Quinta-feira, 21 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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DIRETóRIO ACADêMICO > ENDECOM 2006

Qualidade do ensino de Comunicação em debate

Por Intercom em 16/05/2006 na edição 318

Pouco mais de uma centena de diretores de faculdade, coordenadores de curso, chefes de departamento, supervisores de laboratório e líderes de grupos de pesquisa reuniu-se na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, de 11 a 13 de maio, para o 1º Fórum Nacional em Defesa da Qualidade do Ensino de Comunicação, com a finalidade de discutir os padrões de qualidade do ensino de comunicação no país. O evento, denominado Endecom 2006, recebeu lideranças de todas as regiões, além de representantes dos organismos governamentais do setor educacional e das empresas de comunicação que operam em território brasileiro.

Em seu discurso de abertura, o professor José Marques de Melo, presidente da Intercom, declarou que o encontro tinha duas motivações: retomar a bandeira que a Intercom empunhou há 25 anos, ao liderar o movimento nacional em defesa dos cursos de Comunicação (ameaçados de extinção pelo regime militar), direcionando a nova campanha para a conquista de um ensino de qualidade para todos; e uma homenagem à ECA-USP, no transcurso do seu 40º aniversário de fundação, enaltecendo o pioneirismo da instituição aglutinadora de todos os segmentos comunicacionais, da graduação à pós-graduação, em nosso país.

Compareceram o representante do ministro da Educação, Jaime Giolo (Inep), o secretário municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil, a pró-reitora de Graduação da USP, Selma Garrido, o presidente do Conselho Curador da Intercom, Anamaria Fadul, a diretora do Canal Futura, Lúcia Araújo, o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, Sergio Murilo, o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Comunicação, Luiz Schiavon, o diretor-executivo da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, Paulo Nassar, o diretor da Radiobrás, Eugenio Bucci, e o diretor da ECA, Luis Milanesi, anfitrião do encontro. Entre os convidados internacionais, Pierre Fayard (Universidade de Poitiers), atual presidente do Centro França-Brasil de Cooperação Técnico Científica, e o pesquisador espanhol Oscar Curros (Universidade de Santiago de Compostela), representando a presidente da Federação Lusófona de Ciências da Comunicação. A organização do Endecom esteve a cargo dos professores Margarida Kunsch (coordenação acadêmica) e Luiz Alberto Farias (coordenação institucional).

Diagnóstico

O primeiro dia foi dedicado ao diagnóstico da situação. Em sua conferência inicial, Eunice Durham, ex-diretora da Capes e da Secretaria de Educação Superior do MEC e atual coordenadora do Núcleo de Pesquisas sobre Ensino Superior da USP, focalizou os contrastes do sistema educacional brasileiro. Marcado pela exclusão dos continentes empobrecidos, bem como pela expansão vertiginosa da rede de ensino superior, está em descompasso com a fragilidade da rede de ensino médio e a precariedade do segmento de ensino básico.

Por sua vez, Jaime Giolo explicou as novas estratégias de avaliação vigentes no governo Lula, destacando a explosão dos cursos de comunicação nos últimos 10 anos. Segundo estatísticas recentes, o Brasil contabiliza 624 cursos de graduação em Comunicação Social, que oferecem 121.749 vagas anuais, sendo que apenas 13% em universidades públicas. Permanecem ociosas 51% dessas vagas, uma vez que as matrículas iniciais não ultrapassam o patamar de 57 mil alunos. No conjunto, os cursos de graduação em Comunicação totalizam 189 mil alunos, registrando em 2004 a formatura de 23.583 profissionais nas diversas habilitações, o que indica uma evasão de pouco mais da metade dos ingressantes.

Também aportaram idéias e conhecimentos os professores Sergio Tiezzi (assessor especial da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo), que falou sobre ‘Desafios da avaliação, a experiência acumulada no fim do século 20’, bem como Claudia Moura (PUC-RS), que dissertou sobre ‘Padrões de qualidade no ensino de comunicação: indicadores brasileiros’.

Demandas setoriais

Falaram ainda os representantes do mercado de trabalho, explicitando as demandas setoriais. Luis Claudio Latgé enumerou as expectativas de grandes empresas como as Organizações Globo; José Luiz Schiavoni apresentou o ponto de vista do setor terciário, cabendo a Eugenio Bucci a explicitação dos parâmetros vigentes nas empresas estatais. A perspectiva dos trabalhadores da indústria midiática foi reconstituída pelo presidente da Fenaj, jornalista Sergio Murilo.

Completando o quadro analítico, foram esboçados os padrões de qualidade e as práticas de avaliação em diferentes áreas do saber comunicacional. Marcius Freire (Unicamp) mostrou o panorama da Pós-Graduação. Falaram do ensino de graduação Eduardo Meditsch (UFSC-Florianópolis), sobre Jornalismo; Joaquim Valverde (ESEEI), sobre Editoração Multimídia; João Winck (Unesp-Bauru/SP), Radialismo e Televisão; Carlos Augusto Calil (ECA–USP), Cinema; Ivone Lourdes de Oliveira (PUC-Minas), Relações Publicas; e Neusa Demartini Gomes (PUC-RS, Porto Alegre), sobre Publicidade e Propaganda.

O segundo dia foi reservado aos relatos de experiências vigentes no sistema universitário nacional. Mais de 50 comunicações acadêmicas foram distribuídas pelos seis grupos de trabalho, que discutiram de forma segmentada as conquistas pedagógicas e os retrocessos didáticos resgatados pelos professores inscritos no fórum. Paralelamente aos relatos oriundos das quatro áreas principais – Jornalismo, Publicidade, Relações Públicas e Audiovisual –, dois grupos se voltaram para questões comuns a todos os cursos, focalizando os projetos pedagógicos e as políticas institucionais na graduação, bem como as alternativas de formação de novos docentes ou profissionais exercitadas pela pós-graduação lato sensu. Na sessão plenária de encerramento, os relatores mostraram as tendências principais dos estudos inscritos e da reflexão coletiva feita pelos participantes.

Propostas aprovadas

Entre as aspirações da comunidade foram destacadas as seguintes:

1) Dar continuidade a esse tipo de encontro das lideranças educacionais da área, propiciando condições para a troca de experiências e para o posicionamento colegiado sobre questões de interesse nacional. A Intercom assumiu o compromisso de promover em 2007 o 2º Fórum Nacional em Defesa da Qualidade do Ensino de Comunicação, em princípio nos dias 26-28 de abril, em local a ser definido. As instituições interessadas em sediar o Endecom 2007 devem encaminhar suas candidaturas pelo e-mail intercom@usp.br.

2) Publicar sob a forma de livro o conjunto dos textos de palestras e exposições, bem como os relatórios dos grupos de estudos, tendo em vista que as comunicações inscritas pelos participantes já estão disponíveis no site da Intercom. O diretor da ECA assumiu o compromisso de publicar os Anais do Endecom 2006, sob a coordenação da professora Margarida Kunsch.

3) Aperfeiçoar o formato do fórum, no sentido de reservar amplo espaço ao debate em sessões plenárias. Para tanto, recomenda-se: a) organizar painéis e mesas-redondas com número reduzido de expositores; b) limitar o número de comunicações inscritas, selecionando aquelas que difundam inovações pedagógicas ou discutam problemas relevantes de natureza didático-metodológica; c) selecionar comunicações que focalizem preferencialmente o tema central do evento, sem prejuízo de contribuições significativas de natureza conjuntural.

4) Viabilizar canais interativos entre os dirigentes dos cursos de Comunicação, no sentido de permitir articulações interinstitucionais no intervalo entre os fóruns anuais. A Intercom se comprometeu a criar um espaço exclusivo para o Endecom em seu site, permitindo a difusão de teses ou informações de interesse dos dirigentes universitários.

5) Preservar espaços, no congresso nacional e nos simpósios regionais, para o debate de questões relacionadas a práticas pedagógicas e estratégias educacionais, encaminhando propostas a serem submetidas ao crivo do fórum anual das lideranças da área. A Intercom se dispõe a acolher tais iniciativas no congresso anual, através do Multicom – Colóquios Multitemáticos em Comunicação – ou do TLC – Seminário de Temas Livres em Comunicação. Nos simpósios regionais, ainda em fase de consolidação, as demandas serão acolhidas caso a caso.

No encerramento, a professora Margarida Kunsch convidou os participantes da área de relações públicas à assembléia de constituição da Associação Brasileira de Pesquisadores em Relações Públicas e Comunicação Organizacional, que ocorreu na manha do dia 13.

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Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

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