Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

DIRETóRIO ACADêMICO > ENCONTRO DA RENOI

Rede de relacionamentos, de troca, de cooperação

Por Janaína Lazzaretti em 12/06/2007 na edição 437

Entre os dias 31 e maio e 2 de junho, pesquisadores, jornalistas e estudantes ligados à Rede Nacional de Observatórios da Imprensa (Renoi) reuniram-se na cidade de Vitória (ES). O objetivo foi discutir a consolidação da Rede, sua estrutura atual e os desafios metodológicos do trabalho de crítica da mídia no Brasil. Durante o evento, foram apresentadas as experiências e os projetos que vêm sendo realizados por alguns dos observatórios ligados à Renoi. Já os estudantes tiveram a oportunidade de participar de oficinas e minicursos oferecidos pela organização do Encontro.

Ainda na noite de abertura, na quinta-feira (31/5), os participantes puderam assistir a um depoimento do jornalista Alberto Dines, pioneiro nos trabalhos de crítica da mídia no Brasil e um dos fundadores do Observatório de Imprensa. Dines classificou a Renoi como uma ‘seqüência natural ao trabalho do Observatório‘. Em seguida, o professor Luiz Gonzaga Motta, editor-geral do Mídia&Politica fez a conferência de abertura do Encontro.

Na sua exposição, Motta fez alguns apontamentos teóricos sobre as relações entre homem e linguagem e ressaltou a importância social do exercício da crítica dos meios de comunicação. Segundo ele, esse trabalho deve se pautar numa leitura hermenêutica, enquanto processo e método interpretativo marcado pela responsabilidade ética, social, que seria capaz de reduzir a distância entre a mídia e o público. Otimista, finalizou com a esperança de que os caminhos de emancipação do sujeito/analista possam solucionar o exercício da crítica da mídia no Brasil.

Dificuldades e desafios

No início da manhã de sexta-feira (1/6), ocorreu a primeira oficina dirigida aos alunos. O professor Luiz Martins da Silva apresentou a experiência do SOS-Imprensa, projeto de extensão que coordena na Universidade de Brasília. O objetivo do SOS-Imprensa é assessorar gratuitamente o cidadão comum em casos de erros e abusos da mídia. O professor explicou a diferença de conceitos como: injúria (ofensa à dignidade ou ao decoro); difamação (ofensa à reputação); e calúnia (acusação falsa de crime). Além disso, ele indicou os caminhos legais pra resolver esses problemas, como a retificação (correção de informação errada); a retratação (reconhecimento de inverdade e erro e pedido de desculpas); a réplica (debate, ou resposta quando alguém é citado); a resposta (publicação da defesa da parte ofendida, na mesma proporção) e a reparação (compensação por danos morais e materiais). Foi discutida ainda a importância do trabalho do jornalista, da ética e da necessidade de checar cuidadosamente os fatos [ver, neste Observatório, ‘Reparação de danos, conceitos básicos‘].

Logo após a oficina, os grupos que compõem a Renoi tiveram a oportunidade de se conhecer melhor. Foram apresentados os objetivos de cada observatório, os perfis de cada componente da rede, assim como as principais dificuldades e desafios.

Novos rumos

Pela tarde, foi a vez dos grupos mais recentes se apresentarem. Marcos Santuário da Feevale (RS) falou sobre o projeto do site Mídia em Foco, que irá monitorar a imprensa gaúcha, além de incentivar os alunos à questão da crítica dos meios. Wellington Pereira, professor da Universidade Federal da Paraíba, apontou o enfoque que suas análises traçam, a sociologia do jornalismo no cotidiano nos periódicos de João Pessoa.

No final da tarde, durante uma mesa sobre as experiências nacionais de crítica da mídia, Guilherme Canela, da Agência de Notícia dos Direitos da Infância (ANDI), mostrou sua preocupação com uma imprensa socialmente responsável. Citou, dentro dos objetivos da ANDI, a qualificação dos jornalistas e a abertura dos observatórios a um diálogo com a mídia. Ele discutiu ainda a necessidade de se estabelecer parâmetros metodológicos precisos no que tange a uma lógica de qualificação da cobertura jornalística.

A professora Thaïs de Mendoça, do Mídia&Política, ressaltou as funções dos observatórios enquanto ‘faróis’, que fiscalizariam a imprensa e os profissionais e formariam o cidadão comum na leitura da mídia. Luiz Egypto, do Observatório da Imprensa, comentou da importância do site como espaço de crítica aberta não só à academia, mas a todos os interessados no debate sobre o jornalismo.

No sábado, último dia do encontro, as discussões buscaram definir os novos rumos, os desafios metodológicos e a consolidação da Rede Renoi.

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Estudante de jornalismo na Universidade de Brasília, webmaster do Mídia&Política

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