Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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Sarah Palin e os tubarões

09/09/2008 na edição 502

Em sua coluna de domingo [7/9/08], o ombudsman do New York Times, Clark Hoyt, teve como tema a candidata republicana à vice-presidência americana, Sarah Palin. Steve Schmidt, estrategista da campanha do candidato republicano à presidência, John McCain, afirmou em entrevista ao Washington Post, na semana passada, que a mídia está em ‘uma missão para destruir’ Sarah e que o NYTimes, em particular, havia escrito ‘um trabalho de ficção’ sobre como ela foi avaliada antes de ser escolhida pelo partido.

Schmidt não foi o único. Karl Rove, que coordenou as duas campanhas do presidente George W. Bush e é hoje comentarista da Fox News, afirmou que o NYTimes ‘não entendeu’ a avaliação de Sarah. O ex-senador Fred Thompson acusou o diário de tentar ‘puxá-la para baixo’ ao focar, ‘de maneira inapropriada’, em seus filhos. Alguns leitores escreveram ao jornal para compartilhar da mesma opinião.

Celebridade

Em menos de uma semana, a desconhecida Sarah virou celebridade. A publicação de matérias sobre sua vida pelo NYTimes era inevitável e correta, defende Hoyt: se McCain, de 72 anos, for eleito daqui a dois meses, será o presidente mais velho a tomar posse pela primeira vez nos EUA; a governadora do Alasca ocupará o segundo posto mais importante do país. Desta forma, é natural que sua família ganhe destaque na mídia. Como bem apontou Bill Keller, editor-executivo do diário, ‘o senador McCain apresentou a experiência que Sarah tem como mãe como uma de suas habilidades para o cargo’. Ela tem cinco filhos.

O artigo do NYTimes que mais gerou críticas foi publicado na capa. Escrito por Elisabeth Bumiller com informações apuradas por cinco repórteres, o texto sugeria que a notícia da gravidez da filha de Sarah – Bristol, de 17 anos – levantava a questão de como McCain avaliou o histórico de sua vice. A matéria dizia ainda que diversas figuras políticas do Alasca não lembravam de ninguém da campanha republicana ter perguntado sobre a governadora.

Contradições

Curiosamente, dois dias antes da publicação deste artigo no NYTimes, o Washington Post havia publicado uma matéria que dizia que Sarah havia sido rigorosamente avaliada até mesmo pelo FBI e que, ‘longe de ser uma escolha estratégica ou segunda opção quando alternativas melhores foram eliminadas, ela estava no pensamento de McCain desde o começo do processo de seleção’.

Segundo Hoyt, a matéria do NYTimes era falha. Ela afirmava que Sarah teria sido filiada por dois anos ao Partido para a Independência do Alasca, favorável à separação do estado dos EUA, e que esta revelação era ‘potencialmente vergonhosa’. A acusação foi baseada em uma declaração da presidente do partido, Lynette Clark – o que não foi informado aos leitores. ‘Tínhamos que ter informado isto’, admitiu Elisabeth. Na verdade, o marido de Sarah havia pertencido ao partido por algum tempo. A informação foi corrigida pelo diário.

Já a sugestão do NYTimes sobre a pouca avaliação da vice de McCain acabou reforçada posteriormente pelo Post, que publicou, no dia seguinte, que uma entrevista detalhada de Sarah com o chefe da equipe da campanha republicana só ocorreu no dia anterior a sua escolha. O diário de Washington também admitiu que não era correta a informação de que o FBI havia investigado a governadora.

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