Domingo, 09 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Quando a função do profissional é promover o debate

Por Ana Lúcia Medeiros em 26/08/2008 na edição 500

A ‘Coluna do Ombudsman’, na Secretaria de Comunicação da Universidade de Brasília (Secom/UnB), estréia no início do segundo semestre de 2008, momento em que a comunidade acadêmica se mobiliza para escolher o novo reitor em uma eleição que tem um diferencial: a paridade, na qual o voto de professores, servidores e alunos terá o mesmo peso.

A complicada palavra ombudsman tem origem sueca e significa ‘representante do cidadão’. O ombudsman pode ocupar uma função pública, a exemplo da Suécia, onde atua como uma espécie de ouvidor geral; e também pode ser uma instituição do jornalismo, como acontece nos Estados Unidos, onde serve de advogado do leitor.

O ombudsman de um veículo de comunicação encaminha à Redação as reclamações dos leitores, critica o jornal na coluna que escreve e mantém um diálogo interno com a equipe responsável pelos produtos de comunicação de uma instituição.

Espírito do diálogo

Foi a Folha de S.Paulo o primeiro veículo de comunicação brasileiro a instituir, em 1998, a função do ombudsman. Os leitores da Folha ampliaram a possibilidade de diálogo com o veículo de comunicação, já que a existência do ombudsman representa um canal direto entre o leitor e o jornal.

O jornal O Povo, do Ceará, também abriu espaço para reconhecer os erros que comete ao criar, em 1993, a instituição ombudsman. A TV Cultura, de São Paulo, foi a primeira emissora de televisão do país a instituir o cargo de ombudsman, em 2004. E gerou um amplo debate sobre o papel do profissional, que precisa ter autonomia e independência para exercer a função que lhe é determinada. Em 2007, os portais iG e UOL criaram o cargo.

A instituição ombudsman representa um exercício de busca da pluralidade, da diversidade de opinião, de se pensar no que se produz.

Convidada para exercer a função na Universidade de Brasília, sinto-me à vontade para analisar os produtos da Secom, pois, como jornalista e professora universitária, lanço cotidianamente um olhar crítico sobre a produção jornalística impressa, televisual, radiofônica ou da internet. Considero saudável observarmos o mundo com olhos de quem tem uma percepção única, com base na história que construímos. É com o espírito do diálogo, da busca por uma qualidade cada vez melhor dos produtos (aquilo que em última instância interessa ao receptor), que dou a largada no desafio de me somar à equipe da Secom/UnB, órgão que, há 22 anos, acompanha a produção científica de uma das maiores universidades brasileiras e que dá visibilidade a essa comunidade acadêmica.

Choques normais

A partir de agora, estabeleço com o receptor dos produtos da Secretaria de Comunicação da UnB uma relação de cumplicidade. A mesma relação que mantenho com a equipe que produz o material. Firmo com o leitor e com os produtores um contrato pautado na ética, no respeito, no profissionalismo e no cuidado para que as críticas tenham um único objetivo: proporcionar o debate para tornar os produtos da Secom cada vez melhores.

Em uma primeira reunião com os editores da Secom, percebi o excelente nível dos profissionais e, principalmente, dos seres humanos com os quais passo a interagir. Fiquei absolutamente segura quanto à capacidade que todos eles têm de ouvir com tranqüilidade as eventuais críticas. Pude observar que são jornalistas, webdesigners e publicitários aptos a compreender que possíveis choques são normais e necessários. E estarei junto para administrar o debate.

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Ombudsman da Secom/UnB, jornalista, mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília, autora de Sotaques na TV

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