Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Reconhecimento ou responsabilidade?

Por Rodrigo Tardio Resende em 20/10/2009 na edição 560

O sonho de ingressar em uma universidade para ser famoso, aparecer na TV, ser ouvido em alguma rádio na hora do noticiário ou ter sua matéria lida por milhares de fiéis leitores de um jornal impresso, com certeza é o objetivo de vários jovens e adultos que procuram o curso de Jornalismo de uma faculdade pública ou privada. Mas será que a pessoa com estas possíveis intenções estaria no curso certo? Seria este o melhor caminho para tal finalidade?

O perfil dos alunos que procuram o jornalismo é o de ser reconhecido. Com certeza, a escolha não seria feliz se tais objetivos fossem os únicos. O que falta para estas pessoas são orientações e conhecimentos sobre o que realmente é ser um bom profissional jornalista.

Talvez a vivência acadêmica ajude a esclarecer e nortear futuros jornalistas, assim como pode afastar vários que pretendiam ser, já que inúmeros abandonam a caminhada ao perceberem que a realidade é outra. Jornalismo não é teatro, muito menos palco para modelos. Jornalismo é responsabilidade, criatividade, é ter o faro da notícia, é ética e conhecimento.

Com o fim da exigência do diploma, existem aqueles que ainda tentam ingressar na área por ter um rosto bonito, um corpo bem feito, ou ainda por terem participado de alguma campanha ou trabalho direto nos meios de comunicação. O pior de tudo isso é que conseguem – porém a carreira sempre tem vida efêmera.

Um único culpado

As escolas de Jornalismo precisam criar métodos e caminhos para que os estudantes estejam conscientes do que a profissão representa e o que ele pode e deve representar no futuro perante a sociedade. Ora, se adotassem estes procedimentos, sem dúvida evitariam que diversos estudantes perdessem tempo e, o mais importante, dinheiro.

Defendo o sentido weberiano de que o profissional de jornalismo tem que estar a serviço da sociedade, e não desta ou aquela empresa, coisa que na maioria dos casos fica difícil ser seguida pelo modo com que estamos inclusos em um sistema capitalista que impera no nosso país e reflete também no nosso cotidiano profissional.

Em pleno século 21, observa-se o avanço tecnológico que, de certa forma, viabiliza um fácil sistema de comunicação, onde todos enviam e recebem mensagens através de uma rede mundial chamada internet. Com isso, o profissional da comunicação, especificamente o jornalista, precisa consolidar e até buscar o seu espaço. Como isso pode ser realizado? Ora, a partir do momento que coloquemos os nossos conhecimentos em prática, nos diferenciando de uma legião de charlatões ou autodidatas, que podem até ter certo conhecimento. Mas, é aí que volto ao início de minha discussão e afirmo que o respeito aos meios acadêmicos não deve ser esquecido. Portanto, falando como jornalista, atribuo a atual fase da nossa profissão, que não vive um bom momento, a um único culpado: nós mesmos. Precisamos nos impor, mostrar o nosso valor, pois imaginemos que, diante de todo este discurso sobre a formação acadêmica de um comunicador, não apareça o conhecimento adquirido ao longo de toda a jornada.

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Estudante de Jornalismo e professor de Educação Física, Salvador, BA

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