Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1006
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Facebook quer cobrar por postagens

Por Sergio da Motta e Albuquerque em 09/10/2012 na edição 715

Num movimento inesperado, o Facebook iniciou um experimento que vai trazer uma mudança radical em sua política de gratuidade. O Financial Times informou (3/10) que a megarrede de 1 bilhão de usuários “está testando um produto nos Estados Unidos que permite que usuários comuns paguem para promover suas próprias atualizações de status”.

Zuckerberg e sua companhia precisam de mais renda do site, mas alguns analistas temem que a iniciativa possa afetar a relação de afeto que os usuários têm com a rede, “com gente a pagar para fazer o marketing de suas próprias vidas sociais”. A observação parece um pouco ingênua: o Facebook é um site onde as pessoas promovem a si mesmas. Lá, muitos fazem de graça a propaganda de suas vidas, suas conquistas pessoais e profissionais, seu grau de escolaridade e gostos pessoais em diversas áreas e atividades. O Facebook sempre foi um site de marketing pessoal. Uma passarela de vaidades, para muitos. A única diferença é que agora alguns dispostos a pagar poderão aumentar a notoriedade de suas vidas e egos com dinheiro.

A crítica Rebecca Lieb não gostou da novidade: “Isso é transformar consumidores em anunciantes”, denunciou. Rebecca acredita que este é mais um meio do Facebook arrancar mais dados dos usuários. “Qualquer um que pague para promover um post vai fornecer seu número de cartão de crédito”, protestou a analista. A rede de Zuckerberg não aceita pagamentos na moeda própria do site. Se dinheiro vivo milagrosamente pudesse circular na web, o Facebook certamente daria preferência a ele. E cinicamente iria declarar que só fez a opção para proteger a privacidade dos usuários.

Arrogância de menino mimado

A ideia foi primeiro testada na Nova Zelândia (país que o Facebook usa como laboratório para suas inovações) e depois passou para vinte outros países. Os preços variam entre US$ 1 e US$ 12 (cerca de R$ 24). O produto já está à venda nos Estados Unidos (o maior gerador de renda do site). Custa US$ 7 para cada usuário com menos de 5 mil “amigos” no Facebook. Até o momento, as atualizações das postagens são organizadas de acordo com o sucesso delas na rede: aquelas que recebem mais reconhecimento e comentários são colocadas em primeiro lugar. É um sistema de méritos que vai acabar, com as postagens pagas sendo apresentadas em primeiro lugar. O Facebook garante maior visibilidade e destaque customizado para as postagens pagas.

A invenção gerou protestos e elogios. Alguns acreditam que a novidade paga poderá beneficiar músicos, artistas e escritores em busca de promoção. O site de Zuckerberg apresentou um exemplo em que fica demonstrado que uma postagem paga é vista 3,8 vezes mais do que uma gratuita.

Mas a maioria não gostou da ideia. Criaram grupos de oposição a ela e acusaram o Facebook de tentar arrancar dinheiro de seus usuários para aliviar a pressão dos investidores decepcionados com o pífio resultado do lançamento público das ações da rede social. Os protestos cabem e são justos, mas não só pela queda do preço das ações. O Facebook fracassou com a Spartan, sua plataforma para telefonia móvel, e precisa compensar o prejuízo rapidamente. Perdeu lugar para o Google, que comprou a Motorola Mobility e desenvolveu o Android, e para a Apple, a veterana do ramo e que também controla hardware e software próprios (iPhone e iOS). Tentando obstinadamente uma autossuficiência arrogante de menino mimado, Zuckerberg só levou prejuízo. A telefonia móvel no momento é o sonho dourado das principais plataformas digitais da web e o Facebook ficou para trás da concorrência. Por isso agora anda de olho no bolso dos usuários.

Erro de proporções colossais

O próprio Zuckerberg reconheceu o erro. Um blog do periódico californiano San José Business Journal (11/9) publicou que ele declarou que o maior erro estratégico do Facebook na disputa pelo mercado da telefonia móvel foi a insistência em empregar a linguagem de programação HTML5 para uso na web móvel, que levou a um desempenho inferior. Em vez disso, seria melhor ter investido em aplicativos para Android do Google ou iOS da Apple: “A companhia passou de 10 a 12 meses focada no HTML5, antes de entender que não era o caminho a seguir”, confessou Zuckerberg.

Ao dar essa declaração, Zuckerberg reconheceu, gostando ou não, que perdeu para a concorrência. Que não trabalhou com a rapidez necessária. Que acreditava que poderia vencer todos em tudo. Foi um erro de proporções colossais não reconhecer em tempo hábil os inúmeros problemas da nova versão do código das páginas da web.

Mais cedo ou mais tarde, a coisa deve chegar ao no Brasil. E você, caro leitor? Está disposto a ajudar um multimilionário num momento “difícil”?

***

[Sergio da Motta e Albuquerque é mestre em Planejamento urbano, consultor e tradutor]

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