Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

CIêNCIA > VLADO, A MEMÓRIA NECESSÁRIA

Na Catedral da Sé, 30 anos depois

Por Audálio Dantas em 25/10/2005 na edição 272

Faz trinta anos, Vlado.


Faz trinta anos que aqui te sepultaram.


Faz trinta anos que esta terra te cobriu.


Havia pressa, tua presença de morto incomodava.


E por isso ordenaram que esta terra logo te cobrisse.


Mas a tua memória, Vlado,


esta ficou pairando sobre todas as iniqüidades


e gritando mais forte que o ódio insensato.


E gritando forte, muito forte, em nossas consciências.


Faz trinta anos, Vlado.


Nesse tempo, meu irmão, teu nome correu mundo


como se fosse um grito.


O grito de todos os outros cujos sacrifícios conseguiram manter em silêncio.


Faz trinta anos, Vlado.


Em vão ordenaram pressa em te cobrirem o corpo,


como se algumas pás de terra


pudessem sepultar contigo a nossa sede de justiça.


Sobre a tua sepultura, Vlado, ergueram-se as nossas vozes,


gritando NÃO ao ódio.


Faz trinta anos, Vlado.


E eis-nos aqui, unidos numa certeza:


‘Nenhum gemido de ninguém na Terra será oculto aos olhos do Senhor’.


Faz trinta anos, Vlado.


Pouco tempo diante da eternidade, da luta do homem pela liberdade.


Da tua luta, que é nossa hoje e será de teus filhos amanhã.

******

Jornalista, então presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, discursou no ato ecumênico em memória de Vladimir Herzog, em 31 de outubro de 1975, na mesma Catedral da Sé

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