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Terça-feira, 21 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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DIRETóRIO ACADêMICO > SEGUNDA-FEIRA, 23/11

Publicidade pega carona em popularidade do presidente Lula

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 24/11/2009 na edição 565


Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 23 de novembro de 2009


 


PROPAGANDA


Marcio Aith


‘Publicidade-exaltação’ invade os comerciais de TV


‘Empresas aproveitam a popularidade do presidente Lula e o momento econômico favorável para fazer do governo seu garoto-propaganda.


Ambev, GM, Bradesco, Vale e Embratel produziram comerciais de televisão recentes enaltecendo a firmeza do país na crise, a capacidade de superação dos brasileiros, a harmonia entre o público e o privado e a relevância do país no mundo.


O Brasil é o país ‘da iniciativa privada em equilíbrio com o setor público’, diz a campanha televisiva ‘Presença’, do Bradesco, segundo maior banco privado brasileiro.


‘Há dez anos, quem poderia imaginar a gente emprestando dinheiro para o FMI?’, lembra o anúncio televisivo do carro Aprile, da Chevrolet/GM.


‘A crise foi passageira’, avisa comercial da maior siderúrgica do mundo, a Vale.


‘O Brasil vive um momento de ouro’, exalta o comercial da Brahma, marca da Ambev.


Para as empresas e publicitários envolvidos nos comerciais acima, trata-se de uma estratégia legítima, lógica e antiga (leia texto nesta página).


De fato, não é a primeira vez que o setor privado exibe o otimismo do momento em campanhas publicitárias.


Do milagre econômico da ditadura -quando a Volkswagen exibiu um fusca desbravando o país da rodovia Transamazônica- às tentativas de estabilização da economia, várias campanhas seguiram essa linha.


O problema é distinguir marketing da simples adulação -em outras palavras, se o produto anunciado é o governo.


No passado, o Tribunal de Contas da União (TCU) condenou toda a ex-diretoria da Petrobras em razão dos gastos da empresa com campanhas publicitárias mostrando os benefícios do Plano Real.


A questão fica menos óbvia quando os comerciais envolvem companhias 100% privadas com interesses no governo ou aquelas nas quais o Estado detém participação acionária.


O caso mais emblemático é o da Embratel, empresa de telefonia e de transmissão de dados adquirida em 1998 pelo grupo empresarial do bilionário mexicano Carlos Slim.


Em julho, a empresa veiculou um anúncio destacando um programa oficial para fornecer acesso à internet para escolas e centros comunitários em que a rede convencional não chega.


‘Por iniciativa do Ministério das Comunicações, que executa o maior programa de inclusão digital da América Latina’, informava o comercial.


A empresa diz ter apenas creditado, no comercial, a autoria da iniciativa a quem a formulou -o governo, que a contratara para executar o programa.


São menos óbvias as implicações e motivações das campanhas de empresas como a Vale, o Bradesco, a Ambev e a GM.


Criador do comercial do Bradesco, Alexandre Gama, presidente da agência Neogama/ BBH nega motivação política.


‘O Bradesco é o banco mais associado à base da pirâmide social, a mesma base cuja ascensão está na raiz da recuperação econômica do país’, afirma Alexandre Gama.


Curiosamente, no mês passado, o Bradesco foi pressionado a demitir o executivo Roger Agnelli da presidência da Vale -companhia da qual o banco é acionista e cuja campanha na TV também celebra o fato de o país ter escapado da turbulência internacional.


As pressões contra Agnelli decorreram justamente da falta de sintonia, alegada pelo presidente Lula, entre a política de investimentos da Vale e as prioridades do governo.’


 


 


TELES


Luis Cuza


Fadiga nas telecomunicações


‘O BRASIL possui uma estratégia clara e bem definida para as telecomunicações. Desenhada principalmente na Lei Geral de Telecomunicações (LGT), de 1997, foi perseguida de forma vibrante nos seus primeiros anos. Depois do ano 2000, as reformas desaceleraram e os avanços foram interrompidos, a tal ponto que esse modelo pode estar em risco.


Em um momento singular da nossa história, justamente quando aspiramos a um maior destaque no cenário internacional, o que é preciso fazer para revigorar a energia que conduziu as primeiras reformas?


O modelo brasileiro de telecomunicações, inicialmente, eliminou o papel do Estado como empresário, visivelmente incapaz de oferecer respostas à rápida dinâmica da tecnologia e dos modelos de negócios.


O novo formato fortaleceu, em contrapartida, a função do governo como regulador, por meio da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).


As prescrições da LGT são fortemente baseadas na promoção da concorrência, que é uma diretriz central da atuação da agência, ao lado da universalização.


A privatização da Telebrás, em 1998, foi um marco da nova estratégia. A operadora estatal foi leiloada em quatro partes correspondentes a porções distintas do território nacional. Em cada uma delas foi autorizada a entrada de um concorrente, conhecido como empresa-espelho.


Depois de 2002, o setor entrou em fadiga. O usuário brasileiro, diferentemente do que ocorreu em muitos países, não foi contemplado com a impressionante evolução das conexões de alta velocidade à internet.


A falta de energia regulatória e concorrencial limitou a penetração e o desenvolvimento dos serviços de telecomunicações e TI no país.


Houve, pelo menos, uma tentativa de continuar os avanços: o decreto presidencial 4.733/2003, que introduziu o modelo de custos como referência para as tarifas e propôs a abertura das redes para gerar um verdadeiro salto na competição.


Nesse sentido, atacou o coração do problema: o uso das redes públicas por terceiros operadores, com padrões justos de remuneração, é uma forma efetiva de promover a concorrência, observando a função social da propriedade das redes. Infelizmente, ele ainda carece de implementação.


Além do abandono dessa iniciativa, que poderia revigorar a energia na competição setorial, outros fatos reforçam que o modelo brasileiro de telecomunicações está em risco.


Um deles é que, em contraposição ao leilão público e aberto ocorrido na privatização, a transferência de controle de concessionários se tornou, recentemente, pouco transparente.


Em 2004, o veto à compra defensiva da Embratel por concessionárias locais foi decidido pela Corte de Falências de Nova York. No início do ano, a aquisição da Brasil Telecom pela Oi, ambas concessionárias fixas, foi apoiada pelo governo, ainda que produzisse efeitos altamente nocivos aos usuários e à concorrência.


As autoridades de regulação e de políticas públicas parecem não conseguir fazer valer o modelo centrado no fomento à concorrência, tendo sido insuficientes as medidas pontuais adotadas, como a portabilidade numérica e a licitação de algumas novas licenças de telefonia móvel.


Na contramão do exposto pela LGT, parece haver um direcionamento claro em favor da concentração dos mercados e da criação de empresas ‘campeãs nacionais’, em detrimento da competição. É amplamente conhecido o fato de que grandes concentrações podem penalizar o consumidor e, eventualmente, também o contribuinte sem resultar em aumento significativo dos investimentos.


Retomando a pergunta: Como revigorar a energia da década passada? Não há necessidade de alterações legais significativas, pois o marco regulatório setorial define de forma clara o modo mais eficiente de assegurar os esperados benefícios socioeconômicos: encaminhar a exploração dos serviços à iniciativa privada, criando estímulos regulatórios à competição.


O cenário de fadiga e acomodação em relação às telecomunicações não contribui para que o Brasil se posicione entre os líderes da próxima década e pode jogar um ‘balde de água fria’ nas nossas melhores perspectivas de desenvolvimento socioeconômico.


É urgente reafirmar a concorrência no setor para garantir a continuidade do modelo institucional vigente. A Anatel e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) são decisivos nesse processo.


LUIS CUZA, 67, mestre em ciências de telecomunicações, é presidente executivo da TelComp (Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas).’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Ainda há vida


‘Via agências, Copenhague já confirma 65 ‘líderes mundiais’ na conferência de clima, inclusive Brasil e Indonésia, mais Alemanha, França, Japão. Nada de EUA e China, os maiores emissores.


O ‘New York Times’ publica que, ‘faltando menos de três semanas, uma rápida sucessão de países revela planos nacionais que servem de apostas iniciais’. O jogo começou quando ‘o Brasil prometeu redução de cerca de 40% nas emissões até 2020’. Seguiram-se Rússia com 25% e Coreia do Sul com 30%. O ‘El País’ fez a mesma lista e publicou o título ‘Ainda há vida em Copenhague’; antes, do correspondente Juan Arias, ‘Brasil será líder na cúpula’. Também a ‘Forbes’, em análise, saudou o ‘avanço ambiental do Brasil’, com a promessa e a redução no desmatamento.


De todo modo, lembra o ‘NYT’, ‘se nem EUA nem China se comprometerem, os planos de emissores menores terão pouco efeito prático’.


A LONGO PRAZO, 80%


O site do ‘Washington Post’ entrevistou a ex-ministra Marina Silva, ‘a cruzada da Amazônia’. Na capital americana, ela elogiou o início do debate sobre clima no Congresso, com atraso de dez anos. Mas avisou que ‘os países industrializados serão instados a uma redução de 80% até o meio do século’.


‘BILATERAL’


A nova ‘Newsweek’ afirma que Copenhague ‘não vai alcançar consenso’ e sugere que os país sigam o exemplo de Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia, e façam acordos bilaterais como ele assinou com ‘Amazonas e seis outros Estados do Brasil’, comprando eventual corte no desmatamento.


E CONTINUA


O ‘El País Semanal’ dedicou 11 páginas ao Brasil, com o enunciado ‘O gigante desperta’. Em suma, escreve que Lula quer aproveitar a ‘ocasião histórica’ do pré-sal ‘para acabar com a pobreza de seu país e para financiar a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016’.


Por outro lado, ontem também, ‘Contratempo para a Telefônica’, sobre a entrada da francesa Vivendi na área antes dominada pela ex-estatal espanhola.


DE DETROIT PARA CAMAÇARI


Ecoaram no final da semana, da agência Xinhua à Dow Jones, os US$ 2,3 bilhões de investimento da Ford no país. ‘Detroit News’ e ‘Free Press’, os jornais da sede da montadora, deram títulos como ‘Ford vai gastar para se expandir no Brasil’, sendo ‘mais da metade em Camaçari, na Bahia, e em Horizonte, no Ceará’


CAMINHÕES ETC.


O ‘Financial Times’ destaca que a montadora alemã MAN agora ‘quer crescer nos Brics e comprou o maior negócio de caminhões do Brasil, 25% da maior fábrica de caminhões da China e lançou uma joint venture na Índia’.


E o francês ‘La Tribune’, com eco pela France Presse, noticia que a fábrica de pneus Michelin ‘anunciou nova fábrica no Brasil’, em Resende, ‘perto do Rio de Janeiro’.


‘BOOM’ TAMBÉM


O americano ‘Christian Science Monitor’, em levantamento com ‘urbanologistas’, elaborou uma lista das ‘próximas cidades a explodirem’ nesta ‘era de comércio global’. Além das esperadas Xangai e Mumbai, a chinesa Beihai e a indiana Ghaziabad. Mais Istambul, na Turquia, e São Paulo, no Brasil.


BRICS, BRICS


O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, deu longa entrevista ao ‘FT’, defendeu investimento no Brasil e foi questionado sobre quais seriam os próximos ‘lugares quentes no mundo, além de China, Índia e Brasil’. Citou um só, pelo nome, a Rússia. Mas registrou que ‘alguns outros na América Latina podem contribuir’.


OCIDENTAL


O blog financeiro Seeking Alpha postou duas análises, partes 1 e 2, sob o título comum ‘Futuro brilhante para a Petrobras e o Brasil’. Diz que Lula ‘não é a reencarnação de Fidel’ e que ‘é incrível o que o bom senso e o pragmatismo podem alcançar’.


No segundo texto, sublinha declaração de Dilma Rousseff, ‘respeitamos contratos, somos parte do Ocidente’.


EUA E A VISITA


No alto da Folha Online, ‘Manifestantes no Rio rejeitam visita do presidente do Irã e criticam Lula’.


No ‘WSJ’, o correspondente John Lyons escreveu no fim da semana que ‘A nova estatura do Brasil é ameaçada pela visita de Ahmadinejad’. Cita críticas, no caso, ‘em Washington, azedando a relação de amizade que parecia prometer um período de cooperação sem precedentes na América Latina’. Encerra dizendo que, ‘por outro lado, o Brasil pode ganhar aplauso internacional se usar a visita para cobrar Ahmadinejad a ceder aos controles de enriquecimento de urânio defendidos pelos EUA’.’


 


 


TELEVISÃO


Silvia Corrêa


Globo estreia 1º telejornal sem ‘cola’


‘A Globo dá hoje um passo ousado – e arriscado- em busca de maior proximidade com o telespectador. O ‘RJTV’, noticiário local do Rio, passa a ser feito sem ‘teleprompter’ (TP) -monitor onde o apresentador lê as notícias.


A estratégia é uma aposta na informalidade. Hoje, só a edição paulista do ‘Globo Esporte’ não tem TP. Outras emissoras testaram o recurso caso da Cultura, em 2007, mas abandonaram a ideia após sucessivos erros no ar.


O desafio caberá a Ana Paula Araújo,que volta à bancada. Ela terá ajuda de comentaristas, com o enfoque popular, na prestação de serviço. O ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, autor de ‘Elite da Tropa’, falará sobre segurança pública.


Band cancela entrevista com RC


Quem tentou ver a entrevista de Adriane Galisteu com Roberto Carlos, na noite da última sexta, deu de cara com Marina Silva. A Band bateu bumbo a semana inteira,mas, diferentemente do prometido, não exibiu a conversa no ‘Toda Sexta’. Roberto Carlos tem contrato de exclusividade com a Globo. A Band, que anunciou a entrevista antes de obter a liberação da concorrente, vai tentar de novo nesta semana.


ACÚSTICO MTV


A MTV Brasil vai exibir no sábado que vem o ‘Acústico’ com Kate Perry, a pin-up retrô do hit ‘I Kissed a Girl’. Ela toca uma versão de ‘Hackensack’, do Fountains of Wayne.


NEM TÃO FAVORITA


A Globo vendeu ‘A Favorita’ (2008) para 18 países, entre eles Cuba e Coréia do Sul. O resultado é inferior ao da novela líder em negociações, ‘Da Cor do Pecado’ (2004), vendida a cem países em cinco anos (média de 20 contratos por ano).


PROCURA-SE


Eduardo Zebini, ex-diretor de esportes da Record, foi conversar na RedeTV!, que deve separar o jornalismo do esporte. Há quem diga que o jornalismo ficará sob a batuta direta do presidente ,Amilcar e Dallevo, mas isso é pouco provável.


CENSURA LIVRE


Apesar da nudez de Adriana Bombom, o Ministério da Justiça aceitou manter a segunda temporada de ‘A Fazenda’ (Record) com a mesma classificação da primeira: para maiores de dez anos. Isso libera o reality para qualquer horário.


REDENÇÃO


O Universal Channel estréia a quarta temporada de ‘Heroes’ em12/1-quatro meses após estréia nos EUA. Será agora em novo dia: nas noites de terça. É a temporada que tem o beijo de Claire numa colega de faculdade. A reprise da terceira temporada começa amanhã.


OBJETO DO DESEJO


Dos dez figurinos mais pedidos à Globo pelas telespectadoras neste mês, nove são de ‘Viver a Vida’. A exceção é um vestidinho rosa de Patrícia Poeta.’


 


 


Silvana Arantes


Filme ‘Nove Rainhas’ ganha adaptação para a TV argentina


‘A ideia parecia ótima -adaptar para uma série de TV o sucesso cinematográfico ‘Nove Rainhas’ (2000), do cineasta argentino Fabián Bielinsky (1959-2006), em que dois vigaristas tentam seu grande golpe.


E assim um dos produtores do longa fez ‘Os Impostores’, com 13 capítulos programados para estrear no Brasil no primeiro trimestre de 2010.


A dupla agora é formada por Leticia Bredice, remanescente do elenco de ‘Nove Rainhas’, e Leonardo Sbaraglia. A parceria se forma de modo áspero e promete uma futura relação em constante gangorra de atração e repulsa, pelo que indica o primeiro episódio, exibido na semana passada na Argentina.


Com direção de Bruno Stagnaro, 36, ‘Os Impostores’ não economiza em contrastes de luz, em cortes muito rápidos e num bom número de efeitos, com referências que piscam para os fãs de um imenso leque de filmes recentes, desde o suspense angustiante da trilogia Bourne às sacadas gráficas de ‘Mais Estranho que a Ficção’.


É essa evidente atenção à forma, em detrimento do conteúdo, que deixa ‘Os Impostores’ com gosto de um belo golpe que não deu certo.


O trunfo de ‘Nove Rainhas’ não era ter uma atraente maneira de contar uma história. Era ter uma boa história para contar. Bielinsky escreveu-a obstinadamente, assim como a de ‘Aura’, seu filme seguinte, que nada tem a ver com o anterior. Talvez ‘Nove Rainhas’ não se preste mesmo a repetições.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 23 de novembro de 2009


 


LIBERDADE DE IMPRENSA


Moacir Assunção


Cientista político diz esperar ‘divisor de águas’


‘O cientista político e sócio-diretor da MCM Consultoria, Amaury de Souza, espera que o julgamento da censura ao Estado pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ), previsto para o próximo mês, seja um divisor de águas entre os que defendem o direito constitucional da liberdade de expressão e os que lhe são contrários.


‘Não tenho dúvidas de que este caso, muito emblemático, marcará a escolha pela democracia e pelo respeito aos preceitos constitucionais. Confio que o resultado, como demonstram os recentes posicionamentos do STF nesta questão, será em prol da liberdade’, afirmou.


Por decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF), o jornal está proibido, desde 31 de julho, de divulgar informações sobre a Operação Boi Barrica da Polícia Federal que investigou e indiciou por vários crimes o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e responsável pelos negócios da família.


Para o cientista político, a decisão do TJ-DF, de autoria do desembargador Dácio Vieira, é marcadamente ilegal. ‘Trata-se de um atentado à Constituição, que deve ser repudiado por todos’, afirmou. A liberdade de expressão e de imprensa, relembrou o especialista, é um direito fundamental da cidadania e nada justifica sua supressão, a qualquer pretexto. ‘O STF deve se manifestar, de forma peremptória neste caso, deixando bem clara a sua posição, contrária à mordaça, conforme tem demonstrado em vários casos’, opinou.


CARÁTER PEDAGÓGICO


Para Souza, que foi professor de Ciência Política em algumas das principais universidades do Rio, o mais importante da futura decisão do STF, em sua visão será o caráter pedagógico da medida. ‘Não é aceitável que tribunais de grau inferior, como o TJ-DF, decidam de forma absolutamente contrária a uma jurisprudência formada pelo STF, de total rejeição à censura’, afirmou ele. O cientista político citou, entre outros casos, a extinção da Lei de Imprensa como momentos em que a Corte mais alta do País demonstrou sua interpretação constitucionalista da lei.


O especialista vê como ‘inadmissível’ o fato de ainda haver censura no Brasil. ‘Teremos, em breve, um seminário promovido pela Sociedad Interamericana de Prensa, no qual o caso do Estadão será discutido e, certamente, condenado por seus membros’, comentou.


Para ele, a mordaça representa uma verdadeira violência contra a Constituição de 1988 que, em seu texto e mesmo no espírito da lei, define-se como inimiga de todas as formas de opressão, em especial das relacionadas à liberdade de expressão.’


 


 


CUBA


Jamil Chade


Blogueiros formam nova frente de oposição


‘Ele são jovens e usam uma arma moderna para questionar o regime comunista. Os blogueiros tornaram-se a principal dor de cabeça das autoridades cubanas. A mais conhecida é Yoani Sánchez, que usa a internet para expor a frustração de uma juventude sem liberdade. Contra eles, o governo adotou métodos de intimidação. Primeiro, incentivou simpatizantes do regime a criar blogs onde atacam opositores. Depois, apelou: Yoani foi agredida há 15 dias. Na sexta-feira, o mesmo ocorreu com seu marido, Reinaldo Escobar. ‘Vou continuar escrevendo. Isso me dá forças’, disse ela. O uso de blogs individuais, porém, revela outro aspecto da oposição cubana: sua fragmentação. O governo tira proveito disso, pois optou por não bloquear o acesso da população à internet, mas cobra caro pelo seu uso. Na prática, poucos cubanos usam a ferramenta.’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Redes dividem série


‘A máfia vai invadir a TV. Não, Poder Paralelo não vai beber da mesma água de Mutantes e sair se reproduzindo na Record. The Sopranos, série famosa da HBO, poderá ir ao ar, simultaneamente, em dois canais abertos por aqui: Band e SBT.


A Band acaba de fechar um contrato com a HBO, que inclui a compra de 20 telefilmes, duas minisséries e a série Sopranos, que deve estrear sua primeira temporada no canal em março. Acontece que o SBT, que exibia até ontem Sopranos, ou melhor, Família Soprano – tradução à Silvio Santos -, tem ainda, por contrato, direito de exibir a sexta temporada da série.


É a velha história do cachorro de dois donos. As séries da HBO também são distribuídas pela Warner, que, por sua vez, possui um contrato de fornecimento de conteúdo com o SBT. Da primeira a quinta temporada de Sopranos, que já foram exibidas no SBT, estão liberadas para a Band. Já a última fornada da saga do mafioso Tony Soprano deve ser exibida em 2010 na rede de Silvio Santos.


Procuradas pela coluna, as duas emissoras, via assessoria de imprensa, não sabiam que compartilhariam a mesma série.’


 


 


 


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