Sábado, 24 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Uma profissão invadida

Por Rackel Cardoso Santos em 14/04/2009 na edição 533

Quantas vezes você já deparou com pessoas que ocupam cargos de jornalistas, assessores de imprensa etc. e quando você as questiona qual a sua formação, elas respondem que só cursaram até 2° grau?

Que decepção, alguém que nunca cursou uma faculdade, que não tem preparação alguma ou não tem preparação suficiente, está ocupando tal cargo. Como alguém pode ser os olhos, os ouvidos e a voz do povo se não se capacitou para cumprir tal função?

Você seria operado por um médico que não entende nada de medicina? Por que só pode ocupar o cargo de médico quem é formado e qualquer um pode ser, ou melhor, se dizer, um jornalista?

Estão querendo acabar com a exigência do diploma jornalístico, dizendo que só um curso técnico pode "formar" um jornalista. Mas do que adianta a técnica sem a ética e sem a crítica? Será que um técnico em enfermagem pode dar um diagnóstico com a mesma credibilidade que um pós-doutor em medicina?

É até decepcionante que depois de tantas conquistas do povo brasileiro em relação à educação, depois de tantas lutas pela democracia e liberdade, algo tão revoltante ainda seja cogitado. Algo tão absurdo quanto essa discussão não deveria nem ser colocado em pauta.

Mudanças absurdas

Hoje é fácil encontrar pessoas que se dizem jornalistas, assessores, repórteres, críticos jornalísticos, mas que nunca passaram nem na calçada de uma faculdade. Se tais pessoas não passam nem no vestibular, como trabalhar no lugar daquele que passou no mínimo quatro anos aprendendo as razões e as não razões do jornalismo? Não pode ser correto dizer que qualquer pessoa que escreva bem pode ser um jornalista. Quem escreve bem é um escritor. Jornalista é aquele que se prepara para selecionar os fatos que são de interesse público, para saber o que deve ser assunto de pauta, aquele que apura os dois lados dos acontecimentos, aquele que não deixa suas crenças, suas vontades, nem sua personalidade passar por cima da ética e da credibilidade do seu trabalho e que preza pelo bem daqueles que são os feitores, os mentores e o objetivo da existência dessa profissão: o povo.

O jornalismo é uma arte. Mas não é qualquer menino de berço que rabisca uma folha de papel e seu pai faz um quadro, como se essa tal criatividade fosse uma das maiores maravilhas do mundo. O artista/jornalista é formado para isso, é preparado para enfrentar as feitas e desfeitas da correria do dia-a-dia. Na rua, na redação, na sala, nos pensamentos críticos, no horário de fechamento, encaixando elefante na casinha do cachorro e matando um leão por dia… Ufa! Por que será que todos os anos passam no vestibular muitos alunos para o curso de Jornalismo, mas menos de metade desse número chega até o fim e consegue se formar? Acredito que é porque não é tão fácil como se diz por aí.

O jornalismo deve possuir e prezar acima de tudo a responsabilidade social. As empresas sérias, que possuam tal objetivo devem repensar se vale a pena aceitar não profissionais para ocuparem cargos tão importantes.

Para finalizar, dentre tantas críticas e revoltas quero baixar minha cabeça de tanta amargura daqueles jornalistas formados que, ao invés de darem as costas para essas mudanças absurdas que estão querendo fazer, dão as mãos a essa corrente que conspira contra a razão. Meu coração se abate em saber que estes não dão valor, seriedade ou credibilidade a essa arte/profissão tão necessária, mas ao mesmo tempo tão desvalorizada.

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Estudante de Jornalismo/UEPB, Campina Grande, PB

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