Domingo, 13 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1058
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Ser ou não ser? Eis a questão

Por Amanda Campos em 15/09/2009 na edição 555

Profissão ingrata, jornalismo; salário baixo, muitas horas na redação e agora a concorrência desleal. O pior é saber que concorremos com pessoas ‘criativas’, mas que não são jornalistas, ou seja, não têm formação para exercer a profissão. Criativas? Sim. Essa é a justificativa da lei que diz ‘que basta ao indivíduo ser criativo e dinâmico para conseguir exercer essa profissão’.

E o que pensam os meus colegas, assim como eu, que passaram tempos debruçados em livros, chegando tarde em casa, após horas na faculdade? E o que não pensam aqueles que tinham que trabalhar para pagar sua faculdade? Para onde vai o nosso esforço para obtermos uma certificação, se agora literalmente nosso diploma vai para o lixo?

É, pelo menos nos conformamos com alguns leitores atentos que percebem a diferença de um veículo de comunicação que tem um jornalista responsável e aqueles meios de comunicação que ‘reproduzem’ notícias, utilizam o Ctrl V e o Ctrl C e às vezes até escrevem Deus (pai e único) assim: ‘deus’. São esses leitores atentos que nos dão a segurança de que estamos sendo ‘observados’, de que nosso trabalho é sério e de que muitos desses leitores, sendo comerciantes, não divulguem suas marcas em jornais sem credibilidade, que nem ao menos se preocupam em contratar um revisor para corrigir os possíveis erros antes desses serem veiculados.

Também nos conformamos com o ‘esforço’ dos grandes jornais em preservar a profissão, quando declaram que não contratarão pessoas que não tenham nível superior em jornalismo. Se já era difícil conseguir uma oportunidade no mercado de trabalho, como ficará agora se a mídia ‘abrir mão’ e começar a contratar quem não tem formação? A concorrência é ou não é desleal?

Profissionais, não uma réplica falseta

É claro que não sabemos de tudo! Temos nossas dificuldades, mas apresentamos conhecimentos básicos: levantamento de pauta, revisamos nossas matérias, checamos as informações. Sabemos o sentido de verificar as fontes e o que é o lead, dentre muitos outros contextos que aprendemos em uma faculdade.

Quando me perguntaram se eu não protestaria por concorrer com pessoas que abusavam dos erros de português nos jornais e que até mesmo escrevem ‘deus’, eu disse que o próprio mercado se incumbiria de tirar essas pessoas de circulação. O que dizer nessa hora, pois se esse indivíduo não cuida do bem maior que é Deus, que cuidado ele terá com a comunicação?

Ai, que alívio que eu tenho de não ter feito uma faculdade apenas pelo diploma, pois se assim o fosse, estaria frustrada, arrasada e, quem sabe, arrancando os cabelos. Mas, pelo contrário: sinto orgulho em fazer o que faço; escrever de forma ética, sabendo discernir o certo do errado, sabendo citar fontes, e não plagiar. São cuidados como esses que nos alavancam, que nos fazem sentir seguros na nossa formação. Erramos? É claro que erramos, porém muitos desses erros puderam ser revistos na faculdade e ‘consertados’ em tempo para que não possamos cometê-los agora, como profissionais.

Ah, sim, podemos também dizer que somos profissionais, e não uma réplica falseta de jornalista. Não vamos nos preocupar se iremos perder o espaço ou não, pois o próprio mercado se encarregará de tomar essas decisões.

Se não ganhamos dinheiro com a profissão e ainda não temos valor pela nossa formação, pelos menos nos conformamos em ser criativos.

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Jornalista e pós-graduada em Comunicação

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