Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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Desafios da era pós-PC

Por Ethevaldo Siqueira em 21/08/2012 na edição 708
Reproduzido do Estado de S.Paulo, 19/8/2012; intertítulos do OI

O mundo vive a era pós-PC. São tempos marcados pela mobilidade e pelo uso crescente de dispositivos móveis, como tablets e smartphones, para acessar conteúdos e aplicações. As mudanças são, na realidade, resultado da ação de quatro forças que atuam ao mesmo tempo no cenário de tecnologia da informação (TI): mobilidade, redes sociais, computação em nuvem e internet, chamadas, no jargão internacional: mobile, social, cloud & information.

No conceito elaborado pelo Grupo Gartner, denominado “nexo das forças” (The Nexus of Forces), esses fatores funcionam como quatro alavancas, cada uma com seu papel e sua função. Assim, o papel da mobilidade, por exemplo, é ampliar as possibilidades de acesso às pessoas. As redes sociais, por sua vez, estimulam novos comportamentos e novas aspirações. A computação em nuvem nos dá novas formas de entrega ou de obtenção de serviços e aplicações. E a informação universalizada pela internet fornece novos contextos às empresas e às pessoas.

Em passado recente, essas quatro forças atuavam quase isoladamente. Atualmente, elas convergem e atuam em conjunto, com grande sinergia. Vale a pena rever esse tema, focalizado na semana passada na Conferência sobre Arquitetura de Aplicações, Desenvolvimento e Integração em TI, realizada em São Paulo pelo grupo Gartner. A era pós-PC não significa, necessariamente, que o desktop ou o laptop tenham morrido. Nem que estejam em vias de desaparecer no curto prazo. O computador pessoal, embora tenha perdido a hegemonia do passado e a maior parte do espaço que ocupava nas empresas, ainda deverá ter seu lugar por muito tempo. O fato extraordinário é que dele nasce uma longa cadeia de subprodutos e dispositivos móveis.

“Dispositivos móveis vão reinar”

Na era pós-PC, o número de dispositivos móveis nas empresas passa a ser muito maior do que o de desktops. E, em 2015, essa proporção será ainda mais desequilibrada. Segundo preveem os especialistas, para cada PC, haverá quatro dispositivos móveis (tablets ou smartphones) nas corporações. Um problema sério para muitas empresas é não compreender a importância da mobilidade nem o significado da mudança de paradigmas. Embora a mobilidade nas comunicações tenha praticamente começado com o celular há mais de 30 anos, a grande convergência de tecnologias é bem mais recente.

O mais surpreendente nessa evolução é comprovar os poderosos recursos acrescentados às redes, bem como a cada dispositivo, hoje transformado em poderoso terminal de comunicação e de computação, graças à microeletrônica, à banda larga, à multiplicidade de interfaces, à computação em nuvem, à internet e às redes sociais. Mas torna, também, o novo ecossistema muito mais complexo. “O lançamento do iPhone, há cinco anos, marca uma mudança rumo a um futuro dominado pelos dispositivos móveis. Smartphones e tablets deixam, então, de ser simples ferramentas de comunicação para se transformar em plataformas de aplicações e de acesso a informações” – afirma David Smith, analista de pesquisa e vice-presidente de pesquisa do Gartner Group.

Na visão desse pesquisador, as mudanças ocorridas com a mobilidade no comportamento humano vieram para ficar. “As pessoas já não executam programas apenas em desktops e notebooks, mas sim, em dispositivos móveis, que acompanham o usuário onde ele estiver e quando necessitar. Essa revolução da mobilidade cria um novo ecossistema e, daqui para frente, são os dispositivos móveis que vão reinar.”

Novas técnicas de interface

Smartphonese tablets assumem, então, com vantagens, a função que era dos desktops e laptops na maioria dos serviços e aplicações, não apenas para atender às necessidades do usuário individual, mas, em especial, como ferramentas essenciais à computação corporativa.

Nesse novo cenário, dizem os especialistas, empresas de TI e corporações em geral devem mudar de estratégia, aprimorar suas aplicações e interfaces para responder ao grande crescimento da demanda por novos canais – como, por exemplo, transação entre empresas (B2B, ou business-to-business); entre empresa e empregados (B2E ou business-to-employees) e entre empresa e consumidor (B2C ou business-to-consumer). Com a universalização da comunicação móvel, torna-se conveniente, em muitos casos, que os empregados tragam sempre seus equipamentos de uso pessoal – estratégia conhecida pela sigla Byod (de bring your own device). Mas é essencial que esses dispositivos móveis estejam sempre tecnologicamente atualizados.

Um dos maiores avanços que a tecnologia oferece nos últimos anos e revoluciona os dispositivos móveis é a interface muito mais amigável e intuitiva proporcionada pelas telas de toque (touchscreen) e pelo comando por gestos. Além disso, a relação homem-máquina é enriquecida pelos canais de áudio e vídeo. Imagine o valor que assumem a cada dia os comandos de voz nas buscas e ações das aplicações. Por sua vez, o emergente canal de vídeo começa a viabilizar o reconhecimento facial e de gestos.

Cabe, então, às empresas acompanhar de perto os avanços que ocorrem a cada dia nas novas técnicas de interface de usuário (como toque, áudio, vídeo, gestos, busca, social e contexto) e criar um novo caminho para o futuro.

***

[Ethevaldo Siqueira é colunista do Estado de S.Paulo]

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