Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

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Tecnologias estratégicas

Por Ethevaldo Siqueira em 10/04/2012 na edição 689
Reproduzido do Estado de S.Paulo, 8/4/2012

Nestes tempos de mudança tecnológica acelerada, seria altamente desejável que todas as empresas tivessem plena consciência do impacto que as quatro maiores tendências na área de tecnologia da informação (TI) – redes sociais, mobilidade, computação em nuvem e grande volume de informação (Big Data) – exercerão sobre o desempenho das corporações em 2012.

No cenário tecnológico deste ano, as quatro tendências funcionam como poderosas alavancas do desenvolvimento empresarial, segundo a visão do Gartner Research, uma das consultorias independentes de maior prestígio no mundo. Esse tema foi analisado por Cassio Dreyfuss, vice-presidente do grupo Gartner no Brasil, em entrevista a esta coluna durante a Conferência Data Center, realizada na semana passada em São Paulo.

A seguir, uma síntese dessas tendências e de seu possível impacto.

Redes sociais

Ninguém duvida de que as mídias sociais (Facebook, Twitter, Google etc.) deverão exercer papel extraordinário no desempenho dos negócios, no crescimento e na transformação das empresas nos próximos anos.

Mas nada acontecerá por acaso ou espontaneamente nessa área e, sim, como resultado de gestão adequada e de um bom plano de integração das redes sociais na estratégia de negócios e de colaboração de cada empresa. “É fundamental, portanto, que as empresas desenhem processos de negócios bem estruturados e utilizem as ferramentas sociais da melhor forma possível, com os objetivos para os quais foram projetadas”, adverte Cassio Dreyfuss.

As pesquisas, entretanto, comprovam que, no Brasil e no mundo, as empresas ainda não conferem às mídias sociais a prioridade que elas exigem. Ou seja: essas ferramentas ainda não estão entre as prioridades dos principais executivos das empresas, sejam eles presidentes (CEOs) ou diretores de informação (CIOs).

Mobilidade

Outra poderosa alavanca de transformação do cenário de negócios em todo o mundo é, sem dúvida, a mobilidade. Nessa área, as empresas apenas começam a perceber a importância da expansão dos smartphones, tablets e laptops, embora já estimulem seus empregados a trazer seu próprio equipamento portátil para o trabalho, na tendência sintetizada na frase: Bring your own device.

A grande maioria das empresas, no entanto, não parece estar consciente do verdadeiro impacto que a mobilidade terá, no curto prazo, na quebra de velhos paradigmas. Tudo isso deveria exigir resposta muito mais rápida dos departamentos de marketing, tanto na identificação de aplicações móveis como na elaboração de estratégias que aprimorem a experiência do usuário ou que proporcionem novos benefícios.

Hora da nuvem

O mundo descobriu, finalmente, a nuvem. Que significa isso? Com a chegada desse conjunto de tecnologias denominadas genericamente de computação em nuvem, as empresas precisam adequar-se com urgência a uma nova arquitetura que lhes permita utilizar todo o potencial do novo cenário, a cloud enabling architecture, no jargão.

Diante do desafio da nuvem, Cassio Dreyfuss enfatiza: “Essa nova arquitetura precisa ser buscada, com urgência, por todas as empresas e não apenas por um grupo ou uma minoria delas.”

A nova informação

A velha gestão da informação morreu. Por isso, o grupo Gartner sugere que as empresas esqueçam a velha gestão da informação do passado, que cuidava de dados estruturados, conhecidos, validados, verificados e armazenados. Aquela gestão se tornou totalmente inadequada diante da formidável massa de informações que a empresa recebe hoje sem ter planejado, a chamada Big Data.

A busca do sucesso

A grande pergunta é, então: como buscar o sucesso empresarial nesse novo cenário? Para os analistas do Gartner, a primeira condição para levar as empresas ao sucesso é superar o desafio do “ambiente indisciplinado” que predomina na América Latina.

Trocando em miúdos: esse ambiente empresarial indisciplinado resulta de estímulos demasiadamente numerosos e frequentes, que não permitem às corporações fazer uma análise completa de todas as forças e variáveis, tomar decisões e avançar.

Nesse cenário, é preciso ter muito mais foco no que se vai fazer e ir em frente com muito mais determinação. É essencial, também, que se busque o equilíbrio entre o potencial das novas oportunidades criadas pelo crescimento elevado e os desafios daí decorrentes.

Inovação é vital

Para as empresas, a inovação tecnológica se torna cada dia mais importante, pois os negócios precisam dela para avançar e ganhar e competitividade, em âmbito local e global. O cuidado que as empresas precisam ter é levar em conta que a inovação tem de ser puxada pelo negócio. Não se deve pensar, portanto, em inovação pela inovação.

Ferramentas de TI

A realidade nos mostra que a área de tecnologia da informação (TI) tem sido a menos prioritária e a mais mal arrumada das empresas. A quase totalidade das empresas acaba deixando para depois suas necessidades tecnológicas para atender às áreas de negócios. Isso não pode continuar. Se a área de TI não se tornar prioritária, modernizada, equipada e capaz de lidar com as ferramentas mais recentes, as empresas sofrerão sérios revezes em seus negócios. Não há opção nem como fugir desse caminho.

***

[Ethevaldo Siqueira é jornalista]

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