Quinta-feira, 14 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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Uma decisão deprimente

Por Rogério Nogueira em 23/06/2009 na edição 543

Deprimente. Esta palavra ilustra com perfeição toda a atual insatisfação dos comunicólogos existentes em nosso país. O dia 17 de junho de 2009 infelizmente ficará marcado por mais um retrocesso na história do Brasil, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu dar fim à obrigatoriedade de diploma para exercício da profissão de jornalista.

Pode-se dizer que o ‘mercado da informação’ tende a caminhar agora para o amadorismo, onde diversos desqualificados darão as cartas. Sabemos que o dom divino existe, prova disso são os ‘bons’ locutores, apresentadores e repórteres que já atuam na área da comunicação e que não são formados; o que acontece é que muitos destes profissionais são práticos, mas não carregam consigo a verdadeira essência do fazer jornalismo, pois a teoria muitas das vezes é desprezada pelos que ocuparam e ainda estão ocupando o lugar daqueles que se prepararam intelectualmente em uma faculdade – muitas moças e rapazes recém-formados escutam com frequência a famosa frase ‘Aqui não há lugar para você, temos muita gente trabalhando e você não tem experiência’.

Tocar o barco conforme a maré

Ministros que votaram a favor da não exigência do diploma para trabalhar na área não pensaram nos ideais de milhares destes jovens e esqueceram-se também dos veteranos que um dia pagaram para estudar e frequentaram uma instituição de ensino durante quatro anos. A pergunta que não quer calar: estes ministros, o governo e os empresários que desejam mão-de-obra barata vão ressarcir os gastos de todos? Para ter uma compensação, o MEC vai indenizar e oferecer bolsas de estudos integrais de outros cursos superiores a todos que se formaram em jornalismo?

Aguardem, meus amigos, e não se espantem se em breve começarem a receber receitas de médicos falsos, forem julgados por juízes práticos ou quem sabe até ver seus queridos filhos e netos serem alfabetizados por professores que não sabem como e o que ensinar. O que nos resta agora, prezados jornalistas, é deixar a vida nos levar e tocar o barco conforme a maré, numa visão otimista de que o sol nasceu para todos e quando a concorrência aumenta aquele que é ‘diferente’ poderá ser agraciado – isso, é claro, se ‘alguns patrões’ quiserem a qualidade da informação e não ficarem preocupados somente em encher os seus respectivos bolsos.

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Jornalista, músico, cantor e compositor, Guarapari, ES

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