Quarta-feira, 14 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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2013: e depois do paywall?

Por Danilo Thomaz em 24/12/2012 na edição 726

A aguardada adoção de uma barreira de cobrança para conteúdo na internet peloNew York Times e a surpreendente aceitação do mesmo junto ao público leitor – o jornal conta com cerca de 500 mil assinantes digitais – tirou o mercado jornalístico da letargia na busca por um novo modelo de negócio. Em um ano, mais de 200 jornais americanos adotaram o modelo. Entre eles, o Los Angeles Times, o USA Today e, conforme anunciado, o Washington Post deve fazer o mesmo em 2013. Na Inglaterra, The Times, em sua edição semanal e dominical, adotou o mesmo modelo. No Brasil, a Folha de S.Paulo e o Zero Hora.

Isso não significa, porém, que o paywall seja o novo e definitivo modelo de negócio para a imprensa na Era Digital. Diferentes tipos de jornalismo são feitos na internet, cada qual dentro de um modelo de linguagem e financiamento, que pode ou não se mostrar rentável.

No que diz respeito às empresas de jornalismo tradicional presentes na rede, a aceitação do modelo de cobrança do Times e dos jornais econômicos The Wall Street Journal e Financial Times – que já impunham essa barreira de cobrança – mostra que há uma audiência disposta a pagar por um conteúdo de qualidade e tradição, e que o paywall é não apenas uma maneira de obter um financiamento online com circulação, como também de atrair assinantes para outras plataformas. Conforme fora mostrado no último relatório da ABC, a circulação dos jornais impressos americanos tem-se mantido estável de segunda a sábado e a audiência das edições digitais aumentado.

Rumos e lucros

A adoção do paywall é apenas o início da trajetória de uma nova era do jornalismo na internet. O ano de 2013 mostrará os limites do modelo. Viu-se, com a sua adoção, que há uma audiência disposta a pagar por determinado tipo de conteúdo produzido pelas empresas de jornalismo tradicional dentro da internet e que ele é um meio de manter a circulação das versões impressas.

Porém, outras dificuldades persistem. Tendo por base os dados recentes da indústria jornalística, a perda com a receita publicitária deve se manter nos próximos anos, mas em bases menores do que as verificadas em 2008 e 2009, como já tem ocorrido. As empresas tampouco parecem afeitas ou em condições de criar formas de remuneração que estejam além do binômio de dois séculos, baseado na circulação e na publicidade.

As questões que se colocam agora são as seguintes: o tamanho da audiência disposta a pagar por conteúdo online; quais veículos conseguirão uma base de assinantes online, via paywall, próxima ao número dos assinantes em papel e quais irão conquistar uma base incapaz de sustentar sua produção jornalística e sua margem de lucro; a viabilidade do modelo paywall fora de uma estrutura multiplataforma de conteúdo e fontes de recursos. O paywall somado à receita publicitária via internet é capaz de sustentar a produção e o lucro de uma empresa jornalística que não tenha mais a fonte de renda do meio impresso?

A resposta, que virá em 2013, determinará os novos rumos a serem tomados por empresas como a que edita o New York Times, a Folha de S.Paulo, The Times e outros veículos tradicionais. A pergunta será: o que faremos além do paywall?

***

[Danilo Thomaz é jornalista e repórter da revista Capital Aberto]

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