Sexta-feira, 20 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Rádio e organização

Por Francisco Djacyr S. de Souza em 24/03/2009 na edição 530

Apesar de ser o lado mais importante da comunicação radiofônica, o ouvinte geralmente é tratado como massa amorfa, sem pensamento, sem idéias e sem vontades. Muitos dos que fazem o rádio desprezam a inteligência dos ouvintes e fazem do rádio espaço de promoção pessoal ou de interesses de grupos políticos, religiosos e econômicos que, às vezes, estão em completa cidadania com os consumidores de educação. Muitos dos que fazem e administram o rádio parecem não acreditar na sua história, na sua importância e no seu papel como catalisador dos interesses da sociedade e na luta por um mundo melhor.

A organização dos Ouvintes de Rádio, com a criação de uma associação que defende o respeito e a consideração a esses, certamente não tem agradado aos proprietários (concessionários) das rádios, porém deveria ser aceita e incentivada, pois este grupo tem respeito pelo rádio e consideração pelo seu valor e seu papel na melhoria da sociedade. O grito dos ouvintes deveria ser ouvido, considerado e levado em conta nos processos de construção das grades de programação.

Hoje é comum a mudança das programações sem consulta aos ouvintes, sem comunicação aos mesmos, sem o mínimo de respeito a um consumidor que tem conhecimento e senso para entender todo o processo comunicativo. As emissoras de rádio deveriam formar conselhos de ouvintes para opinar sobre programas e dizer o que pensam da comunicação efetuada. Isso seria uma maneira de fazer com que o programa de rádio fosse adequado aos interesses dos que consumem a comunicação. É preciso investir urgentemente em uma nova geração de ouvintes. Os jovens não ouvem rádio AM e na FM se interessam apenas pela música, sem preocupação com as novidades do mundo nem analisar suas transformações. É preciso que o rádio seja um espaço educativo e de conscientização popular, tanto no segmento AM quanto FM. Com a chegada do rádio digital, é preciso que se invista na qualidade de programação com uma coordenação eficaz que não se preocupe apenas com o arrendamento do programa, mas sobretudo, com sua qualidade.

Um instrumento de democracia

Os radialistas precisam se engajar pelos seus direitos, pela garantia de emprego, pela valorização de seu trabalho. Não adianta apenas criticar o sindicato sem participar, não adianta reclamação de bastidores contra os proprietários de rádio, é preciso desenvolver uma luta engajada sem interesses individuais. É importante que os profissionais de rádio pensem coletivamente na luta pelo alcance de melhores condições de trabalho e de geração de emprego no rádio. A figura do operador de áudio está desaparecendo, pois hoje em algumas rádios locutores já operam o som e fazem a locução, desempregando um trabalhador.

O rádio é importante e precisa de agentes fortes para evitar o seu fim, pois a sociedade será frontalmente prejudicada ao perder espaço para ser ouvida. O rádio precisa continuar e sua continuidade só será possível se a luta por uma comunicação verdadeira e interativa for incentivada e buscada na organização firme dos que fazem o rádio e dos que o ouvem. O rádio sempre foi e será um instrumento de democracia, de união e de fortalecimento do processo de mudança da sociedade, com o fim das injustiças e com a certeza de um mundo melhor e mais justo para todos.

Ridicularizados e desacreditados

Às vezes, a gente sente que o que dizemos são palavras ao vento, pois não há repercussão nem polêmica no que alertamos e a passividade dos que fazem o rádio é muito grande neste momento. O alerta vem sendo dado no rádio de hoje – grandes radialistas têm perdido espaço, algumas emissoras AM têm se tornado grandes vitrolões e ninguém faz nada. Nossas representações populares esqueceram o rádio. A proposta de Conferência Nacional de Comunicação tem excluído o rádio das discussões e parece-nos que a luta pelo rádio é inglória ou sem sucesso.

Onde estão os políticos oriundos do meio rádio? Por que os jornais não abrem espaço para o rádio e sua discussão? Por que as agressões continuam? Por que não se abre a caixa preta do rádio? A experiência da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará precisa ser imitada em todos os locais do país, pois achamos que somente ouvintes organizados, exercendo seu poder de consumidor, poderão modificar o quadro de penúria do velho companheiro rádio, que precisa ser respeitado pelas outras mídias que têm todo o avanço tecnológico, mas não têm o poder da versatilidade, do imediatismo e da força democrática que só o rádio tem, o que tem sido objeto de todo tipo de ação objetivando sua destruição.

O que alenta é que ainda existem pessoas que acreditam no radio e, mesmo ridicularizados e desacreditados, estarão firmes numa luta que é com certeza verdadeira, forte e precisa de mais força e mais crédito para que o rádio seja o que sempre foi…

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Vice-presidente da Associação de Ouvintes de Rádio do Ceará, Fortaleza, CE

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