Segunda-feira, 27 de Abril de 2015
ISSN 1519-7670 - Ano 18 - nº 847

E-NOTíCIAS > SEGURANÇA DIGITAL

Com smartphones e web, peritos têm mais desafios

Por Bruna Cortez em 11/09/2012 na edição 711
Reproduzido do Valor Econômico, 10/9/2012; intertítulo do OI

A popularização dos smartphones é uma tendência que vem trazendo novos desafios para o trabalho de investigadores forenses especializados em informática. Antes, quando um perito tinha de examinar o celular de um traficante de drogas ou de alguma vítima de homicídio, por exemplo, a análise se resumia basicamente ao histórico de chamadas telefônicas e de mensagens de texto (SMS). Com os smartphones – que têm uma gama muito maior de recursos, incluindo o acesso à internet e aplicativos –, a quantidade de dados que esses peritos têm de capturar aumentou significativamente.

O fato de a maioria dos smartphones tirar fotos e gravar vídeos é um dos fatores que contribuem para esse novo cenário, segundo Marcos Vinicius Lima, perito criminal do serviço de perícias em informática da Polícia Federal. “Com esse tipo de equipamento, há uma capacidade muito grande de gerar informações”, disse. Em 2008, o serviço de perícias em informática da Polícia Federal analisou aproximadamente 500 mil terabytes de dados – o equivalente a 100 milhões de gigabytes – relacionados a investigações de diversos tipos de crimes, segundo Lima. Não há dados mais recentes, mas aspectos como a popularização dos smartphones e outros dispositivos móveis indicam que esse volume tenha aumentado consideravelmente desde então.

Para os peritos criminais em informática, a batalha para coletar e armazenar todo esse volume de dados – chamados de evidências digitais – é inglória. Apesar de a quantidade de informações ser cada vez maior, os peritos não têm como acelerar esse trabalho de análise. “Temos regras próprias para seguir e isso toma tempo”, explicou Lima. “Não podemos simplesmente sair mexendo no aparelho.”

Acesso à informação ficou mais difícil

Em último caso, deixar de seguir algum desses critérios de investigação pode até levar um juiz a recusar o uso de uma determinada prova digital no julgamento de um crime.

Além dos smartphones, o modelo de computação em nuvem é outra tendência tecnológica que vem mudando a rotina de trabalho dos peritos especializados em informática. Como nesse caso as informações são acessadas via internet, o conteúdo relacionado à investigação pode estar armazenado em qualquer servidor da rede mundial e não apenas na memória do computador analisado, como era comum acontecer antes.

Se as fotos relacionadas a um crime de pedofilia forem armazenadas, por exemplo, no serviço Skydrive, da Microsoft, o perito só terá acesso a esses arquivos depois que um juiz expedir um mandado judicial obrigando a companhia a fornecer os dados necessários para a investigação. Não por acaso, o acesso à informação também ficou muito mais difícil, segundo disse Lima.

***

[Bruna Cortez, do Valor Econômico]

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Com smartphones e web, peritos têm mais desafios

Por Bruna Cortez em 11/09/2012 na edição 711
Reproduzido do Valor Econômico, 10/9/2012; intertítulo do OI

A popularização dos smartphones é uma tendência que vem trazendo novos desafios para o trabalho de investigadores forenses especializados em informática. Antes, quando um perito tinha de examinar o celular de um traficante de drogas ou de alguma vítima de homicídio, por exemplo, a análise se resumia basicamente ao histórico de chamadas telefônicas e de mensagens de texto (SMS). Com os smartphones – que têm uma gama muito maior de recursos, incluindo o acesso à internet e aplicativos –, a quantidade de dados que esses peritos têm de capturar aumentou significativamente.

O fato de a maioria dos smartphones tirar fotos e gravar vídeos é um dos fatores que contribuem para esse novo cenário, segundo Marcos Vinicius Lima, perito criminal do serviço de perícias em informática da Polícia Federal. “Com esse tipo de equipamento, há uma capacidade muito grande de gerar informações”, disse. Em 2008, o serviço de perícias em informática da Polícia Federal analisou aproximadamente 500 mil terabytes de dados – o equivalente a 100 milhões de gigabytes – relacionados a investigações de diversos tipos de crimes, segundo Lima. Não há dados mais recentes, mas aspectos como a popularização dos smartphones e outros dispositivos móveis indicam que esse volume tenha aumentado consideravelmente desde então.

Para os peritos criminais em informática, a batalha para coletar e armazenar todo esse volume de dados – chamados de evidências digitais – é inglória. Apesar de a quantidade de informações ser cada vez maior, os peritos não têm como acelerar esse trabalho de análise. “Temos regras próprias para seguir e isso toma tempo”, explicou Lima. “Não podemos simplesmente sair mexendo no aparelho.”

Acesso à informação ficou mais difícil

Em último caso, deixar de seguir algum desses critérios de investigação pode até levar um juiz a recusar o uso de uma determinada prova digital no julgamento de um crime.

Além dos smartphones, o modelo de computação em nuvem é outra tendência tecnológica que vem mudando a rotina de trabalho dos peritos especializados em informática. Como nesse caso as informações são acessadas via internet, o conteúdo relacionado à investigação pode estar armazenado em qualquer servidor da rede mundial e não apenas na memória do computador analisado, como era comum acontecer antes.

Se as fotos relacionadas a um crime de pedofilia forem armazenadas, por exemplo, no serviço Skydrive, da Microsoft, o perito só terá acesso a esses arquivos depois que um juiz expedir um mandado judicial obrigando a companhia a fornecer os dados necessários para a investigação. Não por acaso, o acesso à informação também ficou muito mais difícil, segundo disse Lima.

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[Bruna Cortez, do Valor Econômico]

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