta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Sexta-feira, 17 de outubro de 2008


 


ELEIÇÕES NOS EUA
Editorial


O último debate


‘O TERCEIRO e último debate entre os candidatos à Presidência dos EUA, na noite de quarta-feira, mostrou-se mais interessante que os precedentes. Contribuíram para isso um mediador mais experiente e ativo, um cenário mais sóbrio, que deixou os dois candidatos sentados face a face, e dois postulantes mais seguros, avançando além das frases de efeito.


Pesquisa da rede de TV CNN mostrou que Barack Obama foi o vencedor para 58% dos espectadores, enquanto 31% apontaram John McCain. Não ocorreu, no entanto, uma vitória indiscutível do democrata sobre McCain, ainda que o primeiro tenha conseguido bom desempenho, mostrando-se confiante e direto. Os números parecem reproduzir sobretudo um sentimento francamente favorável ao candidato democrata.


As últimas pesquisas mostram que o senador por Illinois continua avançando na preferência dos eleitores. A última sondagem ‘Washington Post’/ABC News registrou dez pontos percentuais a favor de Obama (53% a 43%). Mais importante, as pesquisas apontam que o democrata passa a ganhar nos Estados que podem ser decisivos no colégio eleitoral. É o que indicava ontem a média compilada pelo site Real Clear Politics, que já aponta vitória de Obama no Colégio Eleitoral (286 contra 158; são necessários 270 para sagrar-se vencedor).


Diante desses números, poucas vezes um embate direto pareceu tão irrelevante para influir nos destinos de uma eleição. Representou mais um ritual a cumprir do que um momento decisivo. A avassaladora crise econômica ofuscou o debate eleitoral e prejudicou diretamente o candidato da situação, John McCain.


A 18 dias do pleito, torna-se cada vez mais difícil para o republicano virar o jogo -embora uma reviravolta, dadas as circunstâncias especialíssimas da disputa, não possa ser de todo descartada.’


 


 


CRISE GLOBAL
Clóvis Rossi


Também quero o meu


‘MADRI – Rafael Vidal, o jornalista de ‘El País’ encarregado da seção que resume o movimentos das Bolsas, perdeu a paciência, mas não o humor. Deu ontem o seguinte título: ‘Hay problemas para cualquier solución’.


De fato, os ‘explicadores’ da gangorra nas Bolsas conseguem criar um problema para cada solução que os governos acham que arranjaram.


Antes, o problema era o risco de os bancos quebrarem um após o outro.


Aí, vieram a galope o Sétimo de Cavalaria (fora o Oitavo, o Nono, o Décimo e, agora, a Guarda Suíça) com a mais formidável pilha de dinheiro jamais vista.


Resolveu só por dois dias.


Depois, veio a nova ‘explicação’: o mundo está entrando, ou já entrou, em recessão. Grande novidade: na semana anterior, até o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Khan, havia dito que o mundo estava à beira de uma recessão planetária. Mentira. Países como China, Brasil e cia. não terão recessão neste ano e talvez nem no ano que vem, salvo barbeiragens (sempre possíveis, ressalve-se).


Aí, quando a explicação da recessão já ficava repetitiva, volta a crise bancária. Tem gente dizendo que os pacotaços não bastam. E não é só gente de mercado. O primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, afirmou ontem que precisa mais, sob pena de não se restabelecer a ordem.


Aposto que a próxima ‘explicação’ será o ‘me dá o meu aí, ô’. Afinal, do presidente Nicolas Sarkozy ao primeiro-ministro Silvio Berlusconi, uma porção de gente graúda acha que é preciso dar dinheiro (obviamente o meu, o seu, o nosso dinheirinho) também para incentivar a economia real, não apenas a financeira.


Se é assim, eu fecho com Thomas Straubhaar, diretor do Instituto Hamburgo para a Economia Internacional, que diz: ‘Todo contribuinte deveria receber um cheque do governo neste ano’.’


 


 


Folha de S. Paulo


Jornal diz que brasil vive otimismo de fachada em meio à crise


‘O Brasil já não vive ‘dias inebriantes de primavera’, disse ontem o jornal britânico ‘Financial Times’. ‘O panorama escureceu dramaticamente em questão de meses.’ O francês ‘Le Monde’ afirmou que o país ‘não sairá imune’ da crise, apesar do ‘otimismo de fachada’ do presidente Lula. Para o jornal, a Bovespa ‘levou uma chicotada’. Mas, apesar dos pesares, ‘os fundamentos da economia resistem bem’.’


 


 


***


Publicidade terá anos difíceis, diz gigante do setor


‘Os anos de 2008 e 2009 serão difíceis para a publicidade, afirma Martin Sorrell, presidente-executivo da gigante do setor WPP. Ele faz bons prognósticos apenas a partir de 2010, ano da Copa do Mundo e da Olimpíada de Inverno de Vancouver.


Sorrell está no Brasil para acompanhar as operações da companhia inglesa no país. Com um faturamento de US$ 54,8 bilhões no ano passado, a WPP pretende distribuir melhor os seus investimentos. Atualmente, 84% das operações estão nos EUA e na Europa, dois dos mercados mais afetados pela atual crise financeira.


A intenção, segundo o executivo, é tornar a empresa mais presente nos países em que a economia cresce mais rápido, como Índia, China e Brasil.’


 


 


CAMPANHA
José Sarney


Campanhas sujas


‘A NOVA LEGISLAÇÃO eleitoral proibiu a colocação de cartazes em paredes e postes, o que deixava toneladas de lixo para as prefeituras depois de cada eleição.


Mas a sujeira dos cartazes está sendo substituída por outra, a verbal, que só teria uma solução: esparadrapo na boca dos candidatos.


Esta prática vem desde o nascimento da democracia, quando, para atingir Péricles, seus adversários acusaram Fídias de roubar parte do ouro usado na estátua da deusa Atena.


No Norte ou Nordeste, a violência e o baixo nível dos insultos permeiam as disputas eleitorais. Pensávamos que isso só acontecia nas áreas pobres do Brasil. Agora sabemos que a coisa é mais geral e que o Sul maravilha também gosta de mergulhar na sujeira dos ataques pessoais.


Mas essa prática condenável vem de mais longe. Não é só no Brasil, mas também nos Estados Unidos, que a qualidade do debate deixa a desejar. O embate entre McCain e Obama não está em nível mais elevado que os nossos, e as referências de um ao outro incluem ‘traidor’ e ‘cafuso terrorista’, respondidas com acusações de lobista e de mentir sobre o grau de seu apoio às políticas de Bush.


A exemplar democracia do mundo não é tão exemplar nesse quesito. A mulher de John McCain chegou a afirmar que Obama conduz ‘a campanha mais suja da história americana’. Não tanto ao mar nem tanto à terra. A tradição de violência nas campanhas americanas é de sempre. De Thomas Jefferson disseram que, se eleito, ‘poderíamos ver nossas esposas e filhas vítimas de prostituição legal’, como relata Libby Copeland, do ‘Washington Post’, sem falar da alusão à acusação -verdadeira- de ter vários filhos com uma escrava.


Aqui no Brasil, Joaquim Nabuco, em discurso em defesa do Ministério João Alfredo, que tinha feito a Abolição, relata que viu o Visconde do Rio Branco -pai do Barão- com as mãos brancas, ‘parecendo de mármore, revelando toda tortura moral que sofria’ com as insinuações do Conselheiro Zacarias sobre sua reputação.


Na Campanha Civilista, Rui Barbosa foi acusado do diabo, podendo escolher-se qual crime ou imoralidade que não lhe tenha sido imputada. Mas a violência da República não se limitava às palavras. Pinheiro Machado, por conta de manter a maioria governamental, decretava intervenções nos Estados, destituindo governadores e provocando brutais brigas políticas.


Eu mesmo já assisti, nas campanhas de Getúlio em 1950 e de Juscelino em 1955, a embates de corar frades de pedra. Saía fogo.


Apesar de tudo, nossa democracia vai melhorando a cada dia, principalmente com as derrotas dos bocas-bobas.’


 


 


Painel do Leitor


Eleições


‘‘Li na Folha de ontem que Marta acha absolutamente indigno acusar a sua campanha de preconceituosa quando questiona se Kassab é solteiro e tem filhos.


Como psicóloga, ela agora quer se fazer de vítima, pois percebeu que o tiro saiu pela culatra. É um mau sinal.


Ao perceber o erro, a atitude digna seria pedir desculpas e mostrar o que ela já realizou sobre o tema.


Mas preferiu tomar o caminho da prepotência e da arrogância, fazendo-se de vítima.


Novo engano.’


JOSÉ VALTER MARTINS DE ALMEIDA (São Paulo, SP)


***


‘Há uns 20 anos, Marta Suplicy tinha um programa na TV que, na hora do almoço familiar, discutia sexualidade. Era inovador, mas constrangia. A sexóloga, uma autoridade no assunto, falava com tanta naturalidade de temas tabus que chegava a incomodar, No movimento feminista, no início dos anos 80, em livros, artigos, debates e encontros, sempre defendeu o direito a todo e qualquer tipo de sexualidade. Fui uma de suas admiradoras.


Hoje, como política que se sente acuada, ataca o adversário justamente na questão sexual, que é uma questão de foro íntimo e que só diz respeito à própria pessoa.


É lamentável. Pior. É infame, porque vindo de uma ‘sexóloga’.’


HELENA MARIA DE SOUZA (Rio de Janeiro, RJ)


***


‘Não é de hoje que Erundina, Marta e Lula são vítimas dos mais torpes preconceitos, insinuações, calúnias e piadas de péssimo gosto.


Nunca vi um jornalista levantar sua voz (ou sua pena) em defesa deles, criticando os odiosos preconceitos. Antes, pelo contrário, são justamente os profissionais da imprensa que divulgam e propagandeiam as infelizes ilações.


Agora, só porque a peça publicitária do PT pergunta se Kassab é casado e tem filhos, vem todo esse barulhão, como se isso fosse a baixaria das baixarias.


O eleitor tem o direito, sim, de saber alguns aspectos da vida pessoal dos candidatos. Do mesmo modo como viviam perguntando sobre o estado civil de Erundina ou o grau de instrução de Lula.


Na época eram temas da maior relevância. Deixaram de ser? Antes podia e agora não pode mais?’


GILBERTO TADEU DE LIMA (São Caetano Sul, SP)’


 


 


Renata Lo Prete


Marqueteiro admite erro de avaliação, mas defende peça


‘Na berlinda desde domingo, quando foi ao ar o já célebre comercial com perguntas de natureza pessoal sobre Gilberto Kassab (‘É casado? Tem filhos?’), João Santana, responsável pela propaganda de Marta Suplicy, ‘lamenta profundamente’ ‘não ter previsto a onda que se formou’. Esse é, porém, o único erro que reconhece. A peça, em seu entender, ‘não transgride os limites da ética e da elegância’.


Na entrevista abaixo, a primeira em que trata do caso, Santana negou, como Marta já fizera, que as questões contivessem insinuação de homossexualidade. E repetiu a candidata do PT ao dizer que ela não viu a peça antes da exibição.


Marqueteiro da reeleição de Lula, Santana, 55, administra a ampla desvantagem de Marta a nove dias da votação final.


FOLHA – Até mesmo petistas e eleitores de Marta consideraram a peça ‘jogo sujo’, ‘insinuação maldosa’, ‘invasão de privacidade’ etc. A campanha admite que errou?


JOÃO SANTANA – O único erro foi não ter previsto a reação que o comercial provocaria em determinados setores. Uma reação causada, na maioria dos casos, por interpretações equivocadas. Tão logo verificamos isso, retiramos o comercial do ar.


FOLHA – A campanha alega que as duas perguntas não guardam relação com o assunto homossexualidade. Não lhe parece difícil fazer com que pessoas com algum discernimento acreditem nisso?


SANTANA – São duas perguntas que todo mundo é obrigado a responder em várias situações na vida. Havia outras perguntas de natureza familiar (‘É de família rica? Pobre?’) que tiveram de ser cortadas por ajuste de tempo. Sei que é difícil acreditar, mas o fato de as duas perguntas terem ficado no final não foi intencional.


FOLHA – Havia, então, uma definição estratégica de expor a vida privada do adversário?


SANTANA – Não havia e não há.


A definição estratégica era tocar no desconforto de eleitores kassabistas por não conhecerem a biografia do candidato. Toda vez que isso era estimulado nos grupos, esse desconforto se traduzia numa dúvida forte. Foi então que criamos uma série de comerciais para provocar reflexão. Não havia intenção de entrar no terreno que acabou gerando toda a polêmica. Tampouco surgiu essa reação nas pesquisas qualitativas.


FOLHA – Não lhe parece que foi subestimado o potencial de rejeição ao comercial por um tipo de público que não é entrevistado nas quális?


SANTANA – Infelizmente sim. Em especial pessoas que já tinham determinados preconceitos, informações mal resolvidas ou envolvimento emocional com a disputa eleitoral.


FOLHA – Marta teve conhecimento prévio do conteúdo do comercial?


JOÃO SANTANA – Não, ela realmente não viu o comercial antes de ir ao ar. Estava acertado, desde o primeiro turno, que eu tinha liberdade para tomar esse tipo de decisão, a depender de problemas de prazo.


FOLHA – O sr. acha que, se Marta tivesse visto, teria se oposto?


SANTANA – É difícil responder a esta pergunta agora. Mas talvez sim, por causa de seu ‘feeling’ de psicóloga e da sensibilidade de pessoa que vive, constantemente, sob questionamento.


FOLHA – Culpar a mídia pela má repercussão não é uma forma de fugir à responsabilidade por uma decisão errada que a campanha tomou?


SANTANA – Já disse que errei por não ter previsto a onda que se formou. Lamento profundamente. No entanto, não posso deixar de reconhecer que houve exagero e até manipulação.


Ninguém, por exemplo, publicou o texto completo do comercial. Ele não transgride, em nenhum momento, os limites da ética e da elegância. Em pesquisa que fizemos depois -e isso foi confirmado por reportagem da Folha-, a maioria das pessoas disse não ter sentido nenhuma malícia de natureza sexual no comercial. Somente começaram a interpretar isso depois da polêmica instaurada.


FOLHA – Acha relevante saber se o candidato é casado e se tem filhos?


SANTANA – Acho. O eleitor gosta e tem o direito de saber tudo sobre o candidato. Quer saber até para que time ele torce.


Além disso, o que nos interessava ali não era uma ou outra pergunta específica, e sim despertar no eleitor, por meio de uma série de questões, a dúvida sobre tudo o que ele desconhece a respeito de Kassab.’


 


 


Dilma critica anúncio, mas diz que Marta enfrenta preconceito


‘‘Prefiro campanhas mais civilizadas, com discussão de projetos, e não [da vida] de pessoas’, disse a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) em ato de apoio ao candidato do PT em Guarulhos, Sebastião Almeida. Ela disse, porém, que ‘o preconceito contra Marta é muito grande’ e acusou Kassab de usar ‘componentes’ de ataques pessoais no debate da Band.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


A guerra das polícias


‘As imagens da ‘guerra das polícias’ tomaram aos poucos as redes Record, Globo, à tarde. Mas foi na Band que se deu o jogo político.


No ‘Brasil Urgente’, o governador tucano José Serra entrou ao vivo para dizer a José Luiz Datena que a ‘CUT está participando, ela é do PT’, que ‘parlamentares estão apoiando’ e ‘os agitadores têm propósito político-eleitoral’. Mais alguns blocos e o senador petista Aloizio Mercadante entrou também ao vivo para responder que ‘o que está por trás’ da greve dos policiais é ‘o pior salário do Brasil e a ausência de diálogo’ e que ‘as associações não têm caráter partidário, todo mundo sabe disso em São Paulo’.


O governador repetiu as acusações e até respondeu indiretamente ao senador, pouco depois no ‘SPTV’, sempre ao vivo, sem outro lado.


AO VIVO, DOS HOSPITAIS


Nos portais e nas escaladas dos telejornais, números conflitantes sobre os feridos da ‘batalha campal’ dos policiais paulistas, espalhados por três hospitais da região. Os relatos falavam de ‘baleados’ e não por tiros de borracha, mas ‘de verdade’. E pelo menos dois jornalistas teriam sido atingidos, um deles por bomba de efeito moral, da Folha Online, o outro cinegrafista da Record.


Boris Casoy, ancorando o ‘Jornal da Band’, opinou que as ‘polícias se digladiam enquanto a situação na segurança pública é calamitosa’ e ‘o governo estadual não tem tido competência para acabar com a greve’.


SOBE-E-DESCE


O ‘New York Times’ de papel já não deu manchete ontem para a crise, apesar da queda ‘histórica’ em Wall Street. E no site, ontem à noite, noticiou sem alarde a forte alta em Wall Street, no fim da sessão.


Se a cobertura americana, em parte ao menos, já não se move pelo sobe-e-desce da Bolsa de Valores, os sinais de instabilidade avançam pelas commodities -e daí para a cobertura sobre o Brasil, por lá.


O ‘Financial Times’ deu especial para afirmar que, com a queda no custo do petróleo e dos minérios, ‘sombras atingem Rússia e Brasil’. Aliás, ‘o aperto na economia brasileira tem sido um choque especial’, com ‘a perspectiva escurecendo dramaticamente’.


‘FÉ NO CAPITALISMO’


A ‘Economist’ dá capa para o ‘Capitalismo angustiado’, destacando ‘o que deu errado e, mais importante para o futuro, o que não deu’. O que é necessário agora, afirma, ‘não é mais governo e sim melhor governo’. Defendeu o capitalismo, que ‘apesar de suas falhas é o melhor sistema econômico que o homem já inventou’


PARA A ÁSIA


Em artigo sobre o tema pelo segundo dia consecutivo, o estatal ‘China Daily’ saudou ontem que a ‘crise financeira sinaliza a chegada de uma era multipolar’, em artigo do editor-chefe do japonês ‘Asahi Shimbun’, Yoichi Funabashi. Para o jornalista, ‘o poder geopolítico se muda do Ocidente para a Ásia’.


‘CAMARADA’


Pelas agências, o presidente venezuelano Hugo Chávez ironizou ontem que o ‘camarada’ George W. Bush ‘agora está à minha esquerda’. Às voltas com a negociação de uma ‘nacionalização’ de banco também na Venezuela, sublinhou como o colega americano ‘vai comprar ações de bancos privados’.


DESACELERAÇÃO E SÓ


Sob o enunciado ‘Apostas ruins’, a nova ‘Economist’ abordou ontem as ‘preocupações cambiais’ no Brasil e no México, apresentando as operações com derivativos da Votorantim e do grupo Comercial Mexicana como prova de que a crise ‘não poupou a América Latina’. Eles perderam, respectivamente, US$ 2 bilhões e US$ 4 bilhões. De qualquer maneira, a revista prevê apenas ‘desaceleração’ e não ‘quebra’, para a região. E repisa elogios às finanças públicas, ao sistema bancário etc.


‘O NOVO BRASIL’


No topo das buscas de Brasil, ‘os brasileiros debatem: é hora de Dunga ir embora?’, do site Goal. ‘Guardian’ e outros lamentaram ‘mais um deprimente zero a zero’ da seleção. E o site do ‘NYT’ já trata a Espanha como ‘the new Brazil’, dizendo que o ‘beautiful game’ mudou para lá. ‘A Espanha faz o que o Brasil fez por décadas -encanta’’


 


 


PRÊMIO
Folha de S. Paulo


Jornalistas da Folha ganham a 30ª edição do Prêmio Vladimir Herzog


‘Os jornalistas Mário Magalhães e Joel Silva, da Folha, ganharam o 30º Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos na categoria jornal com a reportagem ‘Os anti-heróis – o submundo da cana’.


O trabalho, publicado no Mais! de 24/8, revelou que as condições de vida dos cortadores de cana de São Paulo, obrigados a colher 11,5 toneladas por dia, não evoluíram muito em relação à era colonial: nas usinas, o fiscal até hoje é chamado de ‘feitor’, e as denúncias de trabalho escravo são freqüentes. O prêmio, concedido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, será entregue no dia 27.


‘Ganhar o Prêmio Vladimir Herzog é muito bom’, disse o fotógrafo Joel Silva, 42. ‘É um tema que eu dominava bem porque trabalhei muito tempo em Ribeirão Preto. Acho que a premiação coroou um bom trabalho nosso’. Para o repórter Mário Magalhães, 44, ‘o papel do jornalismo não é apenas registrar as perspectivas notáveis que o etanol abre para o Brasil, mas expor as condições degradantes de trabalho e de vida de quem corta cana e a quem não chega a riqueza gerada por um negócio em ascensão’.


Magalhães entrou na Folha em 1991. Foi editor-assistente, repórter especial e ombudsman do jornal. Recebeu duas vezes o Prêmio Folha, duas vezes o Prêmio da Sociedade Interamericana de Imprensa, o Prêmio Lorenzo Natali da União Européia, o Prêmio Esso e a Medalha Chico Mendes.


Joel Silva ingressou na Folha em 1994. Ganhou dois prêmios Ethos de Responsabilidade Social e dois prêmios Folha.’


 


 


DITADURA
Cezar Britto


O herói da redemocratização


‘OS 30 ANOS DA revogação do AI-5, celebrados neste 17 de outubro, trazem à lembrança a figura exponencial de Raymundo Faoro e o papel exercido pela OAB, que ele então presidia, no processo de redemocratização do Brasil.


Nosso país costuma ser negligente na evocação de seus heróis, a ponto de supor que não os tenha. Trata-se de desvio cultural que gera baixa auto-estima e dificulta a superação de complexos de inferioridade e a afirmação e a crença nos valores da nacionalidade.


Em 1977, vivia o Brasil momento delicado. A ditadura militar, diante da derrota eleitoral acachapante em 1974 para o MDB -que elegeu 16 das 22 cadeiras em disputa no Senado e ampliou suas bancadas na Câmara dos Deputados e Assembléias Legislativas-, fechou o Congresso e editou um pacote de medidas que, entre outras anomalias, criou a figura bizarra do senador biônico.


O objetivo era manter maioria no colégio eleitoral e garantir a eleição do sucessor do general-presidente Ernesto Geisel. O expediente funcionou. No final de 1978, seria ‘eleito’ o general João Batista Figueiredo. O desgaste político, porém, foi enorme.


O fim do milagre econômico, decorrente do quadro econômico internacional, com a primeira crise do petróleo, teve o efeito de mobilizar a sociedade civil contra o autoritarismo. A ânsia pela redemocratização já se fazia notar, com seguidas manifestações em prol de eleições diretas para governadores e presidente da República, anistia e convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte.


O general Geisel e seu principal assessor, o general Golbery do Couto e Silva, sofriam dupla pressão: de um lado, a linha dura do regime queria manter inalterado o status quo do regime; de outro, a sociedade civil mostrava-se cada vez mais eloqüente em seus pleitos. A tensão crescia e, se nada se fizesse, o confronto seria inevitável.


Eis que o general Geisel decide lançar um movimento que, a princípio, batizou de distensão política e que depois se chamaria abertura, que, segundo ele, teria que ser lenta e gradual para ser segura. E, como o alvo era a sociedade civil, chamou a OAB para exercer a indispensável interlocução.


Faoro a presidia. E a instituição refletia o inconformismo da sociedade com o quadro político vigente, marcado pela presença do Ato Institucional número 5 -um instrumento totalitário, que permitia ao governante, em nome da segurança nacional, fazer o que quisesse: prender sem mandado judicial, expropriar, negar habeas corpus etc. Em nome da segurança nacional, o AI-5 permitiria até a revogação da Lei Áurea, se assim o entendessem os governantes.


O interlocutor do regime era o então presidente do Senado, Petrônio Portella, um político hábil, que era também advogado e que sabia da representatividade da OAB.


Faoro, abordado, pediu tempo para pensar. Portella lhe disse que não se tratava de mera proposta, mas da única saída pacífica viável para o país.


Faoro encontrou em sua retaguarda descrença e até revolta. Mas endossou o diagnóstico de seu interlocutor e partiu para o cumprimento de sua missão, que não era simples: auscultar a sociedade civil e dela recolher os pleitos fundamentais e encaminhá-los ao presidente da República.


E assim o fez. Quando o general Geisel perguntou-lhe o que queria de seu governo, foi claro e objetivo: ‘Quero muito pouco, senhor presidente: apenas a restauração do habeas corpus, a extinção dos atos institucionais e o fim das torturas no DOI-Codi, quanto mais não seja para que V. Excia não entre na história como um ditador sanguinário, mas, sim, como o presidente da abertura, ‘lenta, gradual e segura’.


De cara, conseguiu o restabelecimento do habeas corpus, o que equivalia a pôr fim às torturas. Pleiteou também eleições diretas em todos os níveis, e obteve inicialmente o compromisso de adotá-las para as eleições de governador em 1982, o que de fato ocorreria.


O desfecho fundamental, que criaria as condições para a redemocratização e tudo o que veio com elas -anistia, liberdade de organização partidária, fim da censura e, depois, eleições diretas para presidente-, deu-se no dia 17 de outubro de 1978, com a revogação do AI-5. E é esta data e este personagem, que faleceu em 2003, aos 78 anos, que ora evocamos, num dos capítulos mais densos e significativos da nossa história contemporânea.


O Brasil não pode esquecer o dia de hoje nem o nome de seu principal protagonista, Raymundo Faoro, um dos heróis da redemocratização -e figura máxima entre os que presidiram a OAB.


CEZAR BRITTO, 46, é presidente nacional da OAB (Ordem Dos Advogados do Brasil).’


 


 


TELES
Elvira Lobato e Humberto Medina


Anatel abre caminho para Oi comprar BrT


‘A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) aprovou ontem proposta de modificação na regulamentação do setor que irá permitir a compra da Brasil Telecom pela Oi, operação já iniciada pelas duas operadoras de telefonia. Na mesma votação, a agência reguladora recuou em outras medidas, que desagradavam às concessionárias de telefonia e ao governo.


Em junho, quando colocou sua proposta de mudança em consulta pública, a Anatel tentou proibir as concessionárias de telefonia fixa de oferecerem acesso à internet em alta velocidade. Pela proposta original da agência, as teles teriam de criar empresas independentes, separadas da infra-estrutura de telefonia fixa, para atuar no mercado de internet.


O objetivo inicial da agência era tornar mais claros os custos de acesso à rede e, dessa forma, permitir que novos competidores usassem a infra-estrutura (rede de fios) das concessionárias para oferecer internet em banda larga, aumentando a concorrência.


As concessionárias reagiram, alegando que a mudança era ilegal e elevaria os custos, alta que seria repassada para os usuários, os quais acabariam arcando com preços mais elevados para acessar a rede em banda larga. Os ministérios da Fazenda e das Comunicações concordaram com a ponderação das concessionárias, e a Anatel ficou isolada.


Lula tem de aprovar


Outra proposta que desagradava às teles foi retirada do texto original: a de se desfazerem de todas as demais autorizações de serviços de telecomunicações que possuam (como longa distância e telefonia móvel) em caso de venda da concessão de telefonia fixa.


O PGO (Plano Geral de Outorgas) proposto pela Anatel define as áreas geográficas de atuação das concessionárias de telefonia fixa. O PGO atual impede que uma concessionária compre outra.


Para que a operação de compra da Brasil Telecom pela Oi se concretize, o presidente da República precisa ratificar a mudança, assinando e publicando um decreto.


Depois, a Oi entra com pedido de anuência prévia na Anatel. Se o pedido for aprovado, a operação, anunciada no final de abril, poderá se efetivar, desde que a Anatel dê anuência prévia para o negócio até 21 de dezembro próximo, data acordada em contrato entre os acionistas controladores da BrT e da Oi.


Disputa


Em seu voto, o conselheiro relator da mudança do PGO, Pedro Jaime Ziller, manteve a proposta de separação dos serviços de telefonia fixa e de banda larga das teles. Ziller foi apoiado pelo conselheiro Plínio de Aguiar Júnior.


O relator sustentou que a separação entre a telefonia fixa (definida como serviço público na legislação) e a banda larga (serviço privado) é questão de soberania nacional para garantir a reversão de ativos (redes instaladas) para a União ao final dos contratos de concessão dos serviços.


Ziller refutou o argumento das teles de que elas teriam direito adquirido de manter os dois serviços juntos na mesma empresa. ‘Também mudou a regulamentação de telefonia celular e, nem por isso, as operadoras móveis reivindicam manter direitos antigos’, afirmou o relator.


As mudanças que desagradavam às empresas, no entanto, foram vetadas pelos conselheiros Antônio Bedran, Emília Ribeiro e pelo presidente da agência, Ronaldo Sardenberg. Assim, foram derrubadas por três votos a dois.


Em linhas gerais, os conselheiros que foram contrários às mudanças sugeridas por Ziller argumentaram ser a favor das mudanças, mas que as modificações não poderiam ser feitas no âmbito do PGO.’


 


 


***


Liminar obtida por entidade atrasou votação


‘A sessão pública de votação do novo Plano Geral de Outorgas da telefonia fixa se arrastou por mais de 12 horas, devido a uma liminar expedida pela Justiça Federal, revogada no início da noite.


Na quarta à noite, o juiz substituto da 13ª Vara Federal do Distrito Federal, Waldemar Cláudio de Carvalho, atendeu ao pedido da Abramulti (Associação Brasileira dos Prestadores de Serviços de Comunicação Multimídia) de que não fossem votados os artigos que permitem que um mesmo grupo tenha mais de uma concessão de telefonia fixa local.


A liminar condicionava a votação à criação, pela Anatel, de um Plano Geral de Metas de Competição. A Abramulti representa pequenas e médias empresas do setor, principalmente provedores de internet, que temem ser eliminados do mercado, com a fusão das duas grandes teles.


A entidade alegou à Justiça Federal que a compra da BrT pela Oi, sem um plano de metas que garanta a competição no setor, levará à ‘verdadeira cartelização’ do mercado e que cerca de 2.000 pequenas empresas poderiam ser inviabilizadas.


‘Que garantia temos de que a Oi não irá desistir da BrT, em razão da crise econômica mundial, e que as duas sejam compradas pela Telefônica e pela Embratel, ficando a telefonia fixa totalmente nas mãos de capital estrangeiro?’, questionou Adelmo Santos, presidente da associação, durante a sessão pública da Anatel. Uma das motivações alegadas pelo governo para aprovar a união das teles é assegurar a existência de uma grande operadora de capital nacional.


O presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente, que estava na platéia, negou a possibilidade aventada pelo dirigente da Abramulti.


‘Não tenho nenhuma informação sobre isso. A compra da Brasil Telecom pela Oi já está encaminhada’, disse Valente.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Em baixa, Record corta atores de novela


‘A crise de audiência não é exclusiva das novelas da Globo. As tramas da Record, após um momento de euforia em junho, quando atingiram médias mensais de até 18 pontos, caíram no Ibope da Grande São Paulo e empacaram na casa dos 14.


Em ‘Chamas da Vida’, em que bombeiros são protagonistas, dois personagens serão assassinados e outros quatro desaparecerão nos próximos capítulos. Nenhum desses personagens sairia agora. É corte.


A Record esperava que ‘Chamas da Vida’ atingisse médias de 20 pontos, mas a história está mais próxima dos 10. Neste mês, sua média está em 13.


Serão assassinados os personagens de Guilherme Leme (André, um ecologista) e de Igor Cotrim (Jairo, membro da gangue do ferro-velho). O primeiro sai porque não ‘deu liga’. O segundo, por causa do comportamento do ator, considerado inadequado pela TV. Jairo morrerá de overdose.


‘Mutantes’/’Caminhos do Coração’, na média geral a maior audiência de todas as novelas da Record, já teve dias melhores. Seu público caiu 23% desde junho. A continuidade da novela em 2009 é dúvida. Vai depender do resultado de pesquisas que a emissora está realizando nesta semana.


Autor de ‘Mutantes’, Tiago Santiago diz que não há crise nas novelas da Record. Ele atribui a queda às férias, Olimpíada e horário eleitoral. E aposta numa recuperação agora.


SACO CHEIO 1


‘Negócio da China’ registrou anteontem média de 16,1 pontos na Grande SP. Foi o pior resultado de uma novela das seis desde o Natal de 2002, sem considerar os sábados.


SACO CHEIO 2


A cúpula da Globo avalia que ‘Negócio’ ainda ‘não pegou’, mas não vê problema grave nem cogita intervenção. Houve um fenômeno atípico: uma redução drástica de TVs ligadas nesta semana. No horário de ‘Negócio’, na quarta, os ligados caíram de 60% para 46%.


SACO CHEIO 3


Como não houve estréias nem grandes altas na concorrência (só Band e Record subiram), a Globo conclui que há menos gente vendo TV por causa do calor e da ‘semana do saco cheio’ em colégios.


NEGÓCIO DA BAND 1


A proposta feita pela Band para tirar Adriane Galisteu do SBT prevê obrigatoriamente um programa semanal a ser exibido entre 20h e 23h, com até três horas de duração. Após sua estréia, a emissora não poderá tirá-la do ar, sob pena de pagar multa de 50% do valor do contrato, de 26 meses.


NEGÓCIO DA BAND 2


A Band ainda planeja programa em rádio e permite que Adriane trabalhe em canal pago -menos na Globo News.


BBB 14


A Globo assinou contrato nesta semana, em feira de TV em Cannes (França), em que garante os direitos de ‘Big Brother Brasil’ até 2012. Uma cláusula dá à rede a preferência para renovar por mais dois anos. Ou seja, ‘BBB’ pode ir até 2014.’


 


 


Folha de S. Paulo


Especial analisa gestos de políticos


‘Em tempos de eleições municipais e troca de farpas, o documentário ‘Carisma em Política’, que o GNT estréia em sua programação neste domingo, vem a calhar. Seu título original -’The Body Language of Politicians’ (a linguagem corporal dos políticos)- é mais preciso quanto ao mote do filme. Para os especialistas, a linguagem corporal dos nossos governantes é responsável por mais de 90% da eficácia dos discursos políticos. De gestos suaves de monarcas aos movimentos bruscos de Che Guevara discursando, não faltam imagens de governantes em aparições públicas -George W. Bush, John F. Kennedy, Ronald Reagan, Bill Clinton, Nicolas Sarkozy, Tony Blair… Elas ilustram as perguntas respondidas pelos especialistas ouvidos, como o que é carisma ou por que alguns políticos são mais carismáticos do que outros -um pretexto para oposição e comparação de imagens entre Reagan e Bush. A certa altura, o filme mostra um teste em que um grupo assiste aos mesmos discursos de políticos, parte deles privadas do seu áudio, para apontar suas emoções. Isso não influencia o resultado: as respostas são as mesmas. Conclusão: nos guiamos pela expressão facial dos nossos governantes. E tome sorrisos em discursos.


CARISMA EM POLÍTICA


Quando: estréia domingo, à 0h30


Onde: no GNT


Classificação indicativa: não informada’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Sexta-feira, 17 de outubro de 2008


 


VENEZUELA
O Estado de S. Paulo


Emissora que criticou Chávez é investigada


‘A Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela (Conatel) abriu um processo de investigação contra o canal opositor Globovisión por difundir críticas ao presidente Hugo Chávez. A emissora será investigada por causa de declarações feitas pelo diretor do jornal El Nuevo País, Rafael Poleo, durante o programa Alô, Cidadão. No início da semana, Poleo disse que Chávez deveria tomar cuidado para não terminar como o ditador italiano Benito Mussolini, ‘enforcado de cabeça para baixo’. A Conatel ordenou que a emissora não transmita mensagens que façam ‘apologia ao crime’.’


 


 


TELES
Gerusa Marques e Leonardo Goy


Anatel aprova regra que permite fusão entre Oi e BrT


‘Como o governo queria, a Oi venceu ontem o primeiro obstáculo para tornar legal a compra da Brasil Telecom (BrT). O conselho diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou a proposta de reformulação do Plano Geral de Outorgas (PGO), que elimina as restrições para a fusão entre duas concessionárias de telefonia fixa. Foram oito meses de negociações, pressões das empresas e do governo sobre a Anatel e até uma liminar que suspendeu temporariamente a votação.


O texto do PGO ficou exatamente como queriam o governo e as concessionárias, sem a exigência da criação de uma empresa separada para administrar os serviços de banda larga. O relator, Pedro Jaime Ziller, insistiu na idéia, mas foi derrotado neste ponto específico por três votos a dois. O relator foi seguido apenas pelo conselheiro Plínio de Aguiar Júnior.


Diante da resistência de Ziller, o conselheiro Antônio Bedran apresentou um voto diferente, deixando a discussão para os próximos dois anos. O voto de Bedran foi acompanhado pelo presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, e pela conselheira Emília Ribeiro.


A proposta seguirá agora para o conselho consultivo, que tem de opinar sobre o assunto, e depois para o Ministério das Comunicações e para o Palácio do Planalto, que editará um decreto presidencial com as novas regras. Só depois da edição do decreto é que a Oi e a BrT poderão entrar na Anatel com o pedido de aprovação do negócio.


A sessão pública da Anatel, que durou até às 23 horas, foi acompanhada por manifestantes contra e a favor. Representantes de associações de defesa do consumidor foram unânimes em pedir a adoção de medidas que estimulem a competição, para evitar concentração e monopólio, principalmente na banda larga. A consultora Flávia Lefévre, da Fundação Pro Teste, disse que a fusão entre Oi e BrT vai provocar uma ‘concentração nefasta’ no setor.


O presidente da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviço de Telecomunicações Competitivas (Telcomp), Luis Cuza, disse que a proposta de novo PGO, como está formulada, não traz benefícios para os usuários. ‘Por que mudar o PGO se essa mudança não traz benefícios para os usuários e prejudica a competição, pois aumenta a concentração de mercado das concessionárias de telefonia fixa?’, questionou.


As concessionárias, por sua vez, estavam mais preocupadas em assegurar que ficasse de fora do PGO a proposta de separação empresarial. O diretor de assuntos regulatórios da Brasil Telecom, Roberto Blois, disse que a aprovação da separação representaria ‘lastimável insegurança regulatória’.


O presidente da Associação Brasileira das Concessionárias do Serviço Telefônico Fixo Comutado (Abrafix), José Fernandes Pauletti, observou que estudos encomendados pela Anatel já apontavam para reflexos negativos da separação, como aumento de preços para usuários.


A Abrafix defendeu, antes da votação, que fossem eliminados do PGO os pontos que poderiam ‘atrapalhar o desenvolvimento do setor de telecomunicações no País’. Entre esses pontos estaria o artigo que trata da chamada venda casada, que acabou sendo retirado pelo próprio relator. Esse artigo dizia que, para vender a concessionária de telefonia fixa, os controladores teriam de se desfazer também de outras empresas do grupo, como operadoras de telefonia celular e de TV por assinatura.


A decisão só foi possível depois de uma batalha judicial. Uma liminar foi concedida pela Justiça Federal em Brasília à Associação dos Autorizados de Serviço de Comunicação Multimídia e Provedores da Internet (Abramulti). Mas a Procuradoria-geral da Anatel conseguiu derrubar a liminar no Tribunal Regional Federal (TRF).


A Anatel também aprovou ontem a proposta de criação do Plano Geral de Atualização da Regulamentação das Telecomunicações (PGR), que traça diretrizes para orientar o setor nos próximos 10 anos.


NOVAS REGRAS


Fusão: No novo texto, caem as restrições à fusão entre duas concessionárias de telefonia fixa, permitindo, na prática a união da Oi e da BrT


Atuação nacional: A empresa que comprar uma segunda concessão terá de atuar em todo o País. O que significa que a companhia que resultará da união da Oi e da Brasil Telecom terá de operar também no mercado paulista


Concentração: Para evitar a formação de monopólio privado e a concentração econômica, um grupo empresarial fica impedido de ter mais de duas concessionárias


Banda larga: As concessionárias continuarão a administrar os serviços de banda larga na mesma empresa de telefonia fixa


Venda de ativos: As concessionárias de telefonia fixa poderão vender separadamente as operadoras de celular e de televisão por assinatura que pertencerem ao seu grupo’


 


 


CRISE
Marili Ribeiro


‘Não é hora de parar de investir em marketing’


‘O discurso para o público externo do executivo Martin Sorrell, presidente de um dos maiores grupos de propaganda e comunicação global, o inglês WPP , obedece o manual aplicado às ações de relações públicas no seu ramo de atuação em situações de crise: ‘Não é hora de as empresas cortarem investimentos em marketing. O cortes podem sinalizar fraqueza aos olhos dos analistas’, disse.


Porém, para o público interno, as 330 empresas do grupo espalhadas por 106 países – entre os quais o Brasil, onde detém as agências da rede Ogilvy, JWT e Young & Rubicam, entre outras -, o recado foi outro. O aviso da matriz, que chegou esta semana, pede cautela e contenção para os próximos meses, com corte de investimentos e contratações.


‘O nosso principal desafio, diante da previsão de que a economia mundial irá crescer apenas 2% em 2009, é manter a expansão das receitas do WPP nesse mesmo patamar’, admitiu ele em seu tom sempre acelerado, em contato com a imprensa ontem em São Paulo. O WPP faturou £ 31,7 bilhões no ano passado.


A passagem pelo Brasil faz parte de uma programação de visitas mais constantes à América Latina, onde o grupo tem planos de crescer. Ele esteve no México, na Colômbia e passará pela Argentina.


Estão no radar do conglomerado, além da América do Sul, a Ásia e a África. Hoje, Sorrell anuncia a aquisição de empresa de marketing de varejo com origem africana e atuação na Ásia e Brasil. A motivação para tal segue as análises que apontam a mudança no eixo do capitalismo na direção dos países emergentes. O WPP, diz ele, quer se inserir melhor no novo cenário para atender clientes que devem crescer nesses mercados.


Sorrell também informou que sua atual pretensão é equilibrar a origem das receitas do grupo. Hoje, 37% delas vêm dos EUA, outros 37% da Europa e os restantes 26% dos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) e de mais 11 países da Ásia e África, que o WPP agrega num mesmo núcleo.


No cenário de curto prazo, em razão do colapso financeiro, Sorrell vê com certo medo apenas um possível avanço do populismo e do protecionismo, que possam vir a prejudicar a volta do crescimento econômico.


A novidade para todo o grupo será a mudança da sede da holding para Dublin, na Irlanda, com o objetivo de fugir dos altos impostos no Reino Unido.’


 


 


DE VOLTA
Alex Sabino


Casagrande conta tudo


‘Casagrande reapareceu em público – e com a sinceridade de sempre. O comentarista e ex-jogador concedeu entrevista ao programa Altas Horas, da TV Globo, e falou a respeito de drogas e do internamento de um ano numa clínica para tratamento de dependência química. O programa irá ao ar na madrugada de domingo.


Casão não driblou as perguntas mais embaraçosas e confessou que teve quatro overdoses antes de ser internado. Uma delas, em frente ao filho de 13 anos. ‘Foi o pior momento entre todos, nesse processo’, reconheceu. Ele era dependente de cocaína e heroína. ‘Me afastei de todas as pessoas, até de minha família. Estava usando muita droga’, admitiu. ‘Comecei a ter dificuldade para trabalhar, mas achava que estava tudo bem. Achei que a droga não me incomodava e que eu não era doente.’


Aos poucos, retomou a vida normal, longe do vício. Casagrande mora sozinho num apartamento em São Paulo, e todas as tardes vai a uma clínica para participar de terapia de grupo. Não há, por enquanto, previsão de volta aos programas esportivos.


O astro do Corinthians revelou que usava drogas desde os tempos em que jogava. Seu último clube foi o São Francisco, da Bahia, em 1996. ‘Parei de jogar querendo mesmo, mas não estava preparado. A gente sente falta da adrenalina. E sempre gostei de viver no limite’, assumiu. ‘Sou de uma geração em que os ídolos morriam de overdose. Eu queria viver a vida como Jim Morrison’, disse, referindo-se ao vocalista do The Doors, que morreu de overdose de heroína, em 1971, em Paris.


Em setembro de 2007, Casão sofreu acidente de carro e passou 24 horas em coma no hospital Albert Einstein. Foi aí que Victor Hugo, seu filho mais velho, de 22 anos, tomou as rédeas da situação e decidiu interná-lo. ‘Quando cheguei ao Einstein, tinha 71 quilos e no braço várias marcas de drogas injetáveis’, contou. ‘Não quero mais passar por isso. Não quero que meu filho me veja numa maca e diga que preferia me ver morto a estar naquela situação.’


Nos primeiros oito meses de internação, em Itapecerica da Serra, não teve contato com ninguém fora da clínica. ‘Tenho de tomar cuidado, porque sou doente, sou dependente químico. Assim serei pela vida inteira.’ Casagrande revelou que teve recaídas assistindo a um filme sobre a história do pianista americano Ray Charles, que enfrentou graves problemas com drogas. ‘Sei que, para algumas pessoas, tomar cerveja, fumar baseado (maconha), dar um tiro (cheirar cocaína) não tem nada demais, até relaxa. Mas, para mim, tem. Isso é o que eu tenho de entender.’’


 


 


TELEVISÃO
Keila Jimenez


Arquivo internacional


‘A Band revirou o seu baú para levar parte de seu precioso arquivo musical à MipCom, feira internacional de conteúdo audiovisual, que ocorre em Cannes esta semana. O material, totalmente recuperado e remasterizado por Roberto de Oliveira, ex-diretor de Programação da rede, traz verdadeiras pérolas da emissora, compiladas em especiais.


Entre o material oferecido a compradores internacionais estão três especiais de Elis Regina: Na Batucada da Vida, Doce Pimenta e Falso Brilhante. Há ainda especiais de Tom Jobim, reunindo o melhor das apresentações do músico na emissora, com destaque para o Chega de Saudade, que traz nomes como Gal Costa, Vinicius de Moraes, Gilberto Gil e Milton Nascimento ao lado do maestro.


Apresentações de Rita Lee na rede foram reunidas em Ovelha Negra, Baila Comigo e Cor de Rosa-Choque. Entre as gravações, chama atenção uma parceira da roqueira com João Gilberto em Joujoux et Balangandans.


Fechando o pacote, Chico Buarque Especial, série produzida por Roberto de Oliveira, comercializada em DVD e exibida na TV paga e na aberta por aqui.’


 


 


 


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