Domingo, 16 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Uma nova universidade pública no estado de São Paulo

Por Carlos Vogt em 19/08/2014 na edição 812

A Univesp ­– Universidade Virtual do Estado de São Paulo ­realizou em junho deste ano o seu primeiro vestibular para quatro licenciaturas ­– em matemática, física, química e biologia ­–, e dois bacharelados ­– em engenharia de computação e engenharia de produção.

Com este vestibular abre-se, efetivamente, um novo ciclo na história das universidades públicas do estado de São Paulo e do Brasil.

A Univesp nasceu como um programa de cursos em 2009 e transformou-se na quarta universidade pública estadual de São Paulo, na forma jurídico-institucional de uma fundação, pela lei 14.836, de 20 de julho de 2012. Reconhecida pelo Conselho Estadual de Educação e integrada ao sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) em 2013, avança consistentemente o seu processo de credenciamento junto ao MEC (Ministério da Educação).

O que é essa universidade?

Antes de tudo, trata-se, como o seu próprio nome indica, de uma universidade virtual cujos cursos se organizam baseados no uso intensivo das tecnologias de informação e de comunicação. São cursos semipresenciais com um forte componente de atividades a distância, o que permite que o aluno venha para a universidade e a universidade vá até o aluno.

De fato, no vestibular realizado no começo de junho foram ofertadas 3.330 vagas ? 2.034 nas licenciaturas e 1.296 nas engenharias ?, com atividades presenciais programadas para 42 polos distribuídos por 24 cidades do estado, incluindo a capital e a grande São Paulo, numa parceria que envolve as Fatecs (Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo), do Centro Paula Souza, os CEUs (Centros Educacionais Unificados), da Prefeitura de São Paulo; e outros polos credenciados no sistema UAB (Universidade Aberta do Brasil).

Vê-se, assim, o caráter cooperativo e colaborativo da Univesp, que constitui uma das marcas dessa instituição, na medida em que se procura com isso otimizar o uso dos recursos públicos envolvidos na infraestrutura física e lógica do ensino superior público, gratuito e de qualidade já existente no estado e no país.

Esse caráter colaborativo é responsável pelas importantes parcerias que a Univesp mantém também com a USP , Unesp, Unicamp e Fundação Padre Anchieta. Neste último caso, foi criada, conjuntamente, em 2009, a Univesp TV, dentro da multiprogramação da TV Cultura, em sinal aberto, com acesso digital, com emissão de programas dedicados ao ensino superior durante 16 horas, diariamente. Além das vídeoaulas que integram os cursos formais da Univesp, são oferecidos cursos livres dentro da linha de atuação institucional do “Conhecimento como Bem Público”, que podem também, desde abril de 2010, ser acessados via internet no YouTube. O canal da Univesp TV no YouTube conta, até agora, com cerca de 20 milhões de visualizações e mais de 112 mil cadastrados, o que coloca a Univesp entre as 40 instituições de ensino superior com mais acesso nesta plataforma, em todo o mundo.

Linhas mestras

Aberta também ao público é a revista Pré-Univesp (http://pre.univesp.br/), publicação eletrônica de divulgação científica que oferece conteúdos gratuitos e de qualidade, com foco nos professores e estudantes pré-universitários, tratando de forma jornalística e de leitura agradável temas e assuntos que fazem parte da matriz curricular do ensino médio e das provas de ingresso nas universidades.

A Univesp, graças ao seu feitio de instituição virtual, tem uma estrutura corporativa extremamente enxuta: o seu quadro permanente de servidores, todos contratados, por concurso, no regime CLT, é de 135 funcionários, dos quais 40 são docentes e 95 são técnicos e administrativos, podendo agregar competências para finalidades específicas e por tempo determinado. Contudo, sendo enxuta, por se tratar de uma universidade concebida nos moldes da contemporaneidade dos meios de comunicação e informação, ela é, funcionalmente elástica, socialmente, abrangente e inclusiva, e, geograficamente, distribuída e distributiva, no que diz respeito ao acesso ao conhecimento e à formação de nível superior.

Professores e alunos são, é claro, os protagonistas dessa narrativa de ensino e aprendizagem. Entre os primeiros, destacam-se, em papeis distintos, mas complementares e integrativos, o mediador, o formador especialista, o formador profissional e o formador autor.

No polo de apoio presencial, o aluno tem a orientação direta do mediador para estudos, atividades individuais e outras atividades, como, por exemplo, as práticas laboratoriais.

O polo é, assim, um cenário físico indispensável para o bom funcionamento do curso, já que constitui também o espaço de interação com outros alunos seja no momento de atividades planejadas, como as atividades em grupo que ocorrem a cada 15 dias, seja em outras situações de estudo ou sociais.

Cada polo comporta um número determinado de vagas e o grupo de estudantes que aí se reúne se organiza em turmas de 18 alunos cada uma. Nas semanas intercaladas às do encontro físico nos polos, os grupos têm atividades conjuntas, agora a distância, com a utilização de ferramentas de comunicação e interação disponíveis no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), sempre acompanhados pelos mediadores do grupo de alunos dos seus respectivos polos.

O formador especialista é o responsável pela preparação e apresentação de temas e tópicos específicos dentro de uma disciplina, ou seja, de cada aula individualmente, sendo conhecedores do tema em questão e atuando nas videoaulas, cujos materiais de estudo, sua produção e organização, são de sua responsabilidade.

O formador autor tem sob sua coordenação a disciplina, suas linhas mestras de avaliação e a integração temática com as demais disciplinas do curso.

O formador profissional assiste diretamente o formador autor e supervisiona tanto a elaboração dos conteúdos das disciplinas, sejam eles vídeos ou textos, como a formulação das avaliações.

Quem é o aluno da Univesp?

Pelos dados do vestibular realizado em junho para as licenciaturas e para as engenharias, a média de idade dos candidatos, numa enquete com 6095 respondentes, está entre 30 e 35 anos; 73% cursaram integralmente o ensino médio em escola pública; 66% se formaram antes de 2004; 37% se autodeclararam pretos, pardos, ou indígenas (PPI); 80% trabalham em período integral; 44% sustentam a família; 36% contribuem para o sustento da mesma; 74% têm renda bruta pessoal de até cinco salários mínimos; 65% têm renda bruta familiar de até cinco salários mínimos; 61% dos pais têm até Ensino Fundamental completo, 56% das mães também; 90% acessam a rede via computador; 48% têm banda larga e, destes, 84% acessam em casa; 63% moram em casa ou apartamento próprios; 50% optaram pelo curso porque era exatamente o que queriam, 18%, por ser gratuito e 22%, por ser um curso de qualidade; 63% não teriam como fazer um curso superior tradicional na modalidade inteiramente presencial.

É, pois, um perfil de aluno mais maduro e que por isso pode apresentar também um potencial maior de compromisso e de disciplina para a realização de todas as tarefas requeridas para o bom desempenho e para a obtenção dos certificados e diplomas que a estrutura dos cursos possibilita e a instituição concede.

Os cursos da Univesp estão concebidos numa matriz curricular que os organiza em dois ciclos, sendo um básico, de formação geral, e outro, profissional, de formação específica. Assim, os cursos de licenciatura em matemática, física, química e biologia têm um componente comum com duração de quatro semestres e um componente específico de mais quatro semestres. Nas engenharias, o ciclo básico tem também quatro semestres, e o profissional, seis semestres. Em cada semestre são oferecidas oito disciplinas, distribuídas em módulos bimestrais de quatro disciplinas cada um. Cada módulo traz ainda um eixo integrador que gira em torno do projeto que os alunos devem desenvolver e cuja função, além de integrar os conhecimentos adquiridos em cada disciplina, é a de consolidá-los com base na experiência e na vivência de cada um dos alunos, postos, a cada passo do andamento do curso, diante de situações relacionadas com a sua vida profissional, depois de formados. A cada bimestre cursado, os conhecimentos, através das disciplinas, irão se acumulando e os projetos integradores irão se tornando mais amplos e mais complexos.

Utilizando metodologias ativas de aprendizagem, tratando de problemas e buscando soluções que antecipam, na forma, várias das que os alunos tratarão na sua vida profissional futura, os cursos dão ênfase ao “aprender a aprender”, baseando-se em três pontos pedagógicos essenciais: transmissão de conhecimento consolidados, aprendizagem colaborativa e cooperativa em processos de construção coletiva do conhecimento e aprender fazendo, de modo a integrar teoria e prática.

A rotina de estudos de nossos alunos começa pelo ambiente virtual de aprendizagem, o AVA, que ele frequentará para ter acesso aos conteúdos de cada aula e às atividades propostas. A cada semana novos conteúdos serão disponibilizados para as disciplinas que ele estiver cursando.

Desse modo, o ambiente de aprendizagem, o método de trabalho e as ferramentas virtuais, além das atividades em grupo, nos polos ou virtuais, constituem as peças-chave desse empreendimento universitário em que o objetivo é o saber competente e a sua prática é a do compromisso sério, mas feliz, com a disciplina do ensino e da aprendizagem e com a aprendizagem disciplinada dos conhecimentos necessários à formação integral, humana e profissional de seus alunos.

A estrutura em ciclos dos cursos da Univesp traz também dois resultados importantes para a dinamização do processo de formação profissional.

O primeiro é que o aluno, depois de formado numa carreira, poderá retomar a busca de um novo diploma já a partir do quinto semestre do curso, aproveitando o ciclo básico já concluído naquela área e otimizando, assim, as condições para a obtenção de um segundo diploma profissional com apenas mais dois anos, como aconteceria, por exemplo, se ele se formasse como professor de física e pretendesse, em seguida, obter também o diploma de professor de química.

O segundo aspecto relevante, que resulta da estrutura dos cursos, diz respeito ao fato de que, sendo sequenciais, o aluno, no final do segundo ano, uma vez aprovado, obterá um certificado de conclusão, habilitando-se, como num “college”, para diversas atividades que exigem para o seu exercício regular diplomação em nível superior. Para a obtenção do diploma universitário o aluno deverá cumprir integralmente os dois ciclos de sua formação. Aqui também há, como se vê, um potencial muito grande de otimização da dinâmica social que passa pelo ensino superior.

O aluno da Univesp leva a universidade com ele, aonde quer que ele vá, onde quer que ele esteja. O conteúdo do curso o acompanha, discreta, mas efetivamente, em casa, no trabalho, no lazer, onde quer que se encontre e está disponível em qualquer horário para o cumprimento, pelos estudantes, de suas obrigações escolares e, pelos professores, de seus compromissos com o ensino superior, público gratuito e de qualidade.

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Carlos Vogt é linguista e poeta, presidente da Fundação Universidade Virtual do Estado de São Paulo – UNIVESP 

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