Segunda-feira, 14 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1058
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Sinais de TV e rádio são cortados em Honduras

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 07/07/2009 na edição 545


Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 6 de julho de 2009


 


HONDURAS
Fabiano Maisonnave


TVs locais e estrangeiras foram tiradas do ar


‘O governo interino de Honduras bloqueou ontem os sinais de TV e rádio no país para impedir que a população acompanhasse a tentativa frustrada do pouso no aeroporto de Tegucigalpa do avião que levava o presidente deposto, Manuel Zelaya. A medida atingiu tanto emissoras estrangeiras quanto nacionais.


Às 16h30 locais (19h30 pelo horário de Brasília), quando o sinal foi interrompido em meio aos confrontos nos arredores do aeroporto, o canal 11 era a única emissora hondurenha que transmitia as cenas de violência -os demais, que apoiam o governo interino de Roberto Micheletti, continuaram a sua programação normal.


Emissoras de TV a cabo como a americana CNN em espanhol, bastante vista nos últimos dias em Honduras, deixaram de ser transmitidas por cerca de 45 minutos.


No mesmo período, foi imposta às emissoras nacionais uma programação oficial que reprisou imagens da entrevista coletiva dada horas antes por Micheletti, na qual o presidente interino acusou a vizinha Nicarágua de enviar tropas à região da fronteira.


As TVs hondurenhas também voltaram a exibir o discurso pronunciado no sábado pelo influente arcebispo Oscar Andrés Rodríguez, exortando a Zelaya a não voltar para evitar um ‘banho de sangue’.


Desde a deposição de Zelaya, a Conatel (Comissão Nacional de Telecomunicações), sob intervenção de autoridades militares, vem retirando do ar, por alguns períodos, meios de comunicação favoráveis ao presidente deposto.’


 


 


LUTO
Boris Casoy


O pequeno notável


‘HÁ UM mês morria o jornalista Getúlio Bittencourt. Durante meses ele lutou contra um câncer que se instalara em seu pulmões e no cérebro.Tinha 57 anos.


‘Getulinho’ -como o chamavam na redação da Folha, devido à sua baixa estatura- foi um jornalista singular. Acima de tudo, era vocacionado. Inteligente, possuidor de uma cultura geral acima da média, era dotado de inata memória auditiva. Seu cérebro era um verdadeiro gravador. Era capaz de ‘gravar’ longos diálogos e reproduzi-los com perfeição.


Mineiro, recém-vindo de sua cidade natal, Governador Valadares, a excelência de seus textos logo chamou a atenção das chefias do jornal. Rapidamente foi transferido para a Redação da Folha.


Fala mansa, boa conversa, educado, logo soube conquistar preciosas fontes de informação, sobretudo na política, numa quadra difícil da vida nacional, nos anos 1970. De repórter, foi promovido a editor de política. Em seguida tornou-se repórter especial.


Vivi com ele e com o também saudoso Leleco, Haroldo Cerqueira Lima, um dos episódios jornalísticos mais importantes do período militar: a célebre entrevista do general João Baptista Figueiredo, que valeu a ambos o Prêmio Esso.


Corria o mês de abril de 1978.. Eu, então editor-responsável da Folha, recebi um telefonema de Brasília confirmando para o dia 4 a entrevista que pedira ao general Figueiredo, então já ungido sucessor de Ernesto Geisel. Na falta de Ruy Lopes, de férias, decidi enviar Getulinho para, em parceria com Leleco, entrevistar o futuro presidente. Pedi a ambos que gravassem a entrevista para evitar qualquer mal-entendido, que, naqueles tempo bicudos, podia custar caro.


Terminada a entrevista, Getulinho e Leleco me disseram por telefone que Figueiredo ficara muito irritado. Por algum equívoco de sua assessoria, supunha que eu faria a entrevista. O general decidiu, então, transformar a entrevista numa conversa que poderia ser publicada. Proibiu tanto a gravação quanto as anotações. Exigiu que os gravadores (eu havia recomendado que levassem dois aparelhos) ficassem sobre o sofá.


Na volta à Redação, Getúlio usou sua prodigiosa memória. Ele e Leleco ‘reproduziram’ a conversa, que durara mais de hora e meia. Concluído esse trabalho, exausto, Getulinho atirou-se num sofá e dormiu.


À medida que o diálogo ia sendo reconstituído, perplexo, eu recebia em São Paulo trecho por trecho da reportagem. Em linguagem grosseira, Figueiredo se desnudava perante o país. Mesmo sabendo dos riscos, decidi publicar a entrevista.


Dois dias depois, recebo um telefonema irado do quase presidente Figueiredo. Ele se dizia traído por Getúlio e Leleco porque, segundo ele, a conversa havia sido gravada. Retruquei, lembrando que, a pedido dele, os gravadores, desligados, tinham ficado sobre o sofá. E que Getúlio tinha memória auditiva. ‘Memória auditiva nada. Ele estava com um gravador enfiado no c…’, disse Figueiredo, desligando o telefone.


A repercussão da entrevista foi enorme. Certamente contribuiu para que se conhecesse melhor aquele que seria nosso presidente. E seguramente ampliou o horizonte do tratamento que a imprensa dispensava aos governos militares.


Catapultado para a fama, da Folha, onde chegou em 1975, Getúlio foi para a revista ‘Veja’ em 1979, trabalhando em São Paulo e em Brasília. Em 1983, contatado pela ‘Gazeta Mercantil’, foi editor de política e editor sênior. Em 1987, convidado pelo presidente José Sarney, Getúlio Bittencourt assumiu a Secretaria de Comunicação da Presidência da República. Enfastiado com os hábitos da política palaciana, foi nomeado para a presidência da EBN, a Empresa Brasileira de Notícias.


Com Sarney, Getúlio tinha dupla função: a de secretário de Comunicação e a de astrólogo. Nunca entendi essa faceta do jornalista. Ele classificava astrologia como ciência.


Getúlio conta num de seus livros, ‘À Luz do Céu Profundo’, que provocou a mudança do horário da sessão do colégio eleitoral que elegeu Tancredo Neves. No hora prevista inicialmente, os astros apontavam a possibilidade de uma vitória de Paulo Maluf. Getúlio levou sua preocupação a Thales Ramalho, que, autorizado por Tancredo, conseguiu negociar a mudança do horário, conforme ‘recomendavam’ os astros.


Getúlio Bittencourt, de volta à ‘Gazeta Mercantil’, passou 11 anos como correspondente nos EUA. Em seguida, de 2001 até o ano passado, dirigiu a Redação do ‘DCI – Diário do Comércio e Indústria’. Seu último trabalho foi na edição brasileira da ‘Harvard Business Review’.


Aqui deixo um pequeno registro sobre Getúlio Bittencourt, o pequeno notável.


BORIS CASOY, jornalista, é âncora do ‘Jornal da Noite’, da Rede Bandeirantes. Foi editor-responsável da Folha (1974-1976 e 1977-1984).’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


‘Un muerto’


‘CNN en Español, da Time Warner, e Telesur, de Hugo Chávez, cobriram os choques no aeroporto de Tegucigalpa de forma muito diversa, no episódio em que o deposto Manuel Zelaya tentou voltar. A primeira mostrou cenas da violência em meio a uma entrevista ao vivo com o ‘representante’ em Washington do governo atual, dizendo que Zelaya arriscava provocar ‘banho de sangue’ no país.


A Telesur, de seu lado, concentrou-se em ouvir o próprio Zelaya por telefone, do avião, dizendo que queria negociar de maneira ‘pacífica’ -e depois sua desistência, pelos ‘obstáculos na pista’. Entrevistou também o próprio Chávez, ao vivo, com ameaças aos militares de Honduras, que precisariam ‘refletir’. Por fim, deu cenas dramáticas da repressão à ‘manifestação pacífica’ na capital.


No auge do conflito, CNN en Español e outras passaram a reproduzir imagens e declarações da Telesur. Sem sinal pela operadora Net, no Brasil, o canal de notícias foi seguido pela internet.


Em manchetes postadas em capítulos, Folha Online, ‘New York Times’, ‘El País’ e outros seguiram com agências o anúncio do retorno, depois a desistência de outros presidentes, o veto ao pouso. Por fim, por volta de 20h, ‘un muerto’.


‘GO BICS’


Sob o título ‘Deixe que outros comprem’, a nova ‘Time’ reflete a desesperança econômica de EUA, Europa e Japão e proclama, como torcida, ‘Go Bics!’. Vão Bics!, ou seja, Brics sem a Rússia. Brasil, Índia e China (ilustração acima) devem puxar a economia global nesta crise. A revista indiana ‘The Week’, na mesma linha, sublinha o ‘papel maior’ à espera dos Brics, já que desta vez os EUA não devem ‘liderar o mundo de volta ao crescimento’.


Daí por que, no enunciado da agência Bloomberg, fechando a semana, ‘Emergentes alcançam proporção recorde dos papéis mundiais’.


OS MAGNÍFICOS


A versão em inglês do russo ‘Rossiyskaya Gazeta’, ‘Russia Now’, publicada pelo londrino ‘Telegraph’, também dedica longos textos aos Brics, nesta semana de visita do americano Barack Obama a Dmitri Medvedev.


A entrevista com o economista Arkady Dvorkovich, assessor do presidente russo, é intitulada ‘Brasil, Rússia, Índia e China: Os quatro magníficos países Brics’.


O GRANDE DEBATE


‘O Grande Debate do Dólar’, prenunciou ontem o site The Big Money, sobre o encontro das ‘potências ocidentais’ com os Brics, também nesta semana, na Itália. Na avaliação da agência Reuters, o dólar será ‘o tema mais delicado’ da cúpula.


Na manchete on-line do ‘China Daily’, ‘China não vai pressionar por nova moeda global’. Logo abaixo, no texto, ‘mas quer discutir’.


A GM CONTINUA


O ‘Los Angeles Times’ destacou reportagem sobre o ‘êxito da GM na América Latina’, com ‘veículos eficientes de sua unidade do Brasil’ e vendas ‘promissoras para o futuro’ da empresa americana


PALIN CONTRA A MÍDIA


Em escalada de ataques à imprensa americana, a republicana Sarah Palin anunciou em sua página no Facebook e pelo Twitter a renúncia ao governo do Alasca. Não faltam ameaças de processar ‘New York Times’, ‘Washington Post’ e o site Huffington Post. No caso dos dois primeiros, ela não quer nem perguntas sobre um eventual escândalo sob investigação federal.


O primeiro registro do ‘rumor’ saiu no HuffPost, na sexta, em blog de Shannyn Moore. O site voltou ao tema ontem com um outro blogueiro postando -e desafiando, no final, ‘me processe’.


AO LARGO


Como destacou o site Mashable, deixados de lado por Palin, hoje uma celebridade americana, AP, ‘WP’ e demais trataram de cobrir seus ‘tweets’ e mensagens postadas no Facebook (acima), para seguir na cobertura


MURDOCH E O TWITTER


Do magnata Rupert Murdoch ao TheStreet.com, sobre Twitter: ‘É um fenômeno assombroso, mas eu não tenho ideia de que como vão monetizá-lo. Ninguém faz dinheiro na web hoje, fora os sites de busca’.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


Para SBT, Gugu faz papel de vítima para evitar multa


‘A cúpula do SBT concluiu que Gugu Liberato fez de propósito o papel de vítima, preservando sua imagem de bom-moço, no episódio de sua troca de emissora -ele assinou contrato de oito anos com a Record, no dia 24. Avalia-se que Silvio Santos, injustamente, ficou com o papel de vilão, principalmente por ter mudado o horário do ‘Domingo Legal’.


Ao fechar com a Record, Gugu teria dito que cumprirá seu contrato com o SBT até o final, em março de 2010, porque não quer sair pelos fundos.


Para o SBT, isso é ‘marketing’. Além de reforçar a imagem de bom-moço, seria uma estratégia de Gugu e da Record para não pagar multa de rescisão, que seria de R$ 9 milhões (e não de R$ 15 milhões), e forçar uma saída ‘sem ônus’.


Diretores do SBT ainda buscam uma estratégia para reverter o quadro, colocando Gugu no papel de vilão e Silvio Santos no de vítima. Argumentam que, se quisesse mesmo evitar conflito com o SBT, Gugu não teria assinado com a Record com tanta antecedência, porque isso inevitavelmente cria indisposição com Silvio Santos.


Os assessores do SBT ainda lamentam que a mudança de horário do ‘Domingo Legal’ tenha sido interpretada como retaliação. Dizem que foi uma estratégia de programação.


Gugu não tem dado entrevistas. Seus assessores o defendem dizendo que o apresentador cumpriu cláusula contratual em que dava ao SBT preferência na renovação, que ele assinou com a Record com antecedência para ‘evitar leilão’ e que tem como norma cumprir todos os contratos.


TV FELIZ 1


O SBT adotará novo slogan em agosto, quando comemora 28 anos. Será ‘SBT: a TV Mais Feliz do Brasil!’. A campanha, criada pela Talent, nova agência de publicidade da emissora, foi aprovada sexta-feira..


TV FELIZ 2


Daniela Beyruti, diretora-geral do SBT, revelou o slogan no Twitter. Apagou logo em seguida, mas já era tarde.


BLINDAGEM


A Record colocou seguranças na porta do estúdio em que Ana Hickmann gravou o ‘Tudo É Possível’. Funcionários de outras produções não podiam entrar. A medida visava impedir o vazamento de erros de gravação. Ana levou dois dias para gravar o primeiro programa.


PÉ FRIO 1


‘Esporte Fantástico’, o genérico da Record para o ‘Esporte Espetacular’, estreou ontem mal no Ibope. Segundo dados preliminares, deu 3,9 pontos, contra 5,4 do SBT e 12 da Globo no horário.


PÉ FRIO 2


Além do formato, o ‘Esporte Fantástico’ teve outras duas coincidências com o original da Globo: entrevistas com Kaká e Luiz Felipe Scolari. Apostou em judô e handebol ao vivo, mas os brasileiros foram mal nas duas competições.


ESTILO


A Record contratou um personal stylist para Geraldo Luís, que estreia hoje no comando do ‘Geraldo Brasil’, às 16h. O ‘Programa da Tarde’ acabou.’


 


 


Cristina Fibe


Fim do 5º ano de ‘Grey’s’ reflete bastidores da trama


‘É fato que os finais de temporada sempre deixam algo a resolver, para alimentar a ansiedade pelos novos (e demorados) episódios do ano seguinte.


Mas ‘Grey’s Anatomy’ exagera: o último minuto de sua quinta temporada deixa questões fundamentais em aberto -só que a produção parece menos preocupada com o público do que com a negociação vai-e-vem de atores fundamentais, como Katherine Heigl (Izzie) ou T.R. Knight (George).


Hoje, quando já se sabe que a primeira continua na série e o segundo, não, a Sony exibe os dois episódios finais na sequência. Quem não gosta de spoilers, é melhor abandonar a leitura.


No penúltimo, a iminente união oficial de Derek e Meredith é ameaçada pelo discreto ataque de nervos da protagonista, que tenta convencer a doente terminal Izzie a recusar a operação proposta por Derek para salvá-la.


O drama não acaba aí: Izzie ainda perde a nova melhor amiga, uma paciente com câncer parecido com o dela e que lhe dá esperanças de cura -o que vai pelo ralo quando a colega entra em estado vegetativo. Depois disso, Izzie se entrega às mãos ‘em crise’ de Derek, e ainda há risco de morte.


Ok, quando o episódio foi ao ar nos EUA, há quase dois meses, as negociações para renovar Katherine Heigl não iam bem, e era compreensível colocá-la na berlinda.


A maior surpresa, aqui, é o corte de George, personagem de T.R. Knight. Primeiro, ele causa a revolta dos colegas ao se alistar como voluntário para a Guerra no Iraque. Dali a pouco, ele é atropelado por um ônibus. E nem se sabe se sobreviverá.


Negociações à parte, fato é que um momento importante como o do casamento de Meredith e Derek fica completamente ofuscado pelas decisões de última hora dos roteiristas.


GREY’S ANATOMY


Quando: hoje, às 22h


Onde: na Sony


Classificação: não informada’


 


 


Fim do 2º ano de ‘Private’ vai ao ar hoje


‘‘Private Practice’, série médica derivada de ‘Grey’s Anatomy’, também tem fim de temporada exibido hoje na Sony, às 21h. Apesar das semelhanças com ‘Grey’s’ -as duas tiveram até histórias ‘cruzadas’ neste ano-, ‘Private’ tende mais à comédia que ao drama. O segundo ano da série se encerra acentuando as confusões amorosas da charmosa protagonista, Addison (Kate Walsh).’


 


 


FLIP
Marcos Strecker e Sylvia Colombo


Festa de profissionais


‘A sétima edição da Festa Literária Internacional de Paraty terminou ontem refém de palestrantes profissionais, característica de suas principais estrelas -o jornalista Gay Talese, o historiador Simon Schama e o biólogo Richard Dawkins.


Independentemente do fato de terem dado boas palestras ou não, ficou evidente que choveram no molhado. O que se ouviu em suas falas, basicamente, foi o mesmo pot-pourri que vêm veiculando via imprensa, discursos e livros sobre suas principais ideias.


Surpresa entre o grupo de estrelas, António Lobo Antunes, o único nome propriamente literário de peso, arrebatou o público numa das mesas mais festejadas do encontro, com um discurso emotivo em que revelou suas fortes relações com o Brasil. O português disse que autores como Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro e Márcio Souza tiveram papel essencial de incentivo à sua carreira. Também mostrou que a poesia brasileira é uma influência fundamental e demonstrou particular admiração por Paulo Mendes Campos, que considera pouco valorizado no Brasil. Foi a melhor mesa da Flip.


Seleção dos convidados


O diretor de programação do evento, Flavio Moura, disse ontem que sua avaliação do desempenho dos autores foi ‘a melhor possível’. A sensação que ficou, porém, foi de uma satisfação pouco ousada, como se a Flip tivesse abdicado da ambição de ter uma marca diferenciada com relação a outros grandes eventos literários.


Moura disse que o primeiro critério para selecionar o time de convidados é sempre o da ‘qualidade’. De fato, o que se viu foi um amontoado de bons nomes desfilando pela Tenda dos Autores. Porém, poucos foram questionados de modo mais enérgico ou instados a dizer algo além do discurso habitual. Faltou surpresa, originalidade e revelações nas mesas da Flip. As mediações foram brandas e com pouca habilidade para alimentar o debate.


A exceção foi com Gay Talese, quando o jornalista Mario Sergio Conti, da revista ‘Piauí’, encurralou o entrevistado. O jornalista americano, um dos criadores do ‘new journalism’, saiu da zona de conforto e precisou lidar com a embaraçosa questão das infidelidades no seu casamento de 50 anos -tema de seu próximo livro.


Esse ‘fogo amigo’ foi uma exceção num conjunto de mesas em que uma verdadeira ‘ação entre amigos’ predominou, como na mesa de Chico Buarque e Milton Hatoum, que ficaram trocando elogios..


Apesar disso, o encontro, um dos mais esperados da festa, foi positivo, pois pela primeira vez o compositor falou abertamente do recém-lançado ‘Leite Derramado’ e esclareceu dúvidas literárias sobre a obra.


Mesas sem estímulo


Convidados que trataram de temas a princípio atrativos para um público amplo, como a francesa Catherine Millet, que transformou confissões sexuais em um mega best-seller, e o americano Alex Ross, que faz aproximações entre pop e música erudita, participaram de debates que não decolaram por falta de estímulo.


Apesar do sucesso de público do encontro entre os ex-namorados Sophie Calle e Grégoire Bouillier, a ruptura traumática de ambos, que seria o tema do debate, se mostrou falsa. Fora da mesa, eles andaram juntos e até foram a uma festa.


Apesar de a organização ter afirmado que todos as mesas tiveram vendas esgotadas, em várias delas havia lugares vazios. Um caso emblemático foi o debate da irlandesa Anne Enright com o americano James Salter, na tarde de sábado, quando cerca de metade dos lugares estavam vagos.


Quem surpreendeu ao levantar a plateia no domingo pela manhã foi o historiador ‘showman’ Simon Schama. Matou um inseto que o incomodava, deu uma dançadinha e manteve o público interessado pelo retrato dos EUA que construiu a partir da eleição de Barack Obama. Curiosamente, foi o único palestrante a falar de política internacional, tema em geral muito presente nas edições anteriores. Schama será sabatinado hoje pela Folha.


A organização da Flip informou que foram vendidos 35.200 ingressos. Segundo a Secretaria de Cultura local, a cidade recebeu entre 15 e 20 mil visitantes.


Mauro Munhoz, o presidente da Casa Azul, ONG que organiza a festa, disse estudar a possibilidade de, a partir de 2010, tirar do centro histórico algumas atrações, para evitar grandes aglomerações de gente e problemas de acesso.


A Flip se encerrou na noite de ontem com a leitura de trechos dos livros preferidos de autores convidados do evento. Participaram Tatiana Salem Levy, Rodrigo Lacerda, Mario Bellatin, Sophie Calle (que leu trechos do livro do ex-namorado Grégoire Bouillier), Anne Enright, Atiq Rahimi e James Salter.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 6 de julho de 2009


 


INTERNET
O Estado de S. Paulo


Site proibido pelo MP ficou no ar no fim de semana


‘Durante o fim de semana foi possível acessar e conseguir dados sigilosos no AP Informação Cadastral & Comercial, site proibido a pedido do Ministério Público Estadual na última sexta-feira. O endereço eletrônico deveria ter sido tirado do ar por vender informações confidenciais, como endereços residenciais, telefones celulares, contatos de vizinhos, parentes e renda de autoridades do Legislativo, Executivo e Judiciário ou de qualquer outra pessoa, como jogadores de futebol. Mas, 48 horas após a suspensão, o conteúdo ainda podia ser consultado por clientes já cadastrados, que pagam R$ 25 por mês pelo serviço.


O promotor Luiz Henrique Dal Poz, do núcleo da capital do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), informou ontem que teve conhecimento sobre a permanência do site no ar. Segundo ele, apesar da hipótese de desobediência judicial não estar descartada, o motivo principal para a continuidade do serviço deve ter sido falta de tempo hábil para a Justiça comunicar o provedor sobre a ordem de suspensão.. ‘A ordem da juíza (para a retirada do site) foi no final da noite de sexta-feira. Amanhã (hoje), vamos apurar melhor o que aconteceu.’


Na manhã de sexta-feira, o Gaeco, com ordem judicial, conseguiu na sede da empresa proprietária do AP Informação dezenas de discos rígidos e cópias de contratos firmados com clientes, documentos e computadores. O promotor Dal Poz avalia que os materiais conseguidos confirmam a importância da operação ter sido feita antes de o servidor ser comunicado sobre a suspensão do site. ‘Se a notificação (do cancelamento) fosse antes da busca, as provas poderiam ter sido destruídas.’


Apesar das atividades do AP Informação não terem sido suspensas imediatamente, nenhum novo usuário conseguia fazer cadastro, garante o promotor. Os materiais apreendidos serão periciados. O objetivo é descobrir quem alimentava o endereço eletrônico com informações sigilosas. Além da participação de empresas de marketing, também foi cogitada a participação de policiais (como fornecedores e clientes).


O promotor informou ainda que, em uma outra etapa das investigações, os clientes do site também serão investigados. Segundo a própria AP Informação, eram registrados 2 milhões de acessos por mês (a estimativa do faturamento é de R$ 40 mil mensais). O dono do site é investigado por infringir o sigilo das operações de instituições financeiras.’


 


 


TELEVISÃO
Patrícia Villalba


Hamlet e outros eus


‘‘Vamos que vamos’ é a frase mais recorrente do vocabulário de Daniel de Oliveira, dita, anote-se com doce sotaque mineiro. É algo que se percebe depois de dez minutos de conversa com o ator, e se confirma como uma postura diante das oportunidades que lhe aparecem, quando contabilizamos a quantidade de papéis que ele tem interpretado nos últimos tempos.


Ele volta à TV amanhã, na estreia da minissérie Som & Fúria, dirigida por Fernando Meirelles (Globo). Acaba de filmar 400 Contra 1, de Caco Souza, e já está em outro set, de Boca do Lixo, de Flávio Frederico – onde recebeu o Estado. Nos cinemas, ainda é a imagem perturbadora do Santinho, de A Festa da Menina Morta, de Matheus Nachtergaele, e faz uma participação em Jean Charles, de Henrique Goldman, que seguem em cartaz. Aparece mais uma vez na Globo, no dia 31, em Decamerão, minissérie de Jorge Furtado. E, ufa, começa em breve a gravar a próxima novela das 7, Bom Dia, Frankestein. ‘A última que fiz foi Desejo Proibido (2007). Quando terminou, disse ?opa, estou livre para outras paradas?’, explica.


Melhor ator no Festival de Gramado por A Festa…, Daniel é reconhecido como alguém que não teme se jogar num papel – talvez por isso, tenha se especializado em viver personagens da vida real, que dependem de transformação. A capacidade de mudar de rosto é, aliás, outra característica do ator, o que não deixa de ser especial em alguém tão bonito – ou ‘feito de nuvem’, como Santinho é definido em Festa da Menina Morta.


Você tem uma coleção de personagens baseados em figuras reais. A composição deles é diferente de personagens ficcionais?


Na verdade, as figuras mais conhecidas são mais difíceis, porque todo mundo têm referência delas, de fotos e vídeos. Por causa disso, o Cazuza foi o mais difícil – a linha de criação era mais fina. Agora, no caso do bandido Hiroito (Boca do Lixo), é um cara que ninguém conhece direito. De certa forma, tenho mais liberdade e o processo acaba sendo parecido com os papéis ficcionais. Para compor, comecei a buscar em mim algo do Hiroito. De repente, me mostraram uma foto dele transtornado, aplicado de heroína. E pensei ‘pronto, liberdade total!’. Essa foto me ajudou. De repente, você descobre a sutileza e… vamos que vamos.


São poucas as chaves que definem uma personalidade, não?


Exatamente. No caso do Jaques (Som & Fúria) foi legal, porque é um cara desacreditado no seu talento, apesar de ser muito conhecido na TV. E cai num Hamlet, no teatro.


É ficcional, mas tem a ver com a rotina da TV, onde você está.


É. Mas acho que todos os personagens, você cria a partir de você.. Por que me chamaram para esse papel e outro ator para outro? É porque já enxergam em mim alguma coisa do personagem. Não que você não possa mudar totalmente e fazer outra figura. Mas acho que o caminho é trazer para próximo de você. Se o personagem fica distante, não dá. Se eu ficasse endeusando o Hiroito – ‘ah, o Rei da Boca do Lixo’-, não ia dar certo. Não!, o Rei da Boca do Lixo sou eu! Então, trago para perto de mim. E a partir daí, construo. A (preparadora) Camila Amado me ajudou muito nisso, em Cazuza. Ela falou para eu não deixar o Cazuza lá, tipo ‘ah, o poeta…’. Não, a partir de agora o Cazuza sou eu!


Você está sendo dirigido por vários diretores. Mas chama a atenção a direção que recebeu do Matheus Nachtergaele em A Festa da Menina Morta. A gente vê muito dele na sua interpretação, e não me lembro de ter sentido a presença de um diretor de forma tão forte. Como foi ser dirigido por ele, desta maneira?


Foi uma das experiências mais bonitas que eu já tive, sabe? Ele foi muito cuidadoso, preparou os atores com (teatro) butô antes de ir para a locação (no Alto Amazonas). Foram meses de ensaio no apartamento dele, no Rio. O Matheus chegou a pensar em fazer o Santinho, mas chegou à conclusão de que seria muito para ele. Graças a Deus ele me chamou! Estamos rodando o mundo – Cannes, Chicago, Rio, Gramado, Cuiabá. É maravilhoso.


Ainda mais com um filme tão difícil, tão impactante.


Muito difícil. É um filme que divide opiniões – e é isso aí! Já sabia que ia vir chumbo grosso quando subi o Rio Negro para fazer. A Festa da Menina Morta, com todas suas convulsões e cores amazônicas… Difícil, ainda mais quando a gente fala de religião.


O altar do Santinho é um retalho de religiões…


Sabe, naquele altar tinha carta da minha mulher (a atriz Vanessa Giácomo), uma mandala que minha mãe fez… fui levando coisas minhas. Aquela música, do final, fui eu que fiz. Bordei muito aquele manto, me entreguei mesmo. O Cristo que tem no altar é meu pai, da encenação da Paixão de Cristo que ele fez no Iraque.


No Iraque?


É. Ele trabalhou na (construtora) Mendes Júnior. Ficou cinco anos ao todo, indo e voltando. No último ano, levou a família toda. Eu tinha 7 anos, fiz 8 anos lá. Teve festa e tudo! Morava próximo do Rio Eufrates, ia a pé. Muito legal, tenho muitas recordações.


O Jaques de Som & Fúria é um galã de TV que busca reconhecimento no teatro. Já teve esse tipo de preocupação?


Não. Comecei no teatro em Belo Horizonte e quando cheguei ao Rio, já tinha bagagem, mesmo que pequena. Já sabia onde pisava. Estava querendo aprender coisas da TV mesmo. Hoje, só estou aqui fazendo o Hiroito porque fiz TV. Se continuasse em BH, quem ia me ver? O preconceito existe na cabeça das pessoas – ‘ah, ator de TV…’ Mas nada como o trabalho para você mostrar quem é. Nêgo entorta o nariz e você diz ‘normal, vamos que vamos’.


A grande provação do Jaques é interpretar Hamlet. Foi uma provação para você também?


Foi ótimo. Antes de gravar, fui ver o Hamlet do Wagner Moura. Falei ‘uau, velho, maravilhoso!’ Peguei aquela inspiração. Foi crucial, meu ponto de partida.


Já matou a vontade de Hamlet?


Um pouco. Mas nunca tive tanta vontade de fazer, não. De uma certa forma, matou a curiosidade de arriscar falar aquele ‘ser ou não ser?’. No teatro seria diferente, eu sei. Mas no momento, quero fazer mais cinema mesmo.


ZUZU ANGEL (2006): No longa-metragem de Sérgio Rezende, Daniel de Oliveira é Stuart Angel, filho da protagonista (vivida por Patrícia Pillar), que se engaja no movimento estudantil e acaba desaparecendo nos porões da ditadura militar.


400 CONTRA 1 (2009): Daniel é William da Silva, cabeça do movimento que se tornaria o Comando Vermelho. ‘Foi um cara que lutou por uma causa. Era um assaltante de banco, lógico. Mas se tivesse tido outra oportunidade, sei lá…’


CAZUZA (2004): No teste para o papel, ele teria de interpretar a cena em que o cantor recebe o teste de HIV. Antes, vários choraram desesperados. Ele amassou o papel, pôs na boca e cantarolou Ideologia. Ganhou, claro..


BOCA DO LIXO (2010): No filme, Daniel é Hiroito Joanides, bandido romântico da São Paulo dos anos 50 e 60. ‘Quando vi uma foto dele transtornado de heroína, com uma cara assim (faz uma careta), pensei: liberdade total para criar.’


14 BIS (2006): Nas pesquisas que fez para viver Santos Dumont no curta de André Ristum, Daniel descobriu um sorriso proeminente – a chave de que precisava. Pediu, então, ao dentista que fizesse uma prótese. De resto, é talento.


BATISMO DE SANGUE (2007): Escalado para o papel de Tito, Daniel acabou ficando com o de Frei Betto, quando leu o livro que deu origem ao filme de Helvécio Ratton. Costuma dizer que se sentiu ligado a Frei Betto pela mineirice.’


 


 


Keila Jimenez


Saldo cai em 2009


‘As emissoras querem esquecer o primeiro semestre. Segundo medição de ibope na Grande São Paulo, nos primeiros seis meses de 2009, Globo, SBT e Record perderam público em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados mostram que somente a Band cresceu e a RedeTV! manteve o patamar de 2008. A baixa se reflete no total de aparelhos ligados, de 44,6% para 42,5%.


Segundo comparativo do Ibope, na média dia (das 7 h à 0h), no primeiro semestre de 2009, a Globo registrou 17,2 pontos de audiência, ante 18 pontos do mesmo período em 2009. O SBT também perdeu audiência: de 6,2 pontos em 2008 caiu para 5,5 pontos em 2009. A Record, de 8,9 pontos foi para 7,5 este ano. A RedeTV! se manteve com 1,7 ponto e a Band cresceu, de 2,5 pontos em 2008, para 2,7 em 2009.


Os dados também apontam que a faixa noturna continua perdendo público. Das 18 h à meia-noite, a audiência da Globo caiu 8% em relação ao ano passado, a da Record despencou 12% e a do SBT, 11%. Mas a maior perda da Record foi das 12 às 18 h: queda de 22%. O mesmo horário foi o melhor para a Band : a rede cresceu 17% em ibope.’


 


 


 


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