Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1050
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DIRETóRIO ACADêMICO >

TV tem overdose do primeiro gol de Ronaldo

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 26/03/2009 na edição 530

Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 26 de março de 2009


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


TVs reprisam gol nº 1 de Ronaldo 269 vezes


‘O primeiro gol de Ronaldo no Corinthians, marcado contra o Palmeiras, foi exibido 272 vezes na TV brasileira apenas no dia em que ocorreu, 8 de março. Foram três aparições em tempo real (na Globo, Band e SporTV) e outras 269 reprises.


O gol de Ronaldo foi um fenômeno. Um gol ‘normal’, como o anotado por Dentinho no último domingo, contra o Santos, teve 145 exibições. A cabeçada de Ronaldo ocupou 28 minutos na TV, o dobro da de Dentinho.


Os dados são da Informídia, empresa que mede o retorno da exposição de marcas na mídia e que tem como clientes TVs, federações e patrocinadores.


A Band foi a emissora que mais reprisou o gol número 1 de Ronaldo no Corinthians. Foram 70 vezes no dia 8, em 7 minutos e 43 segundos. Já o gol de Dentinho teve ‘só’ 26 reprises.


A Globo, que reprisou o gol de Ronaldo até no ‘Domingão do Faustão’, mostrou o lance 39 vezes em 3 minutos e 47 segundos. Na emissora, o gol de Dentinho teve 24 aparições em 1 minuto e 36 segundos.


Ao todo, a TV aberta exibiu Ronaldo 178 vezes, contra 76 de Dentinho. A TV paga mostrou o gol do Fenômeno 94 vezes, contra 69 de Dentinho.


De acordo com a Informídia, a contratação de Ronaldo aumentou o valor de exposição do Corinthians na TV. Em janeiro, o time ocupou, somente em reportagens, espaço que valeria R$ 77 milhões, 55% a mais do que em janeiro de 2008.


RAIO 1


O SBT está exibindo chamadas em que convida o telespectador a votar em qual novela da Manchete ele gostaria de rever. Mas essa novela já está escolhida. Será ‘A História de Ana Raio e Zé Trovão’ (1990/91).


RAIO 2


Por enquanto, ‘Ana Raio’ é a única que o SBT tem autorização dos autores (Rita Buzzar e Marcos Caruso). Ainda tenta ‘Dona Beija’ (1986). Queria ‘Carmem ‘(1987), mas a autora, Glória Perez, não autorizou porque, no ar na Globo, não quer concorrer com ela mesma.


RAIO 3


O SBT não seguiu esse ritual ao programar ‘Pantanal’ e corre o risco de ser condenada na Justiça a repassar ao autor Benedito Ruy Barbosa tudo o que arrecadou com a exibição.


ECONOMIA


Galvão Bueno e Reginaldo Leme farão as transmissões dos três primeiros GPs de Fórmula 1 deste ano diretamente de estúdios da Globo. Por causa do fuso horário, não viajarão para Austrália, Malásia e China. A emissora só enviará repórter.


REPLAY O Multishow reprisará no dia 15 o show da banda Radiohead, realizado domingo em São Paulo. Mas, por contrato, só poderá mostrar 70 minutos.


KAMA SUTRA


Deu certo a estratégia da Globo de exibir a primeira noite de amor de Raj (Rodrigo Lombardi) e Maya (Juliana Paes) justo na estreia de ‘Promessas de Amor’. A novela da Record deu 12 pontos em SP, contra 37 de ‘Caminho das Índias’. Foi o pior início da série ‘Mutantes’.’


 


 


Sylvia Colombo


Sem time, ‘House’ sofre em nova fase


‘Sozinho. É esse o título do primeiro episódio da quarta temporada de ‘House’, que estreia hoje na Record. Tanto aprontou o misantropo e genial dr. Gregory House (Hugh Laurie) que acabou ficando sem sua equipe.


Desamparado, mas sem querer dar o braço a torcer, ele desafia a chefe, dizendo que pode fazer diagnósticos sem auxiliares. Apesar de seguir decifrando charadas médicas intrincadas, ele se atrapalha e tem de ceder. Abre-se um concurso, recruta-se uma nova equipe.


A virada proposta por essa nova fase do seriado quase afundou o programa. Os recém-chegados terão trabalho para preencher a lacuna dos carismáticos Chase, Foreman e Cameron. Tanto que estes serão obrigados a reaparecer esporadicamente para agradar aos housemaníacos.


O encanto do show segue sendo a peculiar relação do personagem com o melhor amigo, o oncologista James Wilson (Robert Sean Leonard), com quem dialoga só por meio de provocações infantis e desafios.


Ao longo dos próximos episódios, essa amizade será levada até uma situação limite trágica. Contar mais seria estragar a surpresa. Mas vale como alerta. Ainda que o início desta temporada seja morno e demore a engatar, o que vem à frente valerá a espera.


HOUSE


Quando: hoje, às 23h45


Onde: Record


Classificação: 12 anos’


 


 


PERSONAGEM
Carlos Heitor Cony


O novo Adão


‘RIO DE JANEIRO – Periodicamente aparece um personagem público que se destaca pela capacidade de dar palpites sobre qualquer assunto. A mídia tem um faro especial para desencavar esses caras, que são procurados para dar nome às coisas, sejam quais forem, como novo Adão, que, segundo a lenda, a pedido do Criador, deu nome às árvores, às galinhas e às nuvens.


Durante anos, pelos menos até o advento do movimento militar de 64, que o baniu do noticiário, dom Hélder Câmara era o Adão preferencial. Dava palpite sobre tudo, desde concurso de misses e seleção nacional a problemas de trânsito, filosofia quântica e caça às baleias.


O Adão que atualmente nomeia as coisas é Gilmar Mendes, procurado sobre qualquer assunto, inclusive os de sua especialidade, pois se trata de um juiz na alta esfera do Supremo Tribunal. Creio que não lhe faltem conhecimentos técnicos, embora lhe falte a conveniência de certas declarações que equivalem a um prejulgamento.


Como se sabe, um juiz, da primeira à última corte, só pode se manifestar nos autos de um processo. Se acaso tem algum comprometimento anterior com uma das partes, deve se declarar impedido naquela ação, uma vez que já formou e divulgou opinião antecipada sobre a matéria antes de ser instaurado o processo judicial.


Um juiz, de qualquer instância, pode ter e expressar opiniões sobre a previsão de chuvas, os destinos finais das novelas da TV, o legado cultural de John Lennon, o local onde estão enterrados os ossos de Dana de Teffé. São enigmas que dificilmente formarão matéria de direito.


O atual presidente do STF antecipa publicamente juízos sobre problemas que, mais cedo ou mais tarde, poderão entrar na pauta daquela corte de justiça. Nesses casos, pode ser acusado de suspeição.’


 


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Muito influente


‘Começou às 10h30 com ‘Ação da Polícia Federal na Camargo Corrêa atinge partidos’, na Folha Online e no portal UOL, reportagem de Mônica Bergamo. As contribuições da empreiteira ‘por dentro e por fora’ envolveriam ‘pessoa muito influente em São Paulo’. Fim da tarde e o enunciado passou a ‘Dirigente da Fiesp é citado em conversa’, mais o registro de que ‘a informação causa alvoroço em Brasília, em especial entre partidos que têm mais contato com a entidade’.


Mais um pouco e o site Época, no portal G1, postou ‘PSDB, DEM e Fiesp nos papéis da Camargo Corrêa’, reportagem de Rodrigo Rangel. O inquérito se refere a ‘repasses da empreiteira a PSDB, DEM, PMDB e PPS, nem todos declarados’. Em gravação, ‘representante da Fiesp conversa com diretor da Camargo Corrêa, diz que fala em nome do chefe, Paulo Skaff, e cobra R$ 400 mil para partidos’. O site lista, por destinatários, senador Agripino Maia e ‘o PMDB de Pernambuco’.


Virou manchete do ‘Jornal Nacional’, também da Globo, mas com referência vaga a ‘partidos’. Depois sublinhou outras legendas, antes de PSDB e DEM, e concentrou tudo em uma obra federal, da Petrobras.


Início da noite e já estava nas buscas de Brasil no Google News, em enunciados como ‘Polícia prende diretores de empreiteira por fraude’, da Reuters.


A BATALHA PELA CRISE


Antonio Regalado, do ‘Wall Street Journal’, escreveu longa reportagem sobre como a ‘Percepção econômica no Brasil se transforma em foco da batalha política’ entre governo e oposição. Aqui, ecoou nos sites com enunciados como ‘Crise é risco para o PT em 2010, analisa o ‘WSJ’.


O correspondente mostra como o governo ‘pinta uma situação rosa’ e a oposição busca adequar seu discurso de forma a não aparentar que está ‘torcendo pela recessão’.


BILHÕES E BILHÕES


Até o escândalo tomar conta, as manchetes on-line e de televisão se voltavam ao pacote habitacional. O programa abriu o dia cotado em R$ 16 bilhões, na edição de papel de ‘O Estado de S. Paulo’, passou a R$ 34 bilhões à tarde, no lançamento, e fechou em R$ 60 bilhões, no enunciado da Folha Online. O ‘JN’ ressaltou que Lula pediu para não ser cobrado por sua promessa de um milhão de moradias.


No exterior, foi o destaque nas buscas de notícias de Brasil, por agências e e sites como ‘El País’ e ‘WSJ’.


CAPÍTULOS


A CNN postou a entrevista de Lula a Fareed Zakaria -que já saiu até na ‘Newsweek’, mas só vai ao ar no domingo, na emissora


DO G8 AO G20 (OU G2)


Ontem no site do ‘WSJ’, o secretário britânico Peter Mandelson, em visita ao Brasil, proclamou que ‘a era do G8 acabou’, supostamente substituído agora pelo G20.


De outro lado, EUA e China, já tratados por G2, seguem duelando quanto à permanência do dólar como a moeda internacional de reserva, tema que ameaça ser o foco de ricos e emergentes no G20, semana que vem em Londres.


A RAIVA


‘Cresce a raiva na Europa’, diz o ‘NYT’, citando ataque à casa do ex-presidente do Royal Bank of Scotland


SEAN & ELIAN


No alto das buscas de Brasil por Yahoo News e Inform.com, o apoio ‘unânime’ do Senado americano ao pedido de retorno do menino Sean Goldman à guarda do pai.


E o Global Post já avalia que a diferença nas coberturas americana e brasileira do caso remete ao conflito sobre Elian Gonzalez, entre Cuba e EUA.


MAIS INDIGNAÇÃO


O ‘Los Angeles Times’ deu ontem o editorial ‘Uma Igreja Católica consistente, mas cruel’, destacando como ‘o caso de excomunhão no Brasil provoca indignação mundial’. Concordou com o Vaticano, que o episório sugere ‘falta de compaixão’, e lembrou que o estuprador da menina de 9 anos não foi excomungado.’


 


 


MÍDIA NOS EUA
Folha de S. Paulo


‘NYT’ destaca elo de Paquistão com radicais


‘Às vésperas do anúncio oficial da nova estratégia americana para o Afeganistão, que deve ocorrer amanhã, o ‘New York Times’ destaca o apoio de setores do serviço de inteligência paquistanesa aos radicais do Taleban no vizinho Afeganistão. O plano da Casa Branca deverá enfatizar a interligação entre a insurgência nos dois países e a necessidade de pacificar a porosa região da fronteira.


O elo entre o serviço secreto paquistanês (ISI) e os radicais islâmicos já é bastante conhecido. Mas, segundo o ‘Times’, os EUA têm provas inéditas do ‘jogo duplo’ de agentes secretos do país aliado, que recebe anualmente mais de US$ 1 bilhão em auxílio militar.


Segundo o jornal, outros grupos radicais afegãos, como o liderado por Jalaluddin Haqqani, também recebem auxílio do ISI.


Militares paquistaneses afirmam ao ‘Times’ que os contatos com os insurgentes afegãos são parte de uma estratégia do Paquistão para manter sua influência no Afeganistão após a retirada americana e evitar que o vácuo de poder seja preenchido pela rival Índia.’


 


 


PUBLICIDADE
Mônica Bergamo


Respiro


‘O governo Lula abriu duas licitações que estão movimentando o mercado publicitário: uma, do Ministério das Cidades, de cerca de R$ 120 milhões; e outra, do BNDES, de R$ 30 milhões. Em época de vacas magras, mais de 30 agências se digladiam pelas contas.


MICROFONE


As campanhas do Ministério das Cidades devem contemplar ações de educação no trânsito e a divulgação de obras de saneamento e habitação.’


 


 


TWITTER
Mônica Bergamo


Sigam-me os bons


‘O governo do Estado agora tem um perfil no Twitter, o microblog que virou mania na internet. Até a tarde de ontem, apenas 25 pessoas -duas delas, assessores de José Serra- acompanhavam as 29 notícias que já foram postadas pelo palácio -seis delas com o nome do governador no título.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 26 de março de 2009


 


HISTÓRIA
Marcelo de Moraes e Leonencio Nossa


Ata secreta revela início da reação militar no Araguaia


‘O Exército começou a montar uma base antiguerrilha no Araguaia dois anos antes dos combates com o movimento armado do PC do B. Uma ata da reunião do Conselho de Segurança Nacional (CSN), divulgada pelo Arquivo Nacional, revela que em janeiro de 1970 o governo do general Emílio Garrastazu Médici ordenou a construção do Batalhão de Infantaria de Selva, em Marabá, cidade no sul do Pará.


O encontro do conselho, órgão que assessorava o presidente, ocorreu no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 1972, oito meses depois do início oficial dos combates. O enfrentamento entre as Forças Armadas e os comunistas resultou na morte de 58 guerrilheiros. Os números de militares e camponeses mortos ainda são imprecisos.


A propaganda comunista pós-guerrilha divulgava com estardalhaço que os militares tinham construído o batalhão de Marabá por causa da resistência e grandiosidade da guerrilha. É uma versão pelo menos incompleta. As primeiras operações na região começaram em 1970.


A ata histórica reforça a versão de que os militares estavam atrás da guerrilha desde a queda do comunista Carlos Marighella (1911-1969), líder da Aliança Nacional Libertadora (ALN), morto em uma emboscada em São Paulo. ‘Um documento que estava com o Marighella fazia referência a uma grande área de guerrilha’, relatou ao Estado o tenente-coronel da reserva Lício Augusto Maciel, pioneiro na busca de guerrilheiros. Foi ele quem encontrou os primeiros indícios da guerrilha ao tomar o rumo da estrada Belém-Brasília.


MARABÁ


Outra ata analisada pelo Estado dá detalhes de uma reunião do CSN, em 30 de outubro de 1970, em que o presidente Médici decide classificar Marabá, a principal cidade da guerrilha, como área de segurança nacional. Estava em jogo também a construção da rodovia Transamazônica, que ligava o Nordeste ao Norte e cortava o município.


No documento de cinco páginas, o então secretário-geral do conselho, João Figueiredo, solicita a inclusão de Marabá na lista de prioridades do regime alegando que a cidade é caracterizada por ‘graves tumultos eleitorais’, acolhe ‘atividades de maior interesse da segurança nacional’, apresenta ‘condições sociais de fácil exploração pelos elementos subversivos, tendo em vista a perturbação da ordem’ e tem ‘condições estratégicas e táticas de interesse’. Médici aceitou os argumentos e decretou a área de segurança.


CASSAÇÃO


A ata da reunião de 4 de dezembro de 1972 registra o pedido de Figueiredo para o presidente cassar o mandato do deputado estadual do Pará Osvaldo dos Reis Mutran, da Arena. Ele afirma que Mutran desenvolvia atividades ‘criminosas’ como ‘tentativa de morte, roubo, acoitamento de bandidos e expedições de jagunços armados’ para se apoderar de terras na região. Pede, ainda, o fechamento da Câmara Municipal de Marabá, controlada politicamente por Mutran.


O deputado, segundo Figueiredo, teria colocado obstáculos para a construção do Batalhão de Infantaria de Selva em Marabá. Mutran teve o mandato cassado por dez anos. Lício relata que esteve nas fazendas do deputado e presenciou trabalho escravo.


‘Eu tinha acesso porque me apresentava como engenheiro da Embratel e todos queriam uma antena transmissora perto de suas propriedades’, conta. ‘Certa vez reclamei com um capataz da fazenda das condições que viviam os trabalhadores. O pessoal estava muito sofrido.’’


 


 


 


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