Sexta-feira, 20 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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DIRETóRIO ACADêMICO >

Valor Econômico

12/12/2005 na edição 359


TV DIGITAL
Raquel Landim


EUA reforçam lobby para TV digital


‘Os Estados Unidos estão reforçando o lobby para tentar convencer o governo brasileiro a adotar o padrão americano de televisão digital. O representante especial para assuntos comerciais e financeiros do Departamento de Estado dos EUA, Frank Mermoud, estará reunido hoje, em Brasília, com representantes do ministério das Comunicações e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Europeus e japoneses estão na disputa. O governo brasileiro deve definir, até fevereiro de 2006, qual padrão de TV digital vai utilizar.


Segundo Mermoud, que assessora a secretária de Estado, Condoleezza Rice, os Estados Unidos estão empenhados na criação de um padrão de TV digital para o continente. Se o Brasil optar pelo padrão americano, os Estados Unidos calcularam que seria criado um mercado de 800 milhões de pessoas para os produtos e serviços da TV digital nas Américas.


Mermoud argumenta que o Brasil poderia se tornar um fornecedor de aparelhos de TV Digital com padrão americano para a América do Sul e o Caribe, assim como incrementar suas exportações para a América do Norte. ‘Nós próximos anos, haverá uma demanda significativa por esses aparelhos nos Estados Unidos.’


Os americanos também acenam com transferência de tecnologia e criação de empregos qualificados no país. Os especialistas da área acreditam, porém, que os padrões europeu e japonês se adaptam tecnologicamente melhor que o americano à realidade brasileira.


Mermoud esteve ontem em São Paulo em encontros com empresários brasileiros e americanos. Ele se reúne hoje em Brasília com o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Tito Cardoso de Oliveira Neto, e com o assessor do conselho diretor da Anatel, Luiz Antonio Senna Catarcione, conforme informações da assessoria de imprensa do consulado americano.


Mermoud também tem reuniões marcadas com representantes do ministérios do Planejamento e do Desenvolvimento. Um dos objetivos é impulsionar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. O representante americano diz que há vontade política dos governos americano e brasileiro que sugere que as negociações do Acordo de Livre Comércio das Américas (Alca) podem ser retomadas no próximo ano. Ele também espera um resultado ambicioso da reunião ministerial da Organização Mundial de Comércio (OMC) em Hong Kong na próxima semana.’




IMPRENSA INTERNACIONAL
Matías M. Molina


Mais sério, mais sóbrio


‘Durante uma entrevista ao correspondente da revista liberal americana ‘The Reporter’, nos anos 50, o chanceler alemão Konrad Adenauer quis reforçar seu ponto de vista e procurou uns papéis. O jornalista esperava ver algum documento confidencial, talvez o despacho de algum embaixador. Adenauer abriu uma pasta e exibiu, satisfeito: eram recortes de um jornal, o ‘Neue Zürcher Zeitung’. Para ele, o argumento era definitivo.


De todos os jornais mundiais de qualidade, o ‘NZZ’ é o mais antigo – cumpriu 225 anos em janeiro último -, o de menor circulação – apenas 155 mil exemplares -, possivelmente o de aparência mais sóbria e, para muitos de seus leitores, o mais respeitável e responsável, e ‘o melhor’. Um historiador da imprensa de língua alemã, John Sandford, disse que o ‘NZZ’ pode ser considerado ‘o jornal mais sério, mais completo e sóbrio do mundo’. Durante um tempo, foi chamado, principalmente em Londres, o órgão dos ‘gnomos de Zurique’, numa referência algo maliciosa a sua influência entre os famosos banqueiros da cidade onde o jornal é editado. Em um país onde a imprensa é marcadamente local, o ‘NZZ’ é o único jornal nacional e certamente o único internacional.


O ‘Neue Zürcher Zeitung’, o paladino independente do liberalismo suíço desde sua fundação, se orienta por padrões diferentes aos da maioria dos jornais. Tem como objetivo informar da maneira mais completa, precisa e concisa possível. Mas avalia os fatos e as pessoas por meio da ótica e da filosofia de seu liberalismo, que é declarado abertamente, e lhe que serve de base para apreciar os eventos de Zurique, Pequim ou Washington, como diz seu atual editor, Hugo Bütler. O jornal é independente de partidos, mas alguns críticos afirmam que seu liberalismo tem um viés conservador.


O formato físico é o ‘berlinês’, intermediário entre o tablóide e o ‘standard’. Sua mais importante reforma gráfica foi feita nos anos 40, quando abandonou as letras góticas que antes o caracterizaram. O tamanho dos títulos é ligeiramente maior que o do texto dos artigos. Já foi qualificado como um jornal muito cerebral, algo cinzento, que publica artigos talvez demasiado longos. Não está preocupado em dar as notícias antes dos outros jornais, mas pretende, sim, dar uma cobertura interpretativa e contínua dos eventos mundiais, em um contexto amplo. O jornal considera que uma de suas funções é proporcionar a seus leitores o ‘background’ dos eventos atuais em todas as áreas, e fazer isto de maneira contínua, completa e clara. Para ele, analisar as tendências é mais importante do que publicar informações exclusivas. ‘Não corremos atrás de ´notícias quentes´’, declarou o diretor de marketing e publicidade, Willy Schib, a uma revista de temas de imprensa.


O ‘NZZ’ tem uma vasta rede de 50 correspondentes internacionais, dos quais mais de 30 são exclusivos. Eles têm um grau de autonomia muito superior ao dos correspondentes da maioria dos jornais. Os pontos fortes do ‘NZZ’ são a cobertura dos temas políticos, econômicos e culturais, mas não tem muito espaço para notícias leves ou de ‘estilo de vida’. Seu objetivo é informar, não entreter. Segundo o próprio jornal, seus leitores esperam dele informes solidamente pesquisados, análises sérias e comentários inteligentes, proporcionando o pano de fundo sobre o qual eles podem formar suas próprias opiniões – nada de títulos sensacionais ou reportagens superficiais.


Chegou a ter três edições diárias. Hoje só publica uma, para a Suíça, e uma edição internacional, para o exterior, impressa em duas cidades da Alemanha, com 20 mil exemplares. A maioria dos assinantes no exterior está nesse país e na Áustria, mas o ‘NZZ’ tem leitores em mais de 40 países. O fato de estar escrito em língua alemã, porém, limita muito a ampliação de sua já considerável influência.


A Suíça é um dos raros países do primeiro mundo onde não é publicado um jornal diário de economia. Um dos fatores, possivelmente o mais importante, é que a cobertura feita pelo ‘NZZ’ – que tem como subtítulo o mote ‘o jornal suíço do comércio’ -, detalhada, precisa e confiável, não deixou espaço para um diário especializado.


O jornal foi fundado em 1780, com o nome de ‘Zürcher Zeitung’, por Salomon Gessner, um pintor, impressor e poeta amigo de Goethe, fortemente influenciado pelo iluminismo europeu. Foi editado por Johann Henrich Füsli. Circulava duas vezes por semana, com ampla informação internacional, que fez sua fama, uma vez que estavam proibidas as informações sobre os eventos locais. Seu lançamento representou a introdução de um novo tipo de jornal no país. Desde o começo, assumiu a defesa do liberalismo, em uma época em que essas idéias eram perigosas e a censura uma das mais rigorosas da Europa. Com uma circulação de mil exemplares, foi considerada a publicação mais importante da Suíça no começo do século XIX. Mas depois das guerras napoleônicas, com o retorno dos conservadores, a circulação caiu para menos da metade e enfrentou problemas financeiros.


A recuperação começou em 1821, quando passou a circular três vezes por semana e adotou o nome de ‘Neue Zürcher Zeitung’, que mantém até hoje. Seu editor, na época, era Paul Usteri, um médico e botânico que tinha sido presidente do Senado. Seu lema era liberdade individual, liberdade de opinião e liberdade de imprensa. Teve que enfrentar a pressão das grandes potências, que aumentaram a censura e preferiam uma Suíça desunida. Em 1831, Usteri foi eleito prefeito de Zurique; morreu um mês depois. O jornal teve grande influência na formação da democracia suíça e lutou para que os 22 cantões, que eram praticamente independentes, se unissem na Confederação Helvética, em 1848.


Já com periodicidade diária, publicou três edições diárias e lançou uma edição internacional em 1937. Nesse período foi banido da Alemanha por escrever que o líder nazista Hermann Göring tinha provocado o incêndio do Reichstach, o parlamento alemão, um atentado que o governo atribuía ao Partido Comunista. Irritada com as informações da imprensa da Suíça, a Alemanha ameaçou invadir o país durante a Segunda Guerra.


O prestígio, a circulação e a influência do ‘NZZ’ aumentaram continuamente depois da guerra – um exemplo é o respeito demonstrado pelo chanceler alemão Adenauer. Em 1975 vendia 100 mil exemplares. O nível mais alto de sua circulação foi em 2002, quando subiu até 166 mil cópias.


O ‘Neue Zürcher Zeitung’ é hoje um dos maiores grupos de comunicação da Suíça. Controla ou participa do capital de alguns jornais locais, como o ‘St. Galler Tagblatt’, em Gallen, na região oriental; ‘Der Bund’, em Berna; ‘Neue Luzerner Zeitung’, em Lucerna. A empresa também edita livros, publica revistas e prepara programas de televisão, com o mesmo espírito com que faz o jornal.


Na maioria dos países do centro e norte da Europa, os jornais circulam de segunda a sábado. São raros os publicados aos domingos. Pois bem, em uma iniciativa arriscada, o ‘NZZ’ decidiu lançar uma edição de domingo em 2002, na pior fase da recessão econômica do começo do século, à qual deu o nome de ‘NZZ am Sonntang’. Fez algumas concessões na forma. Publica matérias mais leves que a edição diária e usa com parcimônia ilustrações coloridas. Sua circulação, de quase 110 mil exemplares, indica que o risco calculado teve um resultado satisfatório.


Ao contrário dos outros grupos suíços de comunicação, como o Ringier e a Edipresse, que mantêm uma estrutura familiar, a empresa editora do ‘Neue Zürcher Zeitung’ não tem um proprietário definido. Seu capital, de 4 mil ações, está pulverizado entre 1,5 mil acionistas. Nenhum deles possui mais de 40 ações. Esta diluição do controle é uma garantia da independência do jornal. O ‘pequeno investidor’ do ‘NZZ’ precisa ter uma boa conta bancária: cada ação custa aproximadamente 110 mil francos suíços, o equivalente a quase R$ 200 mil.


Algumas nuvens, porém, apareceram no horizonte do jornal. Um dos principais problemas é a dificuldade para atrair leitores jovens. A idade média dos assinantes é superior aos 50 anos, fator que explica a atual tendência declinante da circulação. Este detalhe, e o fato de ter havido uma queda no volume de publicidade, provocaram uma queda de 65% no preço informal das ações da empresa, que não são negociadas na bolsa.


Para renovar-se e atrair leitores que nunca compraram a edição impressa, o ‘NZZ’ fez sérios investimentos na internet. Seu site, o ‘NZZ’ Online, é moderno, sóbrio, elegante e interativo. Atualiza as informações continuamente, com a colaboração das duas redações, e colocou no ar um serviço de informação financeira, o NZZ-Finfox. Em parceria com outros jornais suíços, montou um banco de dados nacional. Parte da informação disponível na internet é gratuita, mas contém seções de acesso pago.


A internet propiciou ao ‘NZZ’ não apenas a distribuição instantânea do conteúdo no mundo inteiro, de uma maneira que a versão impressa não permitiria. Possibilita também o acesso a suas informações para quem não lê alemão. Uma parte do conteúdo é traduzida para o inglês e colocado no ar.’

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