Segunda-feira, 17 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Polêmica e decepção

Por Virgínia Origuela em 07/07/2009 na edição 545

Foi decidida no dia 17 do mês passado, por oito votos a um, a não obrigatoriedade do diploma para os jornalistas. Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) assim quiseram. Votaram contra a exigência do diploma o relator Gilmar Mendes e os ministros Carmen Lúcia, Eros Grau, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie, Ricardo Lewandowski e Celso De Melo.

O jornalismo – que sempre foi vítima de preconceitos e censuras –, mais uma vez, em pleno século 21, se vê inibido pelo poder público. E agora, quem vai nos ressarcir pelos custos que tivemos ao longo dos anos com faculdade, transporte, material escolar, viagens, congressos? Quem vai bancar todos os gastos que tivemos ao longo dos anos, investindo em nossa formação, bagagem cultural e profissionalismo?

Acabamos sendo lesados e prejudicados por um pensamento elitista. Muitos chegam ao poder e, quando se encontram nele, esquecem-se de todo o caminho percorrido até sua chegada – muitos políticos, assim como outras pessoas que ocupam cargos e chefias, de forma incompetente. Desvalorizam um curso acadêmico em um Brasil onde os justos não vêem justiça. Onde matar e roubar virou profissão!

Os problemas vão além, como os professores mal remunerados, e são eles quem formam os cidadãos de bem. País em que o presidente que detêm o poder máximo é semi-analfabeto. País onde a ética profissional pouco existe e onde muitos se dão bem à custa dos outros… Que falta irá fazer a obrigatoriedade do diploma?

Usem do bom senso, senhores

Essas pessoas em nenhum momento pensaram no quanto o jornalista e a sua função é importante, no quanto agüentamos, na pressão que lhes é imposta e na coragem que muitos têm de arriscar suas vidas em prol de benefícios para a democracia e melhoria do país. Quem não se lembra do jornalista da Rede Globo Tim Lopes, que foi morto por traficantes enquanto produzia uma reportagem sobre o tráfico de drogas no RJ? E da jornalista irlandesa Verônica Guerin, que teve sua vida contada em filme, O Preço Da Coragem, ela foi ameaçada, agredida e morta pela máfia irlandesa.

Será que as pessoas acham que é fácil ser jornalista? Que os jornalistas têm uma vida de glamour? É difícil informar em um país onde todos têm acesso a informação mas poucos a buscam! Vidas e carreiras são decididas por poucas pessoas numa sala fechada e restrita ao ‘poder’ político e judiciário. Que poder é esse que veta a livre-expressão, o diploma e as chances de crescermos, ao banalizar as leis de mercado?

Pode até existir jornalista sem diploma, pois isso é algo que vem um talento nato e muitas vezes a faculdade ensina teorias que na vida e no dia a dia não temos conhecimentos, ela nós dá embasamento na ética, nos valores. Não podíamos esperar nada, além disso, pois em um Brasil onde sequer os políticos têm formação, o que esperar de pessoas cultas, estudadas e que se encontram caladas, desempregadas, porque com diploma, conhecimento já está difícil arrumar emprego. Imagine quem não tem nem isso?

Sinceramente, acho que o STF não assimilou o tamanho do erro cometido, e não vão ter como compensar todos que foram prejudicados. Usem do bom senso, meus senhores ministros, porque senão quem vai pagar por uma nova formação? Por que não acabam com a violência e o desemprego?

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Jornalista

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