Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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DIRETóRIO ACADêMICO > PUC-SP

Por que criar um Núcleo de Estudos do Jornalismo

Por José Arbex Jr., J.S. Faro e Hamilton Octávio de So em 27/04/2004 na edição 274

No mundo globalizado, a vertiginosa evolução das tecnologias de comunicação coloca um desafio crescente para todos aqueles que pretendem compreender o jornalismo como fenômeno teórico e prático, profunda e inextricavelmente implicado com os processos culturais, sociais, econômicos, ideológicos e políticos de nossa época.

A razão é simples: a tecnologia funciona tanto como agente estrutural do sistema de telecomunicações, como produz um discurso ideológico sobre um mundo ‘eficaz’, em que os ‘interesses de mercado’ fazem com que a ‘produtividade’ substitua e desloque o sentido de ‘produção’, e o ‘consumidor’ ocupe o lugar do ‘cidadão’.

A tecnologia é exposta de forma fetichizada à opinião pública como uma espécie de nova religião pela mídia planetária (cuja existência é apenas possibilitada pelo desenvolvimento tecnológico), e constitui o principal instrumento mediante o qual as elites controlam a ‘indústria de manipulação de consciências’ sem precedentes na história, ou a ‘indústria-chave do século 21’ (Hans Magnus Enzensberger), tal como profetizada por autores como George Orwell e Aldous Huxley, entre outros.

Para compreender esse processo em todas as suas vertentes, o Departamento de Jornalismo da PUC-SP julga ser fundamental a constituição de um Núcleo de Estudos do Jornalismo, que incentivaria a criação de várias linhas de pesquisa, abrangendo uma vasta gama de temas e interesses, desde estudos sobre a propriedade concentrada dos meios de comunicação aos impactos ideológicos produzidos pelas notícias na formação do imaginário coletivo, de reflexões sobre a influência de novas tecnologias no fazer jornalístico à ética jornalística no mundo neoliberal.

Objetivos específicos

Trata-se, essencialmente, de fornecer aos alunos um instrumental teórico e analítico que permita o desenvolvimento da reflexão crítica sobre questões cuja compreensão é fundamental ao exercício do jornalismo:

a. o lugar da tecnologia em geral, e particularmente da tecnologia da comunicação no mundo contemporâneo e as suas relações com os centros de poder político e de difusão ideológica e cultural;

b. a identificação e a compreensão do desenvolvimento tecnológico, em particular o desenvolvimento das tecnologias da comunicação, como uma peça-chave do processo de fabulação do mundo pela mídia oligopolizada;

c. os processos que permitem a ‘fabricação do consenso’ e a construção das metáforas que ‘explicam’ o mundo;

d. a elaboração de uma nova utopia reacionária, constituída por um mundo ‘higiênico’, pasteurizado e eficaz, em que a palavra-chave é ‘controle’;

e. compreensão histórica e crítica do processo que permitiu a formação das grandes corporações da mídia e a discussão de alternativas de luta pela sua democratização.

Método de trabalho

As várias linhas de pesquisa seriam propostas por um ou mais professores interessados, e se desenvolveriam de forma independente e autônoma, com a eventual participação de alunos. Cada linha de pesquisa estabeleceria o seu próprio calendário, critérios, objetivos e metas. Caberia aos professores responsáveis, com o devido respaldo do Núcleo, eventualmente pleitear recursos junto aos órgãos fomentadores de pesquisa.

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Jornalistas, professores do Departamento de Jornalismo da PUC-SP

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