Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

DIRETóRIO ACADêMICO > TERÇA-FEIRA, 17/07

Temporão reafirma intenção
de limitar propaganda de álcool

Por Luiz Antonio Magalhães em 18/07/2007 na edição 442


Leia abaixo os textos de terça-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 17 de julho de 2007


PUBLICIDADE & ÁLCOOL
Emilio Sant’Anna


Para Temporão, parecer da AGU não atrapalha política antiálcool


‘Menos de uma semana após a Advocacia-Geral da União (AGU) conceder parecer desfavorável a que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regule a publicidade de bebidas alcoólicas, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que não irá desistir do propósito traçado pelo Ministério da Saúde, que é o de ter controle sobre a regulamentação dessas propagandas, sobretudo as de cerveja. Temporão acredita, também, que o parecer não atrapalha a política antiálcool.


Ontem, em Diadema, na Grande São Paulo, Temporão participou da comemoração dos cinco anos da lei que restringe o funcionamento de bares após as 23 horas na cidade. Lá, ele reforçou a intenção de criar regras mais restritivas para a publicidade do setor. Recentemente, o ministro se envolveu em uma polêmica ao criticar publicamente o cantor Zeca Pagodinho por sua participação em comercias de cerveja.


Segundo Temporão, ainda nesta semana ele deve participar de uma reunião com técnicos do governo para redefinir a estratégia de regulamentação da publicidade de bebidas alcoólicas. ‘Nesta semana, em Brasília, vou à Casa Civil e vamos repensar essa estratégia’, disse. ‘No entanto, a determinação de fazer a regulamentação está mantida.’


Para Temporão, a decisão da AGU não irá atrapalhar a implementação da política sobre álcool definida pelo governo, mas, sim, ajudar a formulá-la de forma mais eficiente. ‘Não teria nenhum sentido a Anvisa soltar uma norma que fosse rapidamente cassada por uma liminar na Justiça. Isso seria um desgaste desnecessário’, afirmou (leia texto ao lado).


MODELO


Sobre o modelo de controle social dos danos causados pelos efeitos nocivos do consumo de bebidas alcoólicas adotado há cinco anos em Diadema, o ministro elogiou a iniciativa e se mostrou disposto a sugerir a reprodução do programa em outros Estados e municípios. Ele afirmou que o ministério está interessado em levar a experiência para outros lugares do País.


Embora o resultado tenha sido medido apenas em âmbito municipal, Temporão acredita que o Ministério da Saúde poderá encampar a política e ajudar a disseminá-la. ‘Trata-se de uma determinação da sociedade, que é quem avaliza a continuidade e o uso dessa política’, disse. Desde o inicio de sua gestão, o atual ministro tem mostrado a intenção de combater os abusos no consumo do álcool como política de saúde pública.


Além da comemoração pelos cinco anos da lei que restringe a abertura de bares em Diadema, o evento de ontem marcou o lançamento de uma outra etapa do programa municipal. Conforme mostrou o Estado em junho, com exclusividade, uma pesquisa feita em 460 bares da cidade, pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), revelou que mais de 80% dos estabelecimentos vendem bebidas alcoólicas para menores de 18 anos.


Agora, a nova fase do programa será focada na educação e conscientização dos donos desses estabelecimentos. Para o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador da pesquisa da Unifesp, as medidas são necessárias pois os jovens entram em contato com as bebidas alcoólicas cada vez mais cedo.’


CRÔNICA
Arnaldo Jabor


Estão matando nosso passado


‘No corredor da casa de minha infância, no Rocha, na antiga Rua Guimarães, hoje Almirante Ari Parreiras, no fundo do corredor brilhava uma pequena imagem de Santa Terezinha do Menino Jesus, que minha mãe adorava. Com uma braçada de rosas no peito, um crucifixo na mão esquerda, ela está até hoje aqui, agora, na minha mesa, ao lado do computador. Não tem mais que um palmo de altura, está descorada pelo tempo mas, na época, ela era fosforescente. Sim, uma tinta especial dava-lhe uma aura esverdeada que iluminava fracamente o fundo do corredor tão longo, como uma promessa de milagre, de esperança. Olho a pequena estatueta na minha mão. É tão pobrezinha, de massa, mas veio da França – vejo no pedestal. O rosto da santinha está quase apagado, mas seus olhos são nítidos, dois pontos negros fixados no chão, a cabeça baixa, triste, não por ela mesma, mas como deprimida pelo mundo organizado à sua volta, nos objetos de minha mesa: o roteador wireless, o celular carregando, os fios do iPod, numa estranha convivência que a faz, coitadinha, inatual e deslocada.


Santa Terezinha me conecta, para usar uma palavra moderna, cria um ‘link’ entre mim e meu passado. E lembro-me que, ela se iluminava no centro de minha infância profunda, uma infância de fugas do mundo real, pois eu fugia de alguma coisa triste, muito triste que pressentia nas casas, nos vizinhos, nos amigos de meus pais, nas falas óbvias e batidas, no dia-a-dia sem grandeza do bairro, como se todos obedecessem às ordens banais de chefes ignorantes e leis ridículas. Da luz de Santa Terezinha que me olha agora, apagadinha, eu fui em busca de outras luzes que me livrassem da vida mortiça do subúrbio. Lembro-me quando conheci o cinema, no Cine Palácio Vitória, que resplandecia na esquina da Rua Conselheiro Mayrink, e do qual nada resta. Na escuridão, fugia para dentro dos filmes, como o Ladrão de Bagdá, dos filmes com as odaliscas de pernas lindas, os faroestes de Randolph Scott, Tarzan.


Depois, no fim das matinês, esperava, como um pedinte, os fotogramas coloridos, restos de películas que arrebentavam nos projetores a carvão e que o velho projecionista do Palácio Vitória me dava, no caminho de casa. Eu olhava os fotogramas contra o sol, promessas de aventuras, múmias sinistras e rostos de princesas, cavalos a galope e beijos na boca e eles me levavam para longe da minha rua. Quando passava com meu pai no velho Ford 46 em frente ao Morro da Mangueira, que eu achava sujo e quebrado, eu não entendia aquilo e lhe perguntava por que não ‘consertavam’ o morro e meu pai não respondia. Eu vivia assim, vendo a vida meio de fora, com medo de cair naquele mundo que eu não entendia, que me era nebuloso, inexplicável.


Até que um dia, assisti a um teatrinho de praça. Era uma pecinha vagabunda, nem sei onde era, uma quermesse, algo assim, em que as marionetes, os bonecos pulavam, berravam e se esfaqueavam com uma estranha crueldade, uma violência espantosa para um teatro infantil. A loura boneca mamulengo caía morta, gritando sob a faca do amante, que lhe arrancava um coração de pedra vermelha. Havia uma verdade naqueles brutos mamulengos que me abriu uma clareza na alma, alguma coisa que escondiam de mim. Até hoje me lembro daquele coração arrancado.


Uma outra vez, lembro-me de uma visão melancólica e inesquecível. Nas ruas do Rio andava um velhinho preto, quase um anão, que tocava discos com canções em 78 rotações numa ‘vitrola’: canções românticas, trechos de operetas, valsas vienenses, para ouvintes que lhe pingavam tostões. Chamava-se Camundongo (quem se lembra?), e tinha um velho caminhãozinho, um triciclo que ele improvisara e que ele movia com pedais. Tocava música nas ruas, Francisco Alves, Orlando Silva… por vinténs… Na solidão lírica daquele Camundongo, no assassinato da boneca loura, senti que queria voar para longe, junto aos urubus que via flutuando a distância, ‘dormindo na perna do vento’ como me disse Tom Jobim muitos anos depois. Eu percebi que queria uma outra tristeza, mas não a tristeza geral de todo mundo que eu conhecia. Olho Santa Terezinha aqui na mesa e me lembro disso… Se escrevo sobre essas ínfimas lembranças, não é por falta de assunto, não.


Ao contrário, tenho muitos assuntos nesse Brasil de hoje. Mas são assuntos torpes, imundos, são tragédias sociais e culturais insolúveis, são ameaças, perigos, vergonhas, feias coisas que não agüento mais denunciar. E penso: que pediria a Santa Terezinha, com sua luz remota de minha infância? Não pediria a uma santa tão delicada a prisão para vagabundos, justiça para criminosos, vergonha na cara para cínicos e canalhas do Senado, as reformas inadiáveis que os imbecis sindicalistas se recusam a fazer, por estupidez e oportunismo. Nada disso ficaria bem diante de uma imagem tão frágil. Mas pediria o quê?


Já que não temos futuro, acho que pediria a volta ao passado. Além de impedir o futuro, estão destruindo nosso passado. Estão matando as calmas tardes do subúrbio, apagando a ingenuidade dos comportamentos. Chego a sentir saudades até da precariedade de nossa vida antiga, de um mundo como menos gente louca e má. ‘Ah! Você por acaso quer a volta do atraso, da miséria terrível de antes?’ – dirão alguns. Não, claro que não. Mas quero a volta de um alguma coisa perdida nesse país, alguma coisa delicada que sumiu, minha santa, estou com saudades dos amores impossíveis, dos lugares-comuns, dos pactos de morte, do rubor nas faces, do chorinho e chorões, dos prantos convulsivos, dos valores toscos da classe média, do moralismo bobo, do português do botequim, do gato de armazém, do romantismo ridículo, dos pudores, dos desmaios das mulheres, das virgens nas luas-de-mel, de tudo que era baldio, de tudo que soava ingênuo, do futebol no rádio do porteiro, das tardes cinzas, dos banhos de mar, dos carnavais sem massas, pediria sim, até a volta das ilusões. Isso eu pediria, sim, à minha Santa Terezinha, que conservo até hoje em minha mesa, com devoção de ateu.’


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 17 de julho de 2007


INTERNET
Marcos Nobre


Downloads e uploads


‘AS PATENTES e a propriedade intelectual ocupam hoje uma posição central na produção capitalista. Os investimentos em invenção e inovação de ponta são de tal magnitude que muito poucas companhias dividem os principais mercados. No mundo virtual da internet, esse tipo de concentração e controle da produção se mostrou até agora impossível. Em seu atual estágio de desenvolvimento, a qualificação necessária para criar novos produtos e serviços se encontra dispersa e disseminada. Um consumidor é ao mesmo tempo um produtor virtual. E, como não há download sem upload, sem a invenção e o trabalho de consumidores-produtores (que fazem os uploads) não haveria fornecedores de serviços (que oferecerem os downloads).


Os gigantes mundiais (Google, Yahoo!, Microsoft) já perceberam isso há muito tempo. Não têm a pretensão de controlar a produção de conteúdos. Pelo contrário, sabem que a disseminação do conhecimento e da tecnologia é a fonte mais preciosa para os serviços que fornecem. Não é por outro motivo que pequenas companhias estão sendo disputadas a peso de ouro. Basta lembrar que um projeto de fundo de quintal como o YouTube foi recentemente comprado pelo Google por mais de US$ 1,3 bilhão.


A defesa de uma radical liberdade criativa no mundo virtual não passa apenas por garantir uma permanente disseminação do conhecimento e das tecnologias ao maior número possível de usuários. Passa também pelo combate à concentração da distribuição e da circulação. Uma das formas atuais dessa disputa é a contraposição entre o modelo da loja virtual de música, a iTunes, controlada pela Apple (ainda neste ano deve começar a funcionar a loja da Amazon também), em que o usuário paga para fazer o download, e o modelo de sites como o eMule ou Kazaa, que permitem o compartilhamento gratuito de dezenas de milhares de títulos.


Essa mesma disputa é travada também em outros campos por modelos colaborativos como os da Wikipédia e do Linux.


Em fevereiro, o presidente da Apple escreveu uma carta aberta às gravadoras com o objetivo de convencê-las a deixar de usar dispositivos de proteção para os chamados ‘direitos digitais’. Na prática, essa música ‘não protegida’ permite em princípio uma reprodução ilimitada, por vários meios e aparelhos. Parece mesmo que Karl Marx (1818-1883) tinha razão em considerar que o capitalismo carrega um vírus autodestrutivo. Pelo menos no mundo virtual, as ameaças à lógica da propriedade privada tal como entendida até hoje são bastante reais.


MARCOS NOBRE escreve às terças-feiras nesta coluna.’


Paula Leite


Yahoo! muda sistema de publicidade


‘O Yahoo! lança hoje no Brasil sua nova plataforma de links patrocinados, conhecida como Panamá, que foi adotada nos Estados Unidos em abril.


Aposta da empresa de internet para enfrentar o sucesso do rival Google, o Panamá muda o mecanismo pelo qual são definidos os preços e a prioridade dos links patrocinados, que são anúncios que aparecem ao lado ou acima dos resultados de buscas.


O novo sistema, diz o Yahoo!, prioriza a ordem do link de acordo com a busca do usuário, e não mais pelo valor pago pelo anunciante. Esses links são uma das principais fontes de receita de Google e Yahoo!.’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Lula triste


‘Em meio à cacofonia engajada da blogosfera, sites e telejornais voltaram ontem às vaias, em manchete.


Do ‘Jornal da Record’ à Folha Online, ‘Lula diz que ficou triste com vaias’. No Globo Online, sarcástico, ‘Vaia é uma reação humana, diz Lula’. Na Reuters Brasil, ‘vaias foram tristes, mas não representam o Rio’. No ‘Café com o Presidente’ e em destaque no ‘Jornal Nacional’, a passagem ‘várias pessoas vieram me dizer que tinha sido organizado’. Na manchete do Terra, o governador Sergio Cabral espalhou que foi ‘armação’ e veio de grupo ‘muito bem acomodado’.


Eram os convidados de Cesar Maia, o prefeito que buscava ontem dividir o foco dizendo ao Globo Online que José Serra, ele sim, se mostrou feliz com as vaias.


‘NÃO É O ÚNICO’


Da Argentina, o ‘Clarín’ consolou Lula, dizendo que ‘não é o único’ e que Hugo Chávez sofreu nos estádios da Copa, ‘muitas vezes’, com os versos cantados, na linha ‘vai cair/ a ditadura vai cair’.


‘É UM AMIGO’


Da Venezuela, o próprio Hugo Chávez reapareceu, via despacho da agência France Presse, nas manchetes de UOL e Terra, à noite, com declarações como ‘ninguém me fará brigar com Lula’.


LULA NA ÁFRICA


Após artigos publicados da América Latina à Ásia, semanas atrás, Lula assinou ontem no ‘Accra Daily Mail’, ‘um dos maiores jornais de Gana’, segundo o monitoramento de mídia da BBC. Sob o título ‘África, América Latina e a revolução dos biocombustíveis’, o texto coincide com um encontro das diplomacias de África do Sul, Brasil e Índia, hoje. A África é dada como continente alvo de disputa comercial entre os EUA e a China, como se lia ontem no site do ‘New York Times’.


SUL-SUL-SUL


Na capa do indiano ‘The Hindu’, ontem, a notícia de que a reunião de chanceleres da IBSA (Índia, Brasil e África do Sul), hoje, deve lançar um ‘grande espaço econômico’ com os mercados regionais encabeçados pelos três. Diz Celso Amorim que é para ‘encarar o Norte de forma criativa, competitiva’. Em paralelo, o ‘Times of India’ anunciou o início da compra de minério de ferro do Brasil.


PROTEÇÃO À CARNE


O crescente protecionismo europeu está em teste, com o lobby iniciado por Irlanda e Escócia contra a carne do Brasil. O comissário europeu de agricultura recusou, como destacaram ontem sites dos dois países e até o UOL, mas a exigência de restrições voltou em horas, segundo agências como Dow Jones, feita agora por parlamentares europeus.


PROTEÇÃO A TUDO


Na manchete do ‘NYT’, ‘Um novo populismo incita os democratas na economia’. A ‘ressurreição populista’ envolve parlamentares e, em especial, os presidenciáveis favoritos, Barack Obama e Hillary Clinton. Os alvos são a ‘exportação de empregos’ e, claro, importações em geral.


MAIS BEREZOVSKY


Na manchete dos sites do ‘Guardian’ ao ‘Le Figaro’, a escalada no confronto entre o Reino Unido e a Rússia, em torno do episódio do espião russo morto em Londres.


No francês, o enunciado foi para o ‘miliardário’ exilado Boris Berezovsky, que acusou o presidente russo, Vladimir Putin, pelo assassinato. Putin que acusou antes Berezovsky, segundo o ‘Guardian’. É o mesmo personagem da MSI, do Corinthians, que enfrenta um pedido de prisão por aqui.


O FIM DAS SUPERMODELOS


Na manchete da ‘Forbes’, mais uma lista, a das ‘modelos com maior renda do mundo’. Porém com constatação de que ‘a era das supermodelos acabou’. ‘Ainda fazem milhões’, diz a revista, citando a primeira, Gisele Bündchen, com US$ 33 milhões. Mas nem ela mais é exemplo, por receber ‘mais que o triplo’ dos US$ 9 milhões da vice, Kate Moss.


Gisele ‘é um cavalo de carga que lidera de longe, mas’, avisa a ‘Forbes’, ‘prepare-se para um declínio de sorte, com o fim de seu contrato recorde na Victoria’s Secret’.’


TELEVISÃO
Daniel Castro


Galvão Bueno discute com diretor da Globo


‘Por muito pouco o locutor Galvão Bueno e Luiz Fernando Lima, diretor de esportes da TV Globo, não brigaram ao término da transmissão de Brasil x Argentina, anteontem. Os dois tiveram que ser separados por produtores da emissora.


Bueno discutiu com Lima porque a Globo não o enviou para a Venezuela. Ele teve que narrar a final da Copa América no mesmo estúdio que está sendo usado pelo Pan, que no domingo também recebia a visita de produtores do ‘Fantástico’. Ficou irritado com o entra-e-sai de profissionais.


Após a partida, o locutor reclamou ao chefe ‘um tratamento digno’, que era ‘blasfemoso’ ter que narrar a Copa América no estúdio. Disse que ele dava audiência e falou alguns palavrões. ‘Se você não está contente, que saia’, teria respondido o diretor Lima.


Uma semana antes da Copa América, Galvão, Arnaldo César Coelho (comentarista de arbitragem) e Falcão (comentarista) foram informados de que não iriam para a Venezuela porque o locutor teria que ficar no Rio devido ao Pan, para gravar chamadas e narrar jogos (no sábado, Galvão fez partida de vôlei feminino). A Globo só enviou repórteres à Venezuela.


A Globo confirma o ‘estresse’, mas disse que tudo terminou bem e que ambos jantaram juntos no domingo.


A final da Copa América rendeu 38,5 pontos no Ibope à Globo e 8 à Band.


PAN NULO 1Foi praticamente nulo o impacto do Pan do Rio no Ibope da TV aberta em São Paulo nos três primeiros dias de evento. Na sexta, Band e Record, que transmitiram a cerimônia de abertura, perderam juntas 2,5 pontos em relação ao mesmo horário da sexta anterior. Já a Globo ganhou um ponto. Sem Pan, o SBT também subiu um.


PAN NULO 2No sábado, a média de televisores ligados foi de 41% das 7h à 0h, apenas um ponto percentual a mais do que nos dois sábados anteriores. No domingo, o índice foi de 48%, contra 42% do domingo anterior, dia 6, e 46% do dia 1º. Mas deve-se descartar a comparação com o dia 6, por ter sido véspera de feriado em São Paulo. O que mais elevou a audiência anteontem foi a final da Copa América.


NOVA GRADEA cúpula da Globo está tentada a exibir ‘Toma Lá, Da Cá’ às terças, no lugar de ‘A Diarista’, que iria para os domingos. Acredita que ‘A Diarista’ pode fortalecer o ibope dominical.


VESTIBULAR 1O SBT comprou os direitos do programa ‘Você É Mais Esperto do que um Aluno da 5ª Série?’ (tradução literal de ‘Are You Smarter than a 5th Grader?’), sucesso da TV americana _é atualmente a quinta maior audiência, pela Fox.


VESTIBULAR 2No programa, adultos têm que responder a perguntas do currículo da quinta série do ensino fundamental, tipo ‘quantos lado tem um trapézio?’. A atração deve substituir ‘Supernanny’, às segundas, na grade do segundo semestre.’


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Cultura reconhece erro ao exibir strip-tease


‘A TV Cultura reconheceu ontem que errou ao exibir domingo, na faixa das 21h, versão televisiva de uma peça com cenas de strip-tease e tentativa de suicídio. O teleteatro ‘Billy, a Garota’, de Mário Bortolotto, foi ao ar no programa ‘Direções, por um Novo Caminho na Teledramaturgia’, supervisionado por Antunes Filho, parceria da TV Cultura com a SescTV.


Ontem, ambas divulgaram comunicado em que ‘reconhecem que erraram ao não ter classificado a peça como imprópria para menores de 18 anos, exibindo-a após as 23h’. O teleteatro foi autoclassificado pela Cultura como inadequado para menores de 14 anos, inadequado antes das 21h.’


Marco Aurélio Canônico


Série de humor on-line convida internautas a participar de roteiro


‘A popularidade das sitcoms -os seriados de humor da TV, como ‘Seinfeld’ e ‘Friends’- fez com que o gênero chegasse à internet e convidasse a audiência a interagir, lançando um novo formato: a webcom.


O primeiro exemplo do novo gênero é a britânica ‘Where Are the Joneses?’, uma sitcom criada para a internet e transmitida exclusivamente on-line (wherearethejoneses.com), na qual os internautas podem interferir, criando tramas e personagens, além de reeditarem os vídeos.


Iniciada há pouco mais de um mês, no dia 15 de junho, a série ganha pelo menos um episódio (de dois a cinco minutos) por dia e tem duração prevista de 86 dias (está hoje no 33º, com 40 vídeos).


Ela conta a história da londrina Dawn Jones (a atriz Emma Fryer), que descobre que é filha de um doador de esperma e que tem 26 meios-irmãos espalhados pela Europa.


Decidida a encontrar os parentes desconhecidos, ela rouba a lista com o nome dos demais filhos do mesmo doador e parte para descobrir ‘onde estão os Joneses’ -daí o título.


O primeiro com quem ela topa, ainda em Londres, é o tímido e meio paranóico Ian (Neil Edmond), com quem sairá rodando pela Europa em busca dos demais meios-irmãos.


Roteiro participativo


Além das vantagens mais óbvias em relação à TV -ausência de comerciais, possibilidade de rever todos os episódios- o potencial de sucesso do novo gênero, segundo seus criadores (a produtora Baby Cow, que faz sitcoms para a TV britânica) reside na participação interativa do público.


Ao fim de cada episódio, a audiência é convidada a contribuir com idéias para o roteiro em um site que usa a tecnologia Wiki (wherearethejoneses. wikidot.com), que permite ao usuário adicionar, remover ou editar o conteúdo (como no caso da Wikipedia, a mais famosa enciclopédia on-line).


O seriado também tem seu canal no YouTube, além de perfis nas redes sociais MySpace e Facebook, fotos no Flickr e mesmo um ‘feeder’ (alimentador) que manda para os celulares dos fãs atualizações sobre as andanças de Dawn e Ian.


Os internautas têm respondido não apenas com sugestões no roteiro mas também oferecendo suas casas como possíveis locações e se convidando a atuar no seriado.


Como o conteúdo é produzido sob uma licença Creative Commons, que flexibiliza os direitos autorais, o público também pode reeditar os vídeos de cada episódio, criando novas versões da série.


CANAIS TESTAM INTERAÇÃO COM A INTERNET


A mistura das fronteiras entre TV e internet tem sido a tônica nos últimos anos. Entre os exemplos recentes, a rede britânica ITV contratou o documentarista Roger Graef para criar a série ‘Web Lives’, pequenos documentários diários sobre a vida no Reino Unido. No Brasil, o grupo Abril agiu na mão inversa, criando a FizTV, que pretende exibir na TV produções criadas pelos usuários via internet.’


MEMÓRIA / MOACYR CORRÊA
Folha de S. Paulo


Morre Moacyr Corrêa, 88, primeiro editor da Ilustrada


‘Foi enterrado ontem, às 17h, no cemitério Campo Grande, o corpo do jornalista Moacyr Corrêa, 88. Primeiro editor do caderno Ilustrada, da Folha, entre 1958 e 1971, Corrêa morreu de insuficiência respiratória, em conseqüência de uma pneumonia. Ele estava internado no Hospital Alvorada, em Moema, São Paulo.


Corrêa entrou em 1939 para a Empresa Folha da Manhã, que edita a Folha. Ele exerceu a função de revisor e passou em seguida à redação. Com o fim da Segunda Guerra, Corrêa assumiu a direção do ‘Jornal de São Paulo’, dos Diários Associados. Em 1949 ele voltou para a ‘Folha da Manhã’.


O jornalista trabalhou até dezembro de 2001 como diretor da editora Ibrasa.’


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Agência Carta Maior (www.agenciacartamaior.com.br)


Terça-feira, 17 de julho de 2007


LULA VAIADO
Gilson Caroni Filho


Vaia, imprensa e esquerdismo


‘O prefeito carioca César Maia afirmou que as vaias à Lula tiveram um caráter pedagógico. Tem razão. Deixaram evidente que a grande imprensa, na forma como repercutiu o fato, permanece firme na tentativa de sabotar um governo que, mal ou bem, formulou com êxito um projeto pluriclassista. As pautas não comportam qualquer discussão séria sobre os projetos apresentados pelo atual bloco de poder. O debate político está interditado pelo ‘jornalismo-torcida’. Só há espaço para o denuncismo que despolitiza. Quem se dispuser a uma análise detalhada do comportamento da imprensa que leia as folhas desde 2003. As vaias são editadas diariamente.


Não há o que discutir tamanha a clareza da aliança dos grandes veículos. Ou quem sabe sua amplitude. Deixando de lado eventuais divergências, a grande imprensa coligada dá ao analista atento a certeza de que o jornalismo é uma atividade secundária, quando não ocasional, nos grandes conglomerados de mídia. A desconstrução da imagem do governo é tarefa imperativa. Nunca a hegemonia de classe se fez tão nítida no interior do campo jornalístico. A informação é um penduricalho tático, nada mais.


É nesse marco que se dá uma operação interessante. A blindagem do bloco liberal-conservador vem acompanhada da concessão de espaço ao moralismo abstrato de uma extrema-esquerda que, como destacou Flávio Aguiar, não suporta avanços que lhe roubem espaços de uma retórica tão obsoleta quanto vazia de projetos. Nesses termos, a vaia no Maracanã mostra o ponto de interseção entre a satisfação de conhecidos colunistas conservadores e a alegria juvenil de quadros do Psol e PSTU. Ambos se complementam em seus fins últimos. O arrivismo da esquerda inviável dá à imprensa a fachada de um falso pluralismo. Em troca, os ‘socialistas de salão’ recebem um recorte simbólico que os tornam palatáveis a expressivos setores de classe média. É o que podemos chamar de legitimação recíproca. Os dividendos são imediatos para as duas partes. Com aplausos garantidos e divisão de espaço no pódio da reação.


Como alertamos há pouco mais de um ano,há quem veja autenticidade em simulações estudadas. Firmeza de convicções em ataques pessoais. E diferencial ético em linguagem vulgar. Para estes, a grande novidade no cenário político continua sendo a agremiação liderada pela ex-senadora Heloísa Helena . Apresentada como alternativa à polarização entre PT e PSDB, a senadora sempre mostrou uma determinação invejável. O manifesto da Frente de Esquerda (PSOL-PSTU-PCB) , que lançou sua candidatura, foi taxativo:


‘O povo brasileiro não pode ser condenado a escolher entre Lula e Alckmin, dois candidatos que defendem o mesmo programa neoliberal, a mesma prática política marcada pela corrupção que impera no Congresso Nacional e no Governo. A candidatura de Heloísa Helena é uma alternativa real para o povo brasileiro contra estes dois candidatos apoiados pelos banqueiros. A Frente de Esquerda quer libertar o país das garras do capital financeiro e do imperialismo.’


Eram palavras fortes, de indiscutível contundência ideológica, e que sinalizavam para uma candidatura capaz de aglutinar os descontentes com os rumos da política brasileira. Era o que supostamente restou de ético de uma esquerda que se entregou aos negócios. O que sobrou incólume após o suposto desmoronamento do PT, de uma nunca comprovada estrutura de compra de parlamentares e do solapamento das instituições do Estado.


Distintos cidadãos, parecia dizer o documento, o sonho não acabou. Ele ressurgia desde o Quilombo dos Palmares anunciando que ‘é preciso ousar, é preciso criar o novo, o novo é a frente de esquerda’. Será? Ou estávamos vislumbrando uma farsa diversionista, docemente embalada por articulistas conservadores e lideranças políticas de direita?


O comportamento errático da imprensa já não deixava dúvidas. Os principais colunistas dos jornalões ‘adotaram’ HH como referencial de uma esquerda desejável. O padrão operacional se repetia em todos os veículos. Abriram-se espaços para a grita moralista da candidata ao preço de desqualificar o conteúdo programático do partido. Um pacto faustiano que ainda une o esquerdismo inconseqüente a uma mídia em campanha.


Se for verdade que os cálculos políticos de candidatos estão na matriz narrativa que elaboram, o universo simbólico do eleitorado deve estar em consonância perfeita com o discurso.. Sendo assim, para quem falava, e ainda fala, Heloísa Helena? O que prevalece em suas intervenções? A marcação de diferença entre sua candidatura e a de Lula, por exemplo, foi construída a partir de quê? De um debate ideológico de fundo ou de considerações meramente moralistas?


No primeiro caso teríamos uma ação pedagógica no campo democrático-popular. No segundo, apesar das intenções da Frente de Esquerda, uma recorrência discursiva bem ao gosto da direita. E dos editores da pluralidade.


Quando questões políticas são redutíveis a qualidades pessoais ou deformações de caráter a grande beneficiária é a direita. Mais uma vez, Flávio Aguiar alertava que ‘o eterno moralismo que divide a cena política em’ bons ‘e ‘ maus ‘administradores, e assim ‘naturaliza’ as diferenças políticas dos projetos, trabalha sempre a favor daqueles que nada querem mudar’


Nesse caso, a extrema-esquerda fala principalmente aos que ‘no vale-tudo são capazes, de matar, mentir, caluniar’. Fala à parcela moralista e autoritária da classe média urbana brasileira. Aos que oscilam entre a dominação arcaica e o anseio pelo moderno. Aos que procuram ocultar a ideologia de autoridade que norteia sua práxis pela modernidade de alguns engajamentos. Provavelmente, quando jovens, participaram de lutas feministas, movimentos contra o regime militar e manifestações contra o racismo. Isso, no entanto, não elimina os traços ideológicos mais fortes que marcam esse extrato: a recusa da cidadania plena, a incapacidade de distinguir entre o público e o privado e a crença no recurso à força como garantidor da ordem.


Destaque-se, aqui, que isso perpassa, mas não condiciona, sua opção partidária. Tanto pode jogar com o PSDB como apostar no PSOL. O imperativo é que a semântica da Casa Grande permaneça hegemônica. E isso a ex- senadora alagoana e seus seguidores asseguram com destemperos calculados. O ranço autoritário e preconceituoso nada de braçada em suas declarações. E tome vaias redentoras. Lembremo-nos de algumas pérolas ditas no calor da campanha pela ex-senadora alagoana.


‘Tenho muitos defeitos para que ele precise usar da mentira para me atingir. Mas não vou bater boca com os empregadinhos ministros do presidente Lula, prefiro esperar para bater boca com o patrão deles.


‘Tarso não tem o que fazer porque o governo é incompetente. Não vou bater boca com moleque de recado do presidente. Ele que vá arranjar um trabalho para fazer e me tirar da cabeça dele porque está com idéia fixa com Heloisinha.’


De fato, tais afirmações, extraídas da Folha de S. Paulo, em 2006, mas publicadas por toda a grande imprensa, soaram como música para os segmentos mais reacionários da sociedade brasileira. Poucas vezes o exotismo pueril se apresentou com tanta radicalidade. O que o PSOL temia (e teme) é o debate programático. Sabe que se for explícito poderá perder parte da direita que lhe dá sustentação. Irônico o destino de um partido que serve como linha-auxiliar da direita. Mal nasceu e o PSOl precisa ser eclipsado pelos holofotes que lhe são oferecidos na tribuna de honra do retrocesso político.


Há algum tempo, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) já havia alertado para o lado cênico de HH. ‘Acho que tudo o que faz é milimetricamente estudado. Das roupinhas simplesinhas a postergar seus discursos para aparecer ao vivo na hora dos jornais noturnos e até levar uma sobrinha para ficar desenhando no plenário.’


De fato, a senadora já aprendeu métodos de representação. Criou o personagem, montou o figurino e produziu o cabelo. Vive enclausurada num roteiro em que não cabe falar em classes, movimentos sociais e projetos políticos. A estrutura de dominação só comporta, em sua narrativa, categorias como ‘patifes’, ‘ordinários’ e ‘inescrupulosos’. É uma estratégia discursiva que lhe assegura holofotes ocasionais, mas ao preço de uma despolitização deplorável.


Lembro-me que, após o I Congresso Nacional do PSOL, um velho e caro companheiro disse entusiasmado a um grupo de professores: ‘pelo que vi posso afirmar que, em pouco tempo, seremos o PT de 12 anos atrás’.Engano.Não vai, não. O PT não surgiu com arrivismos, marcado por ações pontuais com o que havia de mais atrasado na direita.


Um dos itens da resolução política do partido de Heloisa afirma que ‘o cenário político do novo milênio demanda o renascimento do projeto socialista. Tudo que renasce está destinado a trilhar novos caminhos. O novo quadro da luta social assiste à emergência de novos sujeitos sociais coletivos e novas formas de participação na política em sentido amplo’. Os ‘novos caminhos trilhados’ despontam de que maneira? Em aplaudir como ‘espontânea’ uma manifestação em que Lula é vaiado e César Maia ovacionado? É esse o renascimento do socialismo demandado pelo novo milênio? Se for, o primeiro passo é reconhecer a César o que é de César. E, unindo-se a fariseus e herodianos, admitir que a nova esquerda, infelizmente, nasceu tão velha quanto as vaias que aplaude.


Desnecessário discorrer sobre uma eventual armação do alcaide.Há, na internet, vídeos que mostram a vaia sendo encenada.Falar da composição social do público presente à abertura dos jogos só comprovaria o componente classista da manifestação.Até o governador tucano Cássio Cunha Lima reconheceu que as vaias partiram de fração da classe média que jamais votou em Lula.


O júbilo com o constrangimento infligido ao presidente está presente em nove entre dez colunistas e editores. Um conhecido jornalista não esconde o regozijo ao escrever em seu blog que ‘não há um só brasileiro que não esteja feliz com o que aconteceu neste fim-de-semana. A seleção ganhou a Copa América, o vôlei masculino mais uma liga mundial, o vôlei masculino júnior também foi campeão mundial e no Pan, Diogo Silva foi medalha de ouro no taekwondo. Ou melhor: tem um brasileiro que não tá feliz. Lula. Vocês sabem o porquê.’ Não há sequer preocupação em dissimular. O jornalismo não só não oculta para quem torce como deixa claro a que facção organizada pertence.


Mas o que deve ser destacado é a incoerência do repertório da esquerda ‘ética’. Ou bem canta a ‘Internacional’ nos velhos guetos ou entoa ‘Cidade Maravilhosa’ nos braços do PFL. Estar nos dois coros é um sinal perigoso.Aponta para uma conjuntura de fluidez de princípios e sinais invertidos.


Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, e colaborador do Jornal do Brasil, Observatório da Imprensa e La Insignia.’


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