Domingo, 18 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1050
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Uma lamentável dissintonia na interpretação

Por Walter Rossignoli em 14/04/2009 na edição 533

Está nas bancas o especial Guia da nova ortografia, publicado pela revista Língua, da editora Segmento. Sem dúvida, trata-se de uma boa oportunidade para o leitor inteirar-se do recente Acordo Ortográfico que mudou a forma de escrever no Brasil.

No final da revista, sob o título ‘Cascas de banana do Acordo’, há definições gráficas propostas pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), recém-publicado pela Academia Brasileira de Letras, sob a coordenação do acadêmico Evanildo Bechara.

Embasados no Volp, os redatores propõem, nas tais cascas de banana, dentre outras, as grafias bico de papagaio (problema de coluna), cabeça de bagre, à toa (em Estou à toa, por exemplo, em que a expressão funciona como adjetivo), pé de galinha (ruga) e para-lama. Por outro lado, pude detectar, no glossário, as grafias pé de moleque e não governamental.

Se o leitor pesquisar essas palavras no Mini Aurélio, publicado segundo o Acordo, lá aparecem bico-de-papagaio, cabeça-de-bagre, à-toa (como expressão adjetiva), pé-degalinha, paralama, pé-de-moleque e não-governamental. Uma lamentável dissintonia!

Esperar que os lexicógrafos se entendam

No ‘reino do hífen’, parece mesmo que se instaurou o caos… Com o tempo, entretanto, essas grafias ficarão ajustadas e os dicionários do futuro, certamente, não vão registrar tantas variações gráficas.

Parece evidente que os editores do dicionário se açodaram e acabaram por fazer uma leitura restrita dos termos do Acordo, produzindo, assim, edições mistas, sobretudo nessa complexa questão da hifenização ou ‘infernização’, no dizer do linguista José Rebouças Macambira. Agora, depois da publicação do Volp, é bem provável que as novas edições dos dicionários se reformulem. Esperemos!

No mais, quanto à acentuação gráfica e ao uso do hífen com prefixos e pseudoprefixos, parece que está havendo convergência na interpretação dos termos do Acordo. Assim, autoescola (junto e sem hífen) e micro-onda (separado e com hífen) são uma unanimidade. Ave!

Bem mais barato fica aprender as novas regras, que não são difíceis, e continuar com o dicionário antigo. Caso a intenção seja adquirir algo bem atualizado e não correr risco de divergências, o ideal mesmo é esperar um pouco até que os lexicógrafos se entendam…

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Professor de Língua Portuguesa no Instituto Federal do Sudeste Mineiro, autor de Português; teoria e prática (Editora Ática)

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